6 de out de 2009

o aluno que se vire...

"A ABDR estima um prejuízo de R$ 400 milhões por ano por causa das cópias ilegais" (ESP) ou de mais de R$ 1 bilhão ao ano (ABDR), pois as cópias corresponderiam a exemplares não vendidos.

o advogado autoralista túlio vianna rebate tais "estatísticas mirabolantes": "O sofisma funda-se no argumento cretino de que todo aquele que pirateia uma obra intelectual, caso fosse impedido de fazê-lo, necessariamente compraria o produto." (JUS)

comenta o pesquisador pablo ortellado: a legislação autoral brasileira "tem muito poucos dispositivos de acesso. Por exemplo, não permite cópia para fins educacionais, só pequenos trechos. Como pode? Em um dos meus cursos, utilizo um livro que custa R$ 600, para algumas aulas apenas. Fizemos um estudo com alunos da USP, que é uma universidade de elite, e vimos que, se fossem comprar toda a bibliografia básica exigida em um ano, 85% dos alunos gastariam toda a renda familiar por mês." (AR)

"Gastei R$ 130 em um livro no ano passado e me arrependi porque usamos apenas dois capítulos na aula", conta uma estudante do curso de administração. (ESP)

Docentes autores de livros universitários não se importam tanto quanto as editoras com a disseminação dos xerox. "Não ganhamos quase nada com direito autoral. O que o autor quer é que o livro esteja acessível, mesmo que seja uma cópia", declara um autor. (ESP)

Um estudante no segundo ano do curso diz que, até agora, não pôde comprar um só livro pedido. "Tiro xerox dos capítulos mais importantes. Caso contrário, não teria como freqüentar as aulas", diz. Na área de saúde, as obras costumam custar entre R$ 200 e R$ 300. (IAA)

Principalmente nas carreiras da área de humanas, cada aula tem como base um ou mais capítulos de um determinado livro. A aula perde o sentido se o aluno não ler previamente o que foi pedido. "Precisaria comprar 40, 50 livros por ano", diz um estudante de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (IAA)

Alunos e professores afirmam que o uso de xerox é indispensável para o ensino. O chefe de gabinete da reitoria da PUC-SP afirma que o problema das cópias é "educacional e cultural", e não de pirataria. (JC)

"As bibliotecas estão aquém do que deveriam, mas mesmo se existissem bibliotecas ultra-equipadas, a cópia continuaria sendo necessária, pois a população dos leitores é grande" (JC)

A liberação da cópia com fins educacionais é a principal reivindicação dos estudantes. Aluna conta que acabou de comprar a cópia inteira de um livro de anatomia por R$ 30. Na livraria, a publicação custaria R$ 300. "Até gostaria de comprar, mas não dá. Ninguém gosta de fazer xerox, todos preferem ter o livro na estante, mas é tudo muito caro." (ADUR)

Alunos de diversos cursos dependem de cópias de livros esgotados, muito caros ou difíceis de encontrar para ter o material que deve ser lido, para acompanhar as aulas e para fazer trabalhos na faculdade. (UFF)

Estudante do 5º ano diurno da Faculdade de Direito disse que tira xerox de livros porque, muitas vezes, precisa "apenas de um capítulo". Outra razão para a prática, segundo o estudante, é o preço elevado de algumas obras. (APR)

Mesmo pressionada por editoras e autores, a PUC-SP decidiu liberar aos alunos o uso de xerox de livros, que estava restringido havia nove meses na instituição. Há anos as instituições de ensino do país sofrem pressão da ABDR, que recorre a blitze policiais e invasões armadas nas universidades. (FSP)

"Para que a atividade didática continue sendo exercida, ela depende de leitura dos alunos. Por isso autorizamos o retorno das cópias", disse o chefe de gabinete da reitoria da PUC.
A ABDR considera que as medidas tomadas pela PUC-SP e pela USP desrespeitam a lei: cópia de apenas duas páginas já extrapola o permitido por lei, e o dono da máquina de xerox enriquece ilicitamente. (FSP)

Segundo a ABDR, a solução é simples: basta as bibliotecas das universidades comprarem quantidade suficiente de exemplares das obras para atender simultaneamente a todos os estudantes que precisarem delas. Ademais, o estudante "efetivamente" carente deve consultar e ler os livros na própria biblioteca. (Cartilha da ABDR)

Do contrário, alerta Enoch Brüder, o presidente da ABDR: "se continuar assim, ninguém mais vai querer publicar livros, e os alunos vão ter que se virar para ler obras em inglês ou francês". (FSP).

Um comentário:

  1. Denise, eu fiz faculdade de Biologia. Meu livro de Zoologia (há 24 anos) custava o que hoje seria uns R$ 400. Todo ano tem congresso internacional de Zoologia. Todo ano um bicho era em agosto e eu comprava o livro em fevereiro, em seis meses meu livro ficava ultrapassado. Não podia sequer vendê-lo para os alunos do ano seguinte.

    Quando trabalhei em mercado editorial, uma das sugestões apresentadas num encontro de editoras foi o "upgrade" de livros, a venda avulsa de capítulos e as cópias "de bolso" - a maioria dos livros universitários tem capa dura. A resposta foi "Aí um compra o capítulo ou faz o upgrade e todo mundo copia. Com capa dura é mais difícil botar o livro na máquina de xerox."

    E fica tudo como antes no quartel de Abrantes.

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