5 de out de 2009

ganância por encomenda

no sábado saiu na folha de s.paulo uma matéria sobre a impressão por encomenda.

"E EU COM ISSO?
A maior vantagem da impressão sob encomenda é permitir que títulos já esgotados sejam comercializados novamente. Além dos sebos, o consumidor poderá encomendar edições novas em livrarias e sites."

é uma tecnologia excelente, louvo muitíssimo, acho ótimo qualquer pessoa poder ir numa impressora e mandar imprimir um livro em domínio público, esgotado, órfão, ou seja, liberado para uso privado, pagando uma pequena taxa, como no sistema da empresa americana on demand, em parceria com o google books.

por outro lado, que as editoras brasileiras coloquem seu catálogo para sistema de impressão por encomenda, do jeito que vêm fazendo, me levanta algumas interrogações:
- se a distribuição pelo circuito normal das livrarias corresponde alegadamente a um custo de cerca de 50% do preço final do livro, por que este mesmo livro impresso sob demanda não se torna mais barato?
- por que, se eu compro um livro direto pelo site da ediouro, por exemplo, tenho que pagar pela tabela cheia cobrada pelas livrarias? aliás, muitas livrarias dão desconto, o que torna o livro do sistema por encomenda da bandexpress/ediouro ou da bandexpress/unesp ainda mais caro...

e no caso de obras que não são mais impressas em tiragens "normais", mas estão disponíveis para impressão por encomenda no catálogo das editoras: nunca se tornarão esgotadas. o que é ótimo, por um lado, mas por outro lado me parece uma espécie de ishperteza meio forçada para bloquear qualquer tentativa de liberalização e flexibilização social dos direitos exclusivos de reprodução.

de uma tacada só, eleva-se brutalmente o preço do livro em termos proporcionais, com o enorme aumento da margem de lucro do editor ao dispensar o circuito de distribuição convencional, mas sem repassar ao leitor um único centavo dessa redução de custos, e mantém-se a obra potencialmente "ativa" em catálogo, "por encomenda", pelos 70 anos de exclusividade sobre ela após a morte do autor.

a legislação brasileira terá de ser muito clara em sua definição de "obra esgotada", "obra abandonada" e "obra órfã" para contemplar os verdadeiros e legítimos interesses da sociedade - não é com um engessamento privado cada vez maior das obras que se terá uma maior circulação cultural.

imagem: gesso sob encomenda


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