15/01/2009

o valor das coisas


queria esclarecer umas coisas quanto ao tradutor de livros:

- tradutor não é um pobre coitado nem ganha uma "merreca" - é uma profissão digna, uma atividade com uma remuneração que permite que ninguém passe necessidade: talvez você não consiga dar uma ferrari de presente para seu genro nem tomar veuve clicquot todo dia, mas mesmo assim...

- tradutor não é desvalorizado, pelo contrário: o bom tradutor é disputado, e muitos livros são comprados ou apreciados pelo nome de quem o traduziu

- tradutor não é só alguém que pega palavras numa língua estrangeira e põe em português: o tradutor é um dos principais agentes a criar e a definir o que é o vernáculo de qualquer país, sobretudo um país de formação colonial e língua minoritária, como o brasil

- qualquer editora minimamente decente sabe que seu êxito depende de traduções que prestem: a boa editora é a primeira a valorizar o trabalho de tradução.

então, por favor, gente, o nãogostodeplágio não entoa a cantilena dos mendigos.

se os tradutores lesados quiserem protestar, e deveriam querer, eles saberão o caminho a tomar.
se as editoras lesadas pela concorrência desleal resolverem reagir, com certeza saberão se virar muito bem.

aqui o nãogostodeplágio está preocupado com dois problemas: o do leitor que compra um livro na boa-fé e o do patrimônio intelectual do país lesado pelas falcatruas.

então agradeço inúmeras manifestações compassivas em relação ao tradutor - mas digo: compaixão tem que ter é pelo leitor e por nossa parca bagagenzinha cultural.

3 comentários:

  1. Clap, clap, clap duplo!

    Com revisores é a mesmíssima coisa. Existe uma diferença bem grande entre um profissional sério, constante e requisitado para fazer um bom serviço, e aqueles tradutores ou revisores de ocasião, que não sabem nem bem do que se trata a coisa, mas "acham que dá", porque "sabem português" ou fizeram um cursinho de línguas.

    Para editoras que catam colaboradores na rua, tudo de boldo! Nem elas mesmo sabem a que vieram.

    Mas o mundinho profissional é outro, graças a Deus.

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  2. Mestra

    A luta da senhora me leva a refletir:

    Parece bobagem pedir aos envolvidos na indústria cultural mais seriedade no exercício de suas atividades, não se conformando com a simulação generalizada.

    A cultura do acobertamento da incompetência parece mais lucrativa, e funciona a tanto tempo em certas ilhas remotas...


    Que Deus nos proteja.

    Um abraço.

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