13 de jan de 2009

sobre docências e indocências


tenho batido um pouco forte nos orientadores que desorientam, nos professores que desensinam, nos alunos que se acomodam e assim por diante.

que ninguém me leve a mal, e entendam que, se protesto, é justamente porque levo a sério o papel dos docentes, a importância das instituições de ensino, o empenho dos estudantes e tudo o mais.

vamos recapitular o caso da claret. ela vinha lépida e fagueira ao longo dos anos, publicando barbaridades.

um docente do departamento de filosofia da universidade de goiás, que demonstra não ser bobo nem laxiste, que domina seu métier, conhece a bibliografia que indica, respeita o valor da integridade intelectual, sabe que é responsável pelo que diz e faz perante seus alunos, em setembro de 2007 alerta um jornal de seu estado e avisa que a república da claret é plágio da república da calouste gulbenkian, que pietro nassetti é cópia de maria helena da rocha pereira.

eu jamais saberia disso, acho que 99,9999999% dos brasileiros jamais saberiam disso. claro que sempre há os pedantes que acham que sabem tudo, mas que também se acham importantes demais para se darem ao trabalho. tirando esses excêntricos parasitas, repito, acho que 99,9999999% dos brasileiros não se dariam conta do plágio.

então vem esse senhor muito digno, dr. gonçalo armijos, da universidade federal de goiás, cumpre com o que lhe parece ser seu dever profissional, intelectual e cívico, alerta o jornal opção na figura de euler de frança belém, o jornal entrevista o editor e proprietário da nefanda martin claret, publica uma matéria que marcou época, vem a folha de s.paulo e dá divulgação nacional a essas calamidades da martin claret apodrecendo esse segmento do mercado editorial.

o resto já virou história.

o que vale ressaltar é que é um digno funcionário público, um doutor de uma universidade pública mantida com dinheiro público que vem a público denunciar publicamente a fraude de que o público é vítima. é tudo público.

foi dr. gonçalo armijos que veio lá de sua salinha da universidade, que saiu lá de seu departamento e de seu instituto, que pôs o nariz para fora de suas altas pesquisas, e veio a nós, brasileiros, ingênuos leitores, e disse: gente, etc.etc.

meu ponto é que a universidade, sobretudo na área de filosofia, letras e ciências humanas, inegavelmente anda fazendo um papelão, nessa indecência de ser conivente com a mais baixa degradação intelectual - e, por ser conivente com isso, naturalmente se degrada também. e cada docente que indica ou acoita o mais grave crime do ponto de vista intelectual, a saber, o plágio, está se degradando de idêntica maneira. no meu tempo, dizia-se que havia um "pacto da mediocridade" na universidade - pelo jeito, hoje em dia tem-se é um "pacto da ruindade".

mas meu ponto principal é que a universidade também conta com docentes sérios, com pessoas dispostas a colaborar com a vida cultural do país, com gente que acha que o trabalho do espírito tem algum mérito e que a honestidade intelectual é um valor a ser preservado.

então abaixo todos os indocentes e vivam os docentes de verdade de todo o país!

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