22 de jan de 2009

a ambiguidade ontológica do (i)mortal arnaldo niskier


no ano passado, com um intervalo de três meses e meio entre a redação e o despacho da missiva, recebi aqui em casa um envelope contendo uma linda moção da academia brasileira de letras, cheia de lindos timbres - "ad immortalitatem" - com a assinatura em tinta de verdade do presidente cícero sandroni, expressando a "grande preocupação" da academia à qual "pertencem alguns dos mais ilustres tradutores brasileiros", declarando "emprestar seu integral apoio" ao protesto contra os plágios de tradução, em defesa da "nobre atividade que vem sendo achincalhada por casas editoriais indignas de seu nome".

bom, quem acompanha este humilde blog e minha persistência de moscardo na questão dos plágios sabe muito bem que mandei individualmente a todos os imortais um histórico e dossiê das fraudes cometidas nessa infeliz terra do plagiato desbragado, e até hoje continuo a infernizá-los com meus boletins informativos. ou seja, nenhum deles pode alegar ignorância.

então a pergunta é: o sr. cícero sandroni, como presidente da academia brasileira de letras, ao me enviar aquelas cartas, estava falando em nome de quem? de todos os imortais? da maioria dos imortais? de alguns imortais? dele mesmo?

pois o ilustre imortal arnaldo niskier está presente, lépido e fagueiro, na chapa mais espantosa que já vi na vida, concorrendo a um cargo na vice-presidência da câmara brasileira do livro.

resumindo: O IMORTAL NISKIER É CONTRA OU A FAVOR DOS PLÁGIOS?

se ele for contra os plágios, que renuncie à sua infamante candidatura na chapa com editores que publicam ou mantêm em catálogo obras plagiadas, na disputa pelo comando da principal entidade do livro no país.

se ele for a favor dos plágios, que renuncie condignamente à sua cadeira na academia brasileira de letras.

em suma: não tem como adotar as duas posições ao mesmo tempo - ou se aceita ou se repudia o plágio.

imagem: carmen miranda

Um comentário:

  1. Denise,
    é um passinho para frente e dez passadas largas para trás... que desalento, que vergonha!

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