4 de jan de 2009

sobre desmemórias

retomo aqui um texto que publiquei alguns meses atrás, num outro blog. considero que continua atual, infelizmente!

é um problema...
teve aí um povo que não gostou muito dessa história na imprensa mostrando que grandes obras da literatura universal tinham sido publicadas em traduções antigas e consagradas, com algumas ou nenhumas alterações, mas atribuídas a outros nomes quaisquer, num claro delito de plágio, falsificação ideológica e apropriação indébita.

aí, mexe daqui, mexe dali, descobre-se que não eram duas ou três obras, mas sim vinte, vinte e cinco, concentradas numa fornada de quarenta.

então a coisa começa a adquirir uma dimensão um pouco mais abrangente, parecendo que não é só meio por acaso.

e começa-se a publicar os cotejos mostrando que não era algo avulso, mas uma onda meio alarmante.

e aí primeiro aparece uma mensagem apócrifa da nova cultural, e depois uma gerente financeira dizendo que estão verificando o que pode ter acontecido.

a seguir vem a imprensa, que quer saber que coisa é essa que está acontecendo. a gente expõe. e aí a nova cultural começa a tirar de catálogo aquela coisarada toda meio esquisita.

só que tudo isso ocorre em meio a entrevistas e depoimentos dos responsáveis da época, dizendo "não sei, nunca soube", "ah, não lembro", "isso não era comigo", e por aí vai.

richard civita liga para um dos lesados (pelo menos é o que este me disse), paga-lhe um almoço e propõe um acordo, batendo no peito, dizendo que não sabe de nada e que afinal este é um dos problemas de delegar responsabilidades.

janice florido, com mais de vinte anos de casa na abril/nova cultural, responsável também por bianca, sabrina e a chamada "linha cor-de-rosa" de romances açucarados em bancas, depois alta executiva da siciliano e agora diretora da ediouro em são paulo, tem um acesso de amnésia, diz que a memória de três anos atrás lhe foge e que não lembra quem cuidava das traduções.

o editor responsável da época, eliel silveira cunha, diz que nunca soube como era essa questão das traduções na coleção obras-primas.

shozi ikeda, o tal diretor administrativo-financeiro, que supostamente deveria autorizar os pagamentos para os prestadores de serviços e colaboradores (entre eles os tradutores) para a empresa, desconversa e diz que estão vendo o que pode ter acontecido.

gente, quanta história! o que aconteceu é simples: lançaram milhões de exemplares de grandes clássicos da literatura universal com traduções ou trechos de traduções legítimas, mas dando os créditos a outros nomes, como fábio m. alberti, enrico corvisieri, mirtes ugeda coscodai, carmen lia lomonaco, roberto nunes whitaker, maria cristina figueiredo da silva, e mais um monte de gente, num franco procedimento plagiarista.

então, o que posso dizer? se shozi ikeda, o diretor administrativo-financeiro da nova cultural, não está a par, ele bem que pode consultar os livros contábeis e de controle interno, onde devem estar registrados os pagamentos, devem estar mencionados os títulos das despesas, arquivados os recibos e as autorizações de pagamento à tesouraria, e assim por diante. numa dessas, quem sabe ele até encontra os contratos de cessão dos direitos patrimoniais dessas supostas traduções.

se a publisher sra. janice florido, ex-diretora editorial da nova cultural, não lembra, o que posso dizer? que talvez não seja tão eficiente quanto a imagem que pretendeu passar para a siciliano (a qual foi vendida poucas semanas atrás para a saraiva) e para a ediouro, que a contratou para seu braço paulista.

se eliel silveira cunha, o editor de tantas obras na época, junto com a coordenadora geral sra. janice florido, nem fazia idéia de onde vinham as traduções, bom.... com um pessoal desmiolado como esse, até admira que a nova (in)cultural tenha conseguido publicar alguma coisa!

mas o ponto em questão não é este, de maneira alguma.
se os principais encarregados da época não sabem, não lembram, pouco vem ao caso.
seus atuais empregadores é que decidam o que haverão de fazer com funcionários assim.

meu ponto é: lembrem ou não, saibam ou não, queiram ou não, foram vendidos (quer dizer, pagos por cidadãos brasileiros na boa fé) milhões de exemplares de obras traduzidas por mario quintana, araújo nabuco, eugênio vieira, ascendino leite, lígia junqueira, carlos porto carreiro, luiz costa lima e tantos outros, mas, com maiores ou menores alterações superficiais, como se fossem de um roberto nunes whitaker, carmen lia lomonaco, fernando corrêa fonseca, alberto maximiliano e por aí afora.

meu ponto é que pessoas desembolsaram dinheiro comprando uma coisa que, na verdade, era outra. e que essas edições se apropriaram, pelo menos em dois casos, de obras que já estão em domínio público, recriando, sob novo nome, o direito exclusivo para a nova cultural de exploração comercial privada de algo que já é de toda a sociedade.

e que uma parte desse dinheiro embolsado pela nova cultural, por algum acordo qualquer negociado pela sra. janice florido e pelos altos dirigentes da nova cultural, foi para o instituto ecofuturo, ong da própria parceira deles, a suzano celulose, para abastecer uma campanha chamada "ler é preciso", voltada para escolas e bibliotecas.

gente, mais que ler, é preciso saber, lembrar e respeitar.

imagens: claudia67, flickr.com; www.joeduhclown.com

2 comentários:

  1. Por favor me ajuda a encontrar um romance onde a mocinha é muito parecida com uma princesa que foge do palacio e por isso pedem que ela assuma seu lugar até que ela seja encontrada, ela pinta os cabelos e se veste como ela , é ensinada a se comportar como uma princesa e como a verdadeira princesa está prometida ela começa a flertar com o prometido e os dois se apaixonam , no final a verdadeira aparece mas o prometido fica com a mulher que ele ama mesma que ela não seja da realeza, é muito lindo!!! obrigada, meu e-mail é diana.silvadesouza33@gmail.com

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  2. olá, diana, infelizmente não sei dizer.

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