21 de set de 2009

estudos sobre mario quintana


UMA CÓPIA GROSSEIRA

Sérgio de Castro Pinto*

Na esteira do amigo José Nêumanne Pinto, vou direto ao assunto: a Professora Adiane Fogali Marinello, da Universidade de Caxias do Sul (RGS), em um ensaio de treze páginas – “O Lugar da infância na poesia de Mario Quintana” –, publicado no livro “Na Esquina do Tempo - 100 anos com Mario Quintana” (Editora da Universidade de Caxias do Sul, RGS, 2006), copiou trechos inteiros do meu livro “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana” (Editora Unisinos, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 2000), originariamente tese de doutorado defendida no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba.

O citado volume foi organizado pelos Professores João Cláudio Arendt e Cinara Ferreira Pavani, ambos integrantes do corpo docente daquela instituição gaúcha.

Vamos, porém, ao que interessa: demonstrar que trechos do meu livro e do ensaio da Professora Adiane Fogali Marinello, são, sem tirar nem pôr, rigorosamente os mesmos.

Eis o que eu escrevo na página 13: “(...) um poeta cujo ecletismo funde e inter-relaciona a tradição com a renovação”. Vejamos, agora, o que a referida professora escreve na página 101, do livro “Na Esquina do Tempo – Cem anos com Mario Quintana”: “(...) trata-se de um poeta cujo ecletismo funde e inter-relaciona a tradição com a renovação”. E o que eu escrevo na página 18 : “(...) cujas inovações não encobriam de todo os traços neo-simbolistas que impregnavam a maioria deles”, com o que ela escreve na mesma página 101: “(...) mas as inovações nela apresentadas não encobrem de todo os traços neo-simbolistas que as impregnam”.

E tem mais, muito mais. Senão, observemos um trecho do meu ensaio: “Uma vez que estreou em 1940, cronologicamente poderia ser considerado um integrante da chamada Geração de 45. Mas não o foi no essencial, ou seja: na linguagem” (página 19). E o que ela escreve como sendo de sua autoria, na página 102: “Por outro lado, uma vez que estreou em 1940, cronologicamente poderia ser considerado um integrante da chamada Geração de 45. Contudo, não o foi no essencial: na linguagem de matiz coloquial a par de uma temática regida pelo cotidiano, que se aproxima muito mais do Movimento de 22”.

O arremate desse período, ela o copiou, de forma literal, de um trecho da página 22 do meu livro: “(...) o poeta incorporou do modernismo uma linguagem de matiz coloquial a par de uma temática regida pelo cotidiano”. Tem mais. Página 19, do meu livro: “(...) o quanto se torna difícil situar e avaliar a obra de Quintana no contexto da lírica nacional”. Página 102, do livro “Na Esquina do Tempo – 100 anos com Mario Quintana”: “Apesar de ser difícil situar e avaliar a obra do poeta no contexto da lírica nacional...”

Já na página 76, eu escrevo: “Quer dizer: se o ‘hábitat’ natural dos sapatos é o chão, quem os colocou ‘próximos’ ao Céu não o fez movido por nenhuma predisposição nefelibata, mas pelo desejo de minorar, nem que fosse ilusoriamente, as agruras da vida terrena. Daí os sapatos do Soneto XV cumprirem uma função metonímica e possuírem atributos humanos, além de emprestarem uma contextura concreta ao mundo subjetivo do sujeito emissor”. Trecho copiado pela professora, com ligeiras modificações, na página 103: “Como o local em que, normalmente, os sapatos ficam é o chão, supõe-se que eles tenham sido colocados próximos ao céu com o objetivo de minorar as amarguras e dissabores da vida terrena. Ao adquirirem atributos humanos, esses objetos emprestam uma contextura concreta ao mundo subjetivo do emissor, cumprindo uma função metonímica”.

Por último, página 76, do livro “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana”, de minha autoria: “Tanto que costumam distinguir e enfatizar na sua obra os recursos parnaso-simbolistas em detrimento de alguns preceitos da poesia moderna que a permeiam, dentre eles a materialização dos sentimentos a partir dos atos e das coisas banais do cotidiano”. Página 105, do livro “Na Esquina do Tempo – Cem Anos com Mario Quintana”: “Pode-se afirmar, consequentemente, que a materialização dos sentimentos a partir dos atos e das coisas banais do cotidiano aproxima Quintana da vida moderna”.

A minha reação, num primeiro instante, foi relevar a atitude da Professora Adiani Fogali Marinello. Posteriormente – e já mesmo por conta do clima de impunidade que grassa em todo o país –, resolvi tomar algumas providências. Uma delas, a de denunciá-la através deste artigo que, enviado para editoras, universidades, professores, etc., talvez a iniba de, novamente, usurpar o patrimônio intelectual alheio.

* Sérgio de Castro Pinto é poeta, ensaísta, jornalista profissional e professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal da Paraíba. Com Zoo imaginário (Escrituras Editora, São Paulo, 2005), conquistou o Prêmio de Poesia Guilherme de Almeida, do ano de 2005, instituído pela União Brasileira de Escritores, Seção do Rio de Janeiro. Este livro ainda é adotado em São Paulo, através do Programa Lendo e Aprendendo, da Secretaria da Educação, nas escolas de 1º e 2º graus, além de também ser adotado pelo Ministério da Educação, que providenciou uma tiragem de 25 mil exemplares desse volume, para ser distribuído em todas as bibliotecas do país. É ainda autor de Gestos Lúcidos, A Ilha na ostra, Domicílio em trânsito, O Cerco da Memória, A Quatro mãos e O Cristal dos verões, todos de poesia. Participa de várias antologias, as mais recente delas Os Cem melhores Poetas Brasileiros do Século (Geração Editorial), Antologia de Contistas Bissextos (L& PM) e O Cangaço na Poesia Brasileira (Escrituras Editora).

todas as informações do artigo são de inteira responsabilidade de seu autor. o blog não gosto de plágio garante o direito de resposta de todas as pessoas e entidades citadas no texto.

Um comentário:

  1. Caxias do Sul, 04 de outubro de 2009.

    Assunto: Controvérsias sobre o ensaio “O lugar da Infância na poesia de Mario Quintana”, publicado na obra “Na esquina do tempo: 100 anos com Mario Quintana”.

    Prezado(a) Senhor(a)

    Como autora do ensaio “O lugar da infância na poesia de Mario Quintana”, tenho a lamentar as citações efetuadas pelo digníssimo Prof. Sergio de Castro Pinto, divulgadas via internet, envolvendo a Universidade de Caxias do Sul, no episódio em que compara meu texto com passagens do livro de sua autoria, intitulado “Longe daqui, aqui mesmo – a poética de Mario Quintana”.
    Afasto publicamente qualquer responsabilidade da Editora da Universidade de Caxias do Sul, bem como dos organizadores da obra publicada.
    Compreendendo o desconforto vivenciado pelos envolvidos no trabalho editado, expresso minhas desculpas e a determinação em sanar eventuais falhas, buscando no menor tempo possível esclarecer todas as ocorrências apontadas.

    Atenciosamente,

    Adiane F. Marinello

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