9 de ago de 2010

10 Perguntas e Meia

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uma entrevista a lucas deschain, do Meia Palavra:

agradeço!
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Entrevista com a criadora do Não Gosto de Plágio, Denise Bottmann

 em 9 de agosto de 2010
Denise.Bottmann

Denise Bottmann
, nascida em Curitiba em 1954, é historiadora por formação e foi docente da Unicamp entre 1983 e 1996. Começou a traduzir em 1985 e, após uma interrupção na atividade, continua até hoje a trazer livros e mais livros para nosso idioma. Em seu currículo estão autores que vão desde John Boyne até Hannah Arendt, passando por Marguerite Duras, Edward Said e Edward Palmer Thompson. Mantém o blog Não Gosto de Plágio, onde traz à tona casos de plágio de traduções de algumas editoras brasileiras.  Atualmente está envolvida no debate pela modernização da Lei de Direito Autoral.
1- Como você se sentiu a ser processada? Achou que o caso ia repercutir como aconteceu?
É, fiquei meio surpresa. Imagino que o caso só teve a repercussão que teve porque a outra parte (a Editora Landmark e o editor Fábio Cyrino) solicitou a remoção dos blogs Não Gosto de Plágio e Jane Austen em Português da internet. Com isso entrou-se num campo um pouco mais delicado, que é o direito de crítica e a liberdade de expressão, que são direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Por isso, o juiz indeferiu o pedido de remoção sumária de nossos blogs e entendeu que teria de analisar a procedência da queixa antes de entrar nessa seara dos direitos fundamentais do cidadão. O processo está em andamento. E foi realmente emocionante, mais do que consigo expressar, receber tanto apoio e solidariedade.
2 – Quais são alguns pontos positivos e negativos em ser tradutora?
São todos positivos! É uma atividade encantadora. Você aprende constantemente, está sempre conhecendo coisas novas, as pesquisas te levam a coisas variadas e interessantes, é algo que entretém muito a mente e o espírito.
3 – Por que resolveu ser tradutora?
Foi muito por acaso. Na verdade minha atividade profissional era docência, e uma amiga recebeu um livro para traduzir. Isso foi em 1985. Ela não podia fazer, ofereceu a mim, achei interessante, fiz o contato e um teste na editora (era a Brasiliense), deu certo, e passei uns dez anos traduzindo. Depois parei, retomei em 2005 e, se depender de mim, vou continuar até onde der.
4 – Como anda a luta pela modificação do LDA? O que as pessoas podem fazer para ajudar?
É, está uma briga. Alguns interesses mais incrustados são visceralmente contrários, mas alguma coisa decerto haverá de ser modificada. É fundamental que haja uma modernização da lei do direito autoral. Para ajudar, é só participar. Basta ir ao site do Ministério da Cultura, preencher um mini-cadastro e deixar sua opinião, comentário ou proposta ao texto que está em consulta pública.
5- Quais são os escritores que mais admira?
Thomas Mann da maturidade e quase todo o Joseph Conrad. São inesgotáveis. ConsideroDoutor Fausto e O coração das trevas duas grandes obras-primas do século XX. Entre os poetas, tenho especial predileção por Thomas Stearns Eliot, e aprecio muito Wallace Stevens. No Brasil, gosto muito de Murilo Mendes.
6 – Cite 3 livros que gostaria de ter traduzido.
Algum do Henry James, algum do Conrad e, se eu soubesse alemão, A paz perpétua de Kant.
7 – Como está o mercado de trabalho para os tradutores no Brasil?
Olha, tenho a impressão de que está indo muito bem. Pois volta e meia abrem-se novas editoras, nunca se publicou tanto no país, e boa parte das edições são obras traduzidas. Então imagino que o mercado está até meio aquecido. Isso para falar só de tradução editorial, que é apenas um pequeno segmento dentro do campo geral de tradução.
8 – Qual o livro que te deu mais prazer em traduzir? E qual mais trabalho?
Tenho a sorte de receber obras sempre muito interessantes para traduzir. Tenho uma especial afeição pelo trabalho que fiz em Piero della Francesca, de Roberto Longhi, pela Cosac. Foi razoavelmente árduo, e era um texto esplendoroso. Outro livro trabalhoso – e isso é até curioso, porque aqui no Brasil não é tido como obra muito difícil ou hermética – foi Walden, de Henry David Thoreau, que deve sair em breve pela L&PM. Não é um texto elegante nem propriamente bonito, mas é bem complicadinho. Há muitas outras coisas que foram extremamente agradáveis: O amante, de Marguerite Duras, foi bem legal; Reflexões sobre a arte, de Matisse, gostei muitíssimo de fazer. E mesmo essa área de literatura mais de entretenimento, na qual eu nunca tinha trabalhado, achei bem divertida: O palácio de inverno, de John Boyne, que deve sair por esses dias, pela Cia. das Letras.
9 – Qual autor você considera o mais difícil de traduzir?
Isso depende da língua ou do estilo que cada um escreve? Ah, certamente depende do estilo em que cada um escreve. Mas, além do estilo, há outros elementos que tornam mais ou menos difícil uma tradução, sendo o principal deles, a meu ver, a carga de referências externas e internas do texto. Mesmo a tradução de uma obra aparentemente simples sempre vem acompanhada de um trabalho de pesquisa, que não aparece para o leitor, mas que é indispensável para a gente se nortear no que está fazendo.
10 – Além de tradução, existe uma escritora dentro de você?
Não, não… durante algum tempo, até fiz alguns cometimentos poéticos, mas nada que tenha qualquer relevância.
10 1/2 – O que torna uma língua bela é…. o amor que a gente tem por ela.
A equipe agradece a atenção de Denise Bottmann

Um comentário:

  1. Nós da equipe Meia Palavra que agradecemos a gentileza da entrevista.

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