26 de ago de 2010

"sem garantia de qualquer tipo"

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ando um pouco atropelada, sem tempo de atender devidamente ao blog. espero poder retomar a rotina dentro de dez ou quinze dias.

mas essa, que um prezado leitor mandou, eu não podia deixar passar. trata-se daquela mesma editora, a alta books, que foi objeto de indignação de clício barroso e muita gente mais, e que comentei no post quando tradução vira loteria. gostaria agora de apresentar o padrão da página de créditos utilizada pela referida editora.

o que significa, por favor:
  • Erratas e atualizações: Sempre nos esforçamos para entregar a você, leitor, um livro livre de erros técnicos ou de conteúdo; porém, nem sempre isso é conseguido [...] Sendo assim, criamos em nosso site, http://www.altabooks.com.br/, a seção Erratas, onde relataremos, com a devida correção, qualquer erro encontrado em nossos livros.
  • Avisos e Renúncia de Direitos: Este livro é vendido como está, sem garantia de qualquer tipo, seja expressa ou implícita.
não sou formada em direito, mas tenho a leve impressão de que toda e qualquer empresa que lança qualquer produto no brasil é obrigada, sim senhor, a assumir a responsabilidade pelo produto que fabrica e vende, tanto pela constituição federal quanto pelo código do consumidor. tal seria agora as empresas dizerem que não dão nenhuma garantia pelo produto que vendem! renúncia de direitos?! pffff! mais parece renúncia a suas obrigações, isso sim!

um detalhe curioso, ainda na mesma página desse livro da alta books: "Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5988 de 14/12/1973" - até onde sei, faz mais de doze anos que a lei 5988/73 deixou de existir, substituída em 19 de fevereiro de 1998 pela lei 9610, a mesma que se encontra atualmente em fase de revisão e em consulta pública.
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5 comentários:

  1. Ana Resende26.8.10

    A editora em questão é conhecida por pagar mal aos seus tradutores (cometeria eu uma indiscrição ao dizer que a supracitada costuma oferecer 5 reais por laudas de 2.100 caracteres???).
    Não me surpreende, portanto, o nível das traduções (vide o artigo "quando tradução vira loteria") nem o fato de que eles não se responsabilizam pelo que publicam!
    Mais uma piada do mundinho tradutório"

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  2. Denise, talvez a pérola mais graúda de todas seja a página de seu site na qual a Alta se descreve:

    http://altabooks.tempsite.ws/aeditora.php?osCsid=kc1n7u3br06tvj49n8gbsr6hl0

    É assim que se cresce no mercado editorial.
    Anotaram?

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  3. olá, ana: só não virem querendo nos processar pela "indiscrição" ;-)
    mas aí é o tal faz a fama e deita na cama: se não são 5, que sejam 10 ou 15 - ainda assim seria um escárnio sem tamanho.
    mas eu me pergunto: são tradutores? o tal arcanjo miguel ou gabriel? se isso é tradutor, eu me recuso a ser incluída na mesma categoria.

    como passar texto em máquina de tradução automática não é traduzir, talvez seja o caso de criar um novo ofício: "googleador" ou "google-transleador" ou "babelfisheiro" ou quais máquinas sejam essas.

    agora, a empresa ter o desplante de afirmar publicamente, preto no branco, que não é responsável pelo que vende (ou não dá nenhuma garantia, o que para mim vem a ser mais ou menos o mesmo, para alguns fins práticos, como reclamações de clientes insatisfeitos, p.ex.), achei assim, tipos, como dizer... de uma singeleza que beira o suicídio programado.

    mundinho editório, não tradutório!

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  4. Acho lamentável que sujeitos com essa postura ganhem a vida imprimindo livros.

    Aliás, se fossem tentar a vida de outra forma com essa mesma postura é bem possível que fossem parar na cadeia.

    crime confesso.

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  5. Há mais de trinta anos trabalho com livros, de alguma forma: revendo, traduzindo, editando. Ah, já vendi também. Nunca vi algo como não dar garantia ao livro, à escrita, à tradução... não consigo sequer compreender. Assombração sabe pra quem aparece, não é mesmo?

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