4 de ago de 2010

a tragédia brasileira

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ainda sobre a origem da tragédia de nietzsche, publicada pela editora centauro (supostamente já em sua 13a. edição): essa cópia deslavada da antiga tradução de álvaro ribeiro, publicada em 1958 pela guimarães editora de portugal, aparece na centauro em nome ora de "peter klaus ivanov", ora em nome de "joaquim josé de faria". na agência do isbn, ela foi cadastrada em nome deste último.

curiosamente, encontrei várias referências a uma edição da origem da tragédia, também com tradução atribuída ao mesmo "joaquim josé de faria", publicada pela editora moraes em 1984. (esclareço que não cheguei a tê-la em mãos: a edição é citada nas referências bibliográficas de vários artigos disponíveis na internet.) o mesmo nome aparece como revisor e preparador em várias publicações da moraes nos anos 80 e da centauro nos anos 2000.

cabe lembrar o histórico da coisa: no começo dos anos 1970, perto da puc, em são paulo, havia uma livraria-editora que ficou famosa: a cortez & moraes. em 1979 a sociedade foi desfeita; josé xavier cortez criou sua própria editora, a cortez, enquanto orozimbo moraes e vicente fagá, que também trabalhava na extinta cortez&moraes, criaram a editora moraes. em 1999, a editora moraes foi extinta, e fagá criou a editora centauro, com seus filhos. ela manteve boa parte do catálogo da antiga moraes, em alguns títulos alterando os créditos de tradução e adotando os procedimentos tortuosos do plágio tradutório, como documentei aqui.

já havia o caso deplorável de outra contrafação envolvendo uma tradução de nietzsche, em minha irmã e eu, tanto pela moraes quanto pela centauro, que apresentei aqui. agora soma-se mais esse caso d'a origem da tragédia, em que, como se não bastasse a flagrante contrafação, o nome de "silvio donizete chagas" aparece como responsável pela produção editorial, o mesmo nome que a editora centauro utiliza na ridícula cópia d'a questão judaica da antiga laemmert... (a propósito, vide o primeiro de abril centauriano)

é muito triste ver que, aparentemente, as irregularidades da centauro têm raízes bem mais antigas, vindas desde o catálogo da extinta moraes, e que se multiplicam as sobreposições e cruzamentos de nomes ora em cópias de traduções, ora em preparação de originais, ora na produção editorial.

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