8 de dez de 2008

algo de novo no front?

a coisa que eu mais quero no mundo é que a listinha das vítimas diminua.

e constato que a martin claret começou a reeditar alguns títulos de seu esdrúxulo catálogo, mas agora com traduções aparentemente verdadeiras.

então, ao que parece, temos disponíveis no mercado novas edições da claret no ano de 2008, a saber:

- dom quixote em 2 volumes, agora com atribuição correta da tradução dos viscondes castilho e azevedo, em domínio público, em lugar da inacreditável atribuição a jean melville no cadastro da fbn, 85-7232-643X;
- elogio da loucura, já comentado em post anterior, agora em tradução de paulo sérgio brandão, em lugar do plágio perpetrado em cima de paulo m. de oliveira;
- discurso do método e meditações, em tradução de roberto leal ferreira, em lugar do discurso do método e regras para a direção do espírito em tradução atribuída ao inefável nassetti.

ok, parece um passo inicial. tímido, insuficiente, mas o que diminui não aumenta. isto é, se a martin claret diminuir ou parar com os plágios, já é uma boa coisa. melhor começar do que não começar, certo?

ok também em relação aos leitores, a partir de agora, em relação a esses títulos relançados.

ainda não ok: os leitores que compraram os plágios durante 10 anos; os tradutores plagiados que não tiveram seus direitos morais restaurados nos plágios desses 10 anos; os lares, escolas e bibliotecas com centenas e centenas e centenas de milhares desses plágios; as teses, artigos, estudos, matérias, papers, conferências, ementas escolares, bibliografias para concursos e vestibulares que usaram, usam e continuarão a usar essas edições anteriores a 2008.*

ainda não ok: os outros quase 200 títulos com plágio ou contrafação que continuam por aí, belos e formosos.

ainda não ok: o ritmo. a martin claret era bem rápida, até voraz, em lançar um plágio após o outro, numa sucessão vertiginosa. em 2008 inteiro, só 3 substituições no catálogo? não é meio pouco? nesse ritmo, vão mais uns 60 e tantos anos...

* este aspecto é fundamental: livro não é leite. a claret não é a parmalat. estante não é geladeira. plágio não é água oxigenada. e o prazo de validade de uma obra é indeterminado. portanto, as edições anteriores desses títulos relançados continuarão como fonte de consulta e referência bibliográfica por muitos e muitos anos.

então acelere aí seu ritmo, sr. claret, que o povo está torcendo e quero começar a diminuir logo a listinha dos tombados à sanha claretiana e novaculturaliana.

imagem: theshyster65, flickr, heavy influences

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