30 de dez de 2008

trivia II


ainda nas sarjetas. como disse, não que isso acrescente muita coisa, só dá um certo colorido.

o monstrengo covacultural/suzano das pseudo-obras-primas teve seu lançamento alardeado com todas as trombetas em agosto de 2002. dona janice da nova cultural e dona christine do instituto ecofuturo já vinham alardeando desde 2000 o grande feito da democratização cultural que iriam promover. trataram das verbas, dos contratos, dos percentuais, só se esqueceram de uma coisa: as obras que lhes garantiriam o rico dinheirinho dos papalvos que, ao comprar tal coleção, acreditavam na promessa de estar migrando automaticamente para o mundo da alta literatura.

os livrecos já estavam nas bancas, quando a nó cultural* mandou seus releases brasil afora e a revista veja, do caridoso irmão roberto civita, deu uma colher de chá e publicou o teor da tal coleção que resgataria os oprimidos e humilhados de sua triste condição de sub-aculturados.

o curioso neste release da nova (in)cultural/suzano publicado pela revista veja e reproduzido em vários outros veículos é que boa parte dele não corresponde ao que foi efetivamente (e fraudulentamente) publicado na coleção obras-primas da nova (in)cultural/suzano.

pois vejam o que ela anunciava em seu release e o que fato aconteceu (sem falar dos plágios, apenas das trapalhadas na grande imprensa) - repito, o release foi publicado depois do lançamento dos primeiros volumes, quando seria de se supor que a coleção já estaria definida:

- crime e castigo sairia em nome de natália nunes; saiu anônimo;
- o leopardo sairia em nome de calvin carruthers (é, aquele mesmo dos filmes de terror); saiu em nome do barato trocadilho de leonardo codignoto;
- tom sawyer deveria sair em tradução de "terezinha monteiro" [leia-se therezinha monteiro deutsch]; saiu no nome legítimo de luísa derouet - talvez contrafação, mas não plágio;
- morte em veneza e tonio kroeger, de thomas mann, que sairiam em nome de calvin carruthers, mais uma vez, foram substituídos de última hora por as três irmãs, de tchecov, na tradução autêntica de maria jacintha;
- o morro dos ventos uivantes, que sairia em nome de uma tal "dirce tashima sato", acabou saindo em nome de outra igual desconhecida "silvana laplace";
- o pobre pirandello do falecido mattia pascal e dos seis personagens, com fraude anunciada em nome de "enrico corvisieri", acabou saindo na fraude de "fernando corrêa fonseca";
- tom jones que, na ciranda bandida da cova cultural, deveria sair em nome de uma desconhecida "lucília trindade", acabou saindo no nome de outro ilustre fantasma, "jorge pádua conceição";
- werther e fausto de goethe, anunciados neste release em nome do tal fábio maximiliano alberti, acabaram saindo com o criativo pseudônimo de alberto maximiliano;
- tentaram impingir a fraude de naná a vera maria renoldi, figura de carne e osso, que por alguma razão foi substituída de última hora pelo fantasmagórico roberto valeriano;
- há também o ridículo caso das tragédias de shakespeare, anunciadas no release em nome de paranhos touceiros: foram publicadas na tradução legítima de beatriz viégas-farias, após uma falcatrua indizível que a nova cultural plantou em cima da lpm que, bobamente, lhes cedeu a bela tradução de beatriz em troca das ridículas fraudes de fábio alberti e enrico corvisieri;
- dorian gray, que a nova (in)cultural anunciou em tradução de oscar mendes, acabou publicado em nome do inefável enrico corvisieri;
- anunciada a publicação de ilusões perdidas em todos os meios de comunicação do país; a nova (in)cultural na última hora deu para trás sem qualquer explicação e lançou mais uma fraude em nome de enrico corvisieri, com a mulher de trinta anos.

UFA! eis aqui o release divulgado pela revista veja: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/210802/obras_primas.html

o ponto é que nem a própria equipe da dona janice parecia saber o que estava fazendo. a questão era só financeira, no maior improviso de revirar os baús herdados. então montaram um release todo atrapalhado, meio à balda, com atribuições aleatórias dos créditos - depois que a coleção já havia sido lançada. tipo, nóis fais e depois vê o que é que vira. este é o conceito cultural de democratização cultural da nova cultural e do instituto ecofuturo. vixe, é cultura demais para meu caminhãozinho!


* de novo agradeço ao anônimo colaborador do blog a adequada alcunha.
imagens: till eulenspiegel, www. erich_hat_jetzt_zeit.de

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