3 de dez de 2008

contra o indiferentismo


neste ano de pesquisas, conversei com muita gente: editores, livreiros, entidades públicas, entidades privadas, associações diversas, tradutores, herdeiros.

quanto aos tradutores lesados ainda vivos ou aos herdeiros, os contatos possíveis já foram feitos. o que fizeram, fazem ou farão a respeito cabe ou coube a eles decidir.

pessoalmente não pretendo voltar a este ponto. continuarei a avisar editoras e tradutores/descendentes sempre que tiver conhecimento de alguma irregularidade. por ora, gostaria apenas de colocar minha opinião frente à reação de indiferença por parte de alguns deles:

o que um "herdeiro" herda não são "direitos", não é o "direito" de dar de ombros. o que ele herda é acima de tudo um dever - o de zelar pelo que lhe foi legado, a defesa da memória.

acho que é meio por isso que insisto tanto nessa história dos plágios: como brasileira, também me sinto herdeira, ainda que em minúscula parcela, do patrimônio intelectual do país, e acho que a gente tem, sim, que cuidar dele.

imagem: mais matisse, www.mitmuseum.dk

3 comentários:

  1. Oi, Denise,
    Sou editora da L&PM e tradutora, e só gostaria de expressar a minha também indignação quanto aos plágios e a todos que de alguma forma contribuem para tal. Para além de interesses empresariais ou familiares, acho que a pior conseqüência dessa prática é o empobrecimento da vida cultural do país, uma vez que a tendência é as editoras deixarem de encomendar traduções idôneas de profissionais idem de títulos plagiados porque é muito difícil - senão impossível - concorrer com alguém que opera ilegalmente. Resultado: um número menor de traduções de fato encomendadas e publicadas, um mercado editorial mais pobre do que poderia ser, menos opções para o leitor, gerações lendo clássicos em traduções no mínimo duvidosas. Enfim, o prejuízo para a vida cultural é grande, quiçá incalculável. Não seria um caso para o Ministério Público? Pode pôr o meu nome aí na direita. Abraços.

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  2. Angela3.12.08

    Denise querida, você está cheia de razão. Senti-me um pouco "indiferente" por ainda não ter tomado providências contra o plágio cometido contra meu avô. Justifica, sem explicar, o fato de que estou publicando um livro e o tempo foi devorado por tarefas ingratas como revisão, etc.Devo ir ao Brasil em abril e espero poder encontrar você e tratar disso.

    Angela Xavier de Brito

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  3. prezada ângela, pelo amor de deus vc seria a última pessoa em quem eu estava pensando quando escrevi este post!
    mas fico feliz com seu recado!

    abç
    denise

    p.s. ângela xavier de brito mora em paris, e é a neta herdeira de carlos porto carreiro. neste caso dos plágios, foi a nova cultural que se apropriou criminosamente da magnífica tradução de cyrano de bergerac, de edmond rostand.
    há um belo artigo de ivo barroso sobre este roubo e a glória que é essa tradução de porto carreiro para as letras nacionais: um cyrano sem penacho, em http://www.revista.agulha.nom.br/ibarroso4.html

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