14 de ago de 2015

goethe traduzido no brasil I: primórdios e os faustos

como de costume, neste levantamento as obras serão citadas pela data de sua primeira edição, com menção a eventual reedição em outras casas publicadoras. aqui não serão consideradas as edições de traduções portuguesas nem adaptações, condensações, quadrinizações etc.

abro exceção àquela que, até o momento, aparenta ser a primeira tradução brasileira publicada entre nós: vem, porém, apresentada como "uma imitação de goethe", como diz seu autor, ou uma tradução em paráfrase, como dizem alguns comentadores. trata-se de fausto e margarida, poema dramático em XII quadros da tragédia de goethe, por múcio teixeira. porto alegre, 1877[8]. teve grande sucesso e várias reedições no prazo de poucos anos.

em 1879, temos um fino voluminho com prometheo, fragmento drammatico, em tradução de joaquim josé teixeira, publicado pela laemmert do rio.

em 1884, sai hermann e dorothea, vazado em prosa, na tradução de carolina von koseritz, pela typographia de gundlach, de porto alegre.

encontro menções a uma tradução do werther que teria sido feita por eduardo laemmert (1808-1880; portanto, provavelmente teria sido anterior às traduções acima citadas), com o título de amorosas paixões do jovem werther. tais menções parecem, todas elas, derivar de uma vaga afirmação de laurence hallewell, explicitamente apresentada como mera hipótese em o livro no brasil, e não encontrei nenhuma notícia concreta da existência efetiva e eventual publicação dessa tradução. para o século XIX, portanto, fiquemos com as três obras acima arroladas, de existência comprovada.

há nessa época muitos poemas e excertos saindo nas revistas e suplementos culturais da imprensa. em formato livro, porém, creio que apenas em 1920 surge nova publicação.
  • vamos ter nosso primeiro fausto em tradução de gustavo barroso, pela livraria garnier, em sua "collecção classica":

foi reeditada pela f. briguiet (que comprou a garnier) em sua "collecção dos autores celebres da litteratura extrangeira" em 1937:


prossigamos com fausto.
  • em 1949, temos pelo instituto progresso editorial fausto: a primeira parte e o quinto ato da segunda parte, em tradução de jenny klabin segall. infelizmente, não localizei imagem de capa desta que será, completada mais tarde, a mais importante tradução de fausto no brasil. 
jenny klabin segall completa a tradução da segunda parte; em 1970, temos o lançamento integral dos dois faustos na coleção "teatro clássico" da livraria martins, em dois volumes.

mais tarde, com o encerramento da martins, essa obra vai para o catálogo da itatiaia, em sua coleção "grandes obras da cultura universal" 3, a partir de 1977 com várias reedições até 2002. em 2004, a editora 34 passa a publicar a tradução de klabin em dois volumes, fausto I e fausto II. em 2006, a cosac naify publica "a tabuada da bruxa" em sua coleção infantil.

  • em 1964, temos fausto, primeira parte, na tradução de antenor nascentes e josé júlio f. de souza, pela letras e artes.

  • em 1968, pela agir, temos a tradução do primeiro fausto por silvio augusto de bastos meira. foi reeditada pela ed. três (coleção "bibilioteca universal: alemanha", 1974); abril cultural (coleção "teatro vivo", 1976); círculo do livro (em volume duplo com werther, 1995). 
    em 2002, a tradução de silvio meira é indevidamente apropriada pela editora nova cultural, em sua coleção obras-primas, apresentando-a em nome de "alberto maximiliano", com leves alterações cosméticas no intuito de disfarçar a contrafação. veja aqui.

  • em 1984, temos a tradução de david jardim júnior de fausto I, feita a partir da versão de gérard de nerval, para a coleção universidade, das edições de ouro.

  • em 1985, pelo círculo do livro, temos a tradução de flávio m. quintiliano, fausto: poema dramático, em dois volumes:

  • a versão inicial da peça, escrita pelo jovem goethe entre 1773 e 1775 e conhecida como urfaust, sai em 2001 como fausto zero, na tradução de christine röhrig, pela cosac naify:


  • em 2002, temos fausto I em tradução de raoul albrecht bündgenspela editora garapuvu, de florianópolis:


existem diversas edições brasileiras da tradução portuguesa de antónio feliciano de castilho (p.ex., pela w.m. jackson, 1948), várias adaptações, como a de otávio de oliveira paes (sette letras, 1999), breves excertos como "o aprendiz de feiticeiro" (trad. mônica rodrigues da costa, cosac, 2006), que aqui não constam por, como dissemos, não fazerem parte do escopo desse levantamento.


5 comentários:

  1. Eu tenho a imagem da capa da tradução da Jenny, de 1949.
    Se você quiser é só passar seu e-mail que eu envio.

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    1. olá, andré, que gentileza e que maravilha! dbottmann@gmail.com - obrigada :-)

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  2. Ótimo texto. Estou terminando, no momento a parte 1 da editora 34. Gostaria de saber de ti, se possível, quais outras traduções tu indicas. Grato

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  3. Anônimo20.6.16

    Olá Denise, você sabe algo a respeito da tradução de Fausto por Agostinho D’Ornellas? Obrigado. Aprecio muito o seu trabalho. Parabéns.

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  4. sim, sei um pouco, mas trabalho só com traduções brasileiras. obrigada.

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