18 de ago de 2015

à deriva

no levantamento sobre a obra de camus traduzida no brasil, mencionei os justos, na coleção de teatro da editora deriva, aqui. não consultei o conteúdo da obra, dando apenas as referências bibliográficas.


hoje um leitor avisa:
Olá, Denise.
Comprei a coleção Teatro da Deriva. Como gosto bastante de tradução, aproveitei para cotejar a tradução de Entre Quatro Paredes com a do Guilherme de Almeida, que tenho aqui, da coleção Teatro Vivo. Para minha surpresa, a tradução é a mesma. Pensei ter havido algum erro, já que a tradução da Deriva é atribuída a Roberto de Almeida. Contudo, pesquisando mais, descobri que a tradução de Os Justos, atribuída a Robson dos Santos, é na verdade de Antônio Quadros.  
As Criadas, de Genet, cuja tradução é atribuída a Roberto Medeiros, é a mesma tradução em circulação na internet de Pontes de Paula Lima. 
Quanto a O Casamento do Pequeno Burguês, do Brecht, é a mesma tradução em circulação na internet, texto que infelizmente não menciona o tradutor. Contudo, pelas falsas atribuições das outras três peças e pelo fato de eu não ter encontrado nada em tradução a respeito de César Santos, tudo me leva a crer que é mais outra fraude.
Entrei em contato com a Deriva, mas não obtive qualquer satisfação. Infelizmente, uma editora que tem uma proposta muito boa de trabalho e publicação artesanais acaba por incidir nas mesmas fraudes que lamentavelmente ainda vemos em circulação no pais. 
Fica aqui o meu alerta para essa coleção.
Abraços. 

o pessoal da deriva pode ser muito bonitinho, muito legalzinho e bacaninha, mas isso não se faz. não é por ser autogestionário, anarquista, libertário, o escambau, que se justifica sair por aí pilhando tradução alheia, tomando para si e vendendo aos pobres dos leitores incautos e de boa fé.

parem com isso, meninos.



em tempo: as obras citadas pelo leitor foram removidas do site da editora. mas ainda se encontram à venda, tanto novas em livrarias como a taverna (aqui) quanto usadas em diversos sebos (aqui), bem como expostas na página da editora no facebook (aqui).

espero que caiam logo em si e não obriguem a gente a comprar essa briga.

atualização em 19/8/2015

transcrevo a manifestação da editora, publicada na caixa de comentários, mas aqui reproduzida reconhecendo-lhe o direito de igual espaço e destaque.

Ficamos cientes do problema das traduções somente ontem no final do dia. Como a Deriva não tem fins lucrativos, e todos membros desenvolvem outras atividades, não conseguimos responder prontamente a reclamação do leitor. 
Já retiramos os livros do catálogo e estamos recolhendo as poucas unidades que estão com livreiros independentes. Os projetos de livros chegam a nós de diversas maneiras, e por diferentes mãos, e realmente assumimos o erro de não haver conferido os dados técnicos dos livros referidos.  
Apesar de acreditarmos na proposta do copyleft em contraposição a mercantilização dos direitos autorais, nossa intenção não é “pilhar” horas de trabalho alheio e precarizar a classe dos tradutores. Nosso erro foi fruto de inexperiência e anseio por colocar em circulação livros “esquecidos”, raros ou que sejam muito caros.  
Temos um respeito especial por essas obras e pelas suas traduções. Os Justos de Albert Camus, por exemplo, trata da luta contra o processo de desumanização e sectarização que ocorre em nome de ideais políticos. Um tema que infelizmente é pertinente e (infantilmente talvez) gostamos de imaginar que ajudamos a combater com algumas dezenas de livros feitos quase que artesanalmente em uma garagem no fundo de uma casa. 
Não temos a intenção de sermos bonitinhos, bacaninhas e legalzinhos, apenas imaginamos os livros como algo além de letras reunidas em formas de frases ou contratos e direitos. Os livros vão continuar sendo muito mais que papel e tinta para nós, mas tomaremos mais cuidado com os contratos e direitos. Fica aqui o nosso sincero pedido de desculpas aos tradutores das obras que não foram creditados corretamente e provavelmente tiveram a mesma pretensão que nós ao difundir para o público brasileiro essa belas obras. 

muito bem.

2 comentários:

  1. Ficamos cientes do problema das traduções somente ontem no final do dia. Como a Deriva não tem fins lucrativos, e todos membros desenvolvem outras atividades, não conseguimos responder prontamente a reclamação do leitor.

    Já retiramos os livros do catálogo e estamos recolhendo as poucas unidades que estão com livreiros independentes. Os projetos de livros chegam a nós de diversas maneiras, e por diferentes mãos, e realmente assumimos o erro de não haver conferido os dados técnicos dos livros referidos.

    Apesar de acreditarmos na proposta do copyleft em contraposição a mercantilização dos direitos autorais, nossa intenção não é “pilhar” horas de trabalho alheio e precarizar a classe dos tradutores. Nosso erro foi fruto de inexperiência e anseio por colocar em circulação livros “esquecidos”, raros ou que sejam muito caros.

    Temos um respeito especial por essas obras e pelas suas traduções. Os Justos de Albert Camus, por exemplo, trata da luta contra o processo de desumanização e sectarização que ocorre em nome de ideais políticos. Um tema que infelizmente é pertinente e (infantilmente talvez) gostamos de imaginar que ajudamos a combater com algumas dezenas de livros feitos quase que artesanalmente em uma garagem no fundo de uma casa.

    Não temos a intenção de sermos bonitinhos, bacaninhas e legalzinhos, apenas imaginamos os livros como algo além de letras reunidas em formas de frases ou contratos e direitos. Os livros vão continuar sendo muito mais que papel e tinta para nós, mas tomaremos mais cuidado com os contratos e direitos. Fica aqui o nosso sincero pedido de desculpas aos tradutores das obras que não foram creditados corretamente e provavelmente tiveram a mesma pretensão que nós ao difundir para o público brasileiro essa belas obras.

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    1. Ah mas que essa resposta os deixou bonitinhos, bacaninhas e legalzinhos, os deixou.

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