14 de jan de 2013

os prêmios da fbn 2012, III

por fim, a questão do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.

havia 41 inscritos na categoria de tradução: quinze tiveram suas inscrições rejeitadas; oito entraram com recurso e apenas um teve seu recurso deferido. boa parte das inabilitações se deu por inexistência de cadastro no isbn (critério que já comentei aqui). com isso, ficaram 27 concorrentes ao prêmio paulo rónai. o ganhador foi francisco josé saraiva degani, com a tradução os noivos, de alessandro manzoni.

minha perplexidade não foi em relação ao resultado, de maneira nenhuma - aliás, parabenizo sinceramente francisco degani. minha perplexidade foi em relação à composição do júri.

vamos por partes. o prêmio literário da fundação biblioteca nacional, em suas várias categorias, foi criado em 1995 (exceção feita às de literatura infantil e juvenil, criadas em 2007). o patrono do prêmio de tradução, paulo rónai, dispensa apresentações.

a comissão avaliadora é composta de três membros, os quais, segundo os termos do edital, devem ter "experiência profissional comprovada" e "notório saber na área pertinente a cada categoria", a ser nomeados pela presidência da fbn (ver aqui). naturalmente entende-se a indiscutível procedência de tal exigência. o edital também frisa a necessidade de respeitar o princípio de representatividade regional, sempre que possível.

quanto aos critérios adotados pela comissão, devem ser a qualidade literária da obra, a originalidade, a criatividade, a contribuição à cultura nacional, a qualidade linguística da tradução e criatividade no uso dos recursos gráficos, quando couber. tirando este último critério, naturalmente todos os demais se aplicam a uma obra de tradução.

no caso em apreço, a comissão avaliadora das obras concorrendo ao prêmio paulo rónai de tradução foi composta por ana cristina campos rodrigues, leny de azevedo werneck e tomaz adour da câmara. certamente todos são nomes muito respeitáveis, sem dúvida de experiência comprovada e notório saber em suas respectivas áreas - que, no entanto, não é, pelo que posso entender, a área de tradução literária.

a primeira, até onde consegui me informar, é uma historiadora de sólida formação, técnica de documentação na fbn desde 2006, tendo em seu currículo uma tradução da tese de sua orientadora em 2002-2004 e a participação numa oficina de tradução ministrada por carlos irineu da costa.

a segunda é escritora e jornalista no rio de janeiro, e não localizei nenhuma referência a algum contato direto seu com a atividade de tradução.

o terceiro é editor da usina de letras, também no rio de janeiro. tampouco localizei qualquer referência a alguma atividade de tradução.

salvo melhor juízo e com base em tais informações, a mim parece de clareza meridiana que os critérios básicos para a seleção dos membros da comissão avaliadora do prêmio paulo rónai de tradução não foram atendidos à suficiência.


2 comentários:

  1. É muito triste ver o que acontece nos prêmios literários do país hoje. Tanto o Jabuti como os prêmios da ABL estão envoltos em polêmicas de valor literário ou mesmo que vão contra as próprias regras dos referidos prêmios. Lamentável ver isso num país que vai ser homenageado na Feira de Frankfurt. Cobrar e esperar melhoras...

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  2. pois é, marcos, os últimos três anos têm sido um melê danado, irregularidades em cima de irregularidades, e mesmo francas monstruosidades, como o caso da abl/2010. terrível! e dois prêmios de tradução deixaram de existir, o açorianos e o união latina (que talvez até ainda exista, mas virou trienal!)

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