18 de jan de 2013

georges selzoff III



bruno gomide, em seu monumental estudo sobre a literatura russa no brasil, da estepe à caatinga: o romance russo no brasil (1887-1936), comenta rapidamente a iniciativa de selzoff com sua biblioteca de autores russos e reproduz um informe do periódico o bibliógrafo, de agosto de 1931:
"Os nossos leitores já devem ter conhecimento da grande obra que está realizando o sr. Georges Selzoff, editor da Biblioteca dos Autores Russos, no sentido de alargar o intercâmbio intelectual russo-brasileiro. Assim, este editor já traduziu, de acordo com os respectivos originais, para o português, as obras mais notáveis da literatura russa, sobretudo as de Maximos Georki (sic), Anton, (sic) Tchecoft (sic), Dostoievski, Gogol. 
"O editor da Biblioteca de Autores Russos pretende ainda editar as obras de todos os grandes escritores russos antigos e modernos, tendo em vista a grande saída que as suas edições têm conseguido, devido ao cuidado com que são feitas as respectivas traduções e ao esmero que o sr. Selzoff põe em todos os trabalhos que a sua casa editora tem publicado. Com isso vem prestando a Biblioteca de Autores Russos um grande serviço à cultura de nosso país, intensificando a propaganda de obras tão interessantes." (p. 410)
comenta gomide que o bibliógrafo também publicou um artigo chamado "edições a sair" (agosto de 1931) e uma "bibliografia" da casa (setembro de 1931):
Os inimigos, de Tchékhov, já na 2a edição; Judas Iscariotes, de Andrêiev; Águas da primavera, Pais e filhos e Ninho de gentilhomens de Turguêniev; Tarass bulb (sic), de Gógol; Konovaloff, de Górki; O grande inquisidor e Um jogador, de Dostoiévski; finalmente, Padre Sérgio, “ilustrado por M. Barychnicoff”, e Kadji Murat (p. 410)
sabemos que o projeto de selzoff infelizmente não vingou: tarass bulba, o grande inquisidor, pais e filhos e outras obras programadas nunca vieram à luz em sua editora. de todo modo, chamou-me a atenção a referência ao ninho de gentilhomens (que afinal saiu como ninho de fidalgos), com uma reverberação tão clara do francês gentilshommes. será lançado em 1932, a penúltima obra antes do encerramento das atividades da editora, com tradução que suponho ser de elsie lessa, na flor de seus vinte anos, recém-casada com orígenes lessa.

ver também georges selzoff I, aqui, e georges selzoff II, aqui.

imagem do logotipo gentilmente enviada por gutemberg medeiros.



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