22 de nov de 2010

requentando a sopa

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uns meses atrás houve o caso da editora leya, em a guerra dos tronos: a editora (que é portuguesa e se instalou alguns anos atrás no brasil) licenciou a tradução portuguesa feita por jorge candeias, deu uma leve abrasileirada e mandou ver.

até aí, nada demais. fazia-se muito isso, e ainda se faz. mas vale a pena acompanhar os protestos do tradutor português e dar uma lida no primeiro capítulo do livro. já não tão edificantes são as manifestações da editora no twitter a respeito do episódio.


neste mundo nada se perde, tudo se transforma
imagem: tunicao

muito cômico e ainda menos edificante foi um caso anterior da editora globo, que eu não conhecia e vim a saber pelo excelente blog de alfredo monte. retomo o episódio, pois me parece muito ilustrativo de como às vezes as coisas rolam no país. trata-se do relançamento de o condenado, de graham greene, pela globo. cito alfredo monte:
Ele está sendo apresentado numa edição que se apresenta como “revista”, embora ainda utilize como base uma velha tradução de Leonel Vallandro, [...] e que é muito boa, só ficou anacrônica no quesito gíria [...]. Eu costumava me irritar com a aportuguesada Rosa (a personagem-chave do enredo) e fiquei feliz ao vê-la se tornar uma legítima e inglesa Rose. Mas parece que a dose foi demasiada e o remédio só piorou a doença: uma sucessão de palavras incorporou o Rose reconquistado. O leitor conhece uma polícia vagaRose? Pois aparece na página 152. E há um vagaRosemente tanto na 205 quanto na 296. Temos doloRosemente (155, 283, 336), doloRose (190, 279, 317), rancoRose (200), tenebRosemente (218), tenebRose (283, 295), indecoRosemente (291), prazeRosemente (239), temos “Roses, roses, roses, por todo o caminho” (234), ficamos sabendo que a vida não é cor-de-Rose (220), que “nem tudo são Roses” (270).
depois de apontar outros sérios problemas de edição (erros de revisão, frases truncadas, passagens eliminadas), conclui o crítico: "Edição 'revista'!!! é esse o respeito que as editoras brasileiras têm pelos seus leitores (ou vítimas)".

atualizado em 22/11, às 18 horas: a editora globo, na pessoa do editor andré de oliveira lima, enviou um e-mail informando que a edição de o condenado (de 2002), acima comentada por alfredo monte, está fora de catálogo, e que os erros apontados foram corrigidos em reimpressão posterior.

agradeço o pronto esclarecimento. de qualquer forma, como livro não é produto perecível, tomara que a globo tenha se prontificado junto aos leitores a trocar os exemplares da infeliz edição anterior, ou pelo menos tenha divulgado em seu site a possibilidade de substituí-la por uma edição mais confiável!


agradeço a lilian ogussuko pelas referências sobre o caso da guerra dos tronos.
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Um comentário:

  1. Anônimo23.11.10

    Esses erros apontados acima foram certamente cometidos com um irresponsável "Replace All" clicado num editor de texto (Word provavelmente).

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