11 de jun de 2012

emily brontë no brasil

File:The Climb to Top Withens. - geograph.org.uk - 393405.jpg
top withens, tido como fonte de inspiração para a localização da casa dos earnshaw

emily brontë (1818-1848) é notoriamente autora de um romance só: wuthering heights, lançado em 1847. mas já tinha publicado em 1846 um lote de poemas numa coletânea junto com as irmãs. como tantas outras obras, demorou quase um século até chegarem ao brasil.

comecemos pelos poemas, que, salvo engano, tiveram no brasil apenas uma tradução filha única de mãe viúva,* como se dizia antigamente. eles aparecem entre nós em 1944, em tradução de lúcio cardoso, enfeixados como o vento da noite, na coleção rubaiyat da josé olympio:



* atualização em 11/06: everton marcos grison gentilmente informa na caixa de comentários que a edição da landy traz seis poemas de brontë, na seguinte sequência: "Eu não tenho a alma covarde", "Solidariedade", "A Esperança", "Torna-se a noite obscurecida", "Últimas Palavras", "O Velho Estoico".

em compensação, wuthering heights tem uma profusão de traduções e adaptações. vou me restringir às traduções. já o título apresenta uma dificuldade bastante peculiar - pois, como o próprio narrador explica no começo, wuthering é um regionalismo bastante expressivo (aliás, fico meio espantada que algumas traduções falem em "significativo provincianismo" ou "significativo adjetivo provinciano" para significant provincial adjective, mas que seja), específico de yorkshire. de qualquer forma, o título no brasil acabou se consagrando como o morro do(s) vento(s) uivante(s), e está bem como está.

I.
a jornada começa pela globo em 1938, na tradução de oscar mendes, com semi-infindáveis reedições na abril cultural a partir de 1971 (e na martin claret a partir de 2004):



II.
depois aparece a tradução de rachel de queiroz, em 1948, pela josé olympio. chamava-se o morro do vento uivante. manteve o singular pelo menos até a quarta edição, em 1967. também teve reedições incontáveis pela nova cultural (1995 e 1996), record, clássicos abril e bestbolso.



III.
também em 1948, aparece uma tradução em nome de josé maria machado, na coleção excelsior da edigraf,  em dois volumes. trata-se, porém, de uma tradução portuguesa. indefectivelmente, sua "tradução especial" sai também pelo clube do livro, no mesmo ano:




IV.
em 1958, sai a tradução de octavio mendes cajado, o morro dos ventos uivantes. a obra é lançada em dois volumes, pela saraiva:

Clique para ampliar a capa

V.
tenho notícia de uma edição pela expressão e cultura em 1967 (com o vento no singular), mas não consegui  encontrar nenhuma referência mais concreta sobre ela.

VI.
também em 1967, sai a tradução de celestino da silva, pela vecchi:



VII.
em 1971, temos a tradução de vera pedroso, morro dos ventos uivantes (sem o artigo), pela bruguera, licenciada para o círculo do livro e para a art em 1985:

O Morro dos Ventos Uivantes

VIII.
em c.1983, sai a tradução de david jardim jr. pela ediouro, reeditada na coleção folha em 1998:

O Morro Dos Ventos Uivantes - Emily Brontë - Ed. Ediouro

IX.
em 2002 e 2003, a infeliz coleção "obras-primas" da nova cultural publica uma patética fraude em nome de silvana laplace. veja aqui.



X.
em 2003, sai a tradução a quatro mãos de renata cordeiro e elaine alambert, pela landy:*



* atualização em 11/06: ver abaixo, na caixa de comentários, a descrição do aparato desta edição, gentilmente fornecida por everton marcos grison.

XI.
em 2007, há um caso meio escabroso na landmark, que aparentemente limitou-se a utilizar uma versão copidescada da tradução de vera pedroso, atribuindo sua autoria, porém, à revisora de texto. ver aqui.

Clique para ampliar a capa

XII.
em 2009, sai a tradução de ana maria chaves pela lua de papel:


XIII.
em 2011, a landmark lança uma nova tradução, agora de doris goettems:



XIV.
ainda em 2011, sai a tradução de guilherme braga pela l&pm:



vale a pena dar uma olhada na dissertação de solange pinheiro carvalho sobre as dificuldades impostas à tradução, pelo uso do dialeto de yorkshire na boca dos personagens locais, em forte contraste com o inglês padrão do narrador: "a tradução do socioleto literário: um estudo de wuthering heights", disponível aqui. até onde sei, apenas guilherme braga tentou fazer frente ao desafio.

veja aqui a origem do título em português.

41 comentários:

  1. jóia, denise.

    e no brasil o romance teve esse título por causa de um poema do tasso da silveira. este:

    Balada de Emily Brontë:

    No morro do Vento Uivante
    o vento passa uivando, uivando ...

    No Morro do Vento uivante
    há um casarão sombrio
    cheio de salas vazias
    e corredores vazios ...
    A noite toda um porta
    geme agoniadamente.
    Pelas vidraças partidas
    silvam longos assovios,
    no ar de abandono e de medo
    passam bruscos arrepios ...

    No Morro do Vento Uivante
    o vento passa ...
    Emily Bronte
    não pares a história ... Conta!
    conta, conta, conta, conta!
    Dá-me outra vez aquele medo
    que encheu minha infância morta
    de sonhos e de arrepios ...

    No Morro do Vento uivante ...

    Depois que os anos passaram
    como ficaram meus dias
    vazios ... vazios ...


    =]. é interessante isso.

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  2. Ótima postagem. Ainda bem que "algo" me fez não comprar a tradução da Landmark do Morro dos Ventos Uivantes... Lembrando que a edição "escabrosa"(bonito este termo)de 2007 era bilíngue. Infelizmente ainda é vendida, inclusive em feiras de livros promovidas por universidades com descontos mais elevados.

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  3. o mais engraçado, everton, é que a editora entrou com ação judicial contra mim (ainda está correndo na justiça), por causa deste e de outro livro, persuasão, que também já corrigiram no ano passado...

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  4. eu ia comprar essa edição,
    e apenas não o fiz porque li sua postagem. salvou-me. ufa.

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  5. Fernanda Huguenin11.6.12

    Não sabia essa do poema ter inspirado o nome,rs, sempre
    achei que era uma tradução direta do original.A minha edição
    desse livro é da L&PM.

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  6. que legal, everton, que ótimos paratextos! deve dar um ótimo painel: obrigada por partilhar!

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  7. Sua postagem Denise instigou-me a dar uma "reolhada" na edição lançada pela Landy que possuo. É um prato cheio de informações acerca da vida de Brontë e de sua família além de conter seis poemas da autora, na seguinte ordem de títulos; "Eu não tenho a alma covarde", "Solidariedade", A esperança", "Tornar-se a noite obscurecida", "Últimas palavras", "O velho estóico". Logo abaixo reproduzo o sumário da edição:

    Introdução - 11
    Notícia biográfica - 13
    Resumo Cronológico - 17
    Flashes sobre O Moro dos Ventos Uivantes - 23

    O Morro dos Ventos Uivantes - 27

    Dossiê - 351
    1. Apêndices - 353
    1.1 Citações-chave - 353
    1.2 Quadro genealógico - 357
    1.3 Quadro genealógico com subdivisões - 359
    1.4 Quadro genealógico de C. P. Sanger - 361
    1.5 Quadro cronológico de C. P. Sanger - 363

    2. Da recepção da obra - 369
    2.1 Introdução - 369
    2.2 Seleção de textos críticos - 373
    2.3 Notícia biográfica sobre Ellis e Acton Bell - 383
    2.4 Prefácio à reedição de 1850 - 391
    2.5 Crítica de George Henry Lewes - 397

    3. Autora
    3.1 Quadro genealógico da família Brontë - 399
    3.2 Emily Brontë por Ellen Nussey - 401
    3.3 Anotações diárias e de aniversários de Emily Brontë - 405
    3.4 Seis poemas de Emily Brontë - 411

    Biografia - 419
    Ilustrações - 423 (a primeira ilustração é uma imagem da capa da 1ª edição lançada em 1847, além de imagens de familiares de Brontë e dois desenhos de cães, dos quais um foi feito por ela representando seu cão Keeper).

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    1. Anônimo18.10.14

      Everton Marcos Grison, por gentileza, de qual editora você se refere quando fala Landy e que a possui? Eu deduzi que fosse a Landmark, mas esse seu comentário anterior me deixou em dúvida:
      "algo" me fez não comprar a tradução da Landmark do Morro dos Ventos Uivantes...
      Abraços.

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  8. Denise, muitíssimo obrigado! Sou estudante de Letras da USP e realizo pesquisas sobre Wuthering Heights. Há muito tempo venho procurando uma lista organizada das (diversas!) traduções da obra, mas não encontrava... Só é uma pena você não ter dito qual é sua favorita... Eu, particularmente, gosto muito da tradução da Rachel, embora mudaria algumas coisas aqui e ali. Estou muito ansioso para cotejar essa edição mais nova, feita por Guilherme Braga. Quem sabe não supera as anteriores? Garanto que, caso ainda deixe a desejar, eu mesmo, depois do mestrado e doutorado, traduzirei essa obra magnífica!

    Um abraço!

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    1. olá, vinícius, que bom, fico contente que esse levantamento tenha sido útil para vc!
      abraço
      denise

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  9. Denise, eu estava tendo aula sobre o livro e minha professora estava com a primeira edição da tradução da Rachel de Queiroz. Acontece que, na primeira edição, o livro termina umas 3 páginas antes do original (termina simplesmente com a morte de Heathcliff, com a palavra FIM após o texto). No entanto, na minha edição (Record), há as três últimas páginas traduzidas. Não achei nada muito sério sobre a tradução dela na internet. Procurei aqui, mas também não encontrei. Você, por acaso, tem conhecimento disso?
    Obrigada, desde já!
    Abraço,
    Camila

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    1. olá, camila, que interessante, nunca soube disso!

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    2. Larissa12.1.14

      Eu estou buscando na Internet informações sobre melhores traduções desse livro e me deparo com esse blog. Entro empolgada e então recebo um balde de água fria. Um spoiler nesse comentário. Penso que quem vai comentar e o moderador do blog tenha mais atenção quanto a isso! Entrar no blog e receber um spoiler do final do livro que você anseia ler é decepcionante... Pense nisso, principalmente o moderador, pois agora não tenho mais vontade de ler nenhum outro post com receio de levar spoiler. Não quero ser chata, é uma crítica construtiva. Pense se fosse com vocês.

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    3. puxa, larissa, que pena. leve em conta que este blog não é de resenhas nem de críticas literárias, e sim de apontamento de plágios e irregularidades editoriais. mas agradeço suas considerações!

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  10. Qual a melhor tradução ou a que você escolheu como sendo a mais fiel quando vai ler esse livro?

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  11. tenho umas quatro ou cinco edições diferentes: minhas preferidas ainda são a da rachel de queiroz e a da vera pedroso (a autêntica!)

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  12. Denise, muito obrigada por essa postagem. Abriu tantas possibilidades para mim que, se eu ficasse aqui falando, iria longe.

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  13. Olá,
    Alguns anos atrás ganhei de presente a Edição de 2009 deste livro, pela Lua de Papel, traduzido por Ana Maria Chaves, porém a qualidade física do livro não é muito boa. Quero comprar outro volume para encadernar e deixar em minha biblioteca.
    Qual seria a tradução mais recomendável?

    Obrigado

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    1. ih, daniel, difícil dizer. pessoalmente gosto muito da tradução de rachel de queiroz.

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  14. Olá,
    Sei que existe inclusive uma tradução de José Maria Machado.
    Tens mais alguma informação sobre esta edição? obrigado

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    1. olá, daniel, sei que é garfada de uma tradução portuguesa.

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  15. Olá, Denise! Você poderia me indicar alguém para avaliar " O Vento da Noite" sendo que está encadernado? Você mesmo avaliaria?

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    1. olá, maria. não, não entendo nada de avaliação e nem saberia indicar. mas não deve ser nada muito estrondoso; normal.

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  16. Anônimo26.6.16

    Denise, não entendi. Então aquela tradução da coleção de clássicos, de capa vermelha, não presta?

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    1. como assim? qual de capa vermelha? seguiu o link que dei?

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    2. Oi Denise, desculpa a demora, não vi q vc tinha respondido. É uma coleção da década de 70, "Os imortais da literatura universal", capa vermelha com arabescos em dourado.

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  17. Anônimo26.6.16

    Denise, não entendi. Então aquela tradução da coleção de clássicos, de capa vermelha, não presta?

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  18. a da abril cultural e do círculo do livro, dos anos 70 e 80, tudo bem. o drama é a coleção "obras-primas", da nova cultural, de 2002-2003.

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  19. A tradução de Solange Pinheiro é horrível! gosto da de David Jardim.

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    1. Anônimo25.10.16

      nossa, o que essa tradução tem de tão ruim? eu acho a do David fraca, ele corta trechos das falas do Joseph, além de usar para as falas do Joseph um léxico formal demais, se a gente for comparar com o texto inglês; minhas favoritas são as da Rachel e da Eliane Alembert/Renata Cordeiro. A que acho mais fraca de todas é a do Celestino; sem contar a questão super complicada da edição de 2002/2003 da nova cultural e a da Landmark de 2007 - a que parece ser um copydesk da edição da Vera Pedroso. Que é bem boa, por sinal. E só pra constar, a edição do David Jardim Jr. não é de c. 1983, como a Denise informou, eu lembro que foi a primeira tradução que li do "Morro", em 1978, ela deve ser da década de 60 ou comecinho de 70.

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    2. opa, obrigada pela retificação da data, anônimo.

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  20. Christian2.11.16

    Denise, ouvi dizer que a tradução de Guilherme da Silva Braga para "O Morro dos Ventos Uivantes" (L&PM) possui passagens confusas ou certas perdas de sentido em algumas frases. Você já leu e comparou esta edição com outras? Ela parece ser interessante devido o fato de ter valorizado as variações linguísticas de alguns personagens, mas tenho receio de adquiri-la e me arrepender depois.

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    1. olá, christian, não comparei, não. o que posso dizer é que guilherme braga é um tradutor muito sério.

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  21. Christian3.11.16

    Ok, Denise. Obrigado pela informação. Aproveitando a oportunidade, gostaria de elogiar seu blog. Foi uma grata surpresa encontrá-lo. Continue nos brindando sempre com seu excelente trabalho.

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    1. Anônimo3.11.16

      Denise e Christian, realmente, o Guilherme é um tradutor sério, mas, algumas das escolhas dele para marcar o desvio da norma na tradução do "Wuthering Heights" são um tanto idiossincráticas e não refletem uma variação usada por uma grande parcela da população e nem seguem as variações mais usuais da língua. Já de antemão me desculpo se estiver mencionando equivocadamente (não tenho a tradução dele em mãos), se bem me lembro, por exemplo, ele usa "sior" e "siorita" ("senhor" e "senhorita"), mas, as palavras terminadas em -nhor em português não apresentam esse tipo de desvio; dificilmente alguém vai dizer "galia" ou "nio" ("galinha" e "ninho"); seria mais possível/provável dizer "sôr" e "sóra" ("senhor" e "senhora"), já que a tônica recai no final da palavra (senhor) e a transformação de -nh- em -i- é pouco frequente no português; a reduplicação "ioiô", "iaiá" expressa muito mais uma questão de afetividade do que de paradigma de mudança linguística consistente. Tendo dito isso, também seria bom lembrar que qualquer texto que introduza variantes linguísticas está muito mais sujeito a críticas do que um texto traduzido dentro da norma, já que os leitores (em grande parte) ainda esperam somente o que é "correto" na obra literária. E há que colocar diversas aspas no "correto"... já que ninguém usa o tempo todo a norma considerada culta na fala, mas espera a "correção" no texto escrito - uma das grandes inconsistências encontradas na nossa mentalidade de leitores.

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    2. Christian5.11.16

      Muito interessante sua análise, prezado anônimo. Olhando sob este aspecto, vou levar em consideração também essas questões linguísticas peculiares antes de fazer a escolha de uma edição. Obrigado pelas excelentes observações.

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    3. Anônimo5.11.16

      olá, Christian,
      em primeiro lugar, agradeço seu apreço por minhas observações; é bom ver que temos alguém que poderá pensar em questões linguísticas antes de adquirir uma determinada tradução. E realmente poucas pessoas pensam na questão da introdução de variantes em um texto literário; é um trabalho muito difícil que nunca vai contar com a aprovação geral do público, porque ninguém espera ver algo fora da norma, ainda mais um texto canônico como é o "Wuthering Heights". Parece que nos últimos anos estamos passando por um lento processo de mudança, tanto por parte dos tradutores quanto das editoras, pois algumas traduções introduzem variações linguísticas para caracterizar personagens. Os tradutores que fazem um trabalho tão complexo com critério realmente merecem nossa admiração, e como as soluções para caracterizar a fuga da norma muitas vezes são extremamente pessoais no texto original, elas também poderão ser pessoais na tradução. Desse modo, as observações que fiz sobre a tradução do Guilherme apenas apontam uma característica das escolhas dele, mas não diminuem a importância do trabalho dele ou de outros tradutores sérios que se arriscam a fugir da norma culta da língua quando essa fuga é encontrada também no texto original. Dê uma olhada nas edições disponíveis no mercado (eu já li acho que sete traduções diferentes), escolha uma e leia - o romance é apaixonante.

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    4. Christian7.11.16

      Valeu amigo! A propósito, li a dissertação de Solange Pinheiro no link que a Denise disponibilizou acima e fiquei curioso quanto à tradução que Solange fez pra Martin Claret. Também me interessei pelas traduções de Vera Pedroso e Guilherme Braga. Todas possuem peculiaridades dignas de nota, as quais realmente não devem ser desmerecidas. No fim das contas, acho que vou colecionar edições diferentes desta obra, rsrsrs.

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    5. Anônimo27.11.16

      olá, Christian - depois de alguns dias de sumiço, vou fazer um comentário - a dissertação de mestrado apresenta uma proposta de tradução acadêmica, que tem um público leitor, a princípio, muito específico e especializado, mas isso não impediu que ela tenha sido usada depois na edição da Martin Claret. Esse tipo de proposta, como outras que você poderá encontrar no site de teses da USP (e de outras universidades que oferecem programas de estudos da tradução), poderá ser considerado muito inusitado, ou até mesmo "errado", segundo o ponto de vista do leitor - não esqueçamos que a questão da recepção é importante, e muito difícil de avaliar. Acredito que as teorias da recepção dificilmente se voltem para traduções, se preocupando mais com as obras originais, mas, se fosse feita uma pesquisa na área, acredito que a maioria da população preferisse mesmo a "norma culta", ainda que ninguém a use na vida quotidiana, e que seja cada vez mais difícil fazer com que nossos alunos a compreendam. E acho que sua opinião é super legal - sim, cada tradução tem sua particularidade, sua idade, seu ritmo, ler mais de uma é uma ideia excelente; cada uma delas vai te dar uma visão do texto original, porque a tradução, afinal de contas, também é uma interpretação do texto feita por um leitor que deveria ser sempre super especializado. Infelizmente, ainda contamos com traduções de nível muito fraco no Brasil, mas as sérias merecem e devem ser lidas. Experimente várias traduções do "Wuthering Heights" e depois você vai ver que vai ser difícil eleger só uma como a "única" boa.

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