3 de jun de 2012

a mera menção num livro qualquer à existência de edições anteriores da mesma obra não significa nada em termos de sua composição efetiva. assim, por exemplo, temos que: 

  • a boitempo editorial, no volume em que publicou minha tradução de in the tracks of the historical materialism, de perry anderson, atribuindo-a a "isa tavares", em 2004, menciona na página de créditos que a primeira edição desse ensaio saíra em 1984 pela editora brasiliense. 
  • da mesma forma, em a teoria da alienação em marx, de istván mészáros, com tradução em nome da mesma "isa tavares", em 2006, a boitempo editorial também menciona na página de créditos que a primeira edição em português fora publicada pela zahar em 1981.
  • no caso de afinidades seletivas, de perry anderson, e especificamente sobre o ensaio "as antinomias de gramsci", de tradução atribuída a paulo césar castanheira, em 2002, a boitempo editorial menciona em nota de edição que o referido ensaio fora publicado pela editora joruês em 1986.

nada disso informa que as traduções publicadas pela boitempo teriam sido extraídas das edições anteriores citadas, com ou sem autorização de seus autores. tais menções indicam apenas que alguma tradução da mesma obra original fora publicada anteriormente por alguma editora brasileira.


nos três exemplos acima citados, a boitempo admitiu que usara as traduções anteriores sem dar os respectivos créditos de tradução. a editora divulgou uma nota (aqui) anunciando suas providências em relação aos dois casos em nome de "isa tavares". quanto ao terceiro caso, a editora sustentou em outra nota (aqui) que, embora a atribuição dos créditos não correspondesse à real autoria da tradução, a veracidade de tais créditos estaria garantida porque "há permissão expressa dos tradutores originais do ensaio 'as antinomias de gramsci' para que a editora procedesse dessa forma" e "o direito autoral interessa apenas àqueles que o negociam". já comentei aqui a diferença irredutível entre os direitos patrimoniais e os direitos extrapatrimoniais que fazem parte de uma obra e também já manifestei minha incerteza sobre a validade jurídica de uma negociação envolvendo a renúncia a um direito de personalidade que, em princípio e até onde consigo entender, é irrenunciável, intransferível e inextinguível.

quanto às afirmações de que "a fidedignidade dos créditos reside nessa relação profissional, que ... não [me] diz respeito" e de ser duvidosa "a intenção de quem julga obras que não lhe dizem respeito", também já comentei aqui que, e mais uma vez até onde consigo entender, a legislação que protege os direitos civis do consumidor me autoriza plenamente a querer ter informações claras e corretas sobre a integridade do produto livro.

não aceito as insinuações e acusações da editora boitempo contra mim e reitero o que afirmei antes e ilustrei aqui: a tradução do ensaio "as antinomias de gramsci" publicada pela editora boitempo em 2002, atribuindo sua autoria a paulo césar castanheira, é essencialmente idêntica à tradução em nome de juarez guimarães e felix sanchez que saiu pela editora joruês em 1986, e nenhum acordo entre quaisquer partes pode alterar este fato.

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