30 de jan de 2010

leitura


"a tradução literária no brasil" de josé paulo paes, in armazém literário, em organização de vilma arêas.

no google books há uma boa prévia do artigo, praticamente na íntegra.

eu não sabia, por exemplo, que monteiro lobato tinha traduzido (pelo francês) dois nietzsche: anticristo e o crepúsculo dos ídolos. em certos círculos virou moda criticar perfunctoriamente suas traduções, mas concordo com zé paulo: se nem sempre lobato, devido à enorme pressão do trabalho, tinha tempo para burilá-las, os textos eram (e são) sempre fluentes e agradáveis. muito divertida também uma citação meio mal-humorada de lobato, não de todo obsoleta: o "incomensurável paquiderme de mil cérebros e orelhas que chamamos público nunca tem o menor pensamento para o mártir que estupidamente se sacrifica para que ele possa ler em língua sua uma obra-prima gerada em idioma estrangeiro".

josé paulo paes também discorre sobre a função vernaculizante e renovadora da tradução dentro da cultura de qualquer país. a propósito dos estudos de tradutologia, comenta em tom levemente polêmico que "tal enfoque, por importante que seja, não deve fazer esquecer que a prática da tradução pouco lhe deve". por outro lado, sustenta que os mais competentes no ofício costumam ser escritores que se dividem "entre a criação propriamente dita e a recriação tradutória". sem dúvida o tradutor, poeta e escritor josé paulo paes deu boas provas disso.

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