31 de jan de 2010

jorio dauster - o cosmopolita galopavão


Afinal de contas, me perguntei outro dia, por que o popular Meleagris gallopavo, aquela ave de carúncula avermelhada originária da América do Norte, tem o nome de um país latino-americano em português e de um país do Oriente Próximo em inglês? Aposto que você também já foi assaltado por tal indagação, mas muito provavelmente nada fez para respondê-la, não é mesmo?

Pois saiba (como acabo de aprender no Houaiss) que o nosso peru vem do fato de que, no Portugal do século XVI, todos achavam que a apetitosa ave provinha da terra dos incas, a qual, por sua fama, passara mesmo a significar toda a América espanhola. Já o prato de resistência dos almoços de Thanksgiving nos Estados Unidos tem o nome de turkey porque a ave em causa foi confundida (certamente por linguistas ingleses que jamais a haviam visto) com a galinha-d’angola, a qual, por sua vez, imaginavam ser originária da Turquia. O que só faz acrescentar mais um complicador geográfico a este verdadeiro samba do crioulo doido, pois a referida representante da família dos numidídeos também é conhecida em português como galinha-da-guiné e, compreensivelmente, atende hoje em inglês pela alcunha de guinea fowl. Mas a coisa se complica ao vermos que o peru gaulês, o dindon, deve seu nome à fêmea da espécie, a dinde, assim chamada carinhosamente para designar a poule d’Inde. E, como já percorremos alguns continentes, vou ficando por aqui, feliz por não ter um dicionário de javanês em minhas estantes.

JORIO DAUSTER

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