16 de mai de 2011

anacreonte em poe

embora eu não me sinta muito persuadida de uma possível filiação direta, aventada por claudio w. abramo,* de the raven
a anacreonte, é inegável a presença do poeta como símbolo de louco hedonismo juvenil em algumas peças de poe.

além de shadow - a parable, mencionada por abramo, lembro os versos da terceira estrofe de introduction (1831), reelaboração de preface (1829) e posteriormente trabalhada em diversas versões de romance, até a versão final de 1845.

For, being an idle boy lang syne,

Who read Anacreon, and drank wine,
I early found Anacreon rhymes
Were almost passionate sometimes —
And by strange alchemy of brain
His pleasures always turn’d to pain —
His naivete to wild desire —
His wit to love — his wine to fire —
And so, being young and dipt in folly
I fell in love with melancholy,
And used to throw my earthly rest
And quiet all away in jest —
I could not love except where Death
Was mingling his with Beauty’s breath —
Or Hymen, Time, and Destiny
Were stalking between her and me.
é interessante acompanhar a trajetória do poema entre sua formulação inicial, em 1829, até a versão final de 1845: aqui.

interessante também notar que a estrofe de 1831, com sua referência a anacreonte, traz os elementos que reaparecerão refundidos em prosa na parábola shadow, desde sua versão inicial de 1835 (aqui).

desnecessário destacar a strange alchemy of brain, acima, descrevendo com tanta clareza o processo de intensificação e inversão (ou perversão, em sentido psicanalítico) das pulsões e afetos, que viria a caracterizar
grande parte de sua obra futura.

* o corvo (2011), pp. 15, 47-51.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.