17 de mai de 2011

sons do tempo II

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continuando a relação de traduções brasileiras de the tell-tale heart, há também as seguintes:

com o título de "o coração revelador"*:
  • renato guimarães, in os mais extraordinários contos de horror, org. rosamund morris (civilização brasileira, 1978)
com o título de "o coração delator":
  • celina portocarrero, in os melhores contos de loucura, org. flávio moreira da costa (ediouro, 2007)
  • rodrigo breunig, in o escaravelho de ouro & outras histórias (lpm, 2011)
  • ricardo gouveia (adapt.), in o gato preto e outras histórias (scipione, 2010)  
como não as compulsei, não sei dizer quais foram as soluções adotadas para a nuclear frase hearkening to deathwatches in the wall, tema exposto em sons do tempo I. mas ficam aqui registradas.

 *há ainda uma referência na revista fragmentos da ufsc (n. 17, 1999, p. 96), porém receio que talvez equivocada, à tradução de um certo "t. booker washington", in maravilhas do conto universal, org. diaulas riedel (cultrix, 1957). quanto a "t. booker washington", trata-se visivelmente de pseudônimo (tenho até um palpite de quem seria), que também aparece em vários outros volumes da mesma coleção: "traduções revistas por t. booker washington" ou "revisão das traduções por t. booker washington". são: maravilhas do conto inglês, maravilhas do conto alemão, maravilhas do conto italiano, maravilhas do conto francês, maravilhas do conto russo, maravilhas do conto norte-americano. receio que, como ocorre em grande parte dessa coleção de 24 volumes da cultrix, trate-se de reprodução não autorizada de uma tradução anterior.

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8 comentários:

  1. Anônimo20.5.11

    Parabéns, mais uma vez, Denise, por todo esse trabalho em torno de Poe. Poe é um dos mais poderosos gênios da humanidade e, em grande parte, é o principal inventor da poesia moderna. Grande abraço do seu amigo M.

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  2. Vaja esse plagio descarado
    http://www.youtube.com/watch?v=sYFOr4lkTAI

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  3. Olá, Denise.

    Desculpe-me por escrever nesta postagem sobre outro tema, mas tenho uma dúvida. Você sabe se a tradução de "Maiakóvski - Vida e Obra" da Martin Claret, atribuída a Emilio C. Guerra e Daniel Fresnot, é plagiada - como a maioria dos outros títulos da editora?

    Agradeço pela atenção, querida.

    Abraços.

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  4. olá, marcos:
    não conheço essa edição, mas daniel fresnot existe, é um senhor francês radicado no brasil, e traduziu alguma coisa de rimbaud também.
    imagino que as poesias desse volume de maiakovski tenham sido vertidas do francês, e não do russo.

    neste site:
    http://www.criacaodoslivros.com.br/2010/11/maiakovski-vida-e-poesia/

    encontrei uma referência dizendo:
    "Livro idealizado e realizado pela EDITORA MARTIN CLARET. Tradução JEAN MELVILLE, EMILIO C. GUERRA e DANIEL FRESNOT."

    não sei o que seria de responsabilidade de quem, mas "jean melville" é nome inventado e usado em várias edições irregulares da martin claret. (veja aqui no blog na busca por "jean melville").

    de emilio c. guerra encontrei uma referência: "(4) MAIAKOVSKI, Vladimir. “E então, que quereis?” (1927). In:_______. “Antologia poética”. Est. bio. trad. Emílio C. Guerra. 6. Ed. São Paulo: Max Limonad, 1987, p. 185 (Série Literatura, 3)" no final de um comentário a este artigo:
    http://revistacult.uol.com.br/home/2011/02/a-pedra-reiterada


    encontrei uma tradução da flauta-vértebra, feita por haroldo de campos e boris schnaiderman, do russo, aqui:
    http://www.culturapara.art.br/opoema/maiakovski/maiakovski.htm

    A FLAUTA VÉRTEBRA
    A todos vocês,
    que eu amei e que eu amo,
    ícones guardados num coração-caverna,
    como quem num banquete ergue a taça e celebra,
    repleto de versos levanto meu crânio.
    Penso, mais de uma vez:
    seria melhor talvez
    pôr-me o ponto final de um balaço.
    Em todo caso
    eu
    hoje vou dar meu concerto de adeus.
    Memória!
    Convoca aos salões do cérebro
    um renque inumerável de amadas.
    Verte o riso de pupila em pupila,
    veste a noite de núpcias passadas.
    De corpo a corpo verta a alegria.
    esta noite ficará na História.
    Hoje executarei meus versos
    na flauta de minhas próprias vértebras.



    a título comparativo, encontrei aqui a de fresnot: http://poesiacontraaguerra.blogspot.com/2007/06/flauta-vrtebra.html

    A todas vós
    que já fostes ou que sois amadas
    como um ícone guardado
    na gruta da alma
    qual uma copa de vinho
    à mesa de um banquete
    ergo meu crânio repleto de versos.

    Freqüentemente me indago:
    talvez fosse melhor
    dar à minha vida
    o ponto final de um balaço.
    Todavia
    hoje
    dou meu concerto de despedida.

    Memória!
    Junta na sala do cérebro as fileiras
    das inumeráveis bem-amadas.
    Derrama o riso em todos os olhos!
    Que de passadas núpcias
    a noite se paramente!
    Derrama alegria em todos os corpos!
    Que ninguém possa esquecer esta noite.
    Hoje tocarei a flauta
    de minha própria coluna vertebral.

    então imagino que essa edição seja uma montagem de coisas variadas. pessoalmente, não confio muito na menção a jean melville, que me parece indicar alguma possível irregularidade. mas aí, para dizer algo mais concreto, só vendo mesmo.

    abraço
    denise

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  5. Olá, Denise.

    Na edição que tenho aparecem apenas o nome de Guerra e Fresnot - já sabia da fama das traduções no nome de Melville. Já o volume dos irmãos Campos e de Boris Schnaiderman eu tenho.

    A edição da Martin Claret possui mais alguns tradutores que aparecem para trechos específicos. Vou citá-los a título de curiosidade:

    -Sebastião Paz: Aparece como tradutor da Introdução do livro ('Maiakóvski, o farol que era um poeta') escrita por Francis Combe - edição francesa como você citou;
    -Nicole A. Vilhena: tradutora da autobiografia poética "Eu mesmo";
    -Elsa Triolet e Lila Guerrero: falam sobre as dificuldades de traduzir Maiakóvski (referências da edição original da qual foi vertida para o francês);
    -Juan Haquim: responsável por traduzir as cartas de amor de Maiakóvski a Lila Brik (em anexo ao livro);

    No final da edição ainda temos uma bibliografia usada pelo tradutor Emilio C. Guerra (o que me intrigou já que não temos citação de nada usado por Fresnot ou qualquer um dos citados acima). Fisicamente é uma boa edição que reúne muitas informações, com fotos das imagens que Maiakóvski criava, seus desenhos e fotos suas intercaladas com seus poemas mais importantes. A tradução em si parece pecar, talvez por vir do francês, em usar uma linguagem muito barroca e cheia de "vossos" e "vossas" que certamente não estavam na linguagem coloquial que o poeta usava no russo.

    De qualquer forma, agradeço mais uma vez pela ajuda.

    Muito obrigado!

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  6. ah, então é de fato uma colcha de retalhos!

    a claret (em sociedade com a ediouro) fazia muito isso naquela coleção "o pensamento vivo de....".
    pegava vários trechos de várias edições e montava seu livrinho (pela lda de 1973 até dava para fazer isso, mas pela lda de 1998 não mais - era muita folga mesmo, pegava um capítulo aqui, uma introdução ali, um perfil biográfico acolá, e pronto, tinha um "novo" livro, sem licença nem nada...)

    não é este o caso, claro, mas o espírito parece o mesmo...

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  7. Denise,

    Percebo que este é realmente um problema que afeta mais ainda obras e autores sem grande difusão aqui no Brasil.

    Infelizmente não temos várias edições de Maiakóvski para termos acesso e ficamos expostos a este tipo de coisa. Na verdade, procurando edições dos poemas dele, vamos encontrar apenas esta edição da Martin Claret e a dos irmãos Campos.

    O mesmo acontece, por exemplo, com "Vida Nova" de Dante (que é muito conhecido, mas esta obra dele não) - que possui disponíveis duas traduções:

    -Uma da Martin Claret (plagiada da edição da Athena de 1936);
    -Outra da Cia das Letras (tradução de Décio Pignatari presente no volume "Retrato do Amor quando Jovem").

    O ideal seria termos ao menos quatro traduções deste tipo de obras fundamentais. Quem sabe um dia?

    Abraços.

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  8. Thaís23.5.11

    Olá, Denise. Tudo bem? Gostaria de mandar um e-mail mas não encontrei o endereço no blog então falo por aqui mesmo.

    Estudo Tradução na Unesp e gosto muito do seu blog. Organizo um evento anual que está em sua 31a edição, a Semana do Tradutor, que ocorre no mês de setembro.

    Gostaria de saber se você teria disponibilidade para participar de uma mesa-redonda sobre plágio.

    Por favor, entre em contato comigo, o e-mail é semanadotradutor@yahoo.com.br

    Obrigada desde já,

    Thaís

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