9 de set de 2012

a dobradinha FBN/Martin Claret II


eis o que a fbn aceitou cadastrar e oferecer em seu programa nacional do livro de baixo preço, para abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país, à livre escolha delas:



reproduzo abaixo o que venho divulgando faz anos e que apresentei à presidência e à coordenação da fundação biblioteca nacional, quando eu soube das irregularidades em seu programa de abastecimento das bibliotecas públicas (e com verba pública, claro):

I. alceste:


18/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - αλψεστε


um bom tempo atrás, a clássicos jackson publicou eurípides nas famosas traduções, acompanhadas de introdução e notas, de j. b. de mello e souza. essas traduções continuam ativas no catálogo da ediouro.

como a μαρτιν ψλαρετ tem uma compulsão irrefreável em se apropriar do alheio, ela resolveu copiar alceste, electra e hipólito da jackson/ediouro e tascou o nome de seu inseparável colaborador πιετρο νασσεττι.

e nós leitorinhos, em nossa irrefreável compulsão masoquista, pagamos caro por mais um lesa-memória e perdemos mais uma chance de ir formando um mínimo de bagagem cultural.

eurípides, alceste
introdução

1. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega nos apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (j. b. mello e souza)

2. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega os apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (πιετρο νασσεττι)

1. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis, porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Ciclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso, — o filho de Feres — eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai, e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (j. b. mello e souza)

2. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Cíclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso — o filho de Féres —, eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (πιετρο νασσεττι)
imagem: sinodal.com.br

II. electra:

19/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ελεψτρα

electra, além de prantear o pai, demonstra seu pesar em cair nas garras de μαρτιν ψλαρετ e seu fâmulo πιετρο νασσεττι.



eurípides, electra:
a. trad.: j.b. de mello e souza (jackson/ediouro)
b. plágio: pietro nassetti (martin claret)




a. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamêmnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de focéia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

b. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamemnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de foceia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

e por aí vai, um embuste do começo ao fim.

imagem: richmond, electra, wikimedia.commons


III. hipólito:


20/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ηιπολιτο

eurípides, hipólito.
a. mello e souza (jackson)*
b. pietro nassetti (claret)
a. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
coa morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória.

b. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
co'a morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória. 

* na verdade, mello e souza adverte em seu prefácio que se trata de uma tradução portuguesa antiga de autoria desconhecida

imagem: valérie dréville no papel da fedra de racine

sobre o escândalo que é esse programa de aquisição de acervos da fbn, ver aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.