18 de set de 2012

thomas de quincey no brasil

em 2005, em sua coleção "intoxicações", a ediouro lançou confissões de um comedor de ópio, de thomas de quincey, em tradução de luiz roberto mendes gonçalves e introdução (além de capa e projeto gráfico) de joca reiners terron:


chamou-me a atenção uma afirmativa de terron em sua introdução ao angustiado relato autobiográfico de de quincey, tingida com algumas pinceladas um tanto pop ou popizantes: "A publicação no Brasil de clássicos da literatura cabeça-feita estrangeira [...] é relativamente recente" (p. 9) e, quanto às confissões, cita a edição da l&pm nos anos 80. i beg to differ, como dizem.

pois vejamos: de quincey chega ao brasil em 1935, ano em que é lançada a tradução de elias davidovich, aliás um dos primeiros tradutores também de freud entre nós. note-se que o prefácio é de j.p. porto-carrero, um dos fundadores do movimento psicanalítico no brasil.



em 1946, a josé olympio relança as confissões, agora em tradução de ana maria martins, com belas xilogravuras de santa rosa e introdução de brito broca:


em 1977, a revista escrita livro, ano I, n. 2, publicada pela editora vertente, lança nova tradução (ignoro o autor), acrescida de comentários de baudelaire extraídos de paraísos artificiais, com ilustrações de maninha cavalcante, inaugurando entre nós uma abordagem mais "contracultural" da obra:



passam-se alguns anos e sem dúvida é a l&pm que populariza esse viés de contracultura, lançando as confissões como primeiro volume de sua coleção "rebeldes & malditos", em 1982, com tradução de ibañez filho:

aqui numa capa mais apelativa, de 2000.


em suma, o lançamento da ediouro se deu não duas, mas sete décadas depois da primeira publicação das confissões de um comedor de ópio entre nós, e é a quinta tradução brasileira. este é um dos pontos que repiso constantemente: nossa bibliografia traduzida é muito mais rica, muito mais variada - e, por que não, até moderna para sua própria época - do que às vezes podemos imaginar, tão imersos estamos em nossa fatídica desmemória cultural.

ensaísta de vastíssima produção, as únicas outras obras de thomas de quincey publicadas no brasil são, até onde sei:
  •  do assassinato como uma das belas artes, em tradução de henrique de araújo mesquita, pela l&pm (1985), 
  • os últimos dias de immanuel kant, em tradução de heloísa jahn, pela forense universitária (1989)
  • os últimos dias de immanuel kant, em tradução de tomaz tadeu, pela autêntica (2011)




por fim, uma informação que não sei se é verdadeira, mas é bem simpática: consta que o primeiro livro digital foi publicado em 1993 - era do assassinato considerado uma das belas artes. ver aqui.

2 comentários:

  1. denise,

    me lembrei de "sob o sol de satã", do georges bernanos, que foi lançado em 1926 e teve tradução no brasil no mesmo ano, feita pelo jorge de lima.

    está certo que os dois eram amigos, mas os escritores/tradutores brasileiros estavam bastante antenados.

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  2. boa, nilton. um dos exemplos mais flagrantes é baudelaire, diga-se de passagem.

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