24 de set de 2012

finalistas do jabuti de tradução

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no dia 20 de setembro, saiu a relação dos finalistas do prêmio jabuti de tradução literária.

o regulamento era bastante claro (ver aqui):
29. TraduçãoTextos exclusivamente literários de ficção (prosa ou poesia), traduzidos de qualquer idioma, para a língua portuguesa falada e escrita no Brasil.
já no ano passado, entre os finalistas houve a desclassificação de o outono da idade média, de johan huizinga, em tradução de francis petra janssen, justamente por não atender ao critério literário. a coordenação e o júri da atual edição do jabuti parecem não ter lido direito o regulamento nem aprendido a lição do ano passado, pois agora em 2012 foram indicadas duas obras entre os finalistas que escapam aos critérios de ficção e/ou poesia: frida, a biografia e, mais surpreendentemente, os grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política, de marx.

deve ser inútil esperar qualquer providência da cbl em relação a tais irregularidades. uma pena.

tirando isso, parabéns aos tradutores das oito obras legitimamente classificadas entre as dez finalistas. são eles:
1º - Odisseia - Trajano Vieira - Editora 34
2º - Madame Bovary - Mário Laranjeira - Companhia das letras
3º - Guerra e Paz - Rubens Figueiredo - Cosac & Naify
4º - Heine Hein? Poeta dos Contrários - André Vallias - Editora Perspectiva
5º - Duplo Canto e Outros Poemas - Bruno Palma - Editora Ateliê
6º - Frida: a biografia - Renato Marques - Editora Globo
7º - Os sonâmbulos - Marcelo Backes - Editora Saraiva
8º - Poesia completa de Yu Xuanji - Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao - Editora UNESP
9º - Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política - Mario Duayer, Nélio Schneider, Alice Helga Werner e Rudiger Hoffman - Editora Boitempo
10º - O duplo - Paulo Bezerra - Editora 34 
 a relação completa dos finalistas de todas as categorias está aqui.

atualização em 27/09/12: avisa nilton resende no facebook:

houve mudança na indicação do Jabuti em tradução (pelo menos em tradução). segundo e-mail distribuído pela CBL, houve "uma inconsistência no resultado". colo aqui o e-mail. e depois, o resultado corrigido.
e-mail:
"Em sua 54ª edição, o Jabuti, o mais prestigiado prêmio do mercado editorial, sempre primou por valorizar o setor, consagrando, a cada ano, os maiores talentos do livro brasileiro.
A apuração da 1ª fase foi realizada em sessão pública no último dia 20 de setembro, com a presença de jornalistas, jurados e membros do conselho curador.
Em virtude de um questionamento feito por um jurado, sempre prezando pela transparência das informações, a comissão do Jabuti solicitou nova compilação dos votos à Disoft, empresa responsável pelo sistema, com acompanhamento da auditoria Parker Randall, ocasião em que foi identificada inconsistência no resultado apurado pelo sistema. Conheça aqui a lista atualizada de finalistas que seguirão para a 2ª fase do Prêmio."
 
o resultado atual na categoria tradução: 
Tradução
1º - Odisseia - Trajano Vieira - Editora 34
2º - Madame Bovary - Mário Laranjeira - Companhia das Letras
3º - Guerra e paz - Rubens Figueiredo - Cosac & Naify
4º - Heine Hein? Poeta dos contrários - André Vallias - Editora Perspectiva
5º - Duplo Canto e Outros Poemas - Bruno Palma - Editora Ateliê
6º - Os sonâmbulos - Marcelo Backes - Editora Saraiva
7º - Poesia completa de Yu Xuanji - Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao - Editora UNESP
8º - O duplo - Paulo Bezerra - Editora 34
9º - Poemas - Regina Przybycien - Companhia das Letras
10º Ilusões Perdidas - Rosa Freire d'Aguiar - Companhia das Letras
que pode ser visualizado aqui: http://www.premiojabuti.com.br/resultado-fase1-2012

9 comentários:

  1. O livro Os sonâmbulos não é da editora Benvirá?
    Abraços.

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    1. bem lembrado, daniel. de qualquer modo, a benvirá virou selo da saraiva em 2010.

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  2. E eu que já ia estrilar por causa da ausência da Regina Przybycien...
    Mas e se o tal jurado não notasse as "inconsistências"?
    Abraço, Alfredo Monte

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  3. pois é, e foi um dos belos lançamentos do ano passado!
    "jurado" como quem diz, né, alfredo? teve um pouco de chiadeira no twitter e no facebook, e a folha de s.paulo deu uma nota, na coluna da raquel cozer. então acho que a cbl quis evitar o escarcéu do ano passado e foi mais rápida e mais discreta em fazer as retificações.

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  4. parabéns!
    adoro seu blog e sua atuação no mundo literário e na defesa dos tradutores.
    estou aprendendo muito sobre a importância por trás da valorização de determinadas editoras.

    abraços

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  5. E, como sempre, a culpa é do sistema, do software etc. Ainda bem que consertaram a lista.

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  6. Uma omissão que não posso deixar de salientar na lista das traduções indicadas para o Jabuti é a do tour-de-force de Bruno Gambarotto (editora Hedra), ao traduzir a imensa e oceânica Edição do Leito de Morte das "Folhas de Relva", de Walt Whitman, para mim um feito. Ninguém mais ficou escandalizado com isso?
    Abraço, Alfredo Monte.

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  7. pois é... teria de ver se a hedra chegou a inscrever a obra.

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  8. O publicitário Maurício Tagliari e o editor Rogério de Campos lançaram e divulgaram orgulhosamente por todos os meios de comunicação, que seu livro DICIONÁRIO DO VINHO Tagliari e Campos, é um projeto inédito e original no mundo.Esta informação consta inclusive da abertura do livro. Não é verdade. Participei do projeto e sei que é baseado no DIZIONARIO ENOLOGICO, de Giuseppe Sichieri e Michele Perinotti, EDITORE ULRICO HOELPI MILANO, 1999, do qual tenho uma xerox fornecida pelos próprios autores brasileiros.O original italiano está nos mesmos 6 idiomas desta versão brasileira.
    Incomoda muito, e deve incomodar todos os profissionais sérios, tamanha falta de ética ser agora indicada ao Prêmio Jabuti.
    Eu era sócia da Conrad, editora que desenvolveu o Dicionário do Vinho, e participei do projeto brasileiro desde o início.Todos os envolvidos tinham muito claro que o trabalho era baseado no original italiano, porém seria muito mais completo. Mas daí a vender como inédito e original no mundo existe uma distância incrível. Até pq é uma falta de respeito enorme com os profissionais do vinho e do livro no Brasil e no mundo. Os autores têm a arrogância de afirmar na introdução do livro, que entre milhares de publicações no planeta, não há nada similar. A afirmação já é pretensiosa por si só. Quanto mais tendo em vista o fato de o projeto ser baseado em obra já publicada que circulava abertamente na Conrad. Detalhes importantes demonstram a má fé e a falta de ética, principalmente o fato do DIZIONARIO ENOLOGICO original italiano não aparecer na bibliografia do livro brasileiro.E veja que estamos falando de um editor e um publicitário! É muito comprometedor. E triste premiar esse tipo de “profissional”.

    Cris

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