25 de mai de 2014

drummond em ritmo de tradução I

bela contribuição de emmanuel santiago - poema de drummond descrevendo o ofício:


SONETOS HEREDIANOS

I

Era bom traduzir os sonetos de Herédia
a poder de martelo, altas horas da noite.
No suplício da forma um sabor de comédia
testará o animal que na treva se acoite.

O desfecho (in)feliz envolve-se na média
de galas esmagadas. Qualquer um que se afoite
nos meandros do 'mot' há de soltar as rédeas
ao cavalo interior, carente de pernoite.

A língua, inda sangrando em cacos de palavras
que jamais tornarão à virtude primeira,
pergunta (ou quase que), após servido o chá.

E o bardo, recalcando aporias escravas,
silente se recolhe à furna derradeira.
Ninguém que me responda: Herédia ou Herediá?

ANDRADE, Carlos Drummond de. In: "Amar se aprende amando"


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