25 de mai de 2014

dostoiévski e seu misterioso tradutor "raul rizinsky": uma hipótese

há um artigo muito interessante de dennys silva-reis sobre  "O romance hugoano L'homme qui rit: estudo crítico, tradução e retradução para o português brasileiro", disponível aqui.

chamou-me a atenção um trecho, transcrito no artigo, das memórias de leôncio basbaum:


já aqui eu comentava: "diga-se de passagem que aquele 'raul rizinsky' d'os irmãos karamazoff, pela americana, edição de bolso em papel jornal que saiu em 1931, parece irmão gêmeo do 'ivan petrovitch' da mesma americana, em 1930!" o trecho acima parece indicar que, de fato, aquele implausibilíssimo "raul rizinsky" seria um pseudônimo usado por ele, em sua primeira tradução para a editora americana.




visto que não se encontra nenhuma notícia de alguma edição de os irmãos karamazov publicada diretamente pela guanabara, sinto-me fortemente tentada a crer que a discrepância na referência ao nome da editora (americana, e não guanabara) se deve ao fato de que o catálogo literário da editora americana passou, em 1931, para a waissman, reis & cia., a qual por sua vez, a partir de 1934, passa a responder pelo nome de guanabara (e também guanabara koogan). essa hipótese é reforçada também pelo fato de que elias davidovich, o amigo e companheiro citado por leôncio basbaum, desde 1930 fazia traduções para a americana, bem como para a posterior guanabara. em resumo, suponho que leôncio basbaum, em suas memórias, referiu-se à americana pelo nome que, entre uma e outra fusão editorial, ela veio a adotar poucos anos depois e que mantém até a data de hoje.

devo a imagem da página de rosto à gentileza de alex quintas de souza.

4 comentários:

  1. Já que apareceu mais um post seu desvendando o pseudônimo de tradutor obscuro de livro amarelado, peço licença para avisar que estou na torcida por certo Amador Cisneiros. É o tradutor do Da República de Cícero de todas as edições brasileiras que vi (da Pensadores às novinhas em folha), e a edição original foi pela Athena Editôra. Pelo que você descobriu dela, na certa tem história.

    Quanto ao tradutor deste post, não deu para descobrir se a edição tem parte faltando? Se sim, mata-se a charada.

    ResponderExcluir
  2. olá, bruna: numa rápida consulta no google, é possível encontrar até bastantinha coisa sobre amador cisneiros em notícias, livros de memórias, artigos etc.: jornalista, capitão, sofreu processo sob o estado novo (em 1938), acusado de comunista, esteve na feb, participou de algumas revistas de teatro e cinema, e certamente na hemeroteca digital você encontrará mais coisas sobre ele. provavelmente sua contribuição na athena se deu por suas posições antifascistas e de esquerda.

    ResponderExcluir
  3. Muito obrigada! Eu tinha procurado no Google; mas, depois de páginas e páginas como o autor da tradução do Da República e uma mençãozinha como jornalista de emprego breve (que poderia ser pseudônimo portanto), desisti.

    ResponderExcluir
  4. Denise, excelente o blog!
    tenho duas edições do Dostoiévski: O Sonho do Príncipe (tradução de José Maria Machado, Clube do Livro, São Paulo, 1959) e uma de Noites Brancas, com tradução de Carlos Loures para a coleção Biblioteca de Ouro da Literatura Universal, com patrocínio da Rede Bandeirantes e do Banco de La Provincia de Buenos Aires.
    Este não tem indicação de editora aqui no Brasil e diz que saiu especialmente com a revista Minha, em 1988.
    Há a indicação da Sociedade Comercial y Editorial Santiago LDA y Publicações Europa América e também da Editora América do Sul LDA.
    Você as conhece?
    Abraços e parabéns pelo trabalho,
    Carlos Henrique

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.