26 de mar de 2015

"o submundo da tradução"?!

divirto-me e até tomo como exercício muito salutar procurar erros meus de tradução. não faltam. às vezes publico em algum de meus blogues. afora isso, acho meio cabotino dar uma de agenor soares de moura ou de agripino grieco e ficar apontando erro dos outros. 
assim, a única coisa que me pareceu de interesse num recente artigo da revista cândido, aqui, foi a confirmação da nonchalance de jorge luis borges em emprestar seu nome a traduções alheias e a hipótese (apenas levemente acenada) de que cecilia meirelles teria feito sua tradução de orlando, de virginia woolf, a partir do espanhol. 
bom, fui conferir e, pelo que constatei, o comentário do articulista nem procede: o mouro inicialmente citado aparece apenas como "moor". apenas dois parágrafos adiante é que o narrador de orlando fala em "vast pagan". borges ou quem por ele usou respectivamente "moro" e "vasto infiel"; cecília meirelles usou "mouro" e "vasto infiel", ambos muito fiéis (no pun intended) ao original. em suma, bola fora do articulista, aparentemente.
(lição do dia para aluninhos de estudos de tradução: é assim que rapidamente se excluem falsas hipóteses; basta checar as fontes.)

Um comentário:

  1. Anônimo28.3.15

    Creio que há muito tempo li o próprio Borges admitindo que dava seu nome a traduções feitas por... sua mãe. Posso estar enganado, faz muito tempo.

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