6 de fev. de 2018

em busca de um tempo perdido



Um dos melhores livros sobre a história editorial brasileira é o meticuloso estudo de Sônia Maria de Amorim, Em busca de um tempo perdido – Edição de literatura traduzida pela Editora Globo 1930-1950 (1999). Preciosa fonte de dados e informações, constitui um painel inestimável para pesquisadores e interessados na história da tradução no Brasil.

A obra traz ao final uma extensa e belíssima “Listagem dos títulos de literatura traduzida pela Livraria do Globo (1930-1950)", com o autor, o título do livro, o tradutor e a coleção.

Em busca de um tempo perdido é uma referência tão indispensável nessa nossa área de estudos que achei que valeria a pena complementar alguns créditos de tradução que estavam faltando. Seguem abaixo, na mesma ordem alfabética que Sônia Amorim utilizou.

Henri Ardel, Coração descrente, Branca Maria Bernardi [1927]
René Bazin, Terra que morre*
Bufalo Bill [William Frederick Cody], O grande atirador** 
Henri Bordeaux, O medo de viver, Jorge Jobim [1926]
Paulo Bourget, Lourença Albani, Eduardo Guimaraens [1926]
Jean de la Brète, Sonhar e viver, A.P. [1927]
John Buchan, Os 39 degraus, Irene Korsakoff 
B. de Buxi [Blanche de Buxy], Esmola florida*
_______, O lírio refém, Noemy Rosa de Amar
G.K. Chesterton, A superstição do divórcio* 
Agatha Christie, A casa perdida, Pepita de Leão
_____, Um crime no Expresso do Oriente, [Silvia Guaspari] 
J. Fenimore Cooper, O espião, “Gilberto Miranda”
_____, O piloto, Noah Moura
Jeanne de Coulomb, A floresta que canta, Mário de Sá
M. Delly, A casa dos rouxinóis, Léia Ribeiro de Alencar
_____, O fruto maduro*
D.H. [Dashiell Hammett], Estranha maldição, Wilson Velloso
Mignon Eberhart, O crime do hospital, não consta
Zénaïde Fleuriot, Águia e pomba, não consta
R. Austin Freeman, O mistério d’Arblay, não consta
Erle Stanley Gardner, O caso da jovem arisca, Marcelo Andrade
Frederico Gerstacker, Ouro, Henry Laurel [sic]
Zane Grey, Almas bárbaras [Almas de bárbaros], Silvia Guaspari
_____, O caçador de búfalos, J. de Sousa
Leon Groc, O carrasco fantasma, Pinto Ribeiro
Dashiell Hammett [D.H., vide notas abaixo]
Dashiell Hammett, Safra vermelha, Lino Vallandro
Sydney Horler, A casa dos segredos, Fay de Azevedo
_____, A volta de Vivanti, Marques Rebello
Cap. W.E. Johns, Biggles, comodoro do ar, Ernesto Vinhaes
_____, Biggles vai para a guerra, Ernesto Vinhaes
_____, Biggles voa para o Oeste, Ernesto Vinhaes
_____, Biggles voa para o Sul, Lauro G. Freitas
Ch. Lucieto, A virgem vermelha do Kremlin, Marina Guaspari
Heitor Malot, Em família*
Eugenia Marlitt, Gisela, condessa do império, [1928]**
Karl May, A quadrilha do deserto, Leopoldo Tietboehl
_____, Aventuras do rio da Prata, J. Sant’Anna
_____, Percorrendo as cordilheiras, Silva Viana e Walter Soares  
_____, Uma aventura na Tripolitânia, Leopoldo Tietboehl
Quentin Patrick, Um enigma para doidos, Hamílcar de Garcia
A.S. Puchkine, A filha do capitão, Paulo Corrêa Lopes
W. MacLeod Raine, Um cow-boy em Nova York**
M[ary] R. Rinehart, O homem do leito n. 10, Lourival Cunha
Sax Rohmer, Tóxico, Juvenal Jacinto
[Walther Schultz, O luar assassino – autor brasileiro]
Emmanuel Soy, Coração adormecido, Mario Sette
Elizabeth Spencer, A luz na piazza [1960? 1964?]**
Robert Louis Stevenson, A ilha do tesouro, Pepita de Leão
_____, As aventuras de David Balfour, Fernando Pio
[S.S. Van Dine, A série sangrenta, M.G. -> Marina Guaspari]
Gabor von Vaszary, Um pobre amor em Paris, Hipólito Kuntz
Edgar Wallace, A inteligência de Mr. Reeder, “Gilberto Miranda”
_____, A pista da vela dobrada, Cristovam Paledzki
_____, O hotel do terror, Luiza P. Ferreira
_____, Os três homens justos, Leonel Vallandro
Hugo Wast, Deserto de pedra, Almachio Cirne
_____, Flor de pessegueiro, Almachio Cirne
_____­­­­­, Vale Negro*
C[arolyn]. Wells, O esqueleto do festim [Um esqueleto no festim], não consta
Louis Wilton, As panteras, Walter Heckman
_____, O sinal fatídico, não consta
­­­_____, O tapete da morte, Pedro Bruno Deschinger


Comento agora alguns breves detalhes, referentes apenas aos títulos que estavam sem créditos de tradução e que acima procurei complementar. 

1. Embota o recorte da autora seja 1930-1950, há alguns poucos títulos que são anteriores a 1930. Coloquei a respectiva data de publicação entre colchetes.

2. Marquei com um asterisco seis obras das quais não consegui localizar um único exemplar e, portanto, não pude apurar o nome do tradutor. Marquei com dois asteriscos quatro obras cujos créditos de tradução ainda estou apurando.

3. Há cinco casos em que a publicação realmente não traz créditos de tradução, casos estes que assinalei com o aviso “não consta”.

4. Há, porém, o caso de Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, que tampouco traz créditos de tradução, mas aqui foi possível rastrear a identidade da tradutora: Sílvia Guaspari. Veja-se aqui

5. Localizei duas ocorrências de créditos em nome de “Gilberto Miranda”: O espião, de J. Fenimore Cooper, e A inteligência de Mr. Reeder, de Edgar Wallace. Não se sabe quem foram os efetivos tradutores dessas obras. Há quem creia que "Gilberto Miranda" fosse um pseudônimo de Erico Veríssimo. Sobre esse equívoco, veja-se aqui.

6. As iniciais D.H. aparecem na letra D da listagem, designando o autor de A estranha maldição. Trata-se de Dashiell Hammett, que comparece mais adiante, na letra H, e a obra vem novamente citada, em duplicata.

7. Por fim, O luar assassino consta no levantamento como obra traduzida. Não é o caso; trata-se de uma obra brasileira de autoria do músico gaúcho e escritor bissexto Walther Schultz.


14 de jan. de 2018

ao farol, uma leitura

saiu na mais recente edição da revista luso-brasileira InComunidade um artigo sobre ao farol, de virginia woolf, a partir de anotações minhas durante a tradução da obra. disponível aqui.






29 de dez. de 2017

os mais belos contos norte-americanos



Um levantamento muito útil. de John E. Englekirk: Os mais belos contos norte-americanos. Vecchi, 1945, 322 p. Contém: 
  • Sherwood Anderson, “Sementes” (“Seeds”). Trad. J. da Cunha Borges;
  • Stephen Vincent Benet, “O diabo e Daniel Webster” (“The devil and Daniel Webster”). Trad. J. da Cunha Borges;
  • Louis Bromfield, “A alegre Bessie” (“Good time Bessie”). Trad. Frederico dos Reys Coutinho;
  • Pearl Buck, “Elinora.” Trad. Edison Carneiro;
  • Erskine Caldwell, “Postrai-vos ante o sol nascente” (“Kneel to the rising sun”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Willa S. Cather, “Uma vesperal de Wagner” (“A Wagner matinee”). Trad. J. da Cunha Borges;
  • E. E. Cummings, “Jean le Nigre.” Trad. Alfredo Ferreira;
  • James Oliver Curwood, “Kazan.” Trad.Alfredo Ferreira;
  • John Dos Passos, “Dia de gracas” (ThanksgivingDay ?). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Theodore Dreiser, “O desaparecimento de Febe” (“The lost Phoebe”). Trad. J. da Cunha Borges;
  • William Faulkner, “Desceu o sol” (“That evening sun go down”). Trad. J. da Cunha Borges;
  • Edna Ferber, “Mamãe sabe melhor” (“Mother knows best”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Bret Harte, “Os proscritos de Poker Flat” (“The outcasts of Poker Flat”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Nathaniel Hawthorne, “David Swan.” Trad. J. da Cunha Borges;
  • Ernest Hemingway, “Os matadores” (“The killers”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Fannie Hurst, “Culpado!” (“Guilty”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Washington Irving, “Rip Van Winkle.” Trad. Alfredo Ferreira;
  • Sinclair Lewis, “O estudante de sessenta anos” (The sixty-year-old student ?). Trad. Edison Carneiro;
  • Jack London, “O grande silêncio branco” (“The white silence”). Trad. Edison Carneiro;
  • O. Henry, “O quarto mobiliado” (“The furnished room”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Dorothy Parker, “A valsa” (“The waltz”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Poe, “A pipa do amontillado” (“The cask of Amontillado”). Trad. Frederico dos Reys Coutinho;
  • William Saroyan, “O jovem do trapézio volante” (“The daring young man on the flying trapeze”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • John Steinbeck, “O pioneiro” (The pioneer ?). Trad. J. da Cunha Borges;
  • James Thurber, “A vida secreta de Walter Mitty” (“The secret life of Walter Mitty”). Trad. Alfredo Ferreira;
  • Mark Twain, “Quando eu era secretário de um senador” (“My late senatorial secretaryship”). Trad. J. da Cunha Borges.

fonte: Englekirk, aqui.

22 de dez. de 2017

artigo na tradterm


o último número da revista tradterm, da usp, traz nosso segundo artigo (de sérgio karam e meu) sobre a coleção amarela da livraria do globo (1931-1956), disponível aqui. neste artigo, aprofundamos vários aspectos que não foram tratados ou foram apenas aflorados no primeiro artigo, mais iconográfico, que, por sua vez, está disponível aqui.


3 de dez. de 2017

as traduções de millôr fernandes

segue a listagem de traduções para o teatro - depois de encenadas, mantiveram-se na grande maioria inéditas e não chegaram a ser publicadas em livro. as que foram publicadas constam também na segunda relação abaixo.

Traduções para o teatro

1960 – O prodígio do mundo Ocidental, de John M. Synge ( Brasiliense, Coleção Teatro Universaaal, vol. 30)
1961 – Gente como nós, de Irwin Shaw
1963 – Marat Sade, de Peter Weiss
1964 – Pequenos assassinatos, de Jules Pfeifer
1965 – Escola de mulheres, de Molière
1966 – A Megera domada, de W. Shakespeare (1998 – L&PM POCKET)
1967 – Lisistrata, de Aristófanes (2003 – L&PM POCKET)
1967 – A volta ao lar, de Harold Pinter
1967 – Blecaute, de Frederic Knott
1968 – A cozinha , de Arnold Wesker
1969 – Antígona, de Sófocles
1970 – Os rapazes da banda, de Mart Crowley
1971 – As eruditas, de Molière (2001 – L&PM POCKET)
1972 – Antigamente (Old times), de Harold Pinter
1975 – Os filhos de Kennedy, de Robert Patrick
1976 – Gata em telhado de zinco quente, de Tennessee Williams
1976 – Senhor Puntila e seu criado Matti, de Bertold Brechet
1977 – A calça (Die hose), de Carl Sternheim
1978 – Quem tem medo de Virginia Wolf?, de Edward Albee
1979 – Afinal, uma mulher de negócios, de Rainer W. Fassbinder
1979 – Palhaços de ouro, de Neil Simon
1980 – As alegres matronas de Windsor, de W. Shakespeare (1995 – L&PM POCKET)
1980 – Rei Lear, de W. Shakespeare (1997 – L&PM POCKET)
1980 – De quem é a vida, afinal?, de Brian Clark
1980 – A carta, de Somerset Maugham
1981 – As lágrimas amargas de Petra Von Kant, de Rainer W. Fassbinder
1981 – O jardim das cerejeiras, de Anton Tchekov (2006– L&PM POCKET)
1981 – A senhorita de Tacna, de Mario Vargas Llosa
1982 – Chorus line, de de Michael Bennet
1982 – A viúva alegre, de Victor Léon e Leon Stein (opereta)
1983 – A falecida senhora sua mãe, de George Feydeau
1983 – Piaf, de Pam Gems
1983 – Boa noite, mãe, de Marsha Norman
1984 – Grandes e pequenos, de Botho Strauss
1984 – Pô, Romeu!, de Efraim Kishom
1984 – Hamlet, de W. Shakespeare (1997 – L&PM POCKET)
1984 – Tio Vânia, de Anton Tchekov (2009 – L&PM POCKET)
1984 – Três histórias, de Dario Fó
1985 – Fedra, de Racine (2002 – L&PM POCKET)
1985 – O fetichista, de Michel Tournier
1985 – Imaculada, de Franco Scaglio
1985 – Sábado, domingo e segunda, de Eduardo de Filipo
1985 – Pigmaleão, de Bernard Shaw (2006 – L&PM POCKET)
1985 – Oh, Calcutá!, de Kenneth Tynan
1985 – Assim é, se lhe parece, de Luigi Pirandello
1986 – Quarteto, de Reinem Müller
1987 – O preço, de Arthur Miller
1987 – Filumena Marturano, de Eduardo de Filipo
1987 – Vestir os nus, de Pirandello
1988 – Encontrar-se, de Pirandello
1990 – O belo Antônio, de André Roussin
1994 – Don Juan, o convidado de pedra, de Molière (1997 – L&PM POCKET)
1996 – Anna Magnani, de Armand Meffre
1996 – Paloma de Jean Anouilh
1998 – Aula magna, de Terence McNally
1999 – Últimas luas, de Furio Bordon
2008 – A Celestina, de Fernando de Rojas (2008 – L&PM POCKET)

fonte: aqui (agradeço a daniel dago pela indicação)

outra listagem, esta disponível aqui:

Traduções

Romances
1942 – A estirpe do dragão (Dragon seed, de Pearl S. Buck. José Olympio Editora)
1945 – Nunca saí de casa (I never left home, de Bob Hope. Editora O Cruzeiro)

Fábulas
1983 – A ovelha negra e outras fábulas (de Augusto Monterroso. Editora Record. Ilustrações de Jaguar)

Textos teatrais
1958 – A fábula de Brooklin – Gente como nós (de Irwin Shaw)
1960 – O prodígio do mundo Ocidental (de John M. Synge)
1961 – Megera domada (de Shakespeare)
1961 – O velho ciumento (de Miguel de Cervantes)
1963 – Mary, Mary (de Jean Kerr)
1963 – Pigmaleão (de George Bernard Shaw)
1963 – As preciosas ridículas (de Molière)
1965 – Pequenos assassinatos (de Jules Feiffer)
1965 – A mulher de todos nós (de Henri Becque)
1965 – Escola de mulheres (de Molière)
1967 – Lisistrata (de Aristófanes)
1967 – Negra meobem (de François Campaux)
1967 – O assassinato da irmã Geórgia (de Frank Marcus)
1967 – Marat Sade (de Peter Weiss)
1967 – A volta ao lar (de Harold Pinter)
1967 – Blecaute (de Frederic Knott)
1968 – A cozinha (de Arnold Wesker)
1970 – Rapazes da banda (de Mart Crowley)
1971 – As eruditas (de Molière)
1972 – Antigamente (de Harold Pinter)
1974 – Antígona (de Sófocles)
1975 – Os filhos de Kennedy (de Robert Patrick)
1976 – Senhor Puntila e seu criado Matti (de Bertold Brechet)
1976 – Vivaldino, servidor de dois amos (de Carlo Goldoni)
1977 – A calça (de Carl Sternheim)
1978 – Quem tem medo de Virginia Wolf? (de Edward Albee)
1979 – Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade em Bremen (de R. W. Fassbinder)
1979 – Palhaços de ouro (de Neil Simon)
1980 – O rei Lear (de Shakespeare)
1980 – De quem é a vida, afinal? (de Brian Clark)
1980 – Gata em telhado de zinco quente (de Tennessee Williams)
1980 – A carta (de Somerset Maugham)
1980 – Ó, Calcutá! (de Kenneth Tynan)
1981 – As lágrimas amargas de Petra von Kant (de R. W. Fassbinder)
1981 – Bunny’s Bar (de Josiane Balasko)
1981 – As alegres matronas de Windsor (de Shakespeare)
1981 – A senhorita de Tacna (de Mario Vargas Llosa)
1982 – Chorus line (de Michael Bennet)
1982 – Casamento branco (de Tadeusz Rozewicz)
1982 – Hedda Gabler (de Henrik Ibsen)
1982 – A viúva alegre (de Franz Lehar)
1983 – A falecida senhora sua mãe (de George Feydeau)
1983 – Piaf (de Pam Gems)
1983 – O jardim das cerejeiras (de Anton Tchekov)
1983 – Boa noite, mãe (de Marsha Norman)
1984 – Grande e pequeno (de Botho Strauss)
1984 – Pô, Romeu! (de Efraim Kishon)
1984 – Hamlet (de Shakespeare)
1984 – Tio Vânia (de Anton Tchekov)
1984 – Dédalo e Ícaro (de Dario Fo)
1984 – O sacrifício de Isaac (de Dário Fo)
1984 – A tigresa (de Dário Fo)
1984 – Gilda, um projeto de vida (de Noel Coward)
1984 – Madame Vidal (de Georges Feydeau)
1985 – Fedra (de Jean Racine)
1985 – O feitichista (de Michel Tournier)
1985 – Imaculada (de Franco Scaglia)
1985 – Sábado, domingo e segunda (de Edoardo de Filippo)
1985 – Assim é, se lhe parece (de Luigi Pirandello)
1986 – Quarteto (de Heiner Müller)
1986 – Quatro vezes Beckett (de Samuel Beckett)
1986 – Ensina-me a viver (de Collin Higgins)
1987 – O preço (de Arthur Miller)
1987 – Filumena Marturano (de Edoardo de Filippo)
1987 – Vestir os nus (de Pirandello)
1988 – Encontrarse (de Pirandello)
1987 – La mamma ou O belo Antônio (de Vitaliano Francatti)
1994 – Don Juan, o convidado de pedra (de Molière)
1996 – Anna Magnani (de Armand Meffre)
1996 – Paloma (de Jean Anouilh)
1996 – Master class (de Terence McNally)
1999 – Últimas luas (de Furio Bordon)
2001 – Fim de jogo (de Samuel Beckett)

Textos teatrais editados em livro
1965 – A megera domada (de Shakespeare. Letras e Artes)
1966 – Sr. Puntila e seu criado Matti (de Bertold Brecht. Civilização Brasileira)
1968 – O prodígio do mundo ocidental (de John Millington Synge. Brasiliense)
1973 – Escola de mulheres (de Molière. Nórdica)
1975 – Os filhos de Kennedy (de Robert Patrick. Nórdica)
1976 – A volta ao lar (de Harold Pinter. Abril Cultural)
1977 – Lisistrata (de Aristófanes. Abril Cultural)
1981 – O rei Lear (de Shakespeare. L&PM)
1981 – A senhorita de Tacha (de Mario Vargas Llosa. Francisco Alves)
1983 – Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade em Bremen (de R. W. Fassbinder. L&PM)
1983 – As lágrimas amargas de Petra von Kant (de R. W. Fassbinder. L&PM)
1984 – Hamlet (de Shakespeare. L&PM)
1985 – Fedra (de J. Racine. L&PM)
1994 – Don Juan, o convidado de pedra (de Molière. L&PM)
1995 – As alegres matronas de Windsor (de Shakespeare. L&PM)
1996 – Antígona (de Sófocles. Paz e Terra)
2003 – As eruditas (de Molière. L&PM)

obs.: acrescente-se - em 1944, o cruzeiro publica uma coletânea de artigos contra o nazismo, os 10 mandamentos e um certo sr. hitler. entre eles está o texto de thomas mann, "não terás outros deuses em minha presença", em tradução de millôr.


17 de nov. de 2017

artigo

saiu no mais recente número da revista luso-brasileira InComunidade um artigo meu sobre berenice xavier (aliás, irmã de lívio xavier), responsável por belas e importantes contribuições para a tradução no brasil. disponível aqui.

9 de nov. de 2017

breviário de afetos

uma notícia fabulosa, realmente excelente: o lançamento de breviário de afetos, de ivo barroso.




6 de nov. de 2017

brenno silveira tradutor






Ciano, Galeazzo, ConteDiário do Conde Ciano, 1939-1943Cia. Editora Nacional1946
Merejkovski, Dmitry O romance  de Leonardo da VinciGlobo1946
Ferrero, GuglielmoHistória romanaMartins1947
Churchill, WinstonA Segunda Guerra Mundial, 4 v.Cia. Editora Nacional1948
Malta, D.A., e Jones, W.K.Sangue azul: comédia em três atosUnião Pan-Americana1948
Carnegie, DaleComo evitar preocupações e começar a viverCia. Editora Nacional1949
Twain, MarkUm ianque na corte do rei ArturBrasiliense1951
Vogt, WilliamO caminho da sobrevivênciaCia. Editora Nacional1951
Scott, WalterIvanhoéMartins1951
Thomas, Henry e Dana LeeVidas de grandes poetasGlobo1952
Franklin, BenjaminAutobiografia de Benjamin FranklinCia. Editora Nacional1953
Russell, BertrandEnsaios impopularesCia. Editora Nacional1954
Russell, BertrandDelineamentos da filosofiaCia. Editora Nacional1954
Russell, BertrandA ciência e a sociedadeCia. Editora Nacional1955
Russell, BertrandCaminhos para a liberdadeCia. Editora Nacional1955
Tira, EnsioA balsa do desesperoCia. Editora Nacional1955
Toynbee, ArnoldO mundo e o OcidenteCia. Editora Nacional1955
Carson, R.L.O mar que nos cercaCia. Editora Nacional1956
Russell, BertrandA conquista da felicidadeCia. Editora Nacional1956
Frischauer, PaulOuro verdeCivilização Brasileira1956
Kafka, FranzMetamorfoseCivilização Brasileira1956
Russell, BertrandO poder: uma nova análise socialCia. Editora Nacional1957
Russell, BertrandHistória da filosofia ocidental 3 vols.Cia. Editora Nacional1957
Greene, GrahamO americano tranquiloCivilização Brasileira1957
Russell, BertrandPor que não sou cristão e outros ensaiosLivraria Exposição do Livro1957
Doyle, Arthur ConanA curiosa história de Rodney StoneMelhoramentos1957
Radall, Thomas H.Uma luz para MarinaYpiranga1957
Russell, BertrandRetratos de memória e outros ensaiosCia. Editora Nacional1958
Crane, StephenO emblema rubro da coragemCivilização Brasileira1958
Shute, NevilA hora finalCivilização Brasileira1958
Doyle, Arthur ConanContos de ringue e de guerraMelhoramentos1958
Doyle, Arthur ConanContos de piratas. Contos da água azulMelhoramentos1958
Russell, BertrandLiberdade e organizaçãoCia. Editora Nacional1959
Greene, GrahamNosso homem em HavanaCivilização Brasileira1959
Nabokov, VladimirLolitaCivilização Brasileira1959
Poe, Edgar AllanAntologia de contos (org.)Civilização Brasileira1959
VV.AA.Antologia de contos de terror e do sobrenatural (org.)Civilização Brasileira1959
Russell, BertrandMeu pensamento filosóficoCia. Editora Nacional1960
Greene, GrahamQuem perde ganhaCivilização Brasileira1960
Remarque, Erich MariaO obelisco negroCivilização Brasileira1960
Nabokov, VladimirGargalhada na escuridãoBoa Leitura1961
Toynbee, ArnoldEstudos de história contemporâneaCia. Editora Nacional1961
Greene, GrahamTrem de IstambulCivilização Brasileira1961
Greene, GrahamUm caso liquidadoCivilização Brasileira1961
James, HenryOutra volta do parafusoCivilização Brasileira1961
Nabokov, VladimirA verdadeira vida de Sebastião Knight Civilização Brasileira1961
West, MorrisO advogado do diaboCivilização Brasileira1961
Fitzgerald, F. ScottEste lado do paraísoCivilização Brasileira1962
Fitzgerald, F. ScottO grande GatsbyCivilização Brasileira1962
Fitzgerald, F. ScottSeis contos da era do jazzCivilização Brasileira1962
Russell, BertrandTem futuro o homem?Civilização Brasileira1962
West, MorrisA filha do silêncioCivilização Brasileira1962
Mitchell, J.L.Os grandes exploradoresBoa Leitura1963
Faulkner, WilliamOs desgarradosCivilização Brasileira1963
Steinbeck, JohnO inverno da nossa desesperançaCivilização Brasileira1963
Michener, J.A.Volta ao paraísoMelhoramentos1964
Endore, GuyO coração e o espírito: a estória de Rousseau
e Voltaire
Cia. Editora Nacional1965
Stein, GertrudTrês vidasCultrix1965
Deutsch, BabetteWalt WhitmanMartins1965
Greene, GrahamOs comediantesCivilização Brasileira1966
House, K.S., et al.Panorama do romance americanoFundo de Cultura1966
Burdick, EugeneO mistério de NinaCivilização Brasileira1967
Hotchner, A. E.Papá HemingwayCivilização Brasileira1967
Russell, BertrandAutobiografia de Bertrand Russell, v. 1Civilização Brasileira1967
Cowley, MalcolmEscritores em açãoPaz e Terra1968
Wilde, OscarContos e novelas de Oscar Wilde (org.)Civilização Brasileira1970
French, W., e Kidd, W.A literatura americana e o Prêmio NobelCultrix1971
Henderson, DionNa montanhaCultrix1971

Notas:
(1) Com Ênio Silveira, Leônidas Gontijo de Carvalho e outros.
(2) Com Raul de Polillo.
(3) Com Raul de Polillo.
(4) Com José Paulo Paes.
(5) Com Luiz de Senna.

veja também brenno silveira tradutor, aqui.

agradeço a saulo von randow júnior pelas gentis contribuições.


1 de nov. de 2017

the raven

muito interessante o exaustivo trabalho de helciclever vitoriano, andré luís gomes e sidelmar alves da silva kunz: Mapeamento Mundial de Traduções do poema "The Raven" de Edgar Allan Poe: um estudo preliminar, disponível aqui.



24 de out. de 2017

série de poemas orientais



entre 1938 e 1942, a editora José Olympio manteve uma pequena coleção chamada "série de poemas orientais", um tanto esporádica, pela qual saíram sete títulos. já citei essa série ao comentar a coleção rubaiyát, pela mesma JO e, como sugeri anteriormente, tenho para mim que foi da "série de poemas orientais" que germinou e se desenvolveu o projeto mais consistente da rubaiyát. veja aqui.

os volumes publicados por aquela coleção inicial foram:

rubaiyát, de omar khayyam, em tradução de octavio tarquinio de souza, em 1938
o cântico dos cânticos, atribuído a salomão, em tradução de augusto frederico schmidt, em 1938
o jardim das carícias, a partir de franz toussaint, em tradução de adalgisa nery, em 1938
o gitanjali, de rabindranath tagore, em tradução de guilherme de almeida, em 1939
o jardineiro, de rabindranath tagore, em tradução de guilherme de almeida, em 1939
a lua crescente, de rabindranath tagore, em tradução de abgar renault, em 1942
a flauta de jade (poesias chinesas), a partir de franz toussaint, em tradução de mauro de freitas, em 1942

todos eles vieram a ser republicados em datas variadas na coleção rubaiyát.


22 de out. de 2017

thoreau e poe

saiu um breve artigo meu sobre thoreau e poe, na segunda edição da deriva. disponível aqui.




17 de out. de 2017

ainda primavera das neves

saiu um breve artigo meu sobre primavera das neves na revista InComunidade, ano 4, edição 61, outubro de 2017 - disponível aqui.


17 de set. de 2017

pitadas de thoreau em walden


um artigo meu na revista InComunidade, ano 4, edição 60, setembro de 2017:
"pitadas de thoreau em walden", disponível aqui.


7 de set. de 2017

quem foi luiz de andrade? artigo


matéria no suplemento pernambuco com meus palpites sobre a identidade de "luiz de andrade", responsável pela primeira tradução da utopia no brasil: disponível aqui.



artigo sobre crime e castigo

americana, 1930 - capa de di cavalcanti


neste último número dos cadernos de tradução da ufsc, saiu meu artigo sobre as bizarras circunvoluções em que, durante mais de oitenta anos, esteve metido o pobre do "crime e castigo" de dostoiévski no brasil. disponível aqui.


2 de set. de 2017

sade no brasil



transcrevo abaixo o levantamento das obras de sade no brasil, feito por rodrigo d’avila braga silva e disponível aqui. está disposto em ordem cronológica de publicação.

[eliminei menções repetidas quando se referiam à reedição da mesma obra pela mesma editora e na mesma tradução. acréscimos meus vêm marcados entre colchetes, com db]

CORPUS LITERÁRIO DAS OBRAS DE SADE NO BRASIL

SADE, Marquês de. Novelas. [Contém também "Deve-se queimar Sade?", ensaio de Simone de Beauvoir, "Sade no Brasil", de Jamil Almansur Haddad, e nota de orelha de Lívio Xavier. Tradução de Augusto de Sousa e Fernando Correia da Silva - db] São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1961.
__________. Zoloé e suas duas amantes. Tradução de Maria José Fialho Londres. Rio de Janeiro: Gráfica Record Editôra, 1968a.
__________. Justine ou os infortúnios da virtude. Tradução de D. Accioly. Rio de Janeiro: Saga, 1968b.
[__________. A filosofia na alcova. Tradução de Martha Haecker. Rio de Janeiro: JCM, 1968 - db]
__________. A filosofia na alcova ou escola de libertinagem. 3. ed. Tradução de Aloísio Costa. Brasília: Coordenada Editora de Brasília, 1969a. [1968 - db]
__________. Aline e Valcour. Tradução de Rubem Rocha Filho. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1969b.
__________. O livro negro do amor ou a sensualidade ao alcance de todos. São Paulo: HEMUS, 1969c.
__________. Os 120 dias de Sodoma. Tradução de João M. P. de Albuquerque. São Paulo: HEMUS, 1969d.
__________. Os crimes do amor. Traduzido por: Regina Richards e Lino Tavares. Brasília, DF: Coordenada, 1970.
__________. A divina marquesa. Traduzido por: Aluísio F. Ciano. São Paulo: Golfinho, 1975.
__________. A filosofia na alcova, ou os preceptores imorais. Traduzido por R.G. São Paulo: Gama, 1980a.
__________. Escola de libertinagem. Traduzido por Aguinaldo Silva. Rio de Janeiro: Esquina, 1980b.
__________. O marido complacente: historietas, contos e exemplos. Traduzido por Paulo Hecker Filho. Porto Alegre: L&PM, 1985.
__________. A filosofia na alcova. Traduzido por Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo: Círculo do Livro, 1988a.
__________. Ciranda dos libertinos. Traduzido por Luiz Augusto Contador Borges. São Paulo: Max Limonad, 1988b.
[_________. Horas de prazer (antologia de vários autores). São Paulo: Clube do Livro, 1988 - db]
__________. Justine: os sofrimentos da virtude. Traduzido por Gilda Stuart. São Paulo: Círculo do Livro, 1989c.
__________. Os crimes do amor e a arte de escrever ao gosto do público. Traduzido por Magnólia Costa Santos. Porto Alegre: L&PM, 1991.
MORAES, Eliane Robert; SADE, Donatien Alphonse François de. Marquês de Sade: um libertino no salão dos filósofos. São Paulo: EDUSC, 1992. [Contém a novela Eugénie de Franval - db]
SADE, M. de. Contos libertinos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho e Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Imaginário, 1992.
__________. A filosofia na alcova. Salvador: Ágalma, 1995b.
__________. A filosofia na alcova. Traduzido por Luiz Augusto Contador Borges São Paulo: Iluminuras, 1995c.
__________. Discursos ímpios. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Imaginário, 1998a.
__________. O presidente ludibriado. Traduzido por Sérgio Coelho. Rio de Janeiro: Scrinium, 1999.
__________. Diálogo entre um padre e um moribundo. Traduzido por Alain François. São Paulo: Iluminuras, 2001a.
__________. Os 120 dias de Sodoma ou a escola da libertinagem. Tradução de Alain François. São Paulo: Iluminuras, 2006.
__________. Cartas de Vincennes: um libertino na prisão. Traduzido por Gabriel Giannattasio. Londrina, PR: Eduel, 2009a.
__________. O corno de si próprio e outros contos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Hedra, 2009b.
__________. Os infortúnios da virtude. Traduzido por Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Iluminuras, 2009c.
__________. Franceses, mais um esforço se quiserdes ser republicanos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Ateliê Editorial, 2010.
__________. A filosofia na alcova. Edição privada e fora do comércio, [S.l.: s.n.]

18 de ago. de 2017

nabokov no brasil


há aqui um levantamento interessante, embora parcial, das obras de vladimir nabokov traduzidas no brasil [e também em portugal], incluindo imagens de capa. agradeço a graziela schneider pelo link.


15 de ago. de 2017

ecos de portugal no brasil, IV

"O pato selvagem e o pato doméstico, outrora pertencentes à ordem dos anseriformes e à família dos anatidae, a partir do começo do século XX sofreram uma curiosa mutação em Portugal e passaram a pertencer à ordem dos passeriformes e à família dos fringillidae."

saiu meu artigo sobre as contrafações de darwin no brasil em InComunidade, disponível aqui.

3 de ago. de 2017

lima barreto traduzido na flip

uma súmula das traduções da obra de lima barreto, aqui.



1 de ago. de 2017

mein kampf no brasil, 2

eliane hatherly paz, da puc-rio, apresenta um interessantíssimo artigo detalhando o histórico da edição de mein kampf, de adolf hitler, lançada pela livraria do globo: "Minha Luta no Brasil: Editora Globo, 1934-1942", disponível aqui.

capa da 1a. edição, 1934


para a trajetória dessa tradução do major ibiapina, a única, aliás, existente até hoje no brasil, veja a postagem "mein kampf no brasil", aqui.


26 de jul. de 2017

lima barreto em tradução



no embalo da flip 2017, que tem lima barreto como o homenageado, montei um levantamento das traduções de obras de lima barreto, em livro físico e/ou digital.

"lima barreto em tradução" está disponível aqui.



16 de jul. de 2017

ecos de portugal no brasil, III

saiu a edição deste mês da revista digital luso-brasileira InComunidade, disponível aqui.

meu artigo, "ecos de portugal no brasil, III", trata d'as aventuras do sr. pickwick, de charles dickens, lá e cá.
disponível aqui.



  


5 de jul. de 2017

checagem de fontes: ainda luís de andrade e a utopia

uma coisa que eu queria expor um pouco: alguém pode achar que isso de checar atribuição é procurar pelo em casca de ovo. por exemplo, que qualquer mínima relevância tem que "luís de andrade" aparecesse como "luís de carvalho paes de andrade" na catalogação da usp? um pequenino lapso, tudo bem, só isso. vide a questão aqui.

é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.

na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.

assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.

de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).

além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.

ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada  de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.

some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.

mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.

em tempo: até existe um luiz de andrade (1849-1912) autor de algumas obras, mas, tal como no caso do outro luiz oitocentista, nada, absolutamente nada indica que tenha a mais remota relação com o nosso luís de andrade tradupor d'a utopia.


4 de jul. de 2017

novo blog

preparando-me para começar a tradução de utopia, de thomas more, criei um blog de acompanhamento. chama-se utopia, e está aqui.

ufa


eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro e escritor pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).

por várias razões que exporei em outro post, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.

escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).

claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como rastrearam o lapso e/ou a origem do lapso. mas hoje veio a resposta muito gentil e atenciosa, que reproduzo:
Desculpe a demora em responder. Encaminhei a sua dúvida para o nosso Processamento Técnico e eles fizeram a correção no Sistema. Realmente estava incorreto: o autor secundário não era este Andrade, Luiz de Carvalho Paes de, 1814-1887.
fica então o registro e o aviso aos navegantes: luiz de andrade, tradutor d' a utopia pela athena editora e sucessivas reedições em outras casas editoriais até data recente, não é - e, até prova em contrário, não tem nada a ver com - luiz de carvalho paes de andrade. qualquer menção nesse sentido pode ser, a meu ver, solenemente desconsiderada.

agora, quem era, quem foi luiz de andrade tradutor d' a utopia, é assunto de outra conversa.


2 de jul. de 2017

denise na zunái


meio em paralelo, alguns poemas meus na revista zunái, de julho 2017, aqui.