26 de jul. de 2017
lima barreto em tradução
no embalo da flip 2017, que tem lima barreto como o homenageado, montei um levantamento das traduções de obras de lima barreto, em livro físico e/ou digital.
"lima barreto em tradução" está disponível aqui.
16 de jul. de 2017
ecos de portugal no brasil, III
5 de jul. de 2017
checagem de fontes: ainda luís de andrade e a utopia
uma coisa que eu queria expor um pouco: alguém pode achar que isso de checar atribuição é procurar pelo em casca de ovo. por exemplo, que qualquer mínima relevância tem que "luís de andrade" aparecesse como "luís de carvalho paes de andrade" na catalogação da usp? um pequenino lapso, tudo bem, só isso. vide a questão aqui.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
em tempo: até existe um luiz de andrade (1849-1912) autor de algumas obras, mas, tal como no caso do outro luiz oitocentista, nada, absolutamente nada indica que tenha a mais remota relação com o nosso luís de andrade tradupor d'a utopia.
4 de jul. de 2017
ufa
eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro e escritor pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).
por várias razões que exporei em outro post, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.
escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).
claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como rastrearam o lapso e/ou a origem do lapso. mas hoje veio a resposta muito gentil e atenciosa, que reproduzo:
Desculpe a demora em responder. Encaminhei a sua dúvida para o nosso Processamento Técnico e eles fizeram a correção no Sistema. Realmente estava incorreto: o autor secundário não era este Andrade, Luiz de Carvalho Paes de, 1814-1887.fica então o registro e o aviso aos navegantes: luiz de andrade, tradutor d' a utopia pela athena editora e sucessivas reedições em outras casas editoriais até data recente, não é - e, até prova em contrário, não tem nada a ver com - luiz de carvalho paes de andrade. qualquer menção nesse sentido pode ser, a meu ver, solenemente desconsiderada.
agora, quem era, quem foi luiz de andrade tradutor d' a utopia, é assunto de outra conversa.
2 de jul. de 2017
24 de jun. de 2017
mais dois russos
acrescentem-se à bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950), aqui, os seguintes títulos:
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
o drama da coisa - e aí, como faz?
hoje recebi o depoimento de um amigo, sério e dedicado bibliotecário, que reproduzo abaixo - quando a gente diz que livro não é produto perecível e que os efeitos deletérios das edições fraudadas se contam por décadas e décadas a fio, é mais ou menos isso.
Como você sabe, trabalho numa Biblioteca Pública.
No mês passado, uma jovem usuária que começou a fazer Ciências Sociais veio me pedir algumas orientações sobre diferenças de edições de um mesmo livro, editoras etc.
Expliquei o que é edição / impressão e a alertei sobre a editora Martin Claret.
Ela comentou que iam estudar um clássico do liberalismo - LOCKE -, e levou o exemplar da Biblioteca - coleção os Pensadores.
Durante a aula, a colega que estava sentada ao lado com um exemplar da editora Martin Claret não conseguiu acompanhar a aula, pois o trecho havia sido interrompido/omitido por uma frase extremamente/porcamente resumida. Uma frase para terminar o parágrafo, mas que omitia toda uma argumentação do autor (era o x da aula - a argumentação do autor) que ocupava algo em torno de 2 páginas. Olhe só, 2 páginas de um texto de ciência política sintetizadas em uma frase sem muito sentido...
Realmente a editora Martin Claret continua provocando sérios problemas para os compradores dos seus livros.
Tenho alertado todos os usuários para que não usem /comprem livros desta editora.
Repassei para todas as Bibliotecas da rede da Prefeitura de São Paulo um aviso sobre esses e outros problemas que tenho visto. A grande maioria dos meus colegas desconhecia esses problemas. Acho que é natural que isto aconteça. Acabamos ficando presos na rotina do dia-a-dia na biblioteca do bairro e não prestamos atenção a esse tipo de problema. Tenho a impressão de que nosso setor de seleção e aquisição sabia dos problemas (tanto que nunca comprou nada da editora), mas não emitiu nenhum aviso para não aceitarmos doações de usuários desta editora.
23 de jun. de 2017
mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
Schopenhauer, 1887:
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
A Semana, 1887, ed. 0144
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
19 de jun. de 2017
um novo rubaiyat
ivo barroso concede a seus leitores e admiradores a oportunidade de conhecer 28 ruba'i de khayyam de sua lavra, numa bela e cuidadosa edição:
mais um russo no brasil, 1900-1950
acrescente-se à bibliografia russa traduzida no brasil entre 1900 e 1950, aqui:
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
18 de jun. de 2017
estudo comparado
franciele graebin dedicou sua dissertação de mestrado (unb, 2016) a uma análise comparada das quatro traduções brasileiras de mrs. dalloway: a de mario quintana, a de tomaz tadeu, a de claudio marcondes e a minha. disponível aqui.
agradeço a bento moura pela notícia sobre esse estudo.
agradeço a bento moura pela notícia sobre esse estudo.
ecos de portugal no brasil, II
14 de jun. de 2017
cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
shakespeare, 1882 ou 1933?
o caso de shakespeare envolve uma certa polêmica.
entre os estudiosos da shakespeariana brasileira, celuta gomes sustenta a primazia de josé antônio de freitas, maranhense "que se integrou nas letras portuguesas", com sua tradução de otelo, publicada em lisboa em 1882.
márcia peixoto martins, por seu lado, sustenta que o simples dado da nacionalidade não garante a inserção de um autor ou tradutor no sistema literário de seu país de origem: "por tradução brasileira entenda-se feita em português do brasil, levando-se em conta os aspectos sintáticos, lexicais e de registro, entre outros, e observando uma poética literária compatível com 'modos de escrever' adotados por nossos autores". neste sentido, a primeira tradução brasileira de shakespeare seria tragédia de hamleto, príncipe da dinamarca, feita por tristão da cunha e publicada pela editora schmidt em 1933. vide aqui.
goethe, 1877 (excerto), 1884 (íntegra)
vem do rio grande do sul a primeira tradução brasileira publicada em livro entre nós, um excerto de fausto. trata-se de fausto e margarida, poema dramático em XII quadros da tragédia de goethe, por múcio teixeira. porto alegre, 1877[8]. vem apresentada como "uma imitação de goethe", como diz seu autor, ou uma tradução em paráfrase, como dizem alguns comentadores. teve grande sucesso e várias reedições no prazo de poucos anos.
também em porto alegre temos a primeira publicação de uma obra integral de goethe, o poema hermann e dorothea, porém vazado em prosa. a tradução foi feita por carolina von koseritz, e saiu publicada em 1884 pela typographia de gundlach, de porto alegre.
encontro menções a uma tradução de werther que teria sido feita por eduardo laemmert (1808-1880; portanto, provavelmente teria sido anterior às traduções acima citadas), com o título de amorosas paixões do jovem werther. todavia, essas menções parecem derivar, todas elas, de uma vaga afirmação de laurence hallewell, que a apresenta explicitamente como mera hipótese em seu o livro no brasil, e não encontrei nenhuma notícia concreta da existência efetiva e eventual publicação dessa tradução. assim, como marcos introdutórios, fiquemos com as duas traduções de existência comprovada, a de múcio teixeira e a de carolina von koseritz..
dostoiévski, 1896
também do rio grande do sul vem o primeiro volume de dostoiévski traduzido no brasil. foi o jogador, em tradução de alcides cruz, publicado pela livraria americana de pelotas, de costa pinto, em sua coleção "nova bibliotheca economica".
o livro saiu, calculo eu, por volta de 1895-6: avento essa data porque foi em 1896 que o almanak litterario e estatistico do rio grande sul publicou o anúncio de página inteira da livraria americana, com o jogador entre os três títulos já publicados em sua referida coleção.
aliás, uma notícia interessante nos é dada por juremir machado, narrando os primórdios do jornal gaúcho correio do povo, no final do século XIX: "fez uma promoção de assinaturas. quem assinasse por ano, escolhia um livro numa lista de dez best-sellers, entre os quais o jogador de dostoievski". vide aqui.
freud, 1931
ao que tudo indica, a primeira tradução de freud saiu entre nós em 1931: tratava-se de cinco lições de psicanálise.
na verdade, houve uma tentativa anterior: o médico iago pimentel, com planos de traduzir a obra, chegou a publicar em 1926 um excerto de algumas páginas em a revista, uma efêmera publicação literária de carlos drummond, pedro nava e outros. com o encerramento da revista, porém, iago pimentel parece ter interrompido a tradução, e desde então não houve mais notícias de seu projeto.
assim, a tradução integral das cinco lições de psicanálise veio a sair apenas em 1931, pela cia. editora nacional, em sua coleção "biblioteca pedagogica brasileira". feita diretamente do alemão, a tradução foi realizada a quatro mãos: por josé barbosa corrêa e durval marcondes, este tido como o pioneiro da psicanálise no brasil. para mais efemérides freudianas entre nós, vide aqui.
baudelaire, 1872 (excerto), 1937 (íntegra)
o caso de baudelaire é interessante.
desde 1872, quando sai no brasil seu primeiro poema em livro - este também uma paráfrase, feita por carlos ferreira "sob inspiração de baudelaire" -, temos esporádicas publicações de poemas dispersos em coletâneas várias. essa situação perdura até 1937, 65 anos durante os quais se publicam, ao todo, meros dezesseis poemas avulsos, por diversos tradutores.
em 1937, finalmente surge a primeira publicação integral, em volume autônomo, pela athena editora: pequenos poemas em prosa, em tradução de um enigmático "paulo m. de oliveira". tratava-se de um pseudônimo utilizado por aristides lobo durante os períodos em que esteve preso durante a ditadura varguista e realizou diversas traduções. sobre baudelaire no brasil, vide aqui; sobre "paulo m. de oliveira", vide aqui.
10 de jun. de 2017
moacir werneck de castro tradutor
moacir (às vezes grafado moacyr) werneck de castro (1915-2010):
- o segredo do major thompson, de pierre daninos, difel, 1957
- o jogador, de dostoiévski, civilização brasileira, 1976
- notas do subterrâneo, dostoiévski, civilização brasileira, 1986
- o eterno marido, dostoiévski, civilização brasileira, 1976
- os campos de honra, de jean rouaud, círculo do livro, s/d (record, 1990)
- o destino de um homem, somerset maugham, globo, 1956
- a hora antes do amanhecer, somerset maugham, globo, 1943
- o diabo no corpo, raymond radiguet, difel, 1958
- eugénie grandet, honoré de balzac, difel, 1961*
- a secreta mentira, sherwood anderson (com james amado), globo, 1950 (reed. pela cultrix em 1967 como a verdade de cada um e pela l&pm em 1987 como winesburg, ohio)
- convergências – ensaios sobre arte e literatura, octavio paz, rocco, 1991
- os três mosqueteiros, alexandre dumas, difel, 1960
- o general em seu labirinto, gabriel garcía márquez, record, 1989
- do amor e outros demônios, gabriel garcía márquez, record, 1994
- geração perdida, aldous huxley, livros do brasil, s/d
- major bárbara e outros textos, bernard shaw, 1949
- homem e super-homem, bernard shaw, melhoramentos, 1951
- aventuras de uma negrinha que procurava deus, bernard shaw, globo, 1949
- bernard shaw: uma biografia irreverente, frank harris, globo, 1947
- vida e época de nero, carlo maria franzero (com geir campos), nacional, 1958
- o mal negro, nina berberova, rocco, 1989
- o monge negro, anton tchecov, rocco, 1987
- medo de espelhos, tariq ali, record, 2000
- misti, guy de maupassant, martins, 1953
- monte oriol, guy de maupassant, martins, 1956
- as irmãs rondoli, guy de maupassant, martins, 1953
- as aventuras do barão de münchhausen, g. a. bürger, philobiblion, 1978; villa rica, 1990
- teresa raquin, émile zola, pongetti, 1942
- o crepúsculo do capitalismo, michael harrington, civilização brasileira, 1977
- petróleo: a terceira guerra mundial, pierre péan, paz e terra, 1975
- antimemórias, andré malraux, difel, 1968
- "o despertar", isaac bábel, in os russos: antigos e modernos, leitura, 1944
- stavisky: roteiro para o filme de alain resnais, jorge semprún, paz e terra, 1974
- aquela rua em paris, elliot paul, globo, 1945
- "os bandidos", ernest hemingway, in os norte-americanos: antigos e modernos, leitura, 1945
- vida e morte de trelawny, margaret neilson armstrong, globo, 1943
- os cinco filhos de adão, charles bonner, josé olympio, 1944
- a casa dos mortos, edith wharton, globo, 1947
- ronda grotesca, aldous huxley, globo, 1948
- china, 25 anos, 25 séculos, francis audrey, paz e terra, 1976
- a carta de tóquio, françoise giroud, retour edições, 1983
- "profissão: latin americanist. richard morse e a historiografia norte-americana da américa latina", tenório trillo, in estudos históricos, fgv, v.2, n.3, 1989
* a tradução de moacir werneck de castro para eugênia grandet foi indevidamente apropriada pela editora martin claret, que a atribuiu a um fictício "alex marins". veja aqui.
atualização: retirei da listagem o título os mortos permanecem jovens [e que dei erroneamente como os mortos permanecem mortos], de anna seghers. a tradução foi feita não por moacir, mas por maria werneck de castro. agradeço a mário frungillo e a gonçalo de andrés fernandez pela retificação. a gonçalo de andrés fernandez agradeço também a informação sobre a carta de tóquio.
22 de mai. de 2017
baudelaire no brasil - novas datações
Segundo pesquisadores da fortuna bibliográfica e da recepção literária de Baudelaire no Brasil, como Tavares Bastos, Ivan Junqueira, Glória Carneiro Pires e Ricardo Meirelles, as primeiras traduções de Baudelaire no Brasil teriam sido “Moesta et errabunda”, por Carlos Ferreira, e “O veneno”, por Luiz Delfino, ambas feitas em 1871.
As duas se mantiveram inéditas por um bom tempo, vindo a ser publicadas muitos anos depois: “Moesta” em 1881 (em livro) e “O veneno” somente em 1934 (em jornal) e 1941 (em livro). Como não foram publicadas na época de sua feitura, estes e outros estudiosos têm considerado que a primeira tradução vinda a público, em qualquer veículo impresso (livro, jornal ou revista), teria ocorrido apenas a partir de 1872, com a publicação de “Modulações” pelo mesmo Carlos Ferreira acima citado, em seu livro Alcyones.
Todavia, é possível constatar documentalmente que já em 1º. de setembro de 1871, à p. 3 do jornal paulistano Imprensa Acadêmica, Carlos Ferreira trouxe “Modulações” a público. Veja-se aqui.
E pode-se também constatar que nove dias depois, em 10 de setembro do mesmo ano, João Ribeiro de Campos Carvalho publicava no Correio Paulistano sua tradução de sete poemas em prosa: “O estrangeiro”, “Embriagai-vos”, “Um hemisfério nos cabelos”, “Fora do mundo”, “Vênus e o louco”, “Desejo de pintar” e “Epílogo”. Veja-se aqui.
Para a trajetória da baudelairiana brasileira, especificamente em livro, veja-se meu Baudelaire no Brasil, aqui.
19 de mai. de 2017
ecos de portugal no brasil I
dei início a uma série de pequenas crônicas para a revista InComunidade, chamada "ecos de portugal no brasil", sobre vários casos de apropriações e plágios de traduções portuguesas entre nós.
a primeira delas está disponível aqui.
a primeira delas está disponível aqui.
11 de mai. de 2017
flores roubadas do jardim alheio
Ivo Barroso
Flores roubadas do jardim alheio
“As Flores do Mal” – Charles Baudelaire – texto integral – Tr. Pietro Nassetti - Editora Martin Claret (São Paulo, 2001) – 192 págs. R$19,00
Já tivemos aqui a oportunidade de mostrar como algumas obras literárias estão sendo criminosamente “apropriadas” por editores inescrupulosos e reeditadas sob o nome de falsos tradutores. No caso anterior, vimos como a tradução genial do “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand, devida ao falecido professor pernambucano Carlos Porto Carreiro, foi simplesmente “clonada” e atribuída a um desconhecido Sr. Fábio M. Alberti, que já devia ficar contente se seu nome aparecesse como autor das notas de pé de página que figuram na edição. Nelas há esclarecimentos sobre personagens e fatos um tanto ou quanto incomuns, pelo menos para a classe de leitores desses livros ditos “populares”, vendidos em bancas de jornal. Apressamo-nos em esclarecer que nada temos conta esse tipo de venda e achamos mesmo que se trata de um serviço prestado ao leitor médio, que pode assim adquirir livros de grandes autores a preços inegavelmente convidativos. O que não nos parece ético é o escamoteio e a usurpação do nome dos tradutores originais desses livros, seja pela prática da sua atribuição a outrem, seja pelo artifício vergonhoso do plágio disfarçado.
Nessa última categoria podemos incluir, consistentemente, a edição de “As Flores do Mal”, o clássico livro de poemas de Charles Baudelaire, lançada “no verão de 2001” pela Martin Claret, de S. Paulo, em tradução ali atribuída a Pietro Nassetti, que, não se tratando de um pseudônimo de Jamil Almansur Haddad, responde certamente pelo nome de seu plagiário indecoroso, tal a maneira inequívoca com que se apropria da obra alheia.
É sabido que temos no Brasil pelo menos duas edições integrais de “As Flores do Mal”. A mais conhecida e, a nosso ver, a mais bem realizada, a de Ivan Junqueira, foi editada pela Nova Fronteira, sendo de 1985 a última reimpressão, com o texto original de face à tradução. Foi essa a escolhida para figurar no volume “Charles Baudelaire – Poesia e Prosa”, que organizamos para a Editora Nova Aguilar e que foi editado em 1995, em papel bíblia, reunindo em português praticamente toda a obra do Poeta. A outra, mais antiga, de 1958, editada pela Difusão Européia do Livro na coleção Clássicos Garnier, é de Jamil Almansur Haddad, poeta paulista, autor de “A lua do remorso” (1951), que além de Baudelaire traduziu também “As Líricas”, de Safo, “O Cântico dos cânticos”, de Salomão, o “Rubaiyat”, de Omar Khayyam, o “Cancioneiro” de Petrarca, o “Decamerão” de Boccaccio e as “Odes” de Anacreonte. O leitor, ainda que não versado no assunto, pode bem imaginar o que representa de tempo e esforço a tarefa de traduzir poesia, principalmente no caso de um autor como Haddad que respeita a métrica e a rima existentes no original. Mas hoje parece estar se generalizando a prática certamente recriminável de se tomar um texto preexistente e maquiá-lo, mudando aqui uma palavra mais difícil, ali uma construção mais arrevesada, e, passando por cima dos ditames métricos e rímicos, apresentá-lo ao leitor numa “nova” edição popular, supostamente feita por outro tradutor.
No presente caso a contrafação é tão explícita que chega a ser vergonhosa. Tomemos por exemplo o poema “Hino à Beleza”, dos mais característicos do estilo baudelairiano, com seus termos específicos e construções originais. As três primeiras quadras são iguais, ipsis litteris, coincidência que seria impossível de obter-se mesmo no caso de uma prova de tradução à qual se habilitassem centenas de candidatos. “Infernal et divin” é traduzido por ambos como “celestial e daninho”; “le couchant et l´aurore” por “matutina e noturna” e o verso “Qui font le héros lâche et l´enfant courageux” é impressionantemente resolvido da mesma forma: “Se à criança dão valor, tornam o herói covarde”. E naquele que encerra o terceiro quarteto: “Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien” – o copiador chegou a incidir no mesmo erro de interpretação do seu modelo, traduzindo “réponds” por “respondes”, quando a construção francesa “réponds de rien” equivale a “submeter-se a nada”. “Bénissons ce flambeau!” é “Bendito lampadário” em ambos e “tombeau” (túmulo) é transformado também por ambos em “sudário”. Há momentos, no entanto, em que o copiador servil resolve “melhorar” (como talvez pense) o texto saqueado. Em geral isso ocorre diante de palavras que ele julga “difíceis” ou pouco atuais. Assim, onde Jamil escreveu “O amoroso anelante a pender sobre a bela”, o tradutor-xerox reescreve: “O namorado ofegante a pender sobre a bela”, não se importando com isso de sacrificar a métrica do verso. Neste mesmo poema há inúmeros exemplos dessa espécie: “Pisando mortos vais, com ar de desacato” (Jamil) e “Caminhas sobre os mortos, com ar de desacato” ( pseudo tradutor). O “papel carbono” parece ter achado que o “vão” (adjetivo) de “Sobre teu ventre vão dança amorosamente” poderia ser entendido pelos seus leitores como verbo e “conserta” para “Sobre teu ventre orgulhoso dança amorosamente”, conseguindo o fenômeno de um alexandrino de 14 versos. Outro: “Beleza! monstro ingênuo e de feição adunca!” lhe soa muito precioso e ele emenda para: “Beleza! monstro ingênuo, assustador e horrendo!” Mas pasmem que temos no início da quinta quadra o que se poderia chamar de dupla coincidência: No verso “Uma efêmera vai ao teu encontro, ó vela”, tanto na tradução de Jamil quanto na de seu “vampiro” Pietro Nassetti há uma nota de pé de página dizendo exatamente o mesmo: “Efêmera: substantivo comum, espécie de inseto”, que, se não fosse cópia servil seria um caso de duplicidade até na indigência definidora. Estender a amostragem seria recair ad infinitum na certeza que desde já se patenteia de que os poemas apresentados nesta edição de “As Flores do mal” foram subtraídos do berço alheio e criados por pais adotivos em proveito próprio.
Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original.
in http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html
22 de abr. de 2017
19 de abr. de 2017
um triste rubaiyat
OS RUBAIYAT DE MANUEL BANDEIRA E DE TORRIERI GUIMARÃES
Denise Bottmann
Um
componente da história da tradução – sobretudo literária – no Brasil que nunca
cessa de nos surpreender é o plágio de tradução. Os casos pipocam pelo menos
desde os alvores do século XX (o primeiro caso documentado de que tenho notícia
recua a 1903) e, embora tenham se reduzido muito na última década, volta e meia
descobrem-se casos até então desconhecidos ou surgem novas ocorrências.
Em
termos muito gerais, o plágio de tradução no Brasil consiste em três ou quatro procedimentos
bastante simples: para determinada obra que se pretenda publicar, normalmente
caída em domínio público, recorre-se a alguma tradução já existente, seja portuguesa,
seja brasileira. Em se tratando de tradução brasileira, prefere-se uma antiga,
feita por tradutor já falecido, publicada por alguma editora muitas vezes
extinta. Toma-se essa tradução, elimina-se o nome do verdadeiro tradutor e se a
publica atribuindo sua autoria a outro nome, que pode ser real ou fictício. Pode-se
ter a pura e simples reprodução intocada do texto ou sua modificação com pequenas
alterações aqui e ali – geralmente nas primeiras páginas ou em início de
parágrafos – a fim de tentar disfarçar a cópia. Um exemplo é a célebre tradução
de Les Fleurs du mal, de Charles
Baudelaire, feita por Jamil Almansur Haddad, publicada em 1958 pela extinta
editora Difel, e republicada com algumas toscas adulterações em 2001 pela
editora Martin Claret, com o nome real de Pietro Nassetti.[1]
Raros,
raríssimos são os plágios de traduções lançadas poucos anos antes e ainda ativas
em catálogo. No entanto, existem. E é um caso desses que pretendo abordar.
Aqui
cabe uma brevíssima explicação. Os ruba’i
(quadras ou quartetos) do matemático, astrônomo e poeta persa Omar Khayyam,
do século XI, passaram a ser conhecidos no Ocidente a partir do século XIX,
principalmente com a tradução de Edward Fitzgerald para o inglês, em versos, em
1859, com 75 ruba’i (posteriormente
aumentados para 100). Outra tradução que se tornou muito conhecida foi a de
Franz Toussaint, em francês e em prosa, de 1924, com 170 ruba’i. São essas duas
traduções, a de Fitzgerald e a de Toussaint, que costumam servir de referência para
as inúmeras traduções indiretas dos poemas de Khayyam em diversas línguas.
No
Brasil, a primeira tradução do Rubaiyat
é a de Octavio Tarquinio de Souza, feita a partir do texto de Toussaint, publicada
em 1928 e que ainda se encontra em circulação, com inúmeras reedições.
Como
a tradução de Toussaint está vazada em prosa, tomá-la como texto de
interposição significa normalmente que a tradução indireta também será em
prosa. E aí temos a primeira peculiaridade da tradução de Manuel Bandeira, o
qual, assim como Tarquínio, partiu de Toussaint, porém convertendo sua prosa em
quadras. Nisso poderíamos ver, talvez, uma tentativa de se reaproximar, ao
menos em parte, da forma poética original. Mas deixemos a exegese para outra
hora. O que importa notar é que Torrieri Guimarães – o qual afirma que “A
tradução que fizemos está rigorosamente
baseada [grifo meu] na tradução de Toussaint” – também converte sua prosa em
quadras.
Ademais,
a tradução de Bandeira apresenta outra peculiaridade. Adotando a forma poética da
quadra para a prosa corrida de Toussaint, ele não se limita a uma quadra. Aqui cabe notar que o ruba’i na tradição persa é uma forma
poética rigorosa, um breve poema composto por quatro versos apenas [daí seu nome, como já dissemos], com várias
classificações internas quanto ao tipo de metrificação e com o predomínio da
rima no primeiro, segundo e quarto versos, o terceiro sendo branco, tal como a
usa Khayyam. Bandeira adota a quadra – salvo em três ruba’i montados em quintilha –, mas não se restringe a uma estrofe,
e recorre a metros variados. Seus ruba’i,
se ainda assim pudermos nos referir a poemas com número variável de estrofes,
metrificação diversificada e versos brancos, apresentam de um a quatro
quartetos, além das três quintilhas citadas (137, 142 e 143).
Torrieri
Guimarães, salvo algumas exceções que não chegam a dez por cento dos 170 ruba’i em questão, mantém exatamente o
mesmo número de estrofes usadas por Bandeira para cada poema.[2]
Vejamos
um exemplo, o ruba’i 102:
Manuel Bandeira:
Quando
eu deixar de existir,
Não
existirão mais rosas,
Ciprestes,
lábios vermelhos,
Canções,
vinho perfumado...
Não
haverá mais auroras,
Não
haverá mais crepúsculos,
Não
haverá mais amores,
Nem
penas, nem alegrias.
O
mundo será abolido,
Pois
do nosso pensamento
É
que a sua realidade
Depende
exclusivamente.
Torrieri
Guimarães:
Quando
eu não mais existir
Não
existirão mais rosas,
Ciprestes,
bocas vermelhas,
Nem
vinho tão perfumado...
Não
existirão auroras,
Nem
crepúsculos também,
Não
existirão amores,
Nem
alegrias, nem dores.
O
mundo estará abolido,
Pois
de nosso pensamento
É
que sua realidade
Depende,
dele somente.
Agora,
vejamos Toussaint:
Quand je ne
serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin
parfumé. Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines.
L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée.
Isso
do ponto de vista do número de estrofes. Passemos ao teor. Se em “Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de
roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé” podemos ver que
Bandeira, para manter o metro em heptassílabos, acrescentou “canções”, do que
se absteve Torrieri, por outro lado “Não existirão auroras,/ Nem crepúsculos
também,/ Não existirão amores,/ Nem alegrias, nem dores” está visivelmente mais
próximo de “Não haverá mais auroras,/ Não haverá mais crepúsculos,/ Não haverá
mais amores,/ Nem penas, nem alegrias” do que de “Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines”.
O mesmo se pode dizer quanto à proximidade maior de “O mundo estará abolido,/
Pois de nosso pensamento/ É que sua realidade/ Depende, dele somente” com “O
mundo será abolido,/ Pois do nosso pensamento/ É que a sua realidade/ Depende
exclusivamente” do que com “L'univers n'existera
plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée”.
Outro
exemplo ilustrando essa proximidade é o acréscimo do terceiro verso em
Bandeira, retomado com ligeira alteração em Torrieri, no ruba’i 113:
Bandeira
Pedi
numa taverna a um velho sábio
Que
sobre os mortos algo me ensinasse.
“O
que há de certo é que não voltarão”,
Disse.
“É tudo o que sei. Bebe o teu vinho!”
Torrieri
Pedi
numa taverna a um idoso sábio
Que
algo sobre os defuntos me ensinasse.
“O
certo é que não mais retornarão”,
Disse.
“É tudo o que sei. Bebe teu vinho!”
Eis
Toussaint:
Dans une
taverne, je demandais à un vieux sage de me renseigner sur ceux qui sont
partis. Il m'a répondu: “Ils ne reviendront pas. C'est tout ce que je sais.
Bois du vin!”
Vejamos
agora o ruba’i 61, como exemplo de
omissão de termos ou frases em relação ao texto de Toussaint:
Bandeira
Só
conhecemos da ventura o nome.
Nosso
mais velho amigo é o vinho novo
Afaga
o único bem que não engana:
A
urna cheia do sangue dos vinhedos.
Torrieri
Sabemos
da Ventura só o nome.
Nosso
amigo mais velho é o vinho novo.
Acaricia
o bem que não engana:
A
urna cheia com sangue das vinhas.
Toussaint
Du bonheur, nous
ne connaissons que le nom. Notre plus vieil ami est le vin nouveau. Du regard et
de la main, caresse notre seul bien qui ne soit pas décevant: l'urne pleine du
sang de la vigne.
Ou,
ainda, o ruba’i 114:
Bandeira
Olha!
Escuta! Na brisa uma rosa estremece.
Um
rouxinol canta-lhe um hino apaixonado.
Uma
nuvem parou. Bebe, e esquece que a brisa
Desfolha
a rosa, leva o canto e a fresca nuvem.
Torrieri
Olha!
Escuta! Uma rosa estremece na brisa.
Um
rouxinol lhe canta um hino apaixonado.
Uma
nuvem parou. Bebe, esquece que a brisa
A
rosa despetala e leva o canto e a nuvem.
Toussaint
Regarde! Écoute! Une rose tremble dans la brise. Un rossignol lui chante
un hymne passionné. Un nuage s'est arrêté. Buvons du vin! Oublions que cette
brise effeuillera la rose, emportera le chant du rossignol et ce nuage qui nous
donne une ombre si précieuse.
Note-se
que “Du regard et de la main” está
ausente em ambos os casos do ruba’i
61 e a oração inteira “qui nous donne une
ombre si précieuse” desaparece do ruba’i
114.
Por
tais exemplos, fica evidente que Torrieri se baseou em Bandeira, não em
Toussaint, tanto na variada forma poética adotada na tradução quanto no
conteúdo vocabular dos poemas, com idênticos acréscimos ou omissões em relação
a Toussaint.
Poderíamos
nos estender longamente sobre dezenas e mais dezenas de outros exemplos, mas
creio que os apresentados bastam para mostrar que o procedimento adotado por
Torrieri Guimarães em sua pretensa tradução consistiu basicamente em adotar as
soluções de Manuel Bandeira, procedendo a modificações de superfície, seguindo
um padrão simples e constante, com inversão de palavras e ocasional
substituição de termos por sinônimos (“mortos” por “defuntos”, “desfolha” por
“despetala”, “exclusivamente” por “somente”, “afaga” por “acaricia” e assim por
diante). Sua fidelidade chega ao ponto de apresentar o ruba’i 165 com o 2º. e o 4º. versos recuados, tal como em Bandeira.[3]
Se
cópias maquiadas não são fatos inéditos na história da tradução no Brasil, o
caso do Rubaiyat vem caracterizado
por uma invulgar singeleza: Bandeira lançara sua tradução em 1966, morrera em
1968, seu Rubayat continuava em
viçosa circulação; mal passada uma década, os leitores foram brindados com uma
versão toscamente copidescada dos ruba’i
da lavra tradutória bandeiriana. Se algum consolo há, é o de que a tradução
espúria nunca alcançou grande repercussão e não deixou muita memória. Fique,
porém, registrada a ocorrência.
AGRADECIMENTOS
Devo
a descoberta dessa fraude a Willamy Fernandes, a quem agradeço vivamente a
gentileza em tê-la compartilhado comigo.
ANEXO
Segue-se
a listagem dos únicos catorze ruba’i,
dentre o total de 170, que apresentam discrepância na quantidade de estrofes
usadas por Manuel Bandeira (MB) e por Torrieri Guimarães (TG). Na coluna da esquerda,
encontra-se o número do poema; na coluna central, o número de quadras usado por
Bandeira; na coluna da direita, o número de quadras usado por Torrieri.
Ruba’i MB TG
10 1 2
28 4 3
32 2 1
53 1 2
59 1 2
66 1 2
73 1 2
76 1 2
90 2 1
93 2 1
115 1 2
146 2 1
147 2 1
148 2 1
[1] Veja-se o
artigo Flores roubadas do jardim alheio,
do poeta e tradutor Ivo Barroso, disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html.
[2] Vide o Anexo.
[3] Uma ressalva: alguns dos ruba’i com tradução em nome de Torrieri
Guimarães afastam-se claramente da versão de Manuel Bandeira e mesmo da de
Franz Toussaint, por exemplo o de número 93. Como são poucas ocorrências
esparsas, não chegam a afetar o fato principal exposto neste artigo: sua dita
tradução, ao contrário do que afirma ele, não vem “rigorosamente baseada” na de
Toussaint, e sim na de Bandeira.
Este artigo foi publicado em InComunidade, ano 4, n. 55, abril de 2017, aqui.
garfada do rubaiyat de manuel bandeira
a partir de uma preciosa indicação de willamy fernandes, em seus valiosos comentários aqui, escrevi um breve artigo,
"os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", que foi publicado agora em abril pela revista cultural digital InComunidade, em seu número 55. o artigo está disponível aqui.
5 de abr. de 2017
traduções de primavera das neves/ vera pedroso
segue-se a lista de traduções feitas por primavera das neves (também assinando como vera neves pedroso e vera pedroso]:
1. Andersen, Hans Christian. Contos de Andersen. Coleção Histórias. Bruguera, 1966
2. Anderson, Poul. O sol invisível. Coleção Ficção Científica, 2. Bruguera, 1968
3. Anglade, Christiane, et. al. Por quê? Tempo de Saber, Série A, 1. Liceu, 1973
4. Bach, Richard. O dom de voar. Record, c.1976
5. ______. O paraíso é uma questão pessoal. Record. Reed. Círculo do Livro
6. Barnard, Christian. Coração – Mito e realidade. Expressão e Cultura, 1974
7. Battaglia, William, e Tarrant, John, J. O executivo, esse eunuco. Expressão e Cultura, 1975
8. Benet, Laura. Poetas Americanos Famosos. Lidador, 1965
9. Bethell, Leslie. A abolição do tráfico de escravos no. Brasil. Expressão e Cultura/EDUSP, 1976
10. Bocuse, Paul. A cozinha de Paul Bocuse. Trad. com Luzia Machado da Costa. Record, 1976
11. Brontë, Emily. O morro dos ventos uivantes. Coleção Livro Amigo, 44. Bruguera, 1971. Reed. Art, Círculo do Livro
12. Buck, Pearl S. A grande travessia. Record. Reed. Record-Altaya, BestBolso
13. Caldwell, Taylor. A luz e as trevas. Record. Reed. Nova Cultural
14. ______. O fantasma de Clara. Record. Reed. Clube do Livro
15. Carlander, Ingrid. As americanas. Civilização Brasileira, 1975
16. Carroll, Lewis. Alice no país das maravilhas. Bruguera, 1966. (como Primavera das Neves)
17. ______. Alice no país do espelho. Bruguera, c.1966 (como Primavera das Neves)
18. Casares, Adolfo Bioy. A máquina fantástica. Prefácio de Jorge Luis Borges. Expressão e Cultura, 1974. Reed. Círculo do Livro (Reed. Rocco como A invenção de Morel)
19. ______. Dário da Guerra do Porco. Expressão e Cultura, 1972
20. Churchill, R. S.; Churchill, W. S. Seis dias de uma guerra milenar. Expressão e Cultura/Bibliex, 1968
21. Clarke, Arthur C. O fim da infância. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
22. D’Isard, Marcel. Napoleão. Coleção Histórias. Bruguera
10.
23. Dooley, Elliot. A conquista do espaço – História da aviação. Coleção Histórias, 12. Bruguera
24. Durrell, Lawrence. Tunc. Expressão e Cultura, 1968
25. Farinacci, Enrico. Júlio César. Coleção Histórias. Bruguera
26. Flaubert, Gustave. Madame Bovary. Coleção Livro Amigo, 27. Bruguera, 1969. Reed. Íbis (Portugal)
27. Fox, Emmet. O Sermão da Montanha e o Pai-Nosso. Record. Reed. BestSeller
28. Friedman, Myra. Enterrada Viva — A Biografia de Janis Joplin. Civilização Brasileira, 1975
29. Fromme, Allan. Guia do neurótico normal. Nova Fronteira, 1980
30. Gallico, Paul. Tragédia no mar. Expressão e Cultura, 1972
31. Gifford, Thomas. O vento frio do passado. Record, 1976
32. Gombrovicz, Witold. “Philimor, alma de criança” in Os 100 contos de humor da literatura universal, org. Flávio Moreira da Costa. Ediouro, 1990 (como Vera
Pedroso)
33. Guest, Judith. Gente como a gente. Record, s/d. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
34. Guido, Beatriz. Antes do incêndio. Expressão e Cultura, 1970
35. Guimard, Paul. As coisas da vida. Expressão e Cultura, 1968
36. Hartley, Norman. O processo viking. Record, 1977
37. Heller, Joseph. Gold vale ouro. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
38. Hodgson, Robert P. A conquista dos polos. Coleção Histórias. Bruguera, c.1966
39. Johnson, Thomas H. Mistério e solidão, a vida e a obra de Emily Dickinson. Lidador, 1965 (como Vera das Neves Pedroso)
40. Khomeini, Aiatolá. O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos. A partir da tradução do persa para o francês de Jean-Marie Xavière. Record, c.1979
41. Le Carré, John. A vingança de Smiley. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
42. ______. Sempre um colegial. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Riográfica
43. McDonald, Gregory. Fletch. Record, 1977
44. Michener, James A. Sayonara. Record. Reed. Nova Cultural
45. Nabokov, Vladimir. Transparências. Cedibra, 1973
46. ______. Somos todos Arlequins. Record, c.1977
47. Natoli, Luigi. Os beatos. Record, 1976 (com Remy Gorga Filho)
48. O’Hara, John. Os Lockwood (Tragédia de uma família americana). Expressão e Cultura, 1973
49. Ohsawa, George. Macrobiótica Zen: Arte da longevidade e do rejuvenescimento. Germinal, 1965 (3ª. ed.) (como Primavera Ácrata das Neves; orelha por Roberto das Neves)
50. Pearson, James. Os gêmeos. Expressão e Cultura, 1974
51. Prebisch, Raul. Dinâmica do desenvolvimento latino-americano. Brasil Fundo de Cultura, 1964
52. Rampa, Mama San Ra’ab. Gatos e homens. Record, 1978
53. Rampa, T. Lobsang (pseud. de Cyril Henry Hoskin). Três vidas. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Centro do Livro Brasileiro (Portugal)
54. Rey, Henri-François. Neuroforia. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal (como O Rachdingue)
55. Rossner, Judith. De bar em bar. Record. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
56. Serling, Robert J. Café, chá ou crime? Record, 1975
57. Shaw, Irvin. Plantão da noite. Record. Reed. Círculo do Livro, Nova Cultural
58. Simenon, Georges. As férias de Maigret. Nova Fronteira. Reed. L&PM
59. ______. As testemunhas rebeldes. Nova Fronteira. Reed. Círculo do Livro, L&PM
60. Spielberg, Steven. Contatos imediatos do terceiro grau. Record, 1978
61. Stallone, Sylvester. Cozinha do inferno. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro
62. Stevenson, Robert L. A ilha do tesouro. Coleção Histórias, 8. Bruguera, 1966 (como Primavera das Neves)
63. Styron, William. A escolha de Sofia. Record, 1979. Reed. Círculo do Livro, Geração Editorial
64. Styron, William. As confissões de Nat Turner. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal, Rocco
65. Uris, Leon. Exodus. Coleção Livro Amigo, 52, Clássicos do Mundo Todo, 49. Bruguera, c.1972. Reed. Círculo do Livro, Abril, Record, BestBolso
66. Van Slyke, Helen. Entre o amor e a razão. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro
67. ______. Os ricos e os justos. Record, s/d
68. Verne, Júlio. Viagem ao centro da terra. Coleção Histórias. Bruguera, 1963 (como Primavera das Neves). Reed. Abril Cultural
69. Volkoff, Vladimir. A conversão. Nova Fronteira, 1980
70. VV.AA. O gato com botas. Coleção Heidi. Bruguera, c.1966
71. Wallace, Edgar. O homem de Marrocos. Francisco Alves, 1979
72. Watson, Lyall. O macaco onívoro. Expressão e Cultura, 1974
73. Wilden, Theodore. Morrer em outro lugar. Nova Fronteira, 1979
74. Willis, Ted. Olhos sinistros. Record, 1978
acrescentem-se Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, pela Bruguera, 1968; O quebra-cabeça, de Ed McBain, pela Expressão e Cultura, 1973; Um momento muito longo, de Silvina Bullrich, pela Expressão e Cultura, 1970, e Detetives muito particulares, de Pablo Leonardo Moledo, pela Francisco Alves, 1979.
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