19 de abr. de 2017

um triste rubaiyat


OS RUBAIYAT DE MANUEL BANDEIRA E DE TORRIERI GUIMARÃES

Denise Bottmann

Um componente da história da tradução – sobretudo literária – no Brasil que nunca cessa de nos surpreender é o plágio de tradução. Os casos pipocam pelo menos desde os alvores do século XX (o primeiro caso documentado de que tenho notícia recua a 1903) e, embora tenham se reduzido muito na última década, volta e meia descobrem-se casos até então desconhecidos ou surgem novas ocorrências.

Em termos muito gerais, o plágio de tradução no Brasil consiste em três ou quatro procedimentos bastante simples: para determinada obra que se pretenda publicar, normalmente caída em domínio público, recorre-se a alguma tradução já existente, seja portuguesa, seja brasileira. Em se tratando de tradução brasileira, prefere-se uma antiga, feita por tradutor já falecido, publicada por alguma editora muitas vezes extinta. Toma-se essa tradução, elimina-se o nome do verdadeiro tradutor e se a publica atribuindo sua autoria a outro nome, que pode ser real ou fictício. Pode-se ter a pura e simples reprodução intocada do texto ou sua modificação com pequenas alterações aqui e ali – geralmente nas primeiras páginas ou em início de parágrafos – a fim de tentar disfarçar a cópia. Um exemplo é a célebre tradução de Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, feita por Jamil Almansur Haddad, publicada em 1958 pela extinta editora Difel, e republicada com algumas toscas adulterações em 2001 pela editora Martin Claret, com o nome real de Pietro Nassetti.[1]

Raros, raríssimos são os plágios de traduções lançadas poucos anos antes e ainda ativas em catálogo. No entanto, existem. E é um caso desses que pretendo abordar. 

Em 1966, a editora carioca Tecnoprint, atual Ediouro, publicou O Rubaiyat de Omar Khayyam com tradução de Manuel Bandeira. No final dos anos 1970, a editora paulista Hemus publicou o volume Rubaiyat, de Omar Khayyam, com tradução atribuída a Torrieri Guimarães.
Aqui cabe uma brevíssima explicação. Os ruba’i (quadras ou quartetos) do matemático, astrônomo e poeta persa Omar Khayyam, do século XI, passaram a ser conhecidos no Ocidente a partir do século XIX, principalmente com a tradução de Edward Fitzgerald para o inglês, em versos, em 1859, com 75 ruba’i (posteriormente aumentados para 100). Outra tradução que se tornou muito conhecida foi a de Franz Toussaint, em francês e em prosa, de 1924, com 170 ruba’i.  São essas duas traduções, a de Fitzgerald e a de Toussaint, que costumam servir de referência para as inúmeras traduções indiretas dos poemas de Khayyam em diversas línguas.

No Brasil, a primeira tradução do Rubaiyat é a de Octavio Tarquinio de Souza, feita a partir do texto de Toussaint, publicada em 1928 e que ainda se encontra em circulação, com inúmeras reedições.
Como a tradução de Toussaint está vazada em prosa, tomá-la como texto de interposição significa normalmente que a tradução indireta também será em prosa. E aí temos a primeira peculiaridade da tradução de Manuel Bandeira, o qual, assim como Tarquínio, partiu de Toussaint, porém convertendo sua prosa em quadras. Nisso poderíamos ver, talvez, uma tentativa de se reaproximar, ao menos em parte, da forma poética original. Mas deixemos a exegese para outra hora. O que importa notar é que Torrieri Guimarães – o qual afirma que “A tradução que fizemos está rigorosamente baseada [grifo meu] na tradução de Toussaint” – também converte sua prosa em quadras.

Ademais, a tradução de Bandeira apresenta outra peculiaridade. Adotando a forma poética da quadra para a prosa corrida de Toussaint, ele não se limita a uma quadra. Aqui cabe notar que o ruba’i na tradição persa é uma forma poética rigorosa, um breve poema composto por quatro versos apenas [daí seu nome, como já dissemos], com várias classificações internas quanto ao tipo de metrificação e com o predomínio da rima no primeiro, segundo e quarto versos, o terceiro sendo branco, tal como a usa Khayyam. Bandeira adota a quadra – salvo em três ruba’i montados em quintilha –, mas não se restringe a uma estrofe, e recorre a metros variados. Seus ruba’i, se ainda assim pudermos nos referir a poemas com número variável de estrofes, metrificação diversificada e versos brancos, apresentam de um a quatro quartetos, além das três quintilhas citadas (137, 142 e 143).

Torrieri Guimarães, salvo algumas exceções que não chegam a dez por cento dos 170 ruba’i em questão, mantém exatamente o mesmo número de estrofes usadas por Bandeira para cada poema.[2]
Vejamos um exemplo, o ruba’i 102:

Manuel Bandeira:

Quando eu deixar de existir,
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, lábios vermelhos,
Canções, vinho perfumado...

Não haverá mais auroras,
Não haverá mais crepúsculos,
Não haverá mais amores,
Nem penas, nem alegrias.

O mundo será abolido,
Pois do nosso pensamento
É que a sua realidade
Depende exclusivamente.


Torrieri Guimarães:

Quando eu não mais existir
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, bocas vermelhas,
Nem vinho tão perfumado...

Não existirão auroras,
Nem crepúsculos também,
Não existirão amores,
Nem alegrias, nem dores.

O mundo estará abolido,
Pois de nosso pensamento
É que sua realidade
Depende, dele somente.

Agora, vejamos Toussaint:

Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé. Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines. L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée.
                  
Isso do ponto de vista do número de estrofes. Passemos ao teor. Se em “Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé” podemos ver que Bandeira, para manter o metro em heptassílabos, acrescentou “canções”, do que se absteve Torrieri, por outro lado “Não existirão auroras,/ Nem crepúsculos também,/ Não existirão amores,/ Nem alegrias, nem dores” está visivelmente mais próximo de “Não haverá mais auroras,/ Não haverá mais crepúsculos,/ Não haverá mais amores,/ Nem penas, nem alegrias” do que de “Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines”. O mesmo se pode dizer quanto à proximidade maior de “O mundo estará abolido,/ Pois de nosso pensamento/ É que sua realidade/ Depende, dele somente” com “O mundo será abolido,/ Pois do nosso pensamento/ É que a sua realidade/ Depende exclusivamente” do que com “L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée”.

Outro exemplo ilustrando essa proximidade é o acréscimo do terceiro verso em Bandeira, retomado com ligeira alteração em Torrieri, no ruba’i 113:

Bandeira

Pedi numa taverna a um velho sábio
Que sobre os mortos algo me ensinasse.
“O que há de certo é que não voltarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe o teu vinho!”


Torrieri

Pedi numa taverna a um idoso sábio
Que algo sobre os defuntos me ensinasse.
“O certo é que não mais retornarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe teu vinho!”


Eis Toussaint:

Dans une taverne, je demandais à un vieux sage de me renseigner sur ceux qui sont partis. Il m'a répondu: “Ils ne reviendront pas. C'est tout ce que je sais. Bois du vin!”

Vejamos agora o ruba’i 61, como exemplo de omissão de termos ou frases em relação ao texto de Toussaint:

Bandeira

Só conhecemos da ventura o nome.
Nosso mais velho amigo é o vinho novo
Afaga o único bem que não engana:
A urna cheia do sangue dos vinhedos.


Torrieri

Sabemos da Ventura só o nome.
Nosso amigo mais velho é o vinho novo.
Acaricia o bem que não engana:
A urna cheia com sangue das vinhas.


Toussaint

Du bonheur, nous ne connaissons que le nom. Notre plus vieil ami est le vin nouveau. Du regard et de la main, caresse notre seul bien qui ne soit pas décevant: l'urne pleine du sang de la vigne.

Ou, ainda, o ruba’i 114:

Bandeira

Olha! Escuta! Na brisa uma rosa estremece.
Um rouxinol canta-lhe um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, e esquece que a brisa
Desfolha a rosa, leva o canto e a fresca nuvem.

Torrieri

Olha! Escuta! Uma rosa estremece na brisa.
Um rouxinol lhe canta um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, esquece que a brisa
A rosa despetala e leva o canto e a nuvem.

Toussaint

Regarde! Écoute! Une rose tremble dans la brise. Un rossignol lui chante un hymne passionné. Un nuage s'est arrêté. Buvons du vin! Oublions que cette brise effeuillera la rose, emportera le chant du rossignol et ce nuage qui nous donne une ombre si précieuse.

Note-se que “Du regard et de la main” está ausente em ambos os casos do ruba’i 61 e a oração inteira “qui nous donne une ombre si précieuse” desaparece do ruba’i 114.

Por tais exemplos, fica evidente que Torrieri se baseou em Bandeira, não em Toussaint, tanto na variada forma poética adotada na tradução quanto no conteúdo vocabular dos poemas, com idênticos acréscimos ou omissões em relação a Toussaint.

Poderíamos nos estender longamente sobre dezenas e mais dezenas de outros exemplos, mas creio que os apresentados bastam para mostrar que o procedimento adotado por Torrieri Guimarães em sua pretensa tradução consistiu basicamente em adotar as soluções de Manuel Bandeira, procedendo a modificações de superfície, seguindo um padrão simples e constante, com inversão de palavras e ocasional substituição de termos por sinônimos (“mortos” por “defuntos”, “desfolha” por “despetala”, “exclusivamente” por “somente”, “afaga” por “acaricia” e assim por diante). Sua fidelidade chega ao ponto de apresentar o ruba’i 165 com o 2º. e o 4º. versos recuados, tal como em Bandeira.[3]

Se cópias maquiadas não são fatos inéditos na história da tradução no Brasil, o caso do Rubaiyat vem caracterizado por uma invulgar singeleza: Bandeira lançara sua tradução em 1966, morrera em 1968, seu Rubayat continuava em viçosa circulação; mal passada uma década, os leitores foram brindados com uma versão toscamente copidescada dos ruba’i da lavra tradutória bandeiriana. Se algum consolo há, é o de que a tradução espúria nunca alcançou grande repercussão e não deixou muita memória. Fique, porém, registrada a ocorrência.


  
AGRADECIMENTOS

Devo a descoberta dessa fraude a Willamy Fernandes, a quem agradeço vivamente a gentileza em tê-la compartilhado comigo.                                                                                  



ANEXO

Segue-se a listagem dos únicos catorze ruba’i, dentre o total de 170, que apresentam discrepância na quantidade de estrofes usadas por Manuel Bandeira (MB) e por Torrieri Guimarães (TG). Na coluna da esquerda, encontra-se o número do poema; na coluna central, o número de quadras usado por Bandeira; na coluna da direita, o número de quadras usado por Torrieri.

Ruba’i             MB                  TG

10                    1                      2
28                    4                      3
32                    2                      1
53                    1                      2
59                    1                      2
66                    1                      2
73                    1                      2
76                    1                      2
90                    2                      1
93                    2                      1
115                  1                      2
146                  2                      1
147                  2                      1
148                  2                      1





[1] Veja-se o artigo Flores roubadas do jardim alheio, do poeta e tradutor Ivo Barroso, disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html. 
[2] Vide o Anexo.
[3] Uma ressalva: alguns dos ruba’i com tradução em nome de Torrieri Guimarães afastam-se claramente da versão de Manuel Bandeira e mesmo da de Franz Toussaint, por exemplo o de número 93. Como são poucas ocorrências esparsas, não chegam a afetar o fato principal exposto neste artigo: sua dita tradução, ao contrário do que afirma ele, não vem “rigorosamente baseada” na de Toussaint, e sim na de Bandeira. 


Este artigo foi publicado em InComunidade, ano 4, n. 55, abril de 2017, aqui.

garfada do rubaiyat de manuel bandeira



a partir de uma preciosa indicação de willamy fernandes, em seus valiosos comentários aqui, escrevi um breve artigo,
"os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", que foi publicado agora em abril pela revista cultural digital InComunidade, em seu número 55. o artigo está disponível aqui.


5 de abr. de 2017

traduções de primavera das neves/ vera pedroso


segue-se a lista de traduções feitas por primavera das neves (também assinando como vera neves pedroso e vera pedroso]:

1. Andersen, Hans Christian. Contos de Andersen. Coleção Histórias. Bruguera, 1966
2. Anderson, Poul. O sol invisível. Coleção Ficção Científica, 2. Bruguera, 1968
3. Anglade, Christiane, et. al. Por quê? Tempo de Saber, Série A, 1. Liceu, 1973
4. Bach, Richard. O dom de voar. Record, c.1976
5. ______. O paraíso é uma questão pessoal. Record. Reed. Círculo do Livro
6. Barnard, Christian. Coração – Mito e realidade. Expressão e Cultura, 1974
7. Battaglia, William, e Tarrant, John, J. O executivo, esse eunuco. Expressão e Cultura, 1975
8. Benet, Laura. Poetas Americanos Famosos. Lidador, 1965
9. Bethell, Leslie. A abolição do tráfico de escravos no. Brasil. Expressão e Cultura/EDUSP, 1976
10. Bocuse, Paul. A cozinha de Paul Bocuse. Trad. com Luzia Machado da Costa. Record, 1976
11. Brontë, Emily. O morro dos ventos uivantes. Coleção Livro Amigo, 44. Bruguera, 1971. Reed. Art, Círculo do Livro
12. Buck, Pearl S. A grande travessia. Record. Reed. Record-Altaya, BestBolso
13. Caldwell, Taylor. A luz e as trevas. Record. Reed. Nova Cultural
14. ______. O fantasma de Clara. Record. Reed. Clube do Livro
15. Carlander, Ingrid. As americanas. Civilização Brasileira, 1975
16. Carroll, Lewis. Alice no país das maravilhas. Bruguera, 1966. (como Primavera das Neves)
17. ______. Alice no país do espelho. Bruguera, c.1966 (como Primavera das Neves)
18. Casares, Adolfo Bioy. A máquina fantástica. Prefácio de Jorge Luis Borges. Expressão e Cultura, 1974. Reed. Círculo do Livro (Reed. Rocco como A invenção de Morel)
19. ______. Dário da Guerra do Porco. Expressão e Cultura, 1972
20. Churchill, R. S.; Churchill, W. S. Seis dias de uma guerra milenar. Expressão e Cultura/Bibliex, 1968
21. Clarke, Arthur C. O fim da infância. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
22. D’Isard, Marcel. Napoleão. Coleção Histórias. Bruguera
10.
23. Dooley, Elliot. A conquista do espaço – História da aviação. Coleção Histórias, 12. Bruguera
24. Durrell, Lawrence. Tunc. Expressão e Cultura, 1968
25. Farinacci, Enrico. Júlio César. Coleção Histórias. Bruguera
26. Flaubert, Gustave. Madame Bovary. Coleção Livro Amigo, 27. Bruguera, 1969. Reed. Íbis (Portugal)
27. Fox, Emmet. O Sermão da Montanha e o Pai-Nosso. Record. Reed. BestSeller
28. Friedman, Myra. Enterrada Viva — A Biografia de Janis Joplin. Civilização Brasileira, 1975
29. Fromme, Allan. Guia do neurótico normal. Nova Fronteira, 1980
30. Gallico, Paul. Tragédia no mar. Expressão e Cultura, 1972
31. Gifford, Thomas. O vento frio do passado. Record, 1976
32. Gombrovicz, Witold. “Philimor, alma de criança” in Os 100 contos de humor da literatura universal, org. Flávio Moreira da Costa. Ediouro, 1990 (como Vera
Pedroso)
33. Guest, Judith. Gente como a gente. Record, s/d. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
34. Guido, Beatriz. Antes do incêndio. Expressão e Cultura, 1970
35. Guimard, Paul. As coisas da vida. Expressão e Cultura, 1968
36. Hartley, Norman. O processo viking. Record, 1977
37. Heller, Joseph. Gold vale ouro. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
38. Hodgson, Robert P. A conquista dos polos. Coleção Histórias. Bruguera, c.1966
39. Johnson, Thomas H. Mistério e solidão, a vida e a obra de Emily Dickinson. Lidador, 1965 (como Vera das Neves Pedroso)
40. Khomeini, Aiatolá. O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos. A partir da tradução do persa para o francês de Jean-Marie Xavière. Record, c.1979
41. Le Carré, John. A vingança de Smiley. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
42. ______. Sempre um colegial. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Riográfica
43. McDonald, Gregory. Fletch. Record, 1977
44. Michener, James A. Sayonara. Record. Reed. Nova Cultural
45. Nabokov, Vladimir. Transparências. Cedibra, 1973
46. ______. Somos todos Arlequins. Record, c.1977
47. Natoli, Luigi. Os beatos. Record, 1976 (com Remy Gorga Filho)
48. O’Hara, John. Os Lockwood (Tragédia de uma família americana). Expressão e Cultura, 1973
49. Ohsawa, George. Macrobiótica Zen: Arte da longevidade e do rejuvenescimento. Germinal, 1965 (3ª. ed.) (como Primavera Ácrata das Neves; orelha por Roberto das Neves)
50. Pearson, James. Os gêmeos. Expressão e Cultura, 1974
51. Prebisch, Raul. Dinâmica do desenvolvimento latino-americano. Brasil Fundo de Cultura, 1964
52. Rampa, Mama San Ra’ab. Gatos e homens. Record, 1978
53. Rampa, T. Lobsang (pseud. de Cyril Henry Hoskin). Três vidas. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Centro do Livro Brasileiro (Portugal)
54. Rey, Henri-François. Neuroforia. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal (como O Rachdingue)
55. Rossner, Judith. De bar em bar. Record. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
56. Serling, Robert J. Café, chá ou crime? Record, 1975
57. Shaw, Irvin. Plantão da noite. Record. Reed. Círculo do Livro, Nova Cultural
58. Simenon, Georges. As férias de Maigret. Nova Fronteira. Reed. L&PM
59. ______. As testemunhas rebeldes. Nova Fronteira. Reed. Círculo do Livro, L&PM
60. Spielberg, Steven. Contatos imediatos do terceiro grau. Record, 1978
61. Stallone, Sylvester. Cozinha do inferno. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro
62. Stevenson, Robert L. A ilha do tesouro. Coleção Histórias, 8. Bruguera, 1966 (como Primavera das Neves)
63. Styron, William. A escolha de Sofia. Record, 1979. Reed. Círculo do Livro, Geração Editorial
64. Styron, William. As confissões de Nat Turner. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal, Rocco
65. Uris, Leon. Exodus. Coleção Livro Amigo, 52, Clássicos do Mundo Todo, 49. Bruguera, c.1972. Reed. Círculo do Livro, Abril, Record, BestBolso
66. Van Slyke, Helen. Entre o amor e a razão. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro
67. ______. Os ricos e os justos. Record, s/d
68. Verne, Júlio. Viagem ao centro da terra. Coleção Histórias. Bruguera, 1963 (como Primavera das Neves). Reed. Abril Cultural
69. Volkoff, Vladimir. A conversão. Nova Fronteira, 1980
70. VV.AA. O gato com botas. Coleção Heidi. Bruguera, c.1966
71. Wallace, Edgar. O homem de Marrocos. Francisco Alves, 1979
72. Watson, Lyall. O macaco onívoro. Expressão e Cultura, 1974
73. Wilden, Theodore. Morrer em outro lugar. Nova Fronteira, 1979
74. Willis, Ted. Olhos sinistros. Record, 1978

acrescentem-se Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, pela Bruguera, 1968; O quebra-cabeça, de Ed McBain, pela Expressão e Cultura, 1973; Um momento muito longo, de Silvina Bullrich, pela Expressão e Cultura, 1970, e Detetives muito particulares, de Pablo Leonardo Moledo, pela Francisco Alves, 1979.

veja também meu artigo de primavera das neves a vera pedroso: um perfil, aqui.


primavera das neves na tela

jorge furtado, num trabalho investigativo de primeiríssima linha, reúne fios biográficos dispersos e faz um documentário sobre primavera das neves/ vera pedroso.



“Quem é Primavera das Neves"? Assim começa esta história: Jorge Furtado tenta descobrir na internet quem é a tradutora de Alice no País das Maravilhas que tem um nome tão peculiar e poético. Não encontra. Faz a pergunta num blog. Três anos depois, numa noite de insônia, Eulalie Ligneul responde: Primavera Ácrata Saiz das Neves foi sua amiga. Era uma tradutora e poeta portuguesa, que veio para o Brasil aos nove anos quando os pais fugiam da ditadura de Franco e Salazar. Aos 18 anos Primavera volta a Portugal e se apaixona por um jovem tenente português, Manoel Pedroso. E é Manoel quem revela outros detalhes dessa história: a vida dele com Primavera em Portugal, a resistência à ditadura Salazarista, o exílio na embaixada brasileira, a fuga para o Brasil pouco antes do golpe de 64 com uma filha de seis meses no colo. Primavera morreu aos 48 anos, falava seis idiomas, traduziu mais de oitenta livros e deixou uma obra poética até aqui inédita. Uma vida curta, intensa, com um tanto de aventura e muita melancolia

Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre em Coprodução com Globo Filmes

Roteiro - Jorge Furtado e Pedro Furtado
Direção - Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado
Produção Executiva - Nora Goulart
Direção de Fotografia - Alex Sernambi, AGC
Montagem - Giba Assis Brasil
Som direto - Rafael Rodrigues
Direção de Produção - Bel Merel
Trilha Original - Maurício Nader
Pesquisa: Lilian Ferrari e Joana Bernardes
Desenho de Som: Kiko Ferraz Studios

para curtir a página do documentário no facebook, clique neste link.


1 de abr. de 2017

entrevista com ivo barroso

uma excelente conversa de ivo barroso com gilberto cruvinel e emmanuel santiago, disponível aqui.



2 de mar. de 2017

entrevista de flávio r. kothe


uma bela entrevista do admirável ensaísta e tradutor flávio r. kothe a jorge henrique bastos, "celan e a barbárie", disponível aqui.


1 de mar. de 2017

ivo barroso sobre baudelaire


magistral artigo de ivo barroso:
consoante de apoio - a propósito de um poema de charles baudelaire, aqui.


10 de fev. de 2017

entrevista

saiu uma matéria com entrevistas com vários tradutores (eu incluída) no primeiro número da revista deriva, disponível aqui. chama-se "do copo para o quase-copo".




28 de dez. de 2016

aliás, falando sobre utopia...

... saiu uma entrevista minha na revista pessoa, disponível aqui.


22 de dez. de 2016

a utopia no brasil

já comentei duas fraudes em traduções de [a] utopia de thomas more [ou morus] no brasil.

uma delas saiu pela editora rideel, em nome de heloísa da graça buratti, sendo cópia ligeiramente adulterada da tradução de luís de andrade. veja aqui e aqui. vale notar que, na sequência, a editora retirou a obra de circulação e de seu catálogo.

a outra saiu pela editora martin claret em nome de pietro nassetti, sendo cópia da tradução portuguesa de maria isabel gonçalves tomás. veja-se o artigo de ana cláudia romano ribeiro, as traduções brasileiras de a utopia, de tomás morusaqui 

quanto às traduções legítimas, temos a primeira em 1937, pela athena editora, com tradução de luís de andrade a partir do texto em francês, vertido do neolatim por victor stouvenel, 1842). teve inúmeras reedições ao longo das décadas, em várias editoras. já comentei em outro lugar que não me surpreenderia se "luís de andrade" fosse pseudônimo.



apenas em 1980 teremos nova tradução, agora feita por anah de melo franco [ana guilhermina pereira de melo franco], com apresentação de seu marido afonso arinos de melo franco, lançada pela editora da unb, em sua coleção clássicos ipri. também foi vertida do francês, na tradução de paul grunebaum-ballin a partir do neolatim (1935). a tradução de anah de melo franco foi reeditada pela unb em 2004, acrescida de um prefácio de joão almino. encontra-se disponível para download aqui.

em 1993, a martins fontes publica a tradução de jefferson luiz camargo e marcelo brandão cipolla, na edição cambridge de logan e adams. foi revista e ampliada em sua terceira edição, em 2009.

em 1997, sai pela l&pm a tradução de paulo neves. ainda não localizei a edição utilizada, mas com toda probabilidade a língua de partida foi o francês.

em 2016, a vozes publica a tradução de leandro dorval cardoso, a única, até onde sei, feita a partir do original em neolatim, na edição bilíngue cambridge de logan, adams e miller.

há ainda o caso da editora escala, que em 1995, em sua coleção grandes obras do pensamento universal, v. 9, lança uma tradução atribuída a ciro mioranza - vide o artigo já citado de ana cláudia r. ribeiro, apontando semelhanças com a tradução de luís de andrade.


19 de dez. de 2016

sade no brasil

um levantamento interessante, muito meticuloso, das traduções do marquês de sade no brasil, feito por rodrigo d'ávila braga silva, disponível aqui.

ao que tudo indica, o primeiro sade publicado em livro no brasil saiu em 1961, pela difel, em tradução de augusto de souza (pergunto-me se será o mesmo augusto de souza responsável pelo primeiro hermann hesse entre nós, o lobo da estepe, em 1935), com introdução de jamil almansur haddad e orelhas de lívio xavier.



12 de nov. de 2016

fünfzehn gedichte, de ivo barroso

novidade muito, muito interessante: um volume bilíngue com poemas de ivo barroso em tradução de curt meyer-clason (o célebre tradutor de guimarães rosa).

o livro - numa bela edição especial da giordanus, de tiragem limitada, fora do comércio - traz também a correspondência entre ivo e meyer-clason.



14 de out. de 2016

carlos lacerda tradutor


"fez-me um grande bem traduzir esse livro publicado com o pseudônimo de Luís Fontoura em 1936"

encontra-se aqui uma listagem (um tanto improvisada) de traduções feitas por carlos lacerda, que reproduzo abaixo:
1 - "Memórias de Uma esquizofrênica" de Sechehaye
2 - "O Bem Amado" - Peça levada à cena no Rio em 1963 no teatro Santa Rosa quando o tradutor era governador do Estado. Título original: "Come blow your Horn". Autor Neil Simon.
3 - "Como vencer na vida sem fazer força" (How to suceed in Business without Really Trying) - Consoante Foster Dulles esse hit do palco nova-iorquino foi traduzido por Lacerda na noite de 30 para 31 de Março de 1964 para relaxar da tensão decorrente da situação política deteriorada.
4 - "Jefferson” traduzido em parceria com Fernando Tude de Sousa para a editora Nacional (referido em Pedras e Rosas, 9º capítulo)
5 - "O homem transformado pelo homem" de Jean Bernard
6 - "O Herege" de Morris West
7 - "Por que corres Ulysses ? " de Antônio Gala
8 - "Deus existe" de Frossard
9 - "Minha Mocidade" de Winston Churchill, edição 1941 da Editora Norte Sul, Rio de Janeiro
10 - " O Limão" de Mohammed Mrabet - Do original magrebino (árabe do norte da África), traduzido e adaptado para o inglês por Paul Bowles em colaboração com o autor. Tradução para o português e apresentação de Carlos Lacerda, edição Nova Fronteira
11 - "O homem transformado pelo homem" de Jean Bernard.
12 - "Fevereiro sangrento: a revolução de 1934 na Áustria" de Ilya Eherenburg - Prefácio e tradução de Carlos Lacerda
13 - "O homem que fazia milagres" conto de H. Wells
14 - "O dia em que Lincoln morreu" de
15- "Pedro e Lúcia" de Romain Rolland. Tucano da Globo em 1946
16 - Prefácio para a tradução portuguesa do livro de John Kennedy - "Estratégia da Paz" (apud Roberto Campos, "A Lanterna na Popa - Memórias", editora Topbooks, página 818)
17 - "A Vida de Miguel Angelo", editora Leitura 1944, capa de Santa Rosa
18 - "Em Cima da Hora", de Suzanne Labin, tradução, Prefácio e Notas de Carlos Lacerda - editora Record, 1963,
19 -"Oração sobre a Acrópole" de Ernest Renan, transcrita no livro de crônicas - O Cão Negro (1971)
20 - "Caracteres" de La Bruyère ("fez-me um grande bem traduzir esse livro publicado com o pseudônimo de Luís Fontoura em 1936" Cf. Segundo Capítulo de " Rosas e Pedras de meu caminho"
21 - "Júlio César" de Shakespeare - "A vida de Miguel Ângelo" de Romain Rolland
22 - "Do Escambo à Escravidão - Relações Economias de Portugueses e Índios na Colonização do Brasil (1500-1580) - de Alexander Marchant - Tradução e Notas de Carlos Lacerda escritas para a primeira edição em 1943. 2a ed/INL/MEC em 1980 pela Cia. Editora Nacional. Volume 225 da Brasiliana)
23 - Um objetivo nacional para a Espanha" de Manoel Fraga Iribane
24 - "A dança da morte"de Augusto Strindberg
no mesmo site, encontra-se outra listagem, porém igualmente confusa e incompleta:
b) Apêndice 02 - Relação de Livros Traduzidos por Carlos Lacerda
1. "MINHA MOCIDADE" 1941 de Winston Spencer Churchill, Título original "My Early Life A Roving Comission". O prefácio é de 1930. Editora Norte-Sul.
2. "CARACTÈRES" 1936 - De La Bruyère. "Em Rosas e Pedras de Meu Caminho", 2º Capítulo, disse Lacerda: "fez-me um grande bem traduzir esse livro publicado com o pseudônimo de Luiz Fontoura."
3. "A VIDA DE MIGUEL ÂNGELO" 1944 - Romain Rolland. Capa de Santa Rosa. Editora leitura.
4."JÚLIO CÉSAR" William Shakspeare.
5."PEDRO E LÚCIA" de Romain Rolland. Editora Tucano.
6."RÚSSIA DE STALIN PROGRAMA DO REGIME SOVIÉTICO" 1948 - Prefácio e Tradução dos Contos de Lacerda.
7."EM CIMA DA HORA. CONQUISTA SEM GUERRA" 1963 - Suzanne Labin, título original "I'est moins cinq". Prefácio de Carlos Lacerda Editora Record.
8."O BEM AMADO" Neil Simon, título original "Come Blow Your Horn". Peça levada à cena no Rio, em 1963, no Teatro Santa Rosa quando o tradutor era o Governador do Rio de Janeiro.
9."COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER FORÇA" 1964, título original "How to suceed in Business without Really Trying". Consoante John Foster Dulles, esse "hit" do palco nova-iorquino foi traduzido por Carlos Lacerda na noite de 30 para 31 de março de 1964 para relaxar a tensão pelos acontecimentos políticos que ameaçavam o Palácio da Guanabara.
10."O LIMÃO" 1969 - Mohammed Mrabet. Adaptado do original magrebino (árabe do norte da África) por Paul Bowles, em colaboração com o autor. Tradução e apresentação por Carlos Lacerda. Editora Nova Fronteira.
11."JEFFERSON" Conforme referência em "Pedras e Rosas do Meu Caminho", Cap. 9º, a tradução foi feita em parceria com Fernando Tude de Souza.
12."O HOMEM TRANSFORMADO PELO HOMEM" Jean Bernard.
13."O HEREGE" - Morris West.
14."PORQUE CORRES ULISSES" Antônio Galla
15."DEUS EXISTE" André Frossard
16."FEVEREIRO SANGRENTO: A REVOLUÇÃO DE 1934 NA ÁUSTRIA" s/d Ilya Eherenburg. Tradução e prefácio. Editora Alba.
17."O HOMEM QUE FAZIA MILAGRES" H. Wells. Conto.
18."O DIA EM QUE LINCOLN MORREU" ou "Esta noite Vou matar Lincoln” de Jim Bishop. Editora Seleções.
19."ESTRATÉGIA DA PAZ" John Kennedy. Apenas o prefácio da tradução portuguesa é de Carlos Lacerda, conforme informação de Roberto Campos em "A Lanterna de Popa - Memórias". Editora Topbooks, pág. 818.
20."MEMÓRIAS DE UMA ESQUIZOFRÊNICA" M. A Sechehaye.
21. "O ESCAMBO E A ESCRAVIDÃO - RELAÇÕES ECONÔMICAS DE PORTUGUESES E ÍNDIOS NA COLONIZAÇÃO DO BRASIL (1500-1580)" Alexandre Marchand. Tradução e notas de Carlos Lacerda para a primeira edição de 1943. Editora Cia. Nacional, volume 225 da Brasiliana em 1980.
22."ORAÇÃO SOBRE A ACRÓPOLE" 1971 Ernest Renan. Transcrita no livro de crônicas "O Cão Negro"
23. "UM OBJETIVO NACIONAL PARA A ESPANHA" Manuel Fraga Iribane.
24. "A DANÇA DA MORTE" Augusto Strimberg.
25. "SUPERSTIÇÃO DA PSICANÁLISE" Pierre Debray-Ritzen. Com a colaboração de Maria Thereza Corrêa de Mello.
26. "O TRIUNFO" - 1968 Romance de John Kenneth Galbraith, título original: "The Triumph", Prefácio e tradução para a língua portuguesa por Carlos Lacerda. Edição Nova Fronteira
27. "Os Estados Unidos de ontem e de hoje", Roy F. Nichols e outros. Tradução de Carlos Lacerda e Fernando Tude de Sousa, Cia Editora Nacional, 1944
28 "Romeu e Julieta" de W. Shakespeare (citado por Antonio Dias Rebello Filho[1], "Carlos Lacerda Meu Amigo", editora Record, 1980, página 22.
29 "FBI de ontem e de hoje" de Don Withead, Biblioteca das Seleções (livro condensado).
30 "Eu sou uma esquizofrênica" - autor anônimo [1] O foi que encontrado sobre "Romeu e Julieta" é um artigo que chamou a atenção do escritor americano John Dos Passos e republicado no "Cão Negro", editora Nova Fronteira.

há também sua tradução de a morte de ivan ilitch (veja-se aqui).

no inventário do fundo carlos lacerda, depositado na biblioteca central da unb, disponível aqui, encontra-se:
Subsérie: Tradução
Notação: PL05
Datas-Limite: 1960-1976
Quantificação: 0,13 metro linear de documentação textual
(aproximadamente, 780 folhas de documentos).
Conteúdo: dossiê contendo correspondências, artigos de recortes de
periódicos (jornais), comentários, declaração de compra de direitos de
tradução, folhetos de divulgação, textos manuscritos e datilografados das
traduções de Júlio César, Willian Shakespeare, Memórias de uma
esquizofrênica, de M. A. Séchehaye, Em cima da hora, de Suzanne Labin,
O limão, de Paul Bowles, Um objetivo nacional para a Espanha, de Manuel
Fraga Iribane, Superstições da Psicanálise, de Pierre Debray-Ritzen, Por
que corres, Ulisses, de Antonio Gala e A dança da morte, de Augusto
Strindberg. A subsérie contém um dossiê sobre a Associação Brasileira
de Tradutores.
atualização em 27/4/2019: avisa sérgio karam, a quem agradeço a informação, sobre mais uma tradução de carlos lacerda:
"Entre a vida e o sonho, da chilena María Luisa Bombal, traduzido do inglês por Carlos Lacerda e publicado pela Editora Pongetti, do Rio de Janeiro, em 1949. Trata-se da tradução de The house of mist, de 1947, uma versão para o inglês, realizada pela própria autora, de seu romance La última niebla, publicado originalmente em 1934, em Buenos Aires. O romance ainda ganharia outras duas traduções brasileiras, uma publicada em 1985 pela Difel e a outra em 2013 pela Cosac Naify."

10 de out. de 2016

clube de novelas labirinto

em rex stout, primórdios, aqui, eu havia comentado brevemente a coleção "clube de novelas labirinto" da editora mérito, de são paulo:

a partir de 1953, a editora mérito promove a criação do "clube de  novelas labirinto", que consistia na remessa mensal a seus assinantes de dois volumes de romances e novelas policiais selecionados pelo clube.


assim, essas edições traziam estampada na capa a chamada "uma seleção Labirinto", em referência, justamente, ao clube de novelas policiais patrocinado pela mérito. 

paulo de medeiros e albuquerque, em seu alentado estudo sobre o mundo emocionante do romance policial, arrola 49 volumes publicados pela mérito nessa coleção, avisando ter notícias sobre a existência de um quinquagésimo volume, ao qual, porém, não conseguiu ter acesso. não posso confirmar essa hipótese; todavia, havia uma obra - o caso do falso amante, de erle stanley gardner - que desde o começo era distribuída como brinde, junto com o par de volumes de cada mês. tenho tendência a crer que saíram mesmo 49 volumes, sendo um para distribuição gratuita e os 48 outros formando 24 pares entregues mensalmente aos assinantes da coleção. 

o clube de novelas labirinto se estendeu de 1953 a 1956: como foram publicados 24 pares de volumes, o que abasteceria dois anos de subscrição, parece-me plausível supor que a iniciativa não teve o retorno esperado, levando ao encerramento da coleção.

a listagem elaborada por medeiros e albuquerque traz o nome do autor, os títulos do original e da tradução, e a especificação se o volume era em capa dura ou brochura. não constam os respectivos anos de edição nem os nomes dos tradutores. são esses dados que tentarei suprir, complementando a referida listagem. mas antes vejamos rapidamente sua trajetória.

a coleção foi lançada no mês de maio de 1953, com anúncios publicados pela editora nos jornais  folha da manhã, correio da manhã diário de notícias. na ocasião, o jornal deu uma nota informando do início da coleção. ao longo do ano saíram mais alguns anúncios e foram publicados dezessete volumes, correspondendo a oito seleções duplas mensais (de maio a dezembro), sempre com o oferecimento de um volume de brinde no ato de subscrição. 

o primeiro par de volumes era constituído por o esfaqueador, de fredric brown, e nó mortal, de mary mcmullen:


diário de notícias, 24/5/1953


correio da manhã, 24/5/1953


em 24 de maio, a folha da manhã publicou XXXX

em 31 de maio, o jornal informava na coluna de notícias de sua seção de literatura:
Instituído pela editora Mérito, que já mantém regularmente o Livro do Mês, o Clube de Novelas "Labirinto", que se destina a distribuir entre os seus associados, mensalmente, dois romances policiais selecionados, mediante a contribuição de Cr$ 70,00. As duas primeiras seleções são O esfaqueador, de Frederic [sic] Brown, e Nó mortal, de Mary McMullon [sic]. Juntamente com estes volumes, será distribuído, como oferta, O caso do falso amante, de Erle Stanley Gardner.

tanto em 23 de junho, em anúncio na folha da manhã, quanto em julho de 1953, em anúncio de página inteira publicado na revista o cruzeiro, os livros divulgados eram os mesmos:




ainda em agosto do mesmo ano, em novo anúncio no diário de notícias, persistia o mesmo par de obras, mais o volume de brinde:




somente em outubro de 1953, em mais dois anúncios, um na folha da manhã e outro no diário de notícias (em dimensões sempre um pouco menores vez a vez), é que teremos notícia de dois novos lançamentos: quem matou a milionária?, de rex stout, e aluga-se um cemitério, de carter dickson, sempre com o caso do falso amante como brinde para os novos assinantes:


diário de notícias, 14/10/1953


porém, em janeiro de 1954, em outro anúncio de página inteira em o cruzeiro, vemos que até aquela data já haviam sido lançadas mais três duplas seleções mensais: o desconhecido de olhos pretos, de charlotte armstrong, e a trágica noite de estreia, de ngaio marsh; o coquetel da morte, de lawrence blochman, e a grande retina, de max ehrlich; marcas de pés no teto, de clayton rawson, e um cadáver misterioso, de erle stanley gardner. agora, o livro de brinde passava a ser o esfaqueador, que antes integrara o primeiro par de volumes lançados na coleção:



em 24 de janeiro de 1954, num levantamento sobre a contribuição das editoras paulistas para a indústria editorial brasileira, a matéria discorre um pouco sobre a editora mérito, que teria publicado em seu clube de novelas labirinto, até aquela data, 43 obras (trata-se de um engano, se não de um inflamento dos números). o artigo destaca o gabarito dos tradutores, citando jamil almansur haddad e nair lacerda. 


5 de out. de 2016

um artigo interessante

um artigo muito interessante de álvaro hattnher é "presença de autores afro-americanos no brasil: as traduções".
disponível aqui.



primeiro romance de um afro-americano a sair no brasil. escrito em 1940, foi lançado aqui em 1941.


3 de out. de 2016

o caso de ferdinand lassalle



outro clássico do direito é o texto do famoso discurso que ferdinand lassalle apresentou em 1862, über verfassungswesen. o opúsculo foi inicialmente lançado entre nós pela edições e publicações brasil em 1933, com o título de que é uma constituição?, em tradução de walther stönner a partir da tradução em espanhol de 1931 (que és una constitución?). a tradução de stönner, devidamente creditada, é relançada em 1969 pela laemmert e a partir de 1985 pela liber juris (nesta editora, o título passa a ser a essência da constituição).

em 2005, a russell, editora campineira de livros jurídicos, publica o que é uma constituição, com tradução em nome de ricardo rodrigues gama, tendo diversas reedições em formato livro e ebook.

todavia, se compararmos a introdução da obra, sentimos dificuldade em escapar à impressão de que o texto publicado em nome de ricardo rodrigues gama, à exceção de três ou quatro pequeninos detalhes, reproduz fielmente a antiga tradução de walter stönner,


walther stönner, 1933:



ricardo rodrigues gama, 2005:



já mencionei o caso de a luta pelo direito de rudof von ihering, onde se constata uma bizarra identidade entre a antiga tradução de tavares bastos (1909) e a atribuída a ricardo rodrigues gama, publicada em 2004 também pela editora russell (ver aqui). comentei ainda um curioso enigma referente a arte do do direito, de francesco carnelutti, envolvendo a mesma editora e o mesmo dito tradutor, e que está por ser deslindado (ver aqui).

não tenho muita certeza se tais procedimentos poderiam ser incluídos entre as boas práticas do direito - e, afinal, quem sou eu para julgar? mas fiquem aqui registradas essas ocorrências.

1 de out. de 2016

álvaro vieira pinto tradutor

ilustração de alexandre nascimento


por meio de ana cláudia romano ribeiro, vim a saber que álvaro vieira pinto traduziu bastante, e obras importantes, sob pseudônimo.

vieira pinto, o principal propositor do projeto nacional-desenvolvimentista à frente do iseb, esteve entre os primeiros alvos de perseguição após o golpe de 1964. já em junho tem seus direitos políticos cassados e em outubro sofre demissão de sua cátedra na universidade do brasil [atual ufrj]. parte para o exílio. primeiro foi para a iugoslávia, onde ficou um ano, e depois, por sugestão de paulo freire, foi para o chile. 

resolve voltar ao brasil em 1968, imaginem só. foi uma dificuldade tremenda.

vieira pinto era poliglota: dominava o latim, o grego, o inglês, o francês, o russo, o italiano, o espanhol e o alemão. em seu precoce retorno do exílio passou a se dedicar à tradução, basicamente para a editora vozes. 

então vivendo uma vida muito reclusa, quase que na clandestinidade, suas traduções logo passaram a sair com pseudônimo: francisco m. guimarães, de 1970 a 1973; floriano de souza fernandes, de 1973 a 1975; mariano ferreira, de 1975 a 1978.  

  1. O Poema de Parmênides: Tradução literal sobre o texto grego, segundo Mullach. In: Diretório Acadêmico da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro, mar. 1951. p.11–15.
  2. JASPERS, Karl. Razão e anti-razão em nosso tempo. Tradução por Álvaro Vieira Pinto. Rio de Janeiro: Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), 1958. (Coleção Textos de Filosofia Contemporânea, 1)
  3. LENIN, Vladimir Ilitch. Obras Escolhidas de Lenin. Tradução por Álvaro Vieira Pinto. 3 vol. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1970.
  4. CLARKE, Arthur C. Perfil do Futuro. Tradução por Álvaro Borges Vieira Pinto. Petrópolis, RJ: Vozes, 1970. (Coleção Presença do Futuro, 4)
  5. RAPP, Hans Reinhard. Cibernética e Teologia: O Homem, Deus e o Número. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1970.
  6. TOYNBEE, Arnold Joseph. Experiências: ensaio autobiográfico de um dos maiores historiadores do século XX. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1970. 
  7. SMULEVICH, Boleslav IAkovlevich. Críticas de las teorías y la política burguesas de la población. Tradução por Álvaro Vieira Pinto, 1971. (Série E, 7)
  8. CHURCHMAN, C. West. Introdução à Teoria Dos Sistemas. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1971. (Coleção Teoria Dos Sistemas, 1)
  9. CHOMSKY, Noam. Linguagem e Pensamento. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1971. (Coleção Perspectivas Linguísticas, 3)
  10. CHOMSKY, Noam. Lingüística Cartesiana: um Capítulo da História do Pensamento Racionalista. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. (Coleção Perspectivas Linguísticas, 4)
  11. POSTGATE, John Raymond. Os Micróbios e o Homem. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1971. (Coleção Ciência Atual, 1)
  12. DAJOZ, Roger. Ecologia Geral. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1972.
  13. BERTALANFFY, Ludwig Von. Teoria Geral Dos Sistemas. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. (Coleção Teoria Dos Sistemas, 2)
  14. GÉRARD, Pierre. Introdução Ao Marketing. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. (Coleção Administração de Empresas)
  15. APTER, M. J. Cibernética e Psicologia. Tradução de Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973.
  16. MALINOWSKI, Bronislaw. Sexo e Repressão na Sociedade Selvagem. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. (Coleção Antropologia, 4)
  17. LAWRENCE, Paul R.; LORSCH, Jay William. As Empresas e o Ambiente: diferenciação e integração administrativas. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. (Coleção Administração de Empresas, 9)
  18. PIAGET, Jean. Biologia e Conhecimento: ensaio sobre as relações entre as regulações orgânicas e os processos cognoscitivos. Tradução por Francisco M. Guimarães (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. (Coleção Psicologia da Inteligência, 1)
  19. BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade: Tratado de Sociologia Do Conhecimento. Tradução por Floriano de Souza Fernandes (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. (Coleção Antropologia, 5)
  20. KANT, Immanuel. Textos seletos. Tradução de Floriano de Sousa Fernandes (pseudônimo) e Raimundo Vier. Petrópolis: Vozes, 1974.
  21. ROGIER, L. J.; BERTIER DE SAUVIGNY, L. B. F. de. Nova História da Igreja. Volume 5: A igreja na sociedade liberal e no mundo moderno. Tradução de Almir Ribeiro Guimarães; Floriano de Souza Fernandes (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1975.
  22. LOURAU, René. A Análise Institucional. Petrópolis, RJ: Vozes. Tradução por Mariano Ferreira (pseudônimo), 1975. (Coleção Psicanálise, 12).
  23. LÉVI-STRAUSS, Claude. As Estruturas Elementares do Parentesco. Roberto Augusto da Matta (Editor). Tradução por Mariano Ferreira (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1976. (Coleção Antropologia, 9).
  24. VAN GENNEP, Artur. Os Ritos de Passagem. Tradução por Mariano Ferreira (pseudônimo). Petrópolis, RJ: Vozes, 1978. (Coleção Antropologia, 11).

listagem extraída do centro de estudos sobre álvaro vieira pinto, aqui.
vide comentário de luiz ernesto merkle, abaixo.