11 de jun. de 2016

carlo collodi no brasil


Enrico Mazzanti, ilustração da 1a. edição, 1883


I. A celebérrima obra de Carlo Collodi, Le avventure di Pinocchio. Storia di un burattino, foi publicada pela editora gaúcha Livraria Selbach, em sua coleção Bibliotheca d'"O Echo", vol. X, numa edição sem data. Há indicações esparsas de que esse lançamento se deu nos anos 1920; até apuração mais precisa e salvo indicação em contrário, tomo-a como a primeira tradução de Pinocchio no Brasil. A tradução é do Pe. Leopoldo Brentano S.J., constando como L. Brentano, com o título Zé Pinho  e o subtítulo "Conto divertido para pequenos e grandes". Foi reeditada pela editora Vozes em 1960.


Veja aqui a simpática reação de Carlos Moreno a essa informação.


II. Em 1929 temos a tradução de Mary Baxter Lee, pela Livraria Liberdade, com o título de Pinocchio - Aventuras maravilhosas de um boneco de pau (mas na página de rosto sem as "maravilhosas").





III. Em 1933, a Companhia Editora Nacional, em sua Biblioteca Pedagógica Brasileira, na seção de Literatura Infantil, volume XXIII, lança Pinocchio numa tradução sem nome, da qual sabemos apenas que foi revista por Monteiro Lobato. Teve inúmeras edições, até a data de hoje.

Como nem sempre zelamos muito pela história e memória da formação cultural brasileira, dois equívocos ocorrem com grande frequência, mesmo na área de estudos de traduções. São os seguintes, e independentes entre si: 1. considerar, a despeito dos créditos estampados com cristalina clareza não só na página de rosto, mas na própria capa do livro, que foi Monteiro Lobato quem traduziu Pinocchio; 2. sustentar que foi esta a primeira tradução de Pinocchio no Brasil. Nem um, nem outro.



IV. Embora um pouco deslocado, citemos aqui, mais a título de curiosidade, O Pinocchio de Walt Disney. em tradução de Guilherme de Almeida para a série Busch da Editora Melhoramentos, em 1943.



V. Em 1945, a Vecchi lança Pinocchio em tradução de Mário da Silva, pela coleção As Obras Primas Juvenis em diversas reedições. Mais tarde, também pela Vecchi, saiu em sua coleção Joias dos Contos de Fadas, vol. 19, para recortar.



VI. Em 1946, a editora paulista Leia publica As aventuras de Pinocchio (História de um boneco), numa edição com cem ilustrações do conhecido pintor Yoshiya Takaoka, e numa tradução sobre a qual sabemos apenas que foi revista por Guilherme de Almeida. É uma bela edição, mas praticamente esquecida, o que, pelo menos, decerto contribui para evitar o mesmo tipo de equívoco que ocorre com Lobato.



VII. A Melhoramentos lança em 1947 a tradução feita por outro nome bastante conhecido em nossas letras, Raul Polillo, As aventuras de Pinóquio, na coleção Obras Célebres, vol. 1. Depois integrará também a coleção Alvorada da Vida, v. 5. Teve várias reedições.



VIII. Jacob Penteado organizou uma coleção chamada Joias da Literatura Infantil, da qual faz parte sua tradução e adaptação As aventuras de Pinocchio. Essa coleção saiu por várias editoras, com a inclusão de Pinocchio em ordem variada dentro da coleção: Livraria Martins, vol. 2; LISA, Livros Irradiantes, vol. 4; Maga, vol. 4, 2a. série. Nenhuma delas traz ano de edição, mas para a Martins eu arriscaria c.anos 1950. Aqui a imagem da LISA parece indicar uma edição já dos anos 1960.



IX. Existe uma infinidade de adaptações da obra, desde brochurinhas de 50, 20 ou mesmo 6 páginas até gibis e revistas para colorir e recortar. Não me deterei nelas, e a seguir apenas arrolarei as traduções integrais posteriores aos anos 1950. Note-se o intervalo transcorrido entre a última tradução citada acima, a de Jacob Penteado pela Livraria Martins, que calculo ser dos anos 1950 - no mais tardar, do comecinho dos anos 1960 - e a próxima, pela Hemus, em 1985: mais de vinte anos, talvez quase trinta, num agudo contraste com a alta frequência de lançamentos, tanto antes quanto depois.

  • Hemus, Edith Negrães, 1985. Reed. Leopardo (Pinóquio)
  • Paulinas, Liliane e Michele Iacocca, 1992 (As aventuras de Pinóquio)
  • Martin Claret, Pietro Nassetti, 2002 (As aventuras de Pinóquio) - tradução espúria, substituída em 2013 por tradução de Leda Beck (As aventuras de Pinóquio - História de uma marionete)
  • Companhia das Letras, Marina Colasanti, 2002 (As aventuras de Pinóquio - História de uma marionete)
  • Iluminuras, Gabriella Rinaldi, 2002 (As aventuras de Pinóquio)
  • L&PM, Carolina Cimenti, 2005 (Pinóquio)
  • Villa Rica, Eugênio Amado, 2006 (As aventuras de Pinóquio)
  • MiniBooks, não localizei, 2010 (As aventuras de Pinóquio)
  • Cosac Naify, Ivo Barroso, 2012 (As aventuras de Pinóquio: História de um boneco)
  • Martins Fontes/Martins, Letícia Andrade, 2015 (Pinóquio)

Abaixo reproduzo a capa de outra bela edição, já dessa segunda fase posterior ao longo interregno, traduzida por outro nome importante de nossas letras, Ivo Barroso.



X. Por fim, além de Pinocchio, temos de Collodi um volume de oito contos, chamado Histórias alegres, publicado pela Iluminuras em 2001, na tradução de Gabriella Rinaldi. Os contos são: "Uma fantasia de carnaval, ou seja: as artimanhas", "O pequeno advogado defensor dos meninos preguiçosos e sem orgulho"; "Quem não tem coragem, não vai para a guerra"; "O homenzinho precoce, ou seja: a história de todos aqueles meninos que querem parecer homens antes do tempo"; "Pipi ou o macaquinho cor de rosa"; "A festa de natal"; "Depois do teatro"; "Quando eu era criança (memórias de Carlo Collodi".



manuel bandeira tradutor, ilustrado IV

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. Esta é a última parte.

Biografia e ensaio:

Educação do caráter, de Jean des Vignes Rouges. São Paulo: Nacional, 1936.



A vida de Shelley, de André Maurois. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições e reimpressões, atualmente pela Record com o título Ariel ou a vida de Shelley).



A vida secreta de d’Annunzio, de Tom Antongini. São Paulo: Nacional, 1939.



As grandes cartas da história, desde a Antiguidade até os nossos dias, de M. Lincoln Schuster. São Paulo: Nacional, 1942.



Um espírito que se achou a si mesmo, de Clifford Whittingham Beers. São Paulo: Nacional, 1942 (com sucessivas reedições e reimpressões).



A aversão sexual no casamento: como se forma, como combatê-la, de Theodoor H. van de Velde. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1953.



Reflexões sobre os Estados Unidos, de Jacques Maritain. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.



Vide também "manuel bandeira tradutor, ilustrado I", aqui; "manuel bandeira tradutor, ilustrado II", aqui, e "manuel bandeira tradutor, ilustrado III",  aqui.

8 de jun. de 2016

manuel bandeira tradutor, ilustrado III

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. 

Romance:

O calendário, de Edgar Wallace. São Paulo: Nacional, 1934.



O tesouro de Tarzan, de Edgar Rice Borroughs. São Paulo: Nacional, Coleção Terramarear, 1934 (com sucessivas reedições).



Nômades do Norte, de James Oliver Curwood. São Paulo: Nacional, 1935.



Tudo se paga, de Elinor Glyn. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935 (com sucessivas reedições). Aqui, imagem de capa da edição de 1956, já na Biblioteca das Moças:



Mulher de brio, de Michael Arlen. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, [19--]. Não localizei imagem de capa. O original se chama Green Hat, mas foi adaptado com grande sucesso para o cinema em 1928 como A Woman of Affairs, estrelado por Greta Garbo, e lançado no Brasil com o nome de Mulher de brio. Sem dúvida foi esta a razão de se adotar o título brasileiro do filme para o livro.



Minha cama não foi de rosas: diário de uma mulher perdida, de O.W. [Marjorie Erskine Smith]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Biblioteca da Mulher Moderna, 1936.



Aventuras maravilhosas do Capitão Corcoran, de Alfred Assolant. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições).



Gengis-Khan, de Hans Dominik. São Paulo: Nacional, 1936.



O túnel transatlântico, de Bernhard Kellermann. São Paulo: Nacional, 1938.



Seu único amor, de Elino Glyn. São Paulo: Nacional, 1948 (com sucessivas reedições). Aqui, imagem de capa da edição de 1956, já na Biblioteca das Moças:



A prisioneira, de Marcel Proust. Porto Alegre: Globo, 1951. Em cotradução com Lourdes Sousa de Alencar (com sucessivas reedições).



Vide também "manuel bandeira tradutor, ilustrado I", aqui, e "manuel bandeira tradutor, ilustrado II", aqui.

manuel bandeira tradutor, ilustrado II

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. 

 Teatro:

O fazedor de chuva, Richard Nash (1957, inédita em livro). [Sobre o espetáculo, vide aqui. Abaixo, imagem do programa da peça]



Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu (1958, inédita em livro).

A casamenteira, de Thornton Wilder (1959, inédita em livro).

D. João Tenório, de José Zorrilla. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1960. Infelizmente a foto da capa está cortada.



• Pena ela ser o que é, de John Ford (1964, inédita em livro).

O advogado do diabo, de Morris West (1964, inédita em livro).

Juno e o pavão, de Sean O’Casey. São Paulo: Brasiliense, 1965.



Os verdes campos do Éden, de Anônio Gala. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



A fogueira feliz, de Martín Descalzo. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



Edith Stein na câmara de gás, de Gabriel Cacho. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



A máquina infernal, de Jean Cocteau. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1967.



O círculo de giz caucasiano, de Bertold Brecht. São Paulo: Cosac Naify, 2002.



Vide também "Manuel Bandeira tradutor, ilustrado I", aqui.

manuel bandeira tradutor, ilustrado I

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições.

  Poesia e teatro em verso:
Poemas traduzidos, Rio de Janeiro: Revista Acadêmica, 1945; 2. ed. aumentada. Porto Alegre: Livraria Globo, 1948; 3. ed. revista e aumentada. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Rubaiyát, 1956; 4. ed., 1976; Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966 (a partir de 1966, com sucessivas reedições pela Ediouro e nas reedições e reimpressões de Estrela da vida inteira); Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.  Abaixo, imagens das edições da Revista Acadêmica, 1945, e da Globo, 1948:



Maria Stuart, de Schiller. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Coleção Obras Imortais, 1, 1955; Rio de Janeiro: Tecnoprint, [197-]; São Paulo: Abril Cultural, 1983 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso1). Abaixo, imagens das edições da Civilização em 1955 e em 1958:



Auto Sacramental do Divino Narciso, de Soror Juana Inés de la Cruz. In: BANDEIRA, Manuel. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1 ( 2. ed. em Estrela da tarde, 1963).


Macbeth, de Shakespeare. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Rubaiyát, 1961. São Paulo: Brasiliense, 1989 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1, e com sucessivas reedições pela Brasiliense). Abaixo, imagem de capa na Coleção Rubaiyát, 1961:



Mireia, de Frédéric Mistral. Rio de Janeiro: Delta, 1962.





Prometeu e Epimeteu, de Carl Spitteler. Rio de Janeiro: Delta, 1963. 2. ed. Rio de Janeiro: Ópera Mundi, 1971.



Rubaiyat, de Omar Khayyam. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1965 (com sucessivas reedições e reimpressões). [Nota: Na verdade, foi lançada originalmente pela BUP, em 1964 - DB]



Poesias escolhidas, de Juan Ramón Jiménez. In: JIMÉNEZ, Juan Ramón. Platero e eu. Rio de Janeiro : Delta, 1969.

•  Torso arcaico de Apolo, de Rainer Maria Rilke. Salvador: Dinamene, [197-]. Vale a pena ler o artigo de Ivo Barroso sobre o poema de Rilke e a tradução de Bandeira, aqui.

Alguns poemas traduzidos. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Sabor Literário, 2007.