18 de abr. de 2016

arte do direito

o famoso jurista italiano francesco carnelutti escreveu em espanhol seu pequeno clássico chamado arte del derecho, publicado em 1948. somente em 1949 é que sai sua versão em italiano, arte del diritto.



em 1957, a soteropolitana livraria progresso editora publica a arte do direito na tradução de manuel pinto de aguiar (agradeço a imagem de capa a saulo von randow júnior).


em 2001 a obra volta a ser publicada entre nós, em duas traduções diferentes, a de hebe caletti marenco,* pela extinta edicamp, de campinas, e a de ricardo rodrigues gama, pela editora bookseller, também de campinas. ambas conheceram algumas reimpressões e reedições.



o curioso é que, em 2005, a bookseller substitui a tradução de ricardo rodrigues gama por outra, em nome de paolo capitanio, acrescentando o artigo "a": a arte do direito. a tradução de gama, por sua vez, a partir de 2006 passa a ser publicada por uma terceira editora campineira, a russell. também nestes dois casos, ambas conheceram algumas reimpressões e reedições, sendo a mais recente a edição digital da russell em 2013.



ora, é no mínimo surpreendente constatar a absoluta identidade entre a tradução de ricardo rodrigues gama e a de paolo capitanio, inclusive em suas frases atrozes e às vezes até ininteligíveis. veja-se abaixo (para a tradução de gama, sigo a edição digital de 2013):


ricardo rodrigues gama:
Finalmente adverti que estudar o direito e a arte significa atacar a partir dos dois lados diversos o mesmo problema. Por desconcertante que seja esta afirmação, chegou para mim o momento de fazê-lo. O mesmo problema, digo, conforme o perfil da função e a estrutura.

A arte, como o direito, serve para ordenar o mundo. O direito, como a arte, tem uma ponte do passado para o futuro. O pintor, quando escrutava o rosto de minha mãe para pintar o retrato que, mais que qualquer outra obra, mostrou-me o segredo da arte, não fazendo mais do que adivinhar. E o juiz, quando escruta no rosto do acusado a verdade de sua vida para saber o que a sociedade deve fazer dele, não faz mais do que adivinhar. A dificuldade e a nobreza, o tormento e o consolo do direito, como da arte, não podem representar-se melhor do que com essa palavra! Adivinhar indica a necessidade e a impossibilidade do homem ver o que vê somente Deus.

Embora eu sinta profundamente a verdade dessa ideia, não me ocultam as dificuldades assim como os perigos, que apresenta sua explicação. Mas dificuldades e perigos fazem-me sempre tentado. E me seduz, ante tudo, o desejo de dedicar aos juristas da América Latina e a suas Faculdades de direito (de onde nossos irmãos de que, nós europeus, continuamos chamando de novo mundo, unem-se com forças juvenis a nosso antigo trabalho) algumas páginas, que me há inspirado a eterna formosura do direito.

* * *
Peço desculpas pelo atrevimento de haver escrito estas páginas em espanhol, embora quase não conheça o idioma de Dom Quixote, sujeitando o manuscrito somente às correções ortográficas e gramaticais.

Há duas razões para esta temeridade. A primeira se refere ao perigo da tradução. Por imensas que sejam as condições e o cuidado do tradutor, uma perda da força expressiva é inevitável como uma dispersão na transformação da energia. Embora o estilo deste livrinho desgraçadamente não possa ser o de um espanhol, contudo, é o meu estilo.

Isto é verdade, mas não toda a verdade. Devo insistir, sob pena de não ser sincero, que havendo começado a escrever em espanhol por exercício e continuado por prazer. Algo semelhante ocorreu-me quando, encontrava-me refugiado na Suíça, em 1944, escrevi La Guerre e la Paixs [sic]. Não se pode contar facilmente tal aventura. Sente-se como uma expansão da personalidade. Milagre da palavra! Não tão somente se fala sem pensar senão que não podemos pensar mais que falando. Enquanto não se encarna, o pensamento não é tal pensamento. Pois não tanto se fala quando se pensa espanhol. Agora quem conhece a voluptuosidade do pensar compreende a tentação.

Posto que não soube resistir, pequei. E para apagar o pecado não há mais que dois meios: a pena e o perdão.

paolo capitanio:
Finalmente adverti que estudar o direito e a arte significa atacar a partir dos dois lados diversos o mesmo problema. Por desconcertante que seja esta afirmação, chegou para mim o momento de fazê-lo. O mesmo problema, digo, conforme o perfil da função e a estrutura.
A arte, como o direito, serve para ordenar o mundo. O direito, como a arte, tem uma ponte do passado para o futuro. O pintor, quando escrutava o rosto de minha mãe para pintar o retrato que, mais que qualquer outra obra, mostrou-me o segredo da arte, não fazendo mais do que adivinhar. E o juiz, quando escruta no rosto do acusado a verdade de sua vida para saber o que a sociedade deve fazer dele, não faz mais do que adivinhar. A dificuldade e a nobreza, o tormento e o consolo do direito, como da arte, não podem representar-se melhor do que com essa palavra! Adivinhar indica a necessidade e a impossibilidade do homem ver o que vê somente Deus.

Embora eu sinta profundamente a verdade dessa ideia, não me ocultam as dificuldades assim como os perigos, que apresenta sua explicação. Mas dificuldades e perigos fazem-me sempre tentado. E me seduz, ante tudo, o desejo de dedicar aos juristas da América Latina e a suas Faculdades de Direito (de onde nossos irmãos de que, nós europeus, continuamos chamando de novo mundo, unem-se com forças juvenis a nosso antigo trabalho) algumas páginas, que me tem inspirado a eterna formosura do direito.

* * *
Peço desculpas pelo atrevimento de haver escrito estas páginas em espanhol, embora quase não conheça o idioma de Don Quijote, sujeitando o manuscrito somente às correções ortográficas e gramaticais.

Há duas razões para esta temeridade. A primeira se refere ao perigo da tradução. Por imensas que sejam as condições e o cuidado do tradutor, uma perda da força expressiva é inevitável como uma dispersão na transformação da energia. Embora o estilo deste livrinho desgraçadamente não possa ser o de um espanhol, contudo, é o meu estilo.

Isto é verdade, mas não toda a verdade. Devo insistir, sob pena de não ser sincero, que havendo começado a escrever em espanhol por exercício e continuado por prazer. Algo semelhante ocorreu-me quando, encontrava-me refugiado na Suíça, em 1944, escrevi La Guerre e la Paixs [sic]. Não se pode contar facilmente tal aventura. Sente-se como uma expansão da personalidade. Milagre da palavra! Não tão somente se fala sem pensar senão que não podemos pensar mais que falando. Enquanto não se encarna, o pensamento não é tal pensamento. Pois não tanto se fala quando se pensa espanhol. Agora quem conhece a voluptuosidade do pensar compreende a tentação.

Posto que não soube resistir, pequei. E para apagar o pecado não há mais que dois meios: a pena e o perdão.

já mencionei o caso de a luta pelo direito de rudof von ihering, onde se constata uma bizarra identidade entre a antiga tradução de tavares bastos (1909) e a atribuída a ricardo rodrigues da gama, publicada em 2004 pela editora russell (ver aqui). no caso presente de arte do direito, se a tradução de gama lançada pela russell em e-book em 2013 for a mesma que a bookseller publicou em 2001, teríamos aí que a atribuição de sua autoria a paolo capitanio, em 2005, é que é indevida. 

outro aspecto a ser considerado é que ambos, além de serem autores de obra jurídica própria, constam como tradutores de vários textos relacionados ao direito, além deste de carnelutti. quase inevitavelmente, o leitor fica a se indagar sobre a possibilidade de eventuais outras irregularidades no que tange às traduções publicadas em seus nomes, tanto pela bookseller quanto pela russell.





em tempo: apenas para concluir a listagem das traduções brasileiras de arte do direito, cabe assinalar a edição da pillares em tradução de amilcare carletti, em 2007.







*diga-se de passagem que hebe marenco, em outra ocasião, sofreu apropriação indevida de sua tradução de metodologia jurídica, de savigny, publicada pela edicamp em 2001. veja aqui.

16 de abr. de 2016

a luta pelo direito




a mais recente edição brasileira do clássico das letras jurídicas, a luta pelo direito, de rudolf von ihering, lançada pela editora russell em versão impressa em 2004 e em e-book em 2013, em tradução atribuída a ricardo rodrigues gama, traz claros sinais de ser uma reprodução da provecta tradução de josé tavares bastos, feita a partir da tradução espanhola e publicada em 1909, com prefácio de clóvis bevilácqua e extenso prefácio do tradutor espanhol. essa primeira edição de 1909 está disponível  aqui, e o texto com grafia atual se encontra aqui

transcrevo os parágrafos iniciais da obra, comparando os dois textos. as poucas alterações na tradução atribuída a ricardo rodrigues gama estão destacadas em negrito.

Tradução de José Tavares Bastos (1909):
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma ideia prática, isto é, designa um fim, e, como toda a ideia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz.
Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma das suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que
a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça.
A ideia do direito encerra uma antítese que se origina nesta ideia, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo. Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica uma perturbação, uma negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; a contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo.
Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça.
A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua ideia.
Todo direito no mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor foi indispensável impô-los pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo o direito, tanto o de um povo, como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo.
O direito não é uma ideia lógica, porém ideia de força; é a razão porque a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força dispendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança.
Tradução em nome de Ricardo Rodrigues Gama (2004, aqui na versão e-book de 2013):
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma ideia prática, isto é, designa um fim, e, como toda [] ideia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz.
Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma de suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que
a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça.
A ideia do direito encerra uma antítese que se origina nesta concepção, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo.
Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica [] perturbação, [] negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; ao contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo.
Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça.
A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua ideia.
Todo o direito do mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor tiveram de ser impostos pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo [] direito, tanto o de um povo como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo.
O direito não é uma ideia lógica, porém ideia de força; é a razão por que a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força despendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança.

não é a primeira vez que isso acontece com a tradução de tavares bastos. até onde sei, sofreu anteriormente pelo menos duas apropriações espúrias: pela editora pillares, com a autoria da tradução atribuída a ivo de paula, e pela editora rideel, com a autoria da tradução atribuída a heloísa da graça buratti (felizmente, a rideel reconheceu a fraude e retirou a obra de circulação). para mais dados e notícias sobre a luta pelo direito no brasil, veja aqui.

voltando ao caso da russell, seguem-se algumas capturas de tela da visualização disponível aqui:






































aqui na tradução de tavares bastos, disponível aqui:

A Luta pelo Direito
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma idéia prática, isto é, designa um fim, e, como toda a idéia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz. Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma das suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça. A idéia do direito encerra uma antítese que se origina nesta idéia, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo. Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica uma perturbação, uma negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; a contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo. Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça. A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua idéia. Todo direito no mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor foi indispensável impô-los pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo o direito, tanto o de um povo, como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo. O direito não é uma idéia lógica, porém idéia de força; é a razão porque a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força dispendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança. O direito é o trabalho sem tréguas, e não somente o trabalho dos poderes públicos, mas sim o de todo o povo. Se passarmos um golpe de vista em toda a sua história, esta nos apresenta nada menos que o espetáculo de uma nação inteira despendendo ininterruptamente para defender o seu direito penosos esforços, como os que ela emprega para o desenvolvimento de sua atividade na esfera da produção econômica e intelectual. Todo aquele que tem em si a obrigação de manter o seu direito, participa neste trabalho nacional e contribui na medida de suas forças para a realização do direito sobre a terra. Sem dúvida, este dever não se impõe a todos na mesma proporção. Milhares de homens passam sua vida de modo feliz e sem luta, dentro dos limites fixados pelo direito, e, se lhes fôssemos dizer, falando-lhes da luta pelo direito, — que o direito é a luta, não nos compreenderiam, por-que o direito foi sempre para eles o reino da paz e da ordem. Sob o ponto de vista de sua experiência pessoal, têm toda a razão; procedem como todos os que, tendo herdado ou tendo conseguido sem esforço o fruto do trabalho dos outros, negam esta proposição: — a propriedade é o trabalho. O motivo desta ilusão está nos dois sentidos em que encaramos a propriedade e o direito, podendo decompor-se subjetivamente de tal modo que o gozo e a paz estejam de um lado, a luta e o trabalho noutro. Se interpelássemos aqueles que o encaram sob este último aspecto, certamente nos dariam uma resposta em contrário. O direito e a propriedade são semelhantes à cabeça de Jano, têm duas caras; uns não podem ver senão um dos lados, outros só podem ver o outro, daí resultando o diferente juízo que formam do assunto. O que temos dito do direito, aplica-se não somente aos indivíduos, mas sim às gerações inteiras. A paz é a vida de umas, a guerra a de outras, e os povos como os indivíduos estão, em conseqüência desse modo de ser subjetivo, expostos ao mesmo erro; e, embalados em um belo sonho de uma longa paz, cremos na paz perpétua, até o dia em que troe o primeiro tiro de canhão, vindo dissipar nossas esperanças, ocasionando com tal mudança o aparecimento duma geração, posterior à que vivera em deliciosa paz, que se agitará em constantes guerras, não desfrutando um só dia sem tremendas lutas e rudes trabalhos. No direito como na propriedade, assim se par-tilham o trabalho e o gozo sem que sofra entretanto a sua correlação o menor prejuízo. Se viveis na paz e na abundância, deveis ponderar que outros têm lutado e trabalhado por vós. Se se quiser falar da paz sem a luta, do gozo sem o trabalho, torna-se mister pensar nos tempos do Paraíso, porque nada se conhece na história que não seja o resultado de penosos e contínuos esforços. Mais além desenvolveremos o pensamento de que a luta está para o direito, como o trabalho para a propriedade; e que, atendendo-se à sua necessidade prática e à sua dignidade moral, deve ser colocado inteiramente na mesma linha. Vimos assim retificar uma lacuna da qual com razão se acusa a nossa teoria, e não somente a nossa filosofia do direito, como também a nossa jurisprudência positiva. Observa-se facilmente que a nossa teoria se ocupa muito mais com a balança do que com a espada da justiça. A estreiteza do ponto de vista puramente científico com que se encara o direito e que é onde se ostenta menos o seu lado real, como idéia de força, do que pelo seu lado racional, como um conjunto de princípios abstratos, tem dado, julgamos, a todo esse modo de encarar a questão, uma feição que não está muito em harmonia com a amarga realidade. A defesa da nossa tese o provará. O direito contém, como é sabido, um duplo sentido; — o sentido objetivo que nos oferece o conjunto de princípios de direito em vigor; a ordem legal da vida, e o sentido subjetivo, que é, por assim dizer, — o precipitado da regra abstrata no direito concreto da pessoa. Nessas duas direções o direito depara com uma resistência que deve vencer, e, em ambos os casos, deve triunfar ou manter a luta. Por mais que nos tenhamos proposto tomar diretamente como objeto de estudo o segundo desses dois pontos de vista, não devemos deixar de estabelecer, em consideração ao primeiro, que a luta, como dissemos anteriormente, é da própria essência do direito. Para o Estado que quer manter o domínio do direito é este um assunto que não exige prova al-guma. O Estado não pode conseguir manter a ordem legal, sem lutar continuamente contra a anarquia que o ataca. Entretanto a questão muda de aspecto se se trata da origem do direito e se estuda: ou a sua origem sob o ponto de vista histórico, ou a constante e contínua renovação que nele se opera todos os dias sob as nossas vistas, tal como a supressão de títulos em vigor, a anulação de artigos de leis que também estão em vigor, em uma palavra o progresso e o direito.


17 de fev. de 2016

mais primavera!

sérgio karam gentilmente avisa de mais duas traduções feitas por primavera das neves/ vera pedroso:

um momento muito longo, de silvina bullrich, pela expressão e cultura, 1970 (como vera pedroso). devo a imagem de capa à enorme gentileza de saulo von randow jr.:



detetives muito particulares, de pablo leonardo moledo, pela francisco alves, 1979 (como vera neves pedroso):



há um artigo meu recuperando o perfil tradutório de primavera das neves: "de primavera das neves a vera pedroso: um perfil", aqui.

29 de jan. de 2016

leituras V: a confusão dos sentimentos

zoran ninitch, excêntrica figura sobre a qual devo a mim mesma um artigo, fez em 1934 uma bela tradução (a primeira) de a confusão dos sentimentos, de stefan zweig, interessante novela psicológica sobre a homossexualidade.



elias davidovich, muito importante na área tradutória e com sólido trabalho de divulgação das obras de freud e zweig no brasil, fez outra tradução de a confusão dos sentimentos. sua primeira edição não traz data, mas calculo que seja não muito posterior (c.1937-38; será reeditada em 1942). devo dizer que fiquei bastante decepcionada.



surpreendeu-me o paradoxo: um pobre expatriado com visíveis problemas psicológicos como ninitch, por vezes cortejando ou mesmo adotando práticas próprias de um vigarista, que certamente deu e levou várias trombadas em e de davidovich, figura séria e de respeitável relevo em nossa história editorial, supera-o em muito em termos de capacidade e qualidade tradutória, pelo menos neste caso em pauta.

leituras IV: a letra escarlate

surpreendeu-me a qualidade de a letra escarlate, de nathaniel hawthorne, na tradução de sodré viana (1942). o texto elaborado e sofisticado de hawthorne parece ganhar novas ressonâncias às mãos de seu tradutor, com cuidadosa transposição de sua densidade original.




leituras III: o fauno de mármore

uma decepção foi ler a tradução o fauno de mármore, de nathaniel hawthorne, na tradução do escritor e crítico constantino paleólogo, que saiu em 1952 pelas edições o cruzeiro.


baste um exemplo:
"Oh, hush!" cried Hilda, shrinking from him with an expression of horror which wounded the poor, especulative sculptor to the soul.
- Oh, cale-se! exclamou Hilda afastando-se com uma expressão de horror que ferira a pobre e especulativa escultura da alma.

vide "nathaniel hawthorne no brasil", na revista belas infiéis, da unb, aqui, e "o quinteto da renascença americano no brasil", nos cadernos de tradução da ufsc, aqui.

leituras II: tonio kröger

sobre a primeira tradução de tonio kröger no brasil, assinada por uma misteriosa "charlotte von orloff", estou lendo o texto e só posso dizer, sendo caridosa, que é um tanto tosco.

























veja o histórico tradutório de thomas mann no brasil aqui.

27 de jan. de 2016

leituras I: mário e o mágico

hoje recebi meu exemplar de mário e o mágico, de thomas mann, em edição de 1934 que foi, se não a primeira, uma das primeiras a trazer mann em livro com tradução brasileira. foi traduzido por zoran ninitch e publicado pela editora machado & ninitch, do rio de janeiro, numa tiragem de 1.705 exemplares.

o pobre exemplar está bem depauperadinho. é um voluminho pequeno, de 11 x 16,5cm, ilustrado com desenhos que parecem ser a bico de pena (não consegui identificar o nome do ilustrador na capa - atualização: avisa mário frungillo nos comentários: é gloria maria), com 128 páginas e refilamento um pouco irregular. veio sem capa nem contracapa, mas reproduzo aqui uma imagem gentilmente fornecida por mario luiz frungillo, que já publiquei anteriormente:



eis a página de rosto:



por ora, li apenas alguns trechos, e a tradução não sei se é adequada ou correta, mas o texto é bonito, elegante e escorreito. chega a surpreender.


23 de jan. de 2016

tolstói no brasil



saiu a belas infiéis v. 4, n.3 (2015), revista do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb, com vários artigos interessantes. na seção "arquivos", está meu artigo sobre a tolstoiana brasileira, disponível aqui.

19 de jan. de 2016

"klaus von puschen"

esse não chega a ser um enigma nem nada tão interessante quanto os três nomes dos três posts anteriores. mas o tal "klaus von puschen" tem voltado à tona nas livrarias e em matérias da imprensa como suposto tradutor de mein kampf para a editora centauro.

outras traduções assinadas por esse schucrutten einsbein são:
  • max weber, história geral da economia
  • marx e engels, o manifesto comunista de 1848 e cartas filosóficas
  • marx, o capital (edição compacta)
  • marx, a origem do capital: a acumulação primitiva
  • marx, o capítulo VI inédito de o capital

para retomar a avaliação das edições da centauro, creio que vale a pena dar uma conferida do weber chucrutiano com a edição publicada em 1968 pela extinta mestre jou, em tradução de calógeras pajuaba.






17 de jan. de 2016

"maria deling"

em 1958, a editora boa leitura tem um importante lançamento: um volume duplo contendo duas novelas de thomas mann, tônio kroeger/ a morte em veneza. a tradução vem assinada por "maria deling", sobre a qual não encontrei a mais remota referência em todos os canais e fontes de consulta que costumo utilizar, a não ser o referido crédito de tradução desse volume para a boa leitura. parece-me bizarro, isso. posteriormente essa tradução de "maria deling" foi relançada pela hemus e, em enormes tiragens e reimpressões, pela abril cultural, em sua coleção de imortais da literatura universal.


 aqui, minha sugestão de pesquisa a algum graduando em seu TCC seria fazer um bom cotejo entre o tonio kröger lançado pela guanabara em 1934, com tradução em nome de outra figura misteriosa, "charlotte von orloff" (ver aqui), e com a morte em veneza, também lançado pela guanabara em 1934, em tradução de moysés gikovate (e eventualmente talvez também com a morte em veneza lançada pela flama em 1944, na tradução de lívio xavier). nessa casa de apostas que virou o não gosto de plágio nestas três últimas postagens, eu colocaria minhas fichas em algum tipo de contrafação.

atualização: retiro minha sugestão acima. constatei pessoalmente: a tradução de tonio kröger em nome de maria deling é bonita, elegante, e não guarda nenhuma relação com o tosco texto de "charlotte von orloff."

"otto silveira"



outro misterioso tradutor de thomas mann é um certo "otto silveira", assinando aquela que é a primeira tradução brasileira de a montanha mágica. o livro saiu pela editora panamericana, aparentemente já nascido como uma segunda edição em 1943. veja "um mann meio estropiado", aqui (ainda que omissões e mutilações não fossem raras naquela época - vide, por exemplo, o curioso caso dos irmãos karamazoff aqui).

não me espantaria muito se algum diligente mestrando ou doutorando, dispondo-se a avaliar meticulosamente essa primeira montanha mágica entre nós e a examinar com bom olho analítico as traduções feitas por otto schneider, concluísse que, na verdade, "otto silveira" e otto schneider são a mesma pessoa.

atualização em 18/12/2017: a hipótese foi confirmada por gentileza de théo amon [vide comentários], a quem agradeço vivamente, com a indicação documental comprobatória aqui.


16 de jan. de 2016

"charlotte von orloff"

apenas para não esquecer: alguma hora valeria a pena tentar elucidar quem é "charlotte von orloff", a meu ver nome retumbando sonoramente a pseudônimo. com exíguo histórico tradutório, "charlotte von orloff" assina as seguintes traduções: karl may, na região dos bandoleiros, globo, 1933; thomas mann, tonio kröger, guanabara, 1934; e stefan zweig, leporella (novellas) [contém, além de "leporella", "a collecção invisivel", "episodio no lago de genebra" e "buchmendel"], guanabara, 1935.

 





se eu tivesse de apostar minhas fichas, eu arriscaria o nome de elias davidovich ou alguém muito próximo a ele.


3 de jan. de 2016

zweig, ninitch e medeiros e albuquerque


gosto do formato de crônica ou de estudo de caso bem condensado ("micro-história", diriam alguns) porque certos episódios históricos parecem constituir nós ou entrelaçamentos resultantes de convergências muito singulares. e gosto desse trabalho de destrinçamento dos fios que, reunindo-se intempestivamente ou inesperadamente, formaram aquela ocorrência histórica (aquele "acontecimento", diriam alguns).

o nó que atualmente ando querendo destrinçar parece quase apenas um fait divers, um pequeno fato avulso, pertencente ao capítulo das curiosas insignificâncias. e é o seguinte: medeiros e albuquerque assinou com seu nome algumas traduções de stefan zweig feitas por zoran ninitch.

este é o "fato". mas, se pararmos para pensar e tentarmos entender essa bizarrice, veremos que o pano de fundo é complicado, são muitas as perguntas e muitos os fatores envolvidos nessa simples ocorrência.

quem são os agentes ativos e passivos envolvidos nisso? medeiros e albuquerque e zoran ninitch, evidentemente, mas também stefan zweig, abraão koogan e a editora guanabara, e, conforme avançamos, também elias davidovich, gastão pereira da silva, odilon gallotti, freud, aurélio pinheiro, flores & mano, atlântida, unitas, calvino, pongetti. por que medeiros? por que ninitch? desde quando? a partir de que condições? com que finalidade? quais as consequências?

resumindo: por que traduções de zweig feitas por ninitch são publicadas como da lavra de ninguém menos que o grande defensor dos direitos autorais no brasil, que deu seu nome à primeira lei referente ao tema, contemplando especificamente também as obras de tradução, qual seja, a "Lei Medeiros e Albuquerque"? o que leva um insigne membro da academia brasileira de letras, importante parlamentar, autor expressivo, a ceder seu nome para uma fraude? o que aconteceu, em suma?

e quanto mais tento entender, mais intrincado parece ser este nó, mais interesses parecem estar envolvidos, mais atritos e conflitos parecem se enfrentar, mais circunstâncias pessoais, econômicas e ideológicas parecem se entrecruzar.


2 de jan. de 2016

goethe traduzido no brasil III: afinidades e wilhelm meister

quanto às afinidades eletivas, temos três traduções:
  • conceição g. sotto maior, para a pongetti, em 1948, em sua coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", reed. edições de ouro; ediouro;
  • erlon josé paschoal, para a nova alexandria, em 1992;
  • tércio redondo, para a penguin-companhia, 2014

quando a wilhelm meister, dispomos de os anos de aprendizado de wilhelm meister, em tradução de nicolino simone neto, para a ensaio, 1994, reed. editora 34 (2006).


22 de dez. de 2015

russos no brasil - algumas retificações

a partir de material documental que me foi gentilmente enviado pelo historiador dainis karepovs, tem-se a comprovação de que os três primeiros lançamentos da bibliotheca de auctores russos contaram com a colaboração de fúlvio abramo na tradução. as obras são três volumes de contos, a saber: konovaloff, de górki (1930), os inimigos e pavilhão no. 6, ambos de tchecov (1931).

esses documentos trazem à tona dados que invalidam algumas afirmações que fiz, ainda que com ressalvas, no artigo "georges selzoff: uma crônica", (tradução em revista, 14, aqui) e na "bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950)" (rus, 3, aqui), bem como a especificação exata de algumas datas de publicação. assim, redigi um breve texto, "bibliografia russa - breves notas complementares", que foi lançado recentemente na rus, 5, disponível aqui.

4 de dez. de 2015

apca 2015

o vencedor do prêmio de tradução pela associação paulista de críticos de arte (apca) em 2015 foi marco syrayana de pinto, com paisagens humanas do meu país, de nâzim hikmet (editora 34). parabéns!

22 de nov. de 2015

jabuti 2015

as traduções vencedoras do jabuti de 2015 foram:

1o. lugar: spinoza, obra completa, 4 vols., trad. jacó guinsburg e newton cunha
2o. lugar: vassili grossman, vida e destino, trad. irineu franco perpétuo
3o. lugar: schopenhauer, o mundo como vontade e representação, suplementos, 2 vols., trad. eduardo ribeiro da fonseca

viva, parabéns a todos!

25 de out. de 2015

poesia traduzida no brasil (1965-2004)

transcrevo abaixo o fabuloso levantamento bibliográfico de john milton sobre a tradução de poesias no brasil entre 1965 e 2004. o artigo completo está disponível aqui.

naturalmente, como todo ambicioso levantamento, há várias lacunas, que esperamos poderem ser completadas no decorrer do tempo e com a contribuição de outros pesquisadores. desde já, cabe acrescentar o torso e o gato - o melhor da poesia universal, admirável antologia em seleção, organização e tradução de ivo barroso (record, 1991), bem como os gatos, de t.s.eliot, também em tradução de ivo barroso (nórdica, 1991), que lhe valeu o prêmio jabuti de tradução daquele ano.*


Bibliography: Translations from English
Anthologies

CAMPOS, Augusto de. O Anticrítico. São Paulo, Companhia das Letras 1986. (Donne, Fitzgerald, Emily Dickinson, Carroll).
CAMPOS, Augusto de. Verso, Reverso, Controverso. São Paulo, Perspectiva, 1978. (Donne, Herbert, Carew, Suckling, Crawshaw, Marvell, Blake, Hopkins. Perspectiva).
CESAR, Ana Cristina. Escritos da Inglaterra. São Paulo, Brasiliense, 1988. (Emily Dickinson).
GRÜNEWALD, José Lino. Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988.
OLIVEIRA GOMES, Aila. Poesia Metafísica, Uma Antologia (Shakespeare, Donne, Herbert, Vaughan, Crashaw, Marvell, King, Quarles, Cowley, TS Eliot). São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
SILVA RAMOS, Péricles Eugênio de; VIZIOLI, Paulo. Poetas de Inglaterra. Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo, 1971. [1970 - db]
VIZIOLI, Paulo. Litertaura Inglesa Medieval. São Paulo, Nova Alexandria., 1988.
WANDERLEY, Jorge. Antologia da Nova Poesia Norte-americana. Rio de Janeiro, Civ. Brasileira, 1992.


Individual authors

AUDEN, W H., Poemas. Tr. João Moura Jr e José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1986.
BEOWULF. Beowulf. Tr. Ary González Galvão. São Paulo, Hucitec, 1982.
BISHOP, Elizabeth. Poemas. Tr.: Horácio Costa. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
BISHOP, Elizabeth. Poemas. Tr.: Paulo Britto. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.
BLAKE, William. Poesia e Prosa Selecionadas. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Ismael, 1984 (3ª edição)
BLAKE, William. Escritos de William Blake. Série Rebeldes Malditos. Tr. Alberto Marsicano & Regina de Barros Carvalho. Porto Alegre, L&PM, 1984
BLAKE, William. O Matrimônio entre o Céu e o Inferno e O Livro de Thiel. Tr: José Antonio Arantes. São Paulo, Iluminuras, 1995.
BLAKE, William. O Tygre. Tr. Augusto de Campos. Edição do autor, 1977.
BROWNING, Robert. O Flautista do Manto Malhado. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Musa, 1993.
BUKOWSKI, Charles. Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski. Tr. Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003.
BURNS, Robert. 50 Poemas, Luiza Lobo. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1994.
BYRON, Lord. Beppo: Uma História Veneziana. Paulo Britto. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989, 2003.
CAGE, John. De Segunda a um Ano. Tr: Augusto de Campos. São Paulo, Hucitec, 1985.
CHAUCER, Geoffrey. Contos de Cantuária. Tr Paulo Vizioli - apresentação de Contos da Cantuária. São Paulo, Queiroz, 1991.
COLERIDGE, Samuel Taylor. Coleridge - Poemas e Excertos da biografia literária. Tr Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1995.
CORSO, Gregory. Gasolina e Lady Vestal. Porto Alegre, L&PM, 1984. [trad. de eduardo bueno - db]
CORSO, Gregory. Cartas Extraviadas e outros poemas. Porto Alegre, L&PM [não entendi essa inclusão; este é o título do livro de martha medeiros - db]
CREELEY, Robert. Poemas. Tr. Regis Bonvicino. São Paulo, Ateliê, 1997.
CUMMINGS, E E. Dez Poemas de e.e. cummings. Rio de Janeiro, Serviço de Documentação, MEC, 1960. [trad. de augusto de campos - db]
CUMMINGS, E E. 20 POEM(A)S - E.E. CUMMINGS. Florianópolis, NoaNoa, 1979.  [trad. de augusto de campos - db]
CUMMINGS, E. E. e . e. cummings 40 POEM(A)S. Tr Augusto de Campos. São Paulo,
Brasiliense, 1986
CUMMINGS, E E. P O E M (A) S. Tr. Augusto de Campos, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1999.
DICKINSON, Emily. Emily Dickinson: uma centena de poemas. Tr. Ailá de Oliveira Gomes. São Paulo, Queiroz/EDUSP, 1985.
DONNE, John. O Poeta do Amor e da Morte. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Ismael, , 1985.
DONNE, John. John Donne, o Dom e a Danação. Tr. Augusto de Campos. Florianópolis, NoaNoa, 1978.
DURRELL, Lawrence. Poemas. Tr. Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Topbooks, 1995.
ELIOT, T S. TS Eliot, Poesia. Tr, Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981, 3a. ed.
ELIOT, T S. TS Eliot – Poemas 1910/1930. Tr. Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo, Massao Ohno, 1985.
ELIOT, T S. T S Eliot & Charles Baudelaire. Poesia em Tempos de Prosa. Tr. Lawrence Flores Pereira. São Paulo, Iluminuras 1996.
ELIOT T S. Quatro Quartetos. Tr. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1997.
ELIOT T S. T S Eliot, Emily Dickinson, René Dupestre, Seleção. Tr Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo, Hucitec 1992.
FERLINGHETTI, Lawrence. Um Parque de Diversões da Cabeça. Tr. Eduardo Bueno & Leonardo Fróes. Porto Alegre, L&PM, 1984.
GINSBERG, Allen. Uivo. Tr. Claudio Willer, Porto Alegre, L&PM, 1984.
GINSBERG, Allen. A Queda da América. Tr Paulo Britto. Porto Alegre, L&PM, 1985.
HEANEY, Seamus. Poemas. Tr. José Antonio Arantes. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.
HOPKINS, Gerald Manley. Poemas. Tr. Ailá de Oliveira Gomes. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.
HOPKINS, Gerald Manley. Hopkins: a Beleza Difícil. São Paulo, Perspectiva, 1997.
HUGHES, Ted. Cartas de Aniversário. Tr. Paulo Britto. Rio de Janeiro, Record, 2001.
JOYCE, James. Poemas, um tostão cada. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Iluminuras, 2001.
JOYCE, James. Música de Câmara. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Iluminuras, 1998.
KEATS, John. Poemas. Tr. Péricles Eugênio de Silva Ramos. Art Editora, São Paulo, 1985.
KEATS, John. Nas Invisíveis Asas da Poesia. Tr. Alberto Marsicano & John Milton. São Paulo, Iluminuras. 1998, 2a. ed. 2001.
KEATS, John. Ode a un Rouxinol e Ode sobre uma Urna. Tr. Augusto de Campos. Florianópolis: NoaNoa, 1984.
MILTON, John. Paraíso Perdido. Tr. Antônio José Lima Leitão. São Paulo, Martin Claret, 2003. [não entendo essa inclusão - db]
MOORE, Marianne. Poemas. Tr. José Antonio Arantes. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
PESSOA, Fernando. Poemas Ingleses. Tr. Philadelpho Menezes. São Paulo, Experimento, 1993.
PLATH, Sylvia. Poemas. Tr. Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo, Iluminuras, 1991, 2a. ed 1994.
PLATH, Sylvia. xxi poemas, Sylvia Plath. Tr. Deisa Chamahum Chaves, Ronald Polito de Oliveira. Mariana, Livre Impressão, 1994.
POE, Edgar Allan. “O Corvo” e suas traduções. Org. Ivo Barroso. Tr. Baudelaire, Mallarmé, Machado, Emílio de Meneses, Fernando Pessoa, Milton Amado, Alexei Bueno, Gondin de Fonseca, Benedito Lopes. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1998.
POPE, Alexander. Poemas. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1994.
POUND, Ezra. Os cantos. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986.
POUND, Ezra. Cantares de Ezra Pound. Tr. Augusto de Campos, D. Pignatari e H. de Campos. Rio de Janeiro, Serviço de Documentação, MEC, 1960.
POUND, Ezra. Poesia. Tr. Augusto de Campos, D. Pignatari, H. de Campos. J. L. Grünewald e M. Faustino. São Paulo, Hucitec, 1983.
SHAKESPEARE, William. 30 Sonetos. Tr. Ivo Barroso. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. 1991.
SHAKESPEARE, William. Sonetos. Tr Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1991, 2a. ed.
SHAKESPEARE, William. Sonetos de Shakespeare. Tr. Péricles Eugênio de Silva Ramos. Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
SHAKESPEARE, William. Sonetos ao Jovem Desconhecido. Tr Renata Cordeiro, São Paulo, Landy, 2003.
SHELLEY, Percy Bysshe. O Triunfo da Vida. Tr. Leonardo Froés. Rio de Janeiro, Rocco, 2001.
STEVENS, Wallace. Poemas. Tr. Paulo Henriques Britto. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.
THOMAS, Dylan. Poemas Reunidos 1934-63. Tr. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, José Olympio, 2003.
WALCOTT, Derek. Omeros. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
WHITMAN, Walt. Folhas das Folhas de Relva. Tr. Geir Campos. São Paulo, Brasilense, 1983, 3a. ed.
WHITMAN, Walt. Walt Whitman, Profeta da Liberdade. Tr. Irineu Monteiro. São Paulo, Martin Claret, São Paulo, 1984. [não entendo essa inclusão; trata-se de uma biografia do poeta escrita por irineu monteiro - db]
WHITMAN, Walt. Folhas da Relva. Tr. Ramsés Ramos. Brasília: Plana, 2001.
WILDE, Oscar. Balada do Cárcere de Reading. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1995.
WILLIAMS, William Carlos. Poemas. José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.
WORDSWORTH, William. William Wordsworth Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Mandacaru, 1988.
YEATS, W. B., Poemas de WB Yeats. Tr Péricles Eugênio da Silva Ramos. Art Editora, São Paulo, 1987.
YEATS, W. B., Poemas. Tr Paulo Vizioli. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
YEATS, W. B. Tudo que vive é sagrado, William Yeats & D H Lawrence. Tr Mário Alves Coutinho. Belo Horizonte: Crisâlida, 2001.


Translations from other languages
Anthologies

BUARQUE DE HOLANDA, Aurélio. Grandes vozes líricas hispano-americanas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.
CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de; SCHNAIDERMAN, Boris. Poesia Russa Moderna. São Paulo, Perspectiva, 1985.
GONÇALVES, Aguinaldo J.; ROCA, Juan. M. Antologia Poética Brasil / Colômbia. São Paulo, Edunesp, 1986.
GRÜNEWALD, José Lino. Poetas franceses do século XIX. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980.
JOZEF, Bella. Poesia Argentina 1940-1960. São Paulo, Iluminuras, 1999.
KOVADLOFF, Santiago. A Palavra Nômade - Poesia Argentina dos anos 70. Tr. Santiago Kovadloff. São Paulo, Iluminuras, 2001.
LARANJEIRA, Mário. Poetas de França Hoje (1945-1995). São Paulo, EDUSP.
PERLONGHER, Néstor (ed.) & BAPTISTA, Josely Vianna. Poesia neobarroca cubana e rioplatense. Néstor Perlongher (org), Tr Josely Vianna Baptista. São Paulo, São Paulo, Iluminuras, 2000.
PIGNATARI, Décio. 31 Poetas 214 Poemas: do Rig-veda e Safo a Apollinaire. São Paulo, Companhia das Letras, 1996.
PIGNATARI, Décio. Retrato do Amor Quando Jovem: Dante, Shakespeare, Sheridan, Goethe. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
YUN JUNG IM; MARSICANO, Alberto. O Pássaro que Comeu o Sol. Poesia Moderna da Coréia. São Paulo, Arte Pau Brasil, 1993.
ZULAR, Roberto; GALINDEZ JORGE, Verônica. Dois ao Cubo. Alguma Poesia Francesa Contemporânea. São Paulo, Olavobras, 2003.


Individual authors

AKHMATOVA, Anna. Poesia, Porto Alegre, L&PM, 1990. [?]
APOLLINAIRE, Guillaume. O Bestiário ou o Cortejo de Orfeu. Tr. Álvaro Faleiros. São Paulo, Iluminuras, 2000.
ARETINO. Sonetos Luxuriosos. Tr José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
BASHO. Matsuo. Trilha Estreita ao Confim. Tr. Alberto Marsicano e Kimi Takenaka. São Paulo, Iluminuras, 1997.
BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tr. Ivan Junqueira Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.
BAUDELAIRE, Charles Pequenos poemas em prosa. Tr. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1976. [de 1950 - db]
BAUDELAIRE, Charles. Flores do Mal. Tr Juremir Machado de Silva. Sulina: Porto Alegre, 1995.
BAUDELAIRE, Charles. As Flores de Mal. Tr. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2004. [fraude denunciada por ivo barroso em "flores roubadas de jardim alheio", aqui - db]
BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal. Tr Paulo de Carvalho Melo. São Paulo, Círculo do Livro, 1977.
[em 1964, mauro mendes villela publica sua tradução, algumas "flores do mal", pela bernardo álvares de belo horizonte - db]
BONNEFOY. Yves. Obra Poética. Tr.: Mário Laranjeira. São Paulo, Iluminuras, 1999.
BRECHT, Bertholt. Poemas 1913-1956. Tr Paulo Cesar Souza. Editora 34, 2000.
CARDENAL, Ernesto. As Riquezas Injustas. (Antologia Poética) São Paulo, Círculo do Livro 1975.
CATULO. O Livro de Catulo. Tr. João Angelo Oliva Neto. São Paulo, EDUSP, 1996.
CELAN, Paul. Cristal. Tr. Claudia Cavalcanti. São Paulo, Iluminuras. 1994. [poemas, seleção e tradução de flávio r. kothe, pela tempo brasileiro, 1977 - db]
CHAR, René. O Nu Perdido e outros poemas. Tr: Augusto Contador Borges. São Paulo, Iluminuras, 2001.
CORBIÈRE, Tristan. Os Amores Amarelos. Tr.: Marcos Antônio Siscar. São Paulo, Iluminuras, 1999.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr Cristiano Martins. São Paulo, Itatiaia.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr Flavio Alberti. Porto Alegre, L&PM, 2004. [fábio m. alberti; fraude licenciada pela nova cultural para a l&pm - db]
DANTE ALIGHIERI. A Divina Comédia. Tr Italo Eugênio Mauro (3 vols.). São Paulo, Editora 34, 1998.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr. Haroldo de Campos. São Paulo, Centro Italiano de Cultura.
ENZENSBERGER, Hans Magnus. Naufrágio do Titanic. Tr José Marcos Macedo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
GARCÍA LORCA, Federico. Romanceiro gitano e outros poemas. Tr. Oscar Mendes. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.
GARCÍA LORCA, Federico. Sonetos. Tr. William Agel de Melo. Caxias do Sul: Maneco, 1996.
GARCÍA LORCA, Federico. Federico García Lorca. Obra Poética Completa. Tr William Agel de Mello. São Paulo, Martins Fontes. 2002, 4a. ed.
GELMAN, Juan. Agora que serena, termina? Tr. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro, Record, 2001.
GEORGE, Stefan. Crepúsculo. Tr. Eduardo de Campos Valadares, São Paulo, Iluminuras, 1998.
GIRONDO, Oliverio. A Puplia do Zero – Em la masmédula. Tr. Régis Bonvicino. São Paulo, Iluminuras, 1999.
HOMERO. Odisséia. Tr Odorico Mendes. São Paulo, EDUSP, 1992. [não entendo essa inclusão - db]
HOMERO. Odisséia. Tr. Haroldo de Campos. Ilíada, Arx, 2001.
HORÁCIO. Odes e Épodos. Tr Bento Prado de Almeida Ferraz. São Paulo, Martins Fontes, 2003.
KHAYYAM, Omar.O Rubaiyat de Omar Khayyam. Tr. Manuel Bandeira. Rio de Janeiro, Ediouro sd.
KHAYYAM, Omar. Rubaiyat. Tr Eugênio Amado. Garnier, Rio de Janeiro, 1999. [?]
KAVÁFIS, Konstantinos. Poemas. Tr. José Paulo Paes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993.
JELHUN, Bem Tahan. As Cicatrizes do Atlas. Tr. Cláudia Fulluh Balduino Ferreira, Brasília: Universidade de Brasília, 2003.
JUAN DE LA CRUZ. Pequena Antologia Amorosa. Tr Marco Lucchesi. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2000.
SOR JUANA DE LA CRUZ. Letras sobre o espelho. Tr. Vera Mascarenhas de Campos. São Paulo, Iluminuras, 1989.
LAUTRÉAMONT, Conde de. Obra Completa. Tr: Claudio Willer. São Paulo, Iluminuras, 1998.
LI PO & TU FO. Poemas chineses de Li Po e Tu Fu. Tr. Cecília Meireles. Rio de Janeiro, Nova Fronteira 1996.
MAIAKÓVSKI, Vladimir. Poemas. Tr Boris Schnaiderman, Haroldo & Augusto de Campos. São Paulo, Perspectiva, 7a. ed., 2003.
MALLARMÉ, Stéphane. Poemas. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.
MALLARMÉ, Stéphane. Mallarmé. Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari. São Paulo, Perspectiva, 1974.
MONTALE, Eugênio. Diário Póstumo. Tr. Geraldo Holanda Cavalvanti. Rio de Janeiro, Record, 1997. [Aqui há um equívoco: a tradução de Diário Póstumo, na verdade, é de Ivo Barroso. Geraldo Holanda Cavalcanti traduziu, de Montale, Poesias** - db]
MICHELANGELO. Poemas. Tr Nilson Moulin. Rio de Janeiro, Imago, 1994.
MILOSZ, Czeslaw. Não Mais. Brasília: Universidade de Brasília. Coleção Poetas do Mundo, ed. Henryk Siewierski, 2002. [trad. de henryk siewierski e marcelo paiva de sousa - db]
MONTEJO NAJAS, Adolfo. Pedras Pensadas. Tr Sergio Alardes. São Paulo, Ateliê, 2002.
NERUDA, Pablo. Cem Sonetos do Amor. Porto Alegre, L&PM, 1990. [trad. de carlos nejar - db]
NERUDA, Pablo. Barcarola: Porto Alegre, L&PM, 1992. [trad. de olga savary - db]
NERUDA, Pablo. Presente de um Poeta. Tr. Thiago de Mello. São Paulo, Vergana e Ribas, 2001.
NERUDA, Pablo. Canto Geral. Tr Paulo Mendes Campos. 2002. Rio de Janeiro, Ed. Brasil, 2002. [difel, 1979 - db]
NERUDA, Pablo. Cadernos de Temuco. Tr Thiago de Mello. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, 2a. ed.
NERUDA, Pablo. Os Versos do Capitão. Tr Thiago de Mello. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil. 2003.
NERUDA, Pablo. Vinte Poemas de Amor. Tr Domingos Carvalho da Silva. José Olympio. 2a. ed., 2004.
OVÍDIO. Poemas de Carne e Exílio. Tr. José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1990
PÂVLOVITCH, Miodrag. Bosque da Maldição. Tr. Aleksander Jovanovic. Brasília: Universidade de Brasília, 2003.
PONGE, Francis. O Partido das Coisas. Tr. Ignacio Antonio Neis e Michel Peterson. São Paulo, Iluminuras, 1995.
PONGE, Francis. A Mesa. Tr. Ignácio Antônio Neis e Michel Peterson. São Paulo, Iluminuras, 1999.
PRÉVERT, Jacques. Poemas. Tr. Silviano Santiago. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000.
RILKE, Rainer Maria. Coisas e Anjos de Rilke. Tr. Augusto de Campos. São Paulo, Perspectiva, 2001.
RIMBAUD, Arthur. Gravuras Coloridas. Tr. Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo, Iluminuras, 1993.
SAFO DE LESBOS. Poemas e Fragmentos. Tr. Joaquim Brasil Fontes. São Paulo, Estação Liberdade, 1991.
SÉFERIS, Giórgos. Poemas. Tr. José Paulo Paes. São Paulo, Nova Alexandria [1995 - db].
SIJÔ. Sijô. Tr. Albeto Marsicano e Yun Jung Im. São Paulo, Iluminuras, 1994.
SOLOMON, Carl. De Repente, Acidentes. Porto Alegre, L&PM. [trad. de josé thomaz brum, 1985 - db]
TRAKL, George. De Profundis e outros poemas. Tr Claudia Cavalcanti. São Paulo, Iluminuras, 2000.
UNGARETTI, Giuseppe. Daquela estreita à outra. Tr. Haroldo de Campos & Aurora Bernardini. São Paulo, Ateliê, 2003.
UNGARETTI, Giuseppe. A Alegria. Tr. Geraldo Holand Cavalcanti. Rio de Janeiro, Record, 2003.
VILLON, François. Poesia. Tr. Sebastião Uchoa Leite. São Paulo, EDUSP [2000 - db]
VILLON, François. Villon, Testamento. Tr Afonso Felix de Souza. São Paulo, Itatiaia, 1987

* ver a saborosa crônica de ivo barroso a esse respeito aqui.
** para outros volumes de poemas traduzidos por geraldo holanda cavalcanti, ausentes deste levantamento, ver aqui.


23 de out. de 2015

as traduções revistas: uma sugestão de pesquisa

grande serviço prestaria à história da tradução no brasil quem se dispusesse a rastrear as origens e razões de tantas "traduções revistas" que por algumas décadas, sobretudo as de 1930 e 1940, pipocaram nos catálogos de diversas editoras.

aqui mesmo, neste blog, o eventual pesquisador já encontraria muito material primário para investigar, bem como algumas pistas e hipóteses já aventadas e trabalhadas.

22 de out. de 2015

dois artigos

vale a pena ler dois artigos de paulo henriques britto sobre tradução: "traduzir thomas pynchon", aqui, e em especial "tradução e ilusão", aqui.

19 de out. de 2015

a mulher de trinta anos, edições publicadas no brasil

la femme de trente ans, de balzac, até onde consegui apurar, teve as seguintes edições entre nós, aqui arroladas pela data da primeira edição:

- h. garnier, anônima, 1914
- livraria garnier, anônima, 1922
- civilização brasileira, anônima, 1931
- civilização brasileira (companhia editora nacional), anônima, 1937
- irmãos pongetti, anônima, revista por marques rebelo, 1943
- brand, licenciamento da pongetti, trad. anônima, revista por marques rebelo, 1945
- globo, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1946
- clube do livro, anônima, 1947
- josé olympio, trad. rachel de queiroz, 1948
- novo mundo, anônima, c. 1954
- tecnoprint, série ouro, trad. [atribuída a] marques rebelo, c. 1965
- bruguera, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, c.1970
- círculo do livro, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1973
- melhoramentos, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1973
- ed. três, anônima, 1974
- artenova, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1976
- edibolso, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1977
- l&pm, trad. paulo neves, 1984
- ediouro, trad. [atribuída a] marques rebelo, 1985
- abril cultural, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1986
- clube do livro, trad. [atribuída a] josé maria machado, 1988
- nova cultural, trad. [atribuída a] enrico corvisieri, 1995; ver aqui
- martin claret, trad. [atribuída a] pietro nassetti, 1998; ver aqui
- estação liberdade, trad. marina appenzeller, 2000
- nova cultural, trad. [atribuída a] gisele donat soares, 2003; ver aqui
- saraiva de bolso, trad. [atribuída a] marques rebelo, 2013
- martin claret, trad. herculano villas-boas, 2013
- biblioteca azul (globo), trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 2013
- companhia/penguin, trad. rosa freire d'aguiar, 2015

n.b.: as duas edições da garnier e as duas edições do clube do livro trazem o título de mulher de trinta anos, sem o artigo. as demais trazem o título de a mulher de trinta anos.

assim, temos ao todo seis traduções brasileiras de a mulher de trinta anos, sendo três no Novecentos e três a partir de 2000. quanto às anônimas, revistas por marques rebelo, atribuídas diretamente a ele e atribuídas a josé maria machado, enrico corvisieri, pietro nassetti e gisele donat soares, foram objeto de outras postagens, reunidas no marcador "la femme de trente ans".


18 de out. de 2015

mulher de trinta anos, uma hipótese promissora

um dos casos mais interessantes e engraçados em nossa história tradutória é, provavelmente, o percurso centenário d'a mulher de trinta anos, de balzac.

aqui exponho o que por ora é apenas uma hipótese de trabalho, qual seja, a tradução de luiz cardoso, publicada em 1906 pela guimarães de lisboa, teria sido usada no brasil pelas seguintes casas editoriais:
1. h. garnier em sua edição de 1914; reedição em 1922 pela livraria garnier, anônima2. civilização brasileira em 1931; reedição em 1937 em sua collecção S.I.P., idem3. irmãos pongetti em 1943, como "tradução revista por marques rebelo"4. brand com licenciamento da pongetti em 1945, idem5. clube do livro em 1947, anônima6. novo mundo em c.1954, idem7. edições de ouro desde os anos 1960, chegando à atual ediouro, agora atribuindo-a diretamente a marques rebelo8. clube do livro em 1988, agora atribuindo-a a josé maria machado9. nova cultural na coleção imortais da literatura em 1995, atribuindo-a a "enrico corvisieri"*10. nova cultural na coleção obras-primas em 2003, atribuindo-a a "gisele donat soares"*11. saraiva de  bolso em 2013, atribuindo-a diretamente a marques rebelo* nomes fictícios






para as relações de proximidade entre garnier, clube do livro e nova cultural (em suas duas edições com atribuições distintas), já disponho de alguns elementos interessantes. encomendei hoje um exemplar da guimarães, um da civilização e um da pongetti.

tenho já uma sub-hipótese à primeira vista quase escalafobética, mas com alguma plausibilidade, sobre o tipo das possíveis relações entre a edição da guimarães e a da garnier e até sobre a identidade do responsável por tais relações. mas vou preferir reunir dados mais concretos antes de aprofundá-la.


apenas para encerrar, vale lembrar que a martin claret, numa de suas costumeiras imposturas, preferiu garfar a tradução d'a mulher de trinta anos feita por casimiro fernandes e wilson lousada (bem como as notas e trechos do prefácio de paulo rónai), atribuindo-a ao indefectível pietro nassetti - vide aqui.

17 de out. de 2015

xavier de maistre / marques rebelo, II

recentemente, chamou-me a atenção o comentário de um leitor sobre o livro de xavier de maistre, voyage autour de mon chambre, traduzido como viagem à roda do meu quarto, com tradução atribuída a marques rebelo, que lhe pareceu similar à tradução lusitana de josé fernandes costa. expus o caso aqui,

na ocasião, comentei que, apesar de várias contrafações cometidas por rebelo na coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", que ele coordenava e dirigia para a editora irmãos pongetti nos anos 1940, "eu não tinha notícia de nenhuma tradução assinada diretamente por marques rebelo que, na verdade, consistisse em tradução alheia". 

fiquei de apurar melhor o caso. 

sim, o leitor tem razão: a tradução de viagem à roda do meu quarto, seguido de expedição notura à roda do meu quarto, de xavier de maistre, publicada pela pongetti em 1944 é, de fato, da lavra de fernandes costa, publicada em portugal em 1888 pela editora david corazzi, com apenas parcas e mínimas alterações.




todavia, a autoria da tradução não vem atribuída a marques rebelo. a edição não menciona o nome do tradutor, e informa somente que é uma "tradução revista por marques rebelo". poderíamos dizer que se trata provavelmente de uma contrafação, mas não de uma impostura.





ora, ocorre que em 1965 a tecnoprint, em sua coleção "clássicos de bolso" das edições de ouro, reeditou essa obra atribuindo a tradução diretamente a marques rebelo. muitas vezes a tecnoprint (e futura ediouro), ao reeditar obras dos catálogos de editoras extintas como a pongetti, preservava as informações da editora anterior, mas há também alguns casos em que essas suas reedições acabam substituindo a menção "tradução revista por fulano" por "tradução de fulano". esse volume das edições de ouro parece não ter conhecido grande sucesso, pois, até onde sei, não voltou a ser reeditado.

em 1989, certamente baseando-se na edição da tecnoprint, a estação liberdade voltou a republicar a tradução lusitana revista por marques rebelo diretamente atribuída a este último. a edição da estação liberdade pelo visto teve mais êxito do que a da tecnoprint, com nova edição em 2008.





resumindo: 
1. pelo que pude apurar depois de vários cotejos entre a edição da corazzi de 1888, a da pongetti de 1944, a do clube do livro de 1945 e a da estação liberdade de 1989, trata-se da mesma tradução lusitana oitocentista de fernandes costa, com, repito, paucíssimas alterações aqui e ali em suas edições brasileiras. 
2. a atribuição incorreta se iniciou em 1965, na tecnoprint, por alguma razão que desconheço, mais provavelmente por algum lapso de atenção do que por qualquer intuito criminoso. esse erro transitou para a estação liberdade, que, decerto tomando a atribuição na edição da tecnoprint por lícita e válida, reproduziu-a em suas edições posteriores.




a propósito ainda do destino da tradução de fernandes costa in terra brasilis: em 1946, dois anos depois do lançamento da pongetti, o clube do livro também lançou o mesmo texto. não traz qualquer menção ou crédito de tradução e segue fielmente a tradução portuguesa, apenas atualizando a ortografia.






agradeço a saulo von randow jr. pelo importante material de cotejo que gentilmente me enviou.