30 de set. de 2015

entrevista com maurício santana dias

em homenagem ao dia dos tradutores, o peixe-elétrico publicou em seu site a entrevista com maurício santana dias, sobre suas traduções dos poemas de pasolini e pavese. disponível aqui.

Maurício Santana Dias fala de Pasolini e Pavese


24 de set. de 2015

mais primavera!

o lindo de ir atrás das coisas nessa arqueologia da tradução no brasil (como alguém definiu certa vez esse nosso trabalho) é que, depois de começar, avançar e achar que mais ou menos cobriu tudo, sempre aparecem mais coisas. e é sempre um encanto, um deslumbramento. mais uma tradução da primavera das neves, aka vera neves pedroso, aka vera pedroso, esta escavada pelo chefe-arqueólogo-mor, jorge furtado:

JB, 22/10/1973, aqui


capinha:



para um perfil de primavera das neves, veja meu artigo aqui



20 de set. de 2015

xavier de maistre / marques rebelo

um leitor deste blog fez um comentário interessante, que muito me surpreendeu, aqui.

e por que me surpreendeu? porque, de modo geral, todas as apropriações de traduções alheias feitas pela editora pongetti, apresentando-as sem o nome do tradutor, vinham com a menção de "revista por marques rebelo". para ver os vários casos relacionados que apontei neste blog, consulte os marcadores "marques rebelo" e "pongetti".

todavia, eu não tinha notícia de nenhuma tradução assinada diretamente por marques rebelo que, na verdade, consistisse em tradução alheia.

apresentar uma tradução anônima como "revista por marques rebelo" e apresentar uma tradução como sendo da lavra "de marques rebelo" são coisas muito diferentes: embora ambas ilícitas, a primeira prática recai sob a rubrica de contrafação, reprodução da obra traduzida sem autorização do tradutor e/ou da editora que detém os direitos sobre ela, bem como de lesão aos direitos morais de paternidade e integridade da obra; a segunda recai sob a rubrica de plágio mesmo, furto intelectual, bem mais grave do que a contrafação, pois a legítima autoria da tradução não se mantém meramente anônima, mas é apropriada por outrem.

todos os casos de irregularidades de tradução que constatei na pongetti fazem parte da coleção criada, organizada e dirigida pelo próprio marques rebelo, chamada "As 100 Obras-Primas da Literatura Universal" - várias, como apontei em outras postagens, constam como "revistas por marques rebelo"; outras foram traduzidas por diversas pessoas, por encomenda da pongetti e indicação do coordenador da coleção, e algumas delas constam como traduzidas por ele próprio.

esse caso da viagem à roda do meu quarto merece análise detalhada, pois, como disse, em se comprovando eventual apropriação da tradução de josé fernandes costa por marques rebelo, os problemas referentes a seus procedimentos como organizador, coordenador e tradutor adquiririam outra envergadura, e toda a sua obra tradutória, antes, durante e depois de seu período na pongetti, demandaria uma ampla pesquisa e a realização de numerosos cotejos, para apurar sua fidedignidade.

 josé fernandes costa, ed. david corazzi, 1888

marques rebelo, pongetti, 1944

reedição pela estação liberdade, 1989, 
sem dúvida alguma lesada em sua boa fé

vale ainda notar que o clube do livro publicou em 1946 uma tradução anônima, que apresenta todos os vezos lusitanos em sua linguagem, com pdf disponível aqui. fiz uma comparação entre vários trechos da tradução em nome de marques rebelo e da tradução anônima publicada pelo clube do livro, e posso asseverar que se trata da mesma tradução. não pude ainda empreender um cotejo direto pela dificuldade em encontrar, de momento, um exemplar da tradução de fernandes costa.


[atualização em 17/10/2015: aqui se encontram os resultados da análise feita.]

abaixo segue uma listagem (incompleta) em verbete da wikipédia sobre marques rebelo, sem especificar o que é o quê:*

Tradução / revisão
Ana Karênina, Leon Tolstói (1948)
As aventuras de um cão de circo, Jack London
A divina comédia, Dante Alighieri
A flecha de ouro, Joseph Conrad
A filha do capitão, A. S. Pushkin
A lenda de uma quinta senhorial, Selma Lagerlöf (1943)
A metamorfose, Franz Kafka
A morte de Ivan Ilitch; Senhores e Servos, Leon Tolstói
A mulher de trinta anos, Honoré de Balzac
A volta de Vivanti, Sydnei Horler (1942)
Cinco semanas num balão, Júlio Verne
Contos, Bret Harte
Crime e Castigo, F. P. Dostoiévski (1946)
Do amor, Stendhal (1936)
Eugênia Grandet, Honoré de Balzac (1944)
Hiba, Leon Tolstói
História cômica, Anatole France (1941)
Histórias, Bret Harte
Ida Elisabeth, Sigrid Undset (1944)
Ivanhoé, Walter Scott (1943)
Lazarillo de Tormes, anônimo do século XVI
Mediterrâneo: nascer do sol, Panait Strait (1944)
Nicolau II, o prisioneiro da púrpura, Mohammed Essad-Bey (1937)
Novas aventuras dos caçadores de tesouros, Edith Nesbit Bland
Os caçadores de tesouros, Edith Nesbit Bland
O estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde; Markheim, Robert Louis Stevenson
O grande ditador, H. G. Wells (1943)
Os inocentes, Henry James
O mágico de Oz, Frank Baum
O mundo em transe, Leopold Schwarzchild [1943?]
O processo, Franz Kafka
Os inocentes, Henry James
O lírio vermelho, Anatole France [1955?]
O passageiro clandestino, Edgar A. Poe
O triste noivado de Adam Bede, George Eliot (1946)
Os últimos dias da Pompéia, Bulwer-Lytton
Passageiro clandestino, ou Arthur Gordom Pym, Edgar Alan Poe
Regina, Lamartine (1944)
Rômolo", George Eliot (1946)
Salambô, Gustave Flaubert (1942)
Tiquinho, Alphonse Daudet
Um aconchego de solteirão, Honoré de Balzac
Uma vida, Guy de Maupassant
Viagem à roda do meu quarto, seguido de Expedição noturna à roda de meu quarto, Xavier de Maistre
Vidas ilustres, Hendrik Willem Van Loon
Werther, Goethe [1948?]

* essa listagem foi removida do verbete em 2013, com a seguinte justificativa: (Removida a seção "Tradução / revisão" [...] pela impossibilidade de comprovar a autoria do escritor relativamente a "traduções".) 

para o original de xavier de maistre, voyage autour de ma chambre, ver aqui.


19 de set. de 2015

para não esquecer

tendo constatado dois dias atrás o que me parecem ser claros indícios apontando mais uma fraude de tradução (veja aqui), republico um artigo de anos atrás, com a devida atualização.

ainda que a coleção "obras-primas" da nova cultural tenha sido "descontinuada" a partir de nossas denúncias, livro não é produto perecível. devido às altas tiragens das edições (na faixa de 80 a 120 mil exemplares cada), bem como várias reedições dessas obras, são milhões de exemplares espúrios que continuam presentes em bibliotecas públicas e particulares, bem como à venda em inúmeros sebos. que a republicação desse antigo post possa ainda servir de alerta.


24 de set de 2009


imortais e obras-primas

parei um pouco de postar sobre as coleções de clássicos da literatura da editora nova cultural - não porque suas fraudes desapareceram, e sim porque dei por encerrada a pesquisa de seus títulos. conferi todos os títulos, e os casos de plágio comprovado foram apresentados um a um aqui no nãogosto. outras notícias referentes a essas fraudes na nova cultural foram igualmente divulgadas: ações judiciais de editoras lesadas, acordos extrajudiciais com tradutores lesados, matérias na imprensa, errata pública, republicação da obra legítima lesada etc. a quem interessar, o material está no arquivo classificado com o marcador "nova cultural".

por outro lado, graças ao alerta de um leitor, percebi que ficou um ponto meio confuso que quero esclarecer melhor: a nova cultural tem duas coleções literárias com problemas de contrafação - a saber, "imortais da literatura universal" e "obras-primas".

a coleção "imortais da literatura universal" é composta por 20 volumes, e foi publicada em 1995 e 1996 pela nova cultural/ círculo do livro. a coleção "obras-primas" é composta por 50 volumes, e foi publicada em 2002 e 2003 pela nova cultural/ suzano. ambas as coleções eram de alta tiragem, alguns títulos com várias reedições.

segue abaixo a relação das obras integrantes de cada coleção. quando a tradução é legítima, consta apenas o nome do tradutor sem destaque. quando a tradução é espúria, constam o nome do pretenso tradutor em destaque vermelho e o nome do tradutor legítimo em destaque verde. para ver o respectivo cotejo publicado aqui no blog, basta clicar na listinha dos cotejos disponíveis.


IMORTAIS DA LITERATURA UNIVERSAL
1. Dostoievski, Irmãos Karamázovi - Enrico Corvisieri (Natália Nunes, adapt. para o português do brasil por Oscar Mendes)
2. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Rachel de Queiroz
3. Honoré de Balzac, A mulher de 30 anosEnrico Corvisieri (José Maria Machado)
4. Tolstói, Ana Karênina - Mirtes Ugeda (João Gaspar Simões)
5. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
6. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
7. Machado de Assis, Brás Cubas/ Dom Casmurro
8. Stendhal, O vermelho e o negroMaria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)
9. Ernest Hemingway, O sol também se levanta - Berenice Xavier
10. Émile Zola, Germinal Eduardo Nunes Fonseca (J. Martins); fraude oriunda da Hemus
11. Scott Fitzgerald, Suave é a noiteEnrico Corvisieri (Lygia Junqueira)
12. Charles Dickens, Conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto
13. Sartre, A idade da razão - Sérgio Milliet
14. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
15. Alexandre Dumas, Os três mosqueteirosMirtes Ugeda (Octavio Mendes Cajado)
16. Oscar Wilde, O retrato de Dorian GrayMaria Cristina F. da Silva (Oscar Mendes)
17. Boccaccio, DecamerãoTorrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
18. Eça de Queiroz, O primo Basílio
19. Jonathan Swift, Viagens de Gulliver - Therezinha Monteiro Deutsch
20. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury

OBRAS-PRIMAS
1. Miguel de Cervantes, Dom Quixote - Viscondes de Castilho e Azevedo
2. Victor Hugo, Os trabalhadores do mar - Machado de Assis
3. Dante Alighieri, A divina comédia - Fábio M. Alberti (Hernâni Donato)*
4. Dostoievski, Crime e castigo - não consta tradutor (Natália Nunes)
5. Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac - Fábio M. Alberti (Carlos Porto Carreiro)
6. Stendhal, O vermelho e o negro - Maria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)*
7. Flaubert, Madame Bovary - Enrico Corvisieri (Araújo Nabuco)
8. Jane Austen, Razão e sensibilidade - Therezinha Deutsch 
9. Leon Tolstoi, Ana Karênina - Mirtes Ugeda Coscodai (João Gaspar Simões)
10. Homero, Odisséia - Antônio Pinto de Carvalho
11. Tommaso di Lampedusa, O leopardo - Leonardo Codignoto (Rui Cabeçadas)
12. Charles Dickens, Um conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto 
13. Bram Stoker, Drácula - Vera M. Renoldi 
14. Euclides da Cunha, Os sertões
15. Franz Kafka, A metamorfose - Calvin Carruthers (não dou um figo seco por essa edição, mas não localizei a fonte)
16. Mark Twain, As aventuras de Tom Sawyer - Luísa Derouet
17. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
18. Sinclair Lewis, Babbitt - Leonel Vallandro
19. Camões, Os Lusíadas
20. Goethe, Fausto e Werther - Alberto Maximiliano (Silvio Meira e Galeão Coutinho, respectivamente)
21. Voltaire, Contos - Roberto Domenico Proença (Mário Quintana)
22. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
23. Herman Melville, Moby Dick - Péricles Eugênio da Silva Ramos
24. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Silvana Laplace (Oscar Mendes)
25. Machado de Assis, Memorial de Aires e Esaú e Jacó
26. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury
27. Eça de Queiroz, A cidade e as serras
28. Gogol, Almas mortas - Tatiana Belinky
29. Boccaccio, Decamerão - Torrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
30. Pirandello, O falecido Mattia Pascal e Seis personagens à procura de autor - Fernando Corrêa Fonseca (Mário da Silva e Brutus Pedreira respectivamente)
31. Louisa May Alcott, Mulherzinhas - Vera Maria Marques Martins**
32. Virgílio, Eneida - Tassilo Orpheu Spalding
33. Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias - Therezinha Deutsch 
34. Henry Fielding, Tom Jones - Jorge Pádua Conceição (Octavio Mendes Cajado)
35. Émile Zola, Naná - Roberto Valeriano (Eugênio Vieira)
36. Shakespeare, Tragédias - Beatriz Viéga-Farias
37. Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray - Enrico Corvisieri (Oscar Mendes)
38. Honoré de Balzac, A mulher de trinta anos - Gisele Donat Soares (José Maria Machado)
39. Edgar Allan Poe, Histórias extraordinárias - Brenno Silveira e outros
40. Jules Verne, A volta ao mundo em oitenta dias - Therezinha Monteiro Deutsch
41. Jonathan Swift, 
As viagens de Gulliver - Therezinha Deutsch 
42. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros - Mirtes Ugeda Coscodai (Octavio Mendes Cajado)
43. Ibsen, A casa de bonecas - Cecil Thiré
44. Joseph Conrad, Lord Jim - Carmen Lia Lomonaco (Mário Quintana)
45. Henry James, Lady Barberina e A outra volta do parafuso - Leônidas Gontijo e Brenno Silveira respectivamente
46. Raul Pompéia, O ateneu
47. Guy de Maupassant, Uma vida - Roberto Domenico Proença (Ascendino Leite)
48. Scott Fitzgerald, Suave é a noite - Enrico Corvisieri (Lígia Junqueira)
49. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
50. Walter Scott, Ivanhoé - Roberto Nunes Whitaker (Brenno Silveira)

* nos casos da divina comédia e de o vermelho e o negro, os tradutores lesados foram ressarcidos, mas não houve nenhum recall ou substituição dos exemplares espúrios adquiridos pelos leitores e instituições públicas e privadas. em todo caso, a nova cultural retirou de catálogo os 20 títulos das "Obras-Primas" com plágio comprovado.

** atualização em 19/09/2015: constatei que páginas e mais páginas desta tradução de mulherzinhas  em nome de vera maria marques martins se afiguram como mera cópia, com ínfimas alterações de um ou outro termo, da tradução de marcos bagno (melhoramentos, 1998). vide aqui.


17 de set. de 2015

mulherzinhas

quando a gente pensa que já deu, sempre aparece mais uma ou outra coisa.

louisa may alcott, mulherzinhas.

1. tradução de marcos bagno em bela edição ilustrada e comentada da melhoramentos, em sua coleção "obras-primas universais", de 1998.



2. tradução em nome de vera maria marques martins, pela editora nova cultural, em sua coleção "obras-primas", de 2003.


o curioso é que as duas traduções, nas primeiras páginas iniciais da obra, são totalmente distintas e independentes entre si. mas, de repente, ficam praticamente iguais, uma mera cópia da outra, até o final do primeiro capítulo; vejam-se alguns exemplos:

I.
1. marcos bagno (1998)
Amy obedeceu, mas esticou as mãos para a frente e pôs a caminhar como se fosse um boneco de corda. E seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
2. vera maria marques martins (2003)
Amy obedeceu, porém estendeu as mãos para a frente e pôs a andar feito um um boneco de corda. E o seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
3. original:
Amy followed, but she poked her hands out stiffly before her, and jerked herself along as if she went by machinery, and her "Ow!" was more suggestive of pins being run into her than of fear and anguish. Jo gave a despairing groan, and Meg laughed outright, while Beth let her bread burn as she watched the fun with interest.

II.
1. marcos bagno (1998)
- Nem tanto - replicou Jo, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja coisa tão boa. Teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que vejo à minha frente?" - murmurou Jo, revirando os olhos e agarrndo o ar, como tinha visto fazer um ator famoso.
- Não é um punhal, é o espeto da lareira com o sapato de mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
2. vera maria marques martins (2003)
- Nem tanto - replicou Jô, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja tão boa. Eu teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que eu vejo à minha frente?" - murmurou Jô, revirando os olhos e agarrando o ar, como vira fazer um famoso ator.
- Não é um punhal, é o atiçador da lareira com o sapato da mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
3. original
"Not quite," replied Jo modestly. "I do think The Witches Curse, an Operatic Tragedy is rather a nice thing, but I'd like to try Macbeth, if we only had a trapdoor for Banquo. I always wanted to do the killing part. 'Is that a dagger that I see before me?" muttered Jo, rolling her eyes and clutching at the air, as she had seen a famous tragedian do."No, it's the toasting fork, with Mother's shoe on it instead of the bread. Beth's stage-struck!" cried Meg, and the rehearsal ended in a general burst of laughter.

III.
1. marcos bagno (1998)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou as pantufas quentes e sentou-se na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma a seu modo. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
2. vera maria marques martins (2003)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou os chinelos quentes e se sentou na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma do seu jeito. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
3. original
While making these maternal inquiries Mrs. March got her wet things off, her warm slippers on, and sitting down in the easy chair, drew Amy to her lap, preparing to enjoy the happiest hour of her busy day. The girls flew about, trying to make things comfortable, each in her own way. Meg arranged the tea table, Jo brought wood and set chairs, dropping, over-turning, and clattering everything she touched. Beth trotted to and fro between parlor kitchen, quiet and busy, while Amy gave directions to everyone, as she sat with her hands folded.

por esses exemplos, pode-se constatar que, além das soluções idênticas, foram reproduzidos até mesmo pequenos lapsos de entendimento, omissões de palavras e mudanças de pontuação em relação ao original, e assim vai até o final do capítulo.

em vista do patente recurso a tradução alheia, valeria a pena cotejar os outros capítulos em que não se reproduz o texto de bagno com, talvez, a tradução de nair lacerda, publicada em 1953 pela saraiva e reeditada em 1973 pelo círculo do livro.


24 de ago. de 2015

elias davidovich, I

Traduções de Elias Davidovich (1909-1998)

I. 1930-1939

Pitigrilli (pseud. de Dino Segre), Ultraje ao pudor. Arturo Vecchi & Freitas Bastos, 1930

aqui na capa de sua sexta edição

Dyvonne, Casamento Secreto.  Coleção Biblioteca Feminina. Americana, 1930

M. Delly, O infiel.  Livraria Azevedo, 1930

Pierre Louÿs, Afrodite - romance de costumes antigos, Americana, 1931



Guy de Maupassant, Uma Vida. Americana, 1931

Ivan Tourgueneff, Roudine. Collecção Benjamin Costallat. Flores e Mano, 1932. Provavelmente foi ela que deu origem a mais uma das habituais garfadas da Pongetti, em 1942, lançando a "tradução revista por Marques Rebelo"



Pitigrilli (pseud. de Dino Segre), Os Vegetarianos do Amor. Arturo Vecchi & Freitas Bastos, 1932

aqui em sua quarta edição


Fiódor Dostoievski, Os pobres diabos. Rio de Janeiro, Flores e Mano, 1932



Goethe, Werther, seguido de Estudo de Sainte-Beuve. Collecção Benjamin Costallat, Guanabara, 1932



Jules Michelet, O amor. J. Leite, 1932



Fiódor Dostoiévski, O tyrano. Americana (Calvino Filho), 1933



Maurice Dekobra, A gondola das chimeras. Arturo Vecchi e Freitas Bastos, 1933

Nicholas [sic] Machiavel, O principe. Calvino Filho, 1933



Sigmund Freud, Psychopathologia da vida quotidiana. Guanabara, 1933



Leonidas Andreief, O diário de Satanás. Renascença, 1933



Abade Prévost, Manon. Collecção Benjamim Costallat, 1933 [1934]

Emile Zola, Accuso! Calvino Filho, 1934



Oto Rank, O traumatismo do nascimento. Livraria Marisa, 1934

Wilhelm Liepmann, A tragédia sexual da juventude. Atlântida, 1934

Sigmund Freud, Introdução à psicanálise, 1934

Sigmund Freud, Observações clínicas. Atlântida, 1934



J. Crépieux - Jarmin, Grafologia: a Escrita e o Carácter. Flores & Mano Editores, 1935 [1936]

Stefan Zweig, Freud. Coleção Últimas Novidades Literárias. Guanabara, 1936



Thomas de Quincey, Confissões de um comedor de ópio. Pongetti, c.1935. Note-se que o prefácio é de J.P. Porto-Carrero, indicando o interesse psicanalítico pela obra.



Fiódor Dostoiévski, Crime e castigo. Trad. revista por Elias Davidovich. Guanabara, 1936. Aqui não duvido que se tratasse do Crime e castigo traduzido por um misterioso "Ivan Petrovich" e publicado pela Americana em 1930, tanto mais porque a Guanabara (Waissman Koogan) adquiriu o catálogo literário da Americana em 1934 e relançou vários de seus títulos.


Stefan Zweig, O medo. Pref. de Romain Rolland. Guanabara, 1936

Pasteur Valéry-Radot, Os grandes problemas da medicina contemporânea. Vecchi, 1937

Pierre Benoit, Alberta. Vecchi, 1938

Stefan Zweig, Fernão de Magalhães: história da primeira circunavegação. Guanabara, 1938



Lucio D’Ambra. Ofício de marido, v. 1 da trilogia “Os Romances da Vida a Dois”. Coleção Romances. Vecchi, 1939

André Maurois, A máquina de ler pensamentos. Vecchi, 1939




entre quatro paredes, de sartre

tentei adquirir um exemplar de entre quatro paredes, de sartre, pela editora deriva, mas a livraria a que recorri não dispunha mais em estoque. eu poderia recorrer a outra, mas creio que bastam a admissão e retratação da editora. que aqui constem, então, os legítimos créditos da tradução:


em vez de "roberto de almeida", 


leia-se guilherme de almeida.


acompanhe o caso da editora deriva aqui.


o casamento do pequeno burguês, de bertolt brecht

O casamento do pequeno burguês, de Bertolt Brecht

A MÃE trazendo um prato – Aqui está o bacalhau!
Murmúrios de elogios.
O PAI – Isso me faz lembrar de uma história!
A NOIVA – Come papai! O senhor sempre perde a vez!
O PAI – Primeiro a história. No dia da minha confirmação o seu falecido tio estava... não, essa já é uma outra história... Bem, todos nós estávamos comendo peixe, todos juntos, quando de repente, ele se engasgou com uma espinha. Vocês devem tomar muito cuidado com estas malditas espinhas! Bem, então ele engasgou e começou a sacudir os braços e as pernas, como se estivesse remando... A
MÃE – Jakob, o rabo é seu!
O PAI – ... como se estivesse remando e a ficar azul como uma carpa e derrubou um copo de vinho! Nos pregou um susto o desgraçado! Aí bateram nas costas dele como se ele fosse um tambor e ele vomitou tudo por cima da mesa. Não se podia comer mais ali – nós ficamos contentes porque fomos comer tudo lá fora, sozinhos, afinal era a minha confirmação – então vomitou tudo por cima da mesa e quando nós conseguimos deixar ele em forma de novo, ele disse com uma voz bem profunda e feliz, ele era ótimo baixo e cantava no coral, sobre isso também tem uma história ótima, então ele disse...
A MÃE – Meu peixe está bom? Por que ninguém diz nada?
O PAI – Hum, delicioso! Então ele disse...
A MÃE – Mas você ainda nem provou!
O PAI – Eu vou comer agora! Então ele disse...
A MÃE – Jakob, come mais um pedaço.
O NOIVO – Mamãe, meu sogro está contando uma história!
O PAI – Muito obrigado, Jakob. Então, o bacalhau... Ah, sim, ele disse: “Crianças, eu quase me engasguei!” E a comida ficou toda estragada.
Risos.
O NOIVO – Muito bem!
O MOÇO – Ele fala como um livro!
A IRMÃ – Ai, agora eu não quero mais comer peixe!
O NOIVO – Claro, as franguinhas não comem peixe, são vegetarianas.
A MADAME – A luz elétrica ficou pronta?
A NOIVA – Ina! Não se usa faca para comer peixe!
O MARIDO – Luz elétrica é de mau gosto, assim como está é bem melhor.
A IRMÃ – É muito mais romântico.

disponível aqui. embora não constem os créditos, creio tratar-se da tradução de luís antônio martinez corrêa com a colaboração de wilma rodrigues (1972)

tradução em nome de césar santos, editora deriva, 2012:





acompanhe o caso da editora deriva aqui.


os justos, de camus

apenas para documentar, a editora deriva declara que antónio quadros é o "real tradutor do texto Os justos de Albert Camus, que estava creditado a outra pessoa".


assim, onde constam os  créditos de tradução em nome de "robson dos santos", leia-se "antónio quadros".

edição de 1960

acompanhe o caso da editora deriva aqui.


as criadas, de jean genet

As criadas, de Jean Genet.

Tradução de Pontes de Paula Lima:

CLAIRE - (De pé, de combinação, voltando as costas para a penteadeira. Seu gesto, o braço estendido, é o tom serão de um trágico exasperado) E essas luvas! Essas luvas eternas! Já te repeti suficientemente que as deixasses na cozinha. É com isso, por certo, que esperas seduzir o leiteiro. Não, não, não mintas, é inútil. Pendure-as por cima da pia. Quando compreenderás que este quarto não pode ser enxovalhado. Tudo, mas tudo o que vem da cozinha é escarro! Sai! E leva os teus escarros! Mas para! (Durante esta tirada, Solange brincava com um par de luvas de borracha, observando suas mãos enluvadas; ora em buquê, ora em leque) Nada de cerimônia, faz teu bichinho. E principalmente não te apresses, temos tempo. Sai! (Solange, de repente, muda de atitude e sai com humildade segurando na ponta dos dedos as luvas de borracha. Claire senta-se à penteadeira. Aspira as flores. Afaga os objetos de toillete, escova o cabelo, ajeita o rosto) Prepara meu vestido. Depressa, o tempo voa. Você não está aí? (Volta-se) Claire! Claire! (Entra Solange)
SOLANGE - Madame me perdoe, eu estava preparando o chá de tília (Ela pronuncia tílea) da senhora.
CLAIRE - Arranje as minhas toaletes. O vestido branco de pailleté. O leque, as
esmeraldas.
SOLANGE - Todas as jóias de Madame?
CLAIRE - Traga. Quero escolher. E, naturalmente, os sapatos de verniz. Aqueles que você vem cobiçando há anos. (Solange tira do armário alguns estojos que abre e dispõe sobre a cama) Para o seu casamento, com certeza. Confessa. Confessa que ele a seduziu! Que você está grávida! Confesse! (Solange se agacha no tapete e, cuspindo neles, lustra os escarpins de verniz) Eu já lhe disse, Claire, para evitar os escarros. Deixe-os dormir dentro de você minha filha, apodrecer aí dentro. Ah! Ah! (Ri nervosamente) Que nele se afogue o caminhante perdido. Ah! Ah! Você é horrenda, minha bela! Curva-se mais e olhe-se nos meus sapatos. (Estende o pé, que Solange examina) Pensa que me é agradável saber o meu pé envolto nos véus da sua saliva? Na bruma de seus pantanais?
SOLANGE - (De joelhos e muito humilde) Desejo que Madame fique linda.
CLAIRE - Ficarei. (Arruma-se ao espelho) Vocês me detestam, não é? Vocês me esmagam com os seus cuidados e a sua humildade, com gladiólogos e rosedá. (Levanta-se em tom mais baixo) Atulhamos à toa. Aqui tem flor demais. É mortal. (Contempla-se ainda) Ficarei linda. Mais do que você jamais conseguirá. Pois não com esse corpo e essa cara que conquistará Mário. Esse jovem leiteiro ridículo nos despreza e se fez em você um bebê...
SOLANGE - Oh! Mas eu nunca... 
CLAIRE - Cale-se idiota! Meu vestido! 
SOLANGE - (Procura no armário, afastando alguns vestidos) O vestido vermelho. Madame vai por o vestido vermelho! 
CLAIRE - Eu disse o vestido branco de pailleté. 
SOLANGE - (Dura) Sinto muito. Madame esta noite usará o vestido de veludo escarlate.

disponível aqui.

Tradução em nome de Roberto Medeiros, editora Deriva:





 acompanhe o caso da editora deriva aqui.


21 de ago. de 2015

ainda sobre o caso da editora deriva



não é que os herdeiros de antónio quadros tenham ficado muito satisfeitos com a garfada da tradução de os justos, de alberto camus, pela editora deriva, que a atribui a um "robson dos santos".

antónio quadros ferro, neto do verdadeiro tradutor, procede à devida retificação da autoria da tradução em comunicado em seu blog, aqui.

19 de ago. de 2015

belas infiéis

saiu mais um número da revista belas infiéis, do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb: encontra-se disponível aqui.



minha contribuição é o artigo "henry james no brasil (1945-2014)", aqui.
outro artigo de história da tradução é "george sand no brasil", de patrícia rodrigues costa, aqui.

suplemento literário

o suplemento literário de minas gerais lança um número especial, "a arte da tradução", com materiais de excepcional qualidade.


contribuí com o texto "tradução é tudo de bom".

o suplemento está disponível aqui.

18 de ago. de 2015

à deriva

no levantamento sobre a obra de camus traduzida no brasil, mencionei os justos, na coleção de teatro da editora deriva, aqui. não consultei o conteúdo da obra, dando apenas as referências bibliográficas.


hoje um leitor avisa:
Olá, Denise.
Comprei a coleção Teatro da Deriva. Como gosto bastante de tradução, aproveitei para cotejar a tradução de Entre Quatro Paredes com a do Guilherme de Almeida, que tenho aqui, da coleção Teatro Vivo. Para minha surpresa, a tradução é a mesma. Pensei ter havido algum erro, já que a tradução da Deriva é atribuída a Roberto de Almeida. Contudo, pesquisando mais, descobri que a tradução de Os Justos, atribuída a Robson dos Santos, é na verdade de Antônio Quadros.  
As Criadas, de Genet, cuja tradução é atribuída a Roberto Medeiros, é a mesma tradução em circulação na internet de Pontes de Paula Lima. 
Quanto a O Casamento do Pequeno Burguês, do Brecht, é a mesma tradução em circulação na internet, texto que infelizmente não menciona o tradutor. Contudo, pelas falsas atribuições das outras três peças e pelo fato de eu não ter encontrado nada em tradução a respeito de César Santos, tudo me leva a crer que é mais outra fraude.
Entrei em contato com a Deriva, mas não obtive qualquer satisfação. Infelizmente, uma editora que tem uma proposta muito boa de trabalho e publicação artesanais acaba por incidir nas mesmas fraudes que lamentavelmente ainda vemos em circulação no pais. 
Fica aqui o meu alerta para essa coleção.
Abraços. 

o pessoal da deriva pode ser muito bonitinho, muito legalzinho e bacaninha, mas isso não se faz. não é por ser autogestionário, anarquista, libertário, o escambau, que se justifica sair por aí pilhando tradução alheia, tomando para si e vendendo aos pobres dos leitores incautos e de boa fé.

parem com isso, meninos.



em tempo: as obras citadas pelo leitor foram removidas do site da editora. mas ainda se encontram à venda, tanto novas em livrarias como a taverna (aqui) quanto usadas em diversos sebos (aqui), bem como expostas na página da editora no facebook (aqui).

espero que caiam logo em si e não obriguem a gente a comprar essa briga.

atualização em 19/8/2015

transcrevo a manifestação da editora, publicada na caixa de comentários, mas aqui reproduzida reconhecendo-lhe o direito de igual espaço e destaque.

Ficamos cientes do problema das traduções somente ontem no final do dia. Como a Deriva não tem fins lucrativos, e todos membros desenvolvem outras atividades, não conseguimos responder prontamente a reclamação do leitor. 
Já retiramos os livros do catálogo e estamos recolhendo as poucas unidades que estão com livreiros independentes. Os projetos de livros chegam a nós de diversas maneiras, e por diferentes mãos, e realmente assumimos o erro de não haver conferido os dados técnicos dos livros referidos.  
Apesar de acreditarmos na proposta do copyleft em contraposição a mercantilização dos direitos autorais, nossa intenção não é “pilhar” horas de trabalho alheio e precarizar a classe dos tradutores. Nosso erro foi fruto de inexperiência e anseio por colocar em circulação livros “esquecidos”, raros ou que sejam muito caros.  
Temos um respeito especial por essas obras e pelas suas traduções. Os Justos de Albert Camus, por exemplo, trata da luta contra o processo de desumanização e sectarização que ocorre em nome de ideais políticos. Um tema que infelizmente é pertinente e (infantilmente talvez) gostamos de imaginar que ajudamos a combater com algumas dezenas de livros feitos quase que artesanalmente em uma garagem no fundo de uma casa. 
Não temos a intenção de sermos bonitinhos, bacaninhas e legalzinhos, apenas imaginamos os livros como algo além de letras reunidas em formas de frases ou contratos e direitos. Os livros vão continuar sendo muito mais que papel e tinta para nós, mas tomaremos mais cuidado com os contratos e direitos. Fica aqui o nosso sincero pedido de desculpas aos tradutores das obras que não foram creditados corretamente e provavelmente tiveram a mesma pretensão que nós ao difundir para o público brasileiro essa belas obras. 

muito bem.

14 de ago. de 2015

goethe traduzido no brasil II: werther

após os primórdios e os faustos, aqui, passemos à sua outra mais célebre obra, die leiden des jungen werthers.
  • sua primeira tradução brasileira sai em 1932, por elias davidovich, acompanhada por estudo de sainte-beuve, pela editora guanabara, em sua "collecção benjamin costallat":



dez anos depois, em 1942, a tradução de davidovich foi parar ilicitamente na pongetti, em sua coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", "revista" por marques rebelo, iniciativa espúria que teve algumas reedições posteriores. ver aqui.


  • em meados dos anos 1940, numa edição sem data, sai a tradução de galeão coutinho pela livraria martins editora, em sua "coleção excelsior". foi reeditada pela abril cultural (1971-; em volume duplo com fausto, 1983), círculo do livro (idem,1995), itatiaia (2014):


a tradução de galeão coutinho foi fraudada pela editora martin claret que, com algumas alterações cosméticas, publicou-a em nome de pietro nassetti e o título de os sofrimentos do jovem werther, com várias reedições desde o ano de 2000 até 2014. além disso, essa tradução, tal como ocorrera com o fausto traduzido por silvio meira, sofreu grotesca apropriação pela nova cultural em 2002, publicando-a em sua coleção "obras-primas" em nome de "alberto maximiliano".

  • em 1957, temos mais um werther pela organização simões, mas não consegui localizar o nome do tradutor:


  • em 1965, temos a tradução de ary de mesquita, com o título de os sofrimentos de werther, lançada pela tecnoprint em 1965, em sua coleção "clássicos de bolso". reed. pela nova fronteira, coleção "saraiva de bolso" (2014):


  • em 1988, o clube do livro publica os sofrimentos do jovem werther em tradução de erlon josé paschoal, a primeira a usar, finalmente, o título completo da obra. foi reeditada em 1999 pela estação liberdade:

  • em 1994, sai a tradução de marion fleischer, pela martins fontes, em sua coleção "clássicos: literatura", 3:

  • em 1999, temos a tradução de leonardo césar lack pela nova alexandria, reeditada pelas clássicos abril (2010):

  • em 2001, a l&pm publica os sofrimentos do jovem werther na tradução de marcelo backes:

  • apenas no final de 2014, a editora martin claret se dispõe a substituir sua edição espúria em nome de pietro nassetti, em circulação desde 2000, por uma nova tradução, agora de cláudia cavalcanti:


por fim, a título de curiosidade, fique registrado que a editora hedra publicou em 2007 uma tradução portuguesa anônima de 1821.