25 de jun. de 2015

robert louis stevenson no brasil (1933-1960)

quando se realiza o rastreamento da fortuna bibliográfica de um autor traduzido no brasil, é difícil ter certeza de que o levantamento está completo, pois sempre pode ocorrer algum lapso ou perda de dados sobre suas vicissitudes in terra brasilis. em todo caso, segue-se o que localizei até o momento sobre robert louis stevenson traduzido entre nós, de 1933 a 1960.

em 1933, saem os primeiros lançamentos, nada menos que três:
  • A Ilha do Thesouro. Trad. Álvaro Eston. Collecção Terramarear, 8. Cia Editora Nacional, 1933. 204 p. 

a partir de certa altura, a nacional começa a publicar a ilha do tesouro fazendo constar nos créditos apenas "Tradução revista por Rubens de Aquino Penteado", até anos recentes. não sei a data exata em que isso começou, mas já consta assim em meu exemplar de 1954. como sói acontecer em muitos desses casos, não é raro que a "tradução REVISTA POR fulano" acabe, com o passar do tempo, constando como "tradução DE fulano".


embora eu não costume fazer levantamentos em revistas e jornais, cabe registrar aqui o lançamento inicial d' a ilha do thesouro pela coleção "romances d'o tico-tico", que desde 1905 publicava gibis e adaptações ilustradas. em 1906-1907 temos a serialização desse romance de stevenson:

agradeço a notícia e a imagem de capa a angelo giardini de oliveira.

para as edições da tico-tico, bem como para dados sobre esse lançamento, ver "Le Petit Journal Illustré de la Jeunesse, A verdadeira origem francesa d’O Tico-Tico", interessante artigo de  Athos Eichler Cardoso, disponível aqui.

além da tico-tico, a eu sei tudo publicou outra serialização entre julho de 1929 e maio de 1930, em seus números 146 a 156, sem crédito de tradução, com o título de jim, o pirata amador, como nos informa também angelo giardini, em seu artigo disponível aqui, com direito a escaneamento dos capítulos iniciais e tudo!



retomando as edições de stevenson em formato livro, temos então:
  • O Clube dos Suicidas. Trad. Godofredo Rangel. Collecção Para Todos. Cia. Editora Nacional, 1933. 254 p.
  • Aventuras de David Balfour em 1751. Trad. Fernando Pio. Coleção Globo, 14. Livraria do Globo, 1933. 272 p.

  • em 1934, sai outra A Ilha do Tesouro, agora em tradução de Pepita de Leão, pela Livraria do Globo (274 p.):
agradeço a imagem a angelo giardini de oliveira


também em 1934:
  • Raptado. Trad. Agrippino Grieco. Colecção Terramarear. Companhia Editora Nacional, 1934. 222 p.


como disse acima em relação à ilha do tesouro, não costumo fazer levantamentos em revistas e jornais. mas aproveitemos a deixa para registrar aqui as primeiras traduções brasileiras de pousada para a noitemarkheim e do celebérrimo dr. jekyll and mr. hyde: saíram em a novela, revista mensal de literatura da livraria do globo, respectivamente nos números 8 (maio de 1937), 9 (junho 1937) e 17 (fevereiro 1938). dr. jekyll and mr. hyde já trazia como título o médico e o monstro, em tradução de orlando maia.




novamente retomando as traduções em livro, na sequência temos:
  • O príncipe Otto. Trad. Antônio Barata. Coleção Nobel. Livraria do Globo, 1940. 270 p.

  • O médico e o monstro. Trad. Orlando Rocha. Universitária, 1942. 230 p. 

  • "Pousada por uma noite", in Contos ingleses. Org. Jacob Penteado, sem  crédito de tradução. Coleção Primores do Conto Universal. Edigraf, 1942.
  • "Markheim", in Os ingleses: antigos e modernos. Trad. Rachel de Queiroz. Coleção Contos do Mundo. Leitura, 1944.
Devo a imagem de capa à enorme gentileza de Saulo von Randow Jr.

  • Perdeu-se um cadáver. Coleção Os Mais Célebres Romances Policiais. Vecchi, 1945. 214 p.

  • Aventuras de David Balfour. Coleção Os Audazes. Vecchi, 1946. 223 p.

  • O Morgado de Ballantrae. Trad. Alfredo Ferreira. Vecchi, 1946. 217 p. Reed. em 1955, na Coleção Os Audazes, com o título de Minha Espada, Minha Lei (em função do sucesso do filme com Errol Flynn, de 1953, que recebeu esse título em português).


  • "A porta e o pinheiro", in Os mais belos contos policiais dos mais famosos autores. Trad. Alfredo Ferreira et al. Vecchi, 1947.

  • Desafiando perigos [corresponde a Catriona]. Vecchi, 1947. 214 p.
  • O filão de prata. Vecchi, 1948. 206 p. Não encontrei imagem de capa, mas o título segue o nome brasileiro do filme Adventures in Silverado, baseado no conto de Stevenson, "Silverado Squatters".
  • Noites das ilhas. Coleção Universo, 9. Globo, 1951. 164 p.

  • O médico e o monstro / A garrafa encantada. "Trad. especial" José Maria Machado.* Clube do Livro, 1951. 171 p.

* sobre josé maria machado e suas "traduções especiais" para o clube do livro, ver aqui.

  • Herança trágica. Trad. Jacob Penteado (a partir do italiano, do original "The Wrong Box"). Série Vermelha, 3. Edigraf. 1952. 152 p.

  • O navio fantasma. "Trad. especial" José Maria Machado. Clube do Livro, 1953. 207 p.

  • A flecha preta. Trad. Edison Carneiro. Coleção Os Audazes. Vecchi, 1953. 233 p.

  • O príncipe errante. "Trad. especial" José Maria Machado. Clube do Livro, 1955. 172 p.

  • O médico e o monstro (incluindo "Markheim" e "A porta de Sire de Maletroit"). Trad. Joaquim Machado. Coleção Novelas de Mistérios, 4. Melhoramentos, 1955. 174 p.

  • "O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde", in Obras-Primas da Novela Universal. Org.. Mário da Silva Brito. Sem créditos de tradução (muito provavelmente portuguesa). Martins, 1956.

  • A ilha da maldição. Com Lloyd Osborne. Vecchi, 1956. 166 p. Mais uma capa e mais um título baseados num filme, como a Vecchi costumava fazer.

  • "Markheim", in Maravilhas do Conto Inglês. Sem créditos de tradução. Cultrix, 1958.
  • As duas rosas. "Trad. especial" de José Maria Machado. Clube do Livro, 1960. 134 p.

  • Traficantes de naufrágios. Com Lloyd Osborne. Trad. Celestino da Silva. Vecchi, 1960. 261 p.






  • O médico e o monstro e outras histórias (a saber, "Markheim" e "O diabrete da garrafa"). Trad. Nair Lacerda. Coleção Saraiva, 143. Saraiva, 1960. 168 p.




  • Há ainda um O médico e o monstro pela Gertum Carneiro, em sua Série Terror, em tradução de Humberto Pires, sem data - até maiores informações, conste aqui por volta do final dos anos 1950:



    sobre a fortuna histórica de dr. jekyll e mr. hyde no brasil, ver o estudo de ana júlia perrotti-garcia, as transformações de dr. jekyll & mr. hyde: traduções, adaptações e demais refrações da obra prima de robert louis stevenson, disponível aqui.

    em tempo: há uma referência avulsa no acervo da ABI a a ilha do tesouro pela vecchi em 1952, mas não localizei nenhuma outra confirmação. encontrei apenas uma adaptação pela vecchi, em 1964, como número 1 da coleção minha biblioteca.

    atualização em 7/7/2015: sérgio karam, em comentário abaixo, avisa que a melhoramentos também publicou "o diamante do rajá", com suas quatro histórias, e "o diabo na garrafa", em tradução de joaquim machado, sem data de edição.

    ver stevenson no brasil de 1961 a 2000 aqui.

    21 de jun. de 2015

    louisa may alcott

    criei o blog traduzindo mulherzinhas, aqui.



    19 de jun. de 2015

    louisa may alcott no brasil III

    as postagens anteriores referente a alcott no brasil estão aqui.

    I.
    já vimos as traduções de little women. passemos, primeiramente, à sua continuação, good wives.

    • a nacional lançara mulherzinhas em 1934; em 1935 a editora lança boas esposas, em tradução de genolino amado, com ela inaugurando sua coleção biblotheca das moças. aqui a capa é da quarta edição, em 1960.


     genolino amado, 1935


    • esposas exemplares, tradução de nair lacerda, sai na coleção saraiva, 104, em 1957.


    nair lacerda, 1957


    • pelas edições paulinas, em sua coleção primavera 3, temos em 1960 as mulherzinhas crescem 

    • como já dissemos no post anterior, aqui, mulherzinhas da ediouro é a única que traz as partes I e II num só volume. a tradução é de sônia coutinho, e foi lançada em 1968.

    ou seja, enquanto little women recebeu sete diferentes traduções integrais no brasil, sua continuação recebeu quatro.



    II.
    as outras obras de alcott traduzidas entre nós são:

    • rose in bloom, que saiu em tradução de aldo della nina com o nome de alma em flor, pela saraiva, coleção rosa, em 1956, e pela edições paulinas em 1961 como rosa em flor (não ei quem traduziu)

    • os oito primos, pela paulinas, também em 1961

    • a rapaziada de jo (jo's boys), também pela paulinas, em 1962 

    • longa e fatal caçada amorosa, em tradução de vera maria marques martins, pela best-seller, em 1995
    • a herança, em tradução de vitória paranhos mantovani, também pela best-seller, em 1998, reeditada pela nova cultural em 2004


    18 de jun. de 2015

    louisa may alcott no brasil II

    Preface

      “Go then, my little Book, and show to all
    That entertain, and bid thee welcome shall,
    What thou dost keep close shut up in thy breast;
    And wish what thou dost show them may be blest
    To them for good, may make them choose to be
    Pilgrims better, by far, than thee or me.
    Tell them of Mercy; she is one
    Who early hath her pilgrimage begun.
    Yea, let young damsels learn of her to prize
    The world which is to come, and so be wise;
    For little tripping maids may follow God
    Along the ways which saintly feet have trod.”

    Adapted from JOHN BUNYAN


    prosseguindo nosso levantamento das obras de louisa may alcott traduzidas no brasil (veja o início aqui), eis as traduções de little women de que dispomos:
    • a primeira, como já dissemos aqui, é a de eduardo carvalho, pela nacional, em 1934
    • segue-se em 1953 a tradução de nair lacerda pela saraiva, volume 64 da coleção saraiva, com o título as quatro irmãs. essa tradução será reeditada em 1973 pelo círculo do livro, com o título mais conhecido de mulherzinhas.

    • em 1960, a paulinas inicia a publicação de alcott em sua coleção primavera, e será a editora com o maior número de títulos da autora: cinco livros ao todo. o primeiro a sair é, naturalmente, mulherzinhas. consta nos créditos que é uma "renarração" de josé alvisana. não sei o que significa; não uma condensação, pois tem quase 300 páginas.
    josé alvisana, 1960

    • em 1968, temos a única edição que reúne no mesmo volume little women e good wives como as duas partes compondo little women como um todo. a tradução é de sônia coutinho, pela edições de ouro, com posteriores reedições na ediouro, em sua coleção clássicos de bolso.
    sônia coutinho, 1968 (capa, 1995)

    • em 1998, temos a tradução de marcos bagno, publicada numa edição interessante da melhoramentos (coleção obras-primas universais), fartamente enriquecida com ilustrações nas margens, com dados históricos, fotos, imagens de época, e respectivos comentários e legendas. esse aparato complementar, traduzido por maria alice de sampaio doria, segue a edição da gallimard francesa (1994).
    marcos bagno, 1998

    • também em 1998, a ática lança em sua coleção eu leio, de paradidáticos, a tradução de cláudia moraes:
    cláudia moraes, 1998

    • em 2003, na coleção obras-primas, a nova cultural lança a tradução de vera maria marques martins:
    vera m. marques martins, 2003

    • em 2005, temos a edição espúria lançada pela martin claret, já comentada no post anterior.

    num balanço até o momento, teríamos então sete diferentes traduções de little women no brasil - sem contar a fraude claretiana e sem incluir adaptações e condensações. - entre 1934 e 2003. recapitulando, são as de: eduardo carvalho (posteriormente revista por godofredo rangel); nair lacerda; josé palisano; sônia coutinho; marcos bagno; cláudia moraes; vera maria marques martins.

    conheço quatro delas: a revista por rangel, a de marcos bagno, a de sônia coutinho e a de vera martins. apenas a de sônia coutinho traz o prefácio acima reproduzido, e que constitui praticamente todo o programa da obra.



    louisa may alcott no brasil I

    a obra mais conhecida de louisa may alcott é little women. no brasil, teve várias traduções e inúmeras adaptações - as adaptações não incluirei neste levantamento. foi a primeira obra de alcott a ser publicada no brasil.

    mas, antes de avançarmos, cabe notar um detalhe. little women foi originalmente publicada em 1868. devido ao grande e imediato sucesso, louisa logo a seguir escreveu a continuação, lançada em 1869, com o título de good wives (dado não pela autora, mas por seu editor na inglaterra). também fez sucesso. foi em 1880 que as duas partes, little women e good wives, foram reunidas como uma só obra, com o título geral de little women, parte I e parte II. mas, de modo geral, o que se publica no brasil corresponde apenas à parte I, isto é, a original little women de 1868. a única exceção, incluindo as duas partes, como veremos adiante, é a edição lançada pela ediouro.


    eis, pois, a primeira alcott no brasil (como louise, em lugar de louisa
     - mas na página de rosto consta corretamente como louisa): 

    Tradução de Eduardo Carvalho revista por Godofredo Rangel.
    Coleção A Nova Biblioteca das Moças. Nacional, 1934


    [vide abaixo atualização em 2019]

    a partir de 1944, a nacional inclui a obra em sua coleção biblioteca das moças, 119, em dois volumes, de capas iguais. a tradução, porém, é submetida a extensa revisão, vindo a constar nos créditos "tradução revista por godofredo rangel". foi esta versão que acabou se consagrando em sucessivas reedições, desaparecendo qualquer menção a eduardo carvalho.
    [atualização de 30/06/15: tais afirmações, feitas por inferência a partir das declarações equivocadas da editora musa em sua contracapa - ver abaixo -, não procedem. desde 1934, mulherzinhas foi publicada como "tradução revista por godofredo rangel". a tradução originalmente feita por eduardo carvalho, se é que de fato existiu, nunca veio à luz.]

     Tradução revista por Godofredo Rangel. Nacional, 1944

    foi a editora musa que, em 1995, trouxe à tona o nome do tradutor inicial, eduardo carvalho, perdido nas brumas do tempo. na contracapa de sua edição da obra, a musa faz constar a seguinte informação:

    [atualização em 30/6/15: incorreto - desde 1934, consta na página de créditos 
    "Tradução revista por Godofredo Rangel", vide acima]

    vale ainda informar que essa versão de rangel foi, em 2005, objeto de uma escancarada apropriação pela editora martin claret, que reproduziu o texto, atribuindo a tradução a um dos fantasmas da casa, "alex marins". essa fraude, muito infelizmente, continua em circulação, embaindo uma legião de leitores:


    se a tradução de 1934, mesmo depois de revista por godofredo rangel, ainda continuava a soar com alguns vezos levemente arrebicados, imaginem-se as probabilidades de que qualquer ser, fantasmagórico ou não, consiga se sair com as mesmas soluções, vejam-se alguns exemplos:

    1. rev. godofredo rangel
    cap. VI, beth no palácio maravilhoso (nacional, 1969, p. 63):

    A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.

    2. "alex marins"
    cap. VI, beth no palácio maravilhoso (martin claret, 2005, p. 70):

    A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.

    1. rev. godofredo rangel
    cap. XIII, castelos no ar (nacional, 1969, p. 146):

    Laurie embalava-se lentamente na rede em uma tarde cálida de setembro, perguntando-se o que seria feito de suas vizinhas, mas com preguiça suficiente para não ir saber notícias delas. Estava num de seus dias de mau humor; o dia fora-lhe inútil e aborrecido e bem quisera vivê-lo de novo. O calor tornara-o indolente; deixara de lado o estudo, apoquentara a mais não poder o sr. Brooke, aborrecera o avô, excitando-se em jogos grande parte do dia, assustara horrivelmente as criadas, fazendo-lhes crer, por maldade, que um dos cães ia ficar louco e, depois de dirigir palavras ásperas ao rapaz da estrebaria sob o pretexto imaginário de não ter tratado do seu cavalo, mergulhara finalmente na rede a pensar na estupidez do mundo até que, apesar de si próprio, o acalmara a placidez daquele belo dia.

    2. "alex marins"
    cap. XIII, castelos no ar (martin claret, 2005, p. 154):

    A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.


    veja a continuação aqui.

    atualização em 18/12/2019:
    curiosamente, em algum momento - antes de 1944 - foi lançada uma edição em cuja capa constava o nome de godofredo rangel como tradutor:


    agradeço a jonathas gonçalves pela referência e pela imagem.

    12 de jun. de 2015

    bernard shaw no brasil, iconografia

    abaixo seguem diversas imagens de capa dos títulos listados no arrolamento das traduções de shaw no brasil, aqui.

    moacyr werneck de castro, 1949

    miroel silveira, 1949

    raymundo magalhães jr., 1950

    moacyr werneck de castro, 1950

    vivaldo coaracy, 1951

    vivaldo coaracy, 1951

    miroel silveira, 1951

    moacyr werneck de castro, 1951

    dinah silveira de queiroz, 1951

    vivaldo coaracy, 1952

    joão távora, 1952

    raymundo magalhães jr., 1953

    joão távora, 1953

    raymundo magalhães jr., 1954

    raymundo magalhãs jr., 1954

    cláudio mello e souza, 2004 [1960]

    paulo rónai, c. 1982 [1970]

    cláudia sant'ana martins, 1988

    josé viegas filho, 1996

    millôr fernandes, 2005

    domingos nunez, 2009



    11 de jun. de 2015

    bernard shaw no brasil

    até onde consegui restituir a presença de bernard shaw no brasil, as traduções de sua obra publicadas em livro entre nós são as seguintes:

    • “O problema de Dom João” Trad. Persiano da Fonseca. In: Os Mais Belos Contos de Amor. Rio de Janeiro: Vecchi, 1944. 
    • “O imperador e a menina”.  Trad. Rubem Braga. In Os Ingleses: antigos e modernos. Rio de Janeiro: Leitura, 1944. Coleção Contos do Mundo, 2. Reed. como Contos ingleses: os clássicos, Ediouro, 2004
    • Aventuras de uma negrinha que procurava Deus. Trad. Moacyr Werneck de Castro. Coleção Nobel. Porto Alegre: Globo. 1949. 160 p.

    a partir de 1949, a editora melhoramentos, de são paulo, adquire os direitos de tradução e publicação da obra de shaw em português.

    parágrafo inicial da notícia,
    in Autores e Livros, X, n. 4, 15/2/1949, aqui

    assim, a partir daquele ano, teremos as seguintes edições, sempre pela melhoramentos, até 1955:

    • César e Cleópatra – uma história. Trad. Miroel Silveira. 1949. 114 p.
    • O homem e as armas. Trad. Raymundo Magalhães Júnior. 1950. 90 p.
    • Major Bárbara e outros textos. 1º Auxilio aos críticos - Evangelho de Santo André Undershat; O Exército da Salvação; A Volta de Bárbara ao Exército - Debilidades do Exército da Salvação - Cristianismo e Anarquismo;  Conclusões sadias. Trad. Moacyr Werneck de Castro. 1950. 130 p.
    • Casa de Orates - fantasia à moda russa em torno de temas ingleses . Trad. Vivaldo Coaracy. 1951. 137 p.
    • O discípulo do diabo - melodrama. Trad. Vivaldo Coaracy. 1951. 92 p.
    • Pigmalião – comédia em cinco atos. Trad. Miroel Silveira. 1951. 98 p. Reed. em volume duplo com Santa Joana em Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura. Opera Mundi, 1973.
    • Homem e super-homem – Manual e companheiro de bolso do revolucionário, máximas para revolucionários. Trad. Moacyr Werneck de Castro. 1951. 229 p.
    • Santa Joana – peça histórica em seis cenas e um epílogo. Trad. Dinah Silveira de Queiroz. 1951. 55 p. Reed. em volume duplo com Pigmalião em Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, Delta, 1964; Opera Mundi, 1973.
    • A conversão do pirata – uma aventura. Trad. Vivaldo Coaracy. 1952. 93 p.
    • Cândida. Trad. João Távora. 1952. 68 p.
    • O dilema do médico. Trad. Raimundo Magalhães Júnior. 1953. 174 p.
    • Volta a Matusalém: um pentateuco metabiológico. No Principio; O Evangelho dos Irmãos Barnabé; A Coisa Acontece; Tragédia de Um Senhor Idoso; Até Onde o Pensamento Alcança. Trad. João Távora. 1953. 327 p.
    • A milionária. Trad. Raymundo Magalhães Júnior. 1954. 106 p.
    • O homem do destino / A primeira peça de Fanny. Trad. Raimundo Magalhães Júnior. 1954. 152 p.
    • Quem sou eu e o que penso. Trad. Oscar Mendes. 1955. 125 p. 
    a melhoramentos reeditou esses títulos com frequência, às vezes em volume duplo (p.ex., em 1954, O homem e as armas / Cândida). sem dúvida, foi, e continua a ser até hoje, a principal iniciativa editorial dedicada ao autor no brasil.


    na sequência, temos:
    • “A confissão de Dom João”. Trad. não consta. In: Maravilhas do conto inglês. SP: Cultrix, 1957. 
    • Como ele mentiu ao marido dela. Trad. não consta [Lúcio Cardoso]. Funarte, s/d
    • Santa Joana. Trad. Flávio Rangel. Funarte, s/d
    • A profissão da senhora Warren. Trad. Cláudio Mello e Souza.  Funarte, 1960. Reed. Abril Cultural, Coleção Teatro Vivo, 1976;  Peixoto Neto, 2004. Os grandes dramaturgos, 2.  
    • Socialismo para milionários. Trad. Paulo Rónai. Tecnoprint, c.1970
    • Um socialista anti-social. Trad. Cláudia Sant’Ana Martins. Brasiliense, 1988
    • O teatro das idéias. Trad. José Viegas Filho. (Traz resenhas, críticas, cartas e prefácios) SP: Cia. das Letras, 1996. 328 p. 
    • Pigmaleão – Um romance em cinco atos. Trad. Millôr Fernandes. Porto Alegre, L&PM, 2005 
    • Quatro peças curtas. Como ele mentiu para o marido dela; A dama negra dos sonetos; O recruta Dennis; Um quê de realidade. Trad. Domingos Nunez. Coleção Musa Teatro, 2. Musa: Ludens, 2009. 167 p.

    naturalmente, houve muitas encenações de peças de bernard shaw desde os anos 1930, iniciando-se com a companhia de teatro de dulcina de moraes. mas raríssimas vezes os livretos com a tradução para o palco chegaram a ser publicados; localizei apenas algumas edições pela funarte, acima arroladas. a título de curiosidade, vale citar a tradução de cecília meirelles para santa joana, que estreou com direção de flávio rangel em março de 1965, poucos meses após a morte da poeta-tradutora. 


    programa da peça disponível aqui


    Fontes: Fundação Biblioteca Nacional; Hemeroteca Digital FBN; Irish Literature in Brazil since 1888, aquiA Tradução Teatral: Widowers’ Houses de George Bernard Shaw, aqui; portais Estante Virtual e Livronauta; Google. 

    ver iconografia aqui