criei o blog traduzindo mulherzinhas, aqui.
21 de jun. de 2015
19 de jun. de 2015
louisa may alcott no brasil III
as postagens anteriores referente a alcott no brasil estão aqui.
I.
já vimos as traduções de little women. passemos, primeiramente, à sua continuação, good wives.
II.
as outras obras de alcott traduzidas entre nós são:
I.
já vimos as traduções de little women. passemos, primeiramente, à sua continuação, good wives.
- a nacional lançara mulherzinhas em 1934; em 1935 a editora lança boas esposas, em tradução de genolino amado, com ela inaugurando sua coleção biblotheca das moças. aqui a capa é da quarta edição, em 1960.
genolino amado, 1935
- esposas exemplares, tradução de nair lacerda, sai na coleção saraiva, 104, em 1957.
nair lacerda, 1957
- pelas edições paulinas, em sua coleção primavera 3, temos em 1960 as mulherzinhas crescem
- como já dissemos no post anterior, aqui, mulherzinhas da ediouro é a única que traz as partes I e II num só volume. a tradução é de sônia coutinho, e foi lançada em 1968.
ou seja, enquanto little women recebeu sete diferentes traduções integrais no brasil, sua continuação recebeu quatro.
II.
as outras obras de alcott traduzidas entre nós são:
- rose in bloom, que saiu em tradução de aldo della nina com o nome de alma em flor, pela saraiva, coleção rosa, em 1956, e pela edições paulinas em 1961 como rosa em flor (não ei quem traduziu)
- os oito primos, pela paulinas, também em 1961
- a rapaziada de jo (jo's boys), também pela paulinas, em 1962
- longa e fatal caçada amorosa, em tradução de vera maria marques martins, pela best-seller, em 1995
- a herança, em tradução de vitória paranhos mantovani, também pela best-seller, em 1998, reeditada pela nova cultural em 2004
18 de jun. de 2015
louisa may alcott no brasil II
Preface
“Go then, my little Book, and show to all
That entertain, and bid thee welcome shall,
What thou dost keep close shut up in thy breast;
And wish what thou dost show them may be blest
To them for good, may make them choose to be
Pilgrims better, by far, than thee or me.
Tell them of Mercy; she is one
Who early hath her pilgrimage begun.
Yea, let young damsels learn of her to prize
The world which is to come, and so be wise;
For little tripping maids may follow God
Along the ways which saintly feet have trod.”
Adapted from JOHN BUNYAN
prosseguindo nosso levantamento das obras de louisa may alcott traduzidas no brasil (veja o início aqui), eis as traduções de little women de que dispomos:
“Go then, my little Book, and show to all
That entertain, and bid thee welcome shall,
What thou dost keep close shut up in thy breast;
And wish what thou dost show them may be blest
To them for good, may make them choose to be
Pilgrims better, by far, than thee or me.
Tell them of Mercy; she is one
Who early hath her pilgrimage begun.
Yea, let young damsels learn of her to prize
The world which is to come, and so be wise;
For little tripping maids may follow God
Along the ways which saintly feet have trod.”
Adapted from JOHN BUNYAN
prosseguindo nosso levantamento das obras de louisa may alcott traduzidas no brasil (veja o início aqui), eis as traduções de little women de que dispomos:
- a primeira, como já dissemos aqui, é a de eduardo carvalho, pela nacional, em 1934
- segue-se em 1953 a tradução de nair lacerda pela saraiva, volume 64 da coleção saraiva, com o título as quatro irmãs. essa tradução será reeditada em 1973 pelo círculo do livro, com o título mais conhecido de mulherzinhas.
- em 1960, a paulinas inicia a publicação de alcott em sua coleção primavera, e será a editora com o maior número de títulos da autora: cinco livros ao todo. o primeiro a sair é, naturalmente, mulherzinhas. consta nos créditos que é uma "renarração" de josé alvisana. não sei o que significa; não uma condensação, pois tem quase 300 páginas.
josé alvisana, 1960
- em 1968, temos a única edição que reúne no mesmo volume little women e good wives como as duas partes compondo little women como um todo. a tradução é de sônia coutinho, pela edições de ouro, com posteriores reedições na ediouro, em sua coleção clássicos de bolso.
sônia coutinho, 1968 (capa, 1995)
- em 1998, temos a tradução de marcos bagno, publicada numa edição interessante da melhoramentos (coleção obras-primas universais), fartamente enriquecida com ilustrações nas margens, com dados históricos, fotos, imagens de época, e respectivos comentários e legendas. esse aparato complementar, traduzido por maria alice de sampaio doria, segue a edição da gallimard francesa (1994).
marcos bagno, 1998
- também em 1998, a ática lança em sua coleção eu leio, de paradidáticos, a tradução de cláudia moraes:
cláudia moraes, 1998
- em 2003, na coleção obras-primas, a nova cultural lança a tradução de vera maria marques martins:
vera m. marques martins, 2003
- em 2005, temos a edição espúria lançada pela martin claret, já comentada no post anterior.
num balanço até o momento, teríamos então sete diferentes traduções de little women no brasil - sem contar a fraude claretiana e sem incluir adaptações e condensações. - entre 1934 e 2003. recapitulando, são as de: eduardo carvalho (posteriormente revista por godofredo rangel); nair lacerda; josé palisano; sônia coutinho; marcos bagno; cláudia moraes; vera maria marques martins.
conheço quatro delas: a revista por rangel, a de marcos bagno, a de sônia coutinho e a de vera martins. apenas a de sônia coutinho traz o prefácio acima reproduzido, e que constitui praticamente todo o programa da obra.
louisa may alcott no brasil I
a obra mais conhecida de louisa may alcott é little women. no brasil, teve várias traduções e inúmeras adaptações - as adaptações não incluirei neste levantamento. foi a primeira obra de alcott a ser publicada no brasil.
mas, antes de avançarmos, cabe notar um detalhe. little women foi originalmente publicada em 1868. devido ao grande e imediato sucesso, louisa logo a seguir escreveu a continuação, lançada em 1869, com o título de good wives (dado não pela autora, mas por seu editor na inglaterra). também fez sucesso. foi em 1880 que as duas partes, little women e good wives, foram reunidas como uma só obra, com o título geral de little women, parte I e parte II. mas, de modo geral, o que se publica no brasil corresponde apenas à parte I, isto é, a original little women de 1868. a única exceção, incluindo as duas partes, como veremos adiante, é a edição lançada pela ediouro.
a partir de 1944, a nacional inclui a obra em sua coleção biblioteca das moças, 119, em dois volumes, de capas iguais.a tradução, porém, é submetida a extensa revisão, vindo a constar nos créditos "tradução revista por godofredo rangel". foi esta versão que acabou se consagrando em sucessivas reedições, desaparecendo qualquer menção a eduardo carvalho.
[atualização de 30/06/15: tais afirmações, feitas por inferência a partir das declarações equivocadas da editora musa em sua contracapa - ver abaixo -, não procedem. desde 1934, mulherzinhas foi publicada como "tradução revista por godofredo rangel". a tradução originalmente feita por eduardo carvalho, se é que de fato existiu, nunca veio à luz.]
veja a continuação aqui.
atualização em 18/12/2019:
curiosamente, em algum momento - antes de 1944 - foi lançada uma edição em cuja capa constava o nome de godofredo rangel como tradutor:
agradeço a jonathas gonçalves pela referência e pela imagem.
mas, antes de avançarmos, cabe notar um detalhe. little women foi originalmente publicada em 1868. devido ao grande e imediato sucesso, louisa logo a seguir escreveu a continuação, lançada em 1869, com o título de good wives (dado não pela autora, mas por seu editor na inglaterra). também fez sucesso. foi em 1880 que as duas partes, little women e good wives, foram reunidas como uma só obra, com o título geral de little women, parte I e parte II. mas, de modo geral, o que se publica no brasil corresponde apenas à parte I, isto é, a original little women de 1868. a única exceção, incluindo as duas partes, como veremos adiante, é a edição lançada pela ediouro.
eis, pois, a primeira alcott no brasil (como louise, em lugar de louisa
- mas na página de rosto consta corretamente como louisa):
- mas na página de rosto consta corretamente como louisa):
a partir de 1944, a nacional inclui a obra em sua coleção biblioteca das moças, 119, em dois volumes, de capas iguais.
[atualização de 30/06/15: tais afirmações, feitas por inferência a partir das declarações equivocadas da editora musa em sua contracapa - ver abaixo -, não procedem. desde 1934, mulherzinhas foi publicada como "tradução revista por godofredo rangel". a tradução originalmente feita por eduardo carvalho, se é que de fato existiu, nunca veio à luz.]
Tradução revista por Godofredo Rangel. Nacional, 1944
foi a editora musa que, em 1995, trouxe à tona o nome do tradutor inicial, eduardo carvalho, perdido nas brumas do tempo. na contracapa de sua edição da obra, a musa faz constar a seguinte informação:
[atualização em 30/6/15: incorreto - desde 1934, consta na página de créditos
"Tradução revista por Godofredo Rangel", vide acima]
"Tradução revista por Godofredo Rangel", vide acima]
vale ainda informar que essa versão de rangel foi, em 2005, objeto de uma escancarada apropriação pela editora martin claret, que reproduziu o texto, atribuindo a tradução a um dos fantasmas da casa, "alex marins". essa fraude, muito infelizmente, continua em circulação, embaindo uma legião de leitores:
se a tradução de 1934, mesmo depois de revista por godofredo rangel, ainda continuava a soar com alguns vezos levemente arrebicados, imaginem-se as probabilidades de que qualquer ser, fantasmagórico ou não, consiga se sair com as mesmas soluções, vejam-se alguns exemplos:
1. rev. godofredo rangel
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (nacional, 1969, p. 63):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
2. "alex marins"
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (martin claret, 2005, p. 70):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
1. rev. godofredo rangel
cap. XIII, castelos no ar (nacional, 1969, p. 146):
Laurie embalava-se lentamente na rede em uma tarde cálida de setembro, perguntando-se o que seria feito de suas vizinhas, mas com preguiça suficiente para não ir saber notícias delas. Estava num de seus dias de mau humor; o dia fora-lhe inútil e aborrecido e bem quisera vivê-lo de novo. O calor tornara-o indolente; deixara de lado o estudo, apoquentara a mais não poder o sr. Brooke, aborrecera o avô, excitando-se em jogos grande parte do dia, assustara horrivelmente as criadas, fazendo-lhes crer, por maldade, que um dos cães ia ficar louco e, depois de dirigir palavras ásperas ao rapaz da estrebaria sob o pretexto imaginário de não ter tratado do seu cavalo, mergulhara finalmente na rede a pensar na estupidez do mundo até que, apesar de si próprio, o acalmara a placidez daquele belo dia.
2. "alex marins"
cap. XIII, castelos no ar (martin claret, 2005, p. 154):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (nacional, 1969, p. 63):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
2. "alex marins"
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (martin claret, 2005, p. 70):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
1. rev. godofredo rangel
cap. XIII, castelos no ar (nacional, 1969, p. 146):
Laurie embalava-se lentamente na rede em uma tarde cálida de setembro, perguntando-se o que seria feito de suas vizinhas, mas com preguiça suficiente para não ir saber notícias delas. Estava num de seus dias de mau humor; o dia fora-lhe inútil e aborrecido e bem quisera vivê-lo de novo. O calor tornara-o indolente; deixara de lado o estudo, apoquentara a mais não poder o sr. Brooke, aborrecera o avô, excitando-se em jogos grande parte do dia, assustara horrivelmente as criadas, fazendo-lhes crer, por maldade, que um dos cães ia ficar louco e, depois de dirigir palavras ásperas ao rapaz da estrebaria sob o pretexto imaginário de não ter tratado do seu cavalo, mergulhara finalmente na rede a pensar na estupidez do mundo até que, apesar de si próprio, o acalmara a placidez daquele belo dia.
2. "alex marins"
cap. XIII, castelos no ar (martin claret, 2005, p. 154):
A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.
veja a continuação aqui.
atualização em 18/12/2019:
curiosamente, em algum momento - antes de 1944 - foi lançada uma edição em cuja capa constava o nome de godofredo rangel como tradutor:
agradeço a jonathas gonçalves pela referência e pela imagem.
12 de jun. de 2015
bernard shaw no brasil, iconografia
abaixo seguem diversas imagens de capa dos títulos listados no arrolamento das traduções de shaw no brasil, aqui.
moacyr werneck de castro, 1949
miroel silveira, 1949
raymundo magalhães jr., 1950
moacyr werneck de castro, 1950
vivaldo coaracy, 1951
vivaldo coaracy, 1951
miroel silveira, 1951
moacyr werneck de castro, 1951
dinah silveira de queiroz, 1951
vivaldo coaracy, 1952
joão távora, 1952
raymundo magalhães jr., 1953
joão távora, 1953
raymundo magalhães jr., 1954
raymundo magalhãs jr., 1954
cláudio mello e souza, 2004 [1960]
paulo rónai, c. 1982 [1970]
cláudia sant'ana martins, 1988
josé viegas filho, 1996
millôr fernandes, 2005
domingos nunez, 2009
11 de jun. de 2015
bernard shaw no brasil
até onde consegui restituir a presença de bernard shaw no brasil, as traduções de sua obra publicadas em livro entre nós são as seguintes:
a partir de 1949, a editora melhoramentos, de são paulo, adquire os direitos de tradução e publicação da obra de shaw em português.
assim, a partir daquele ano, teremos as seguintes edições, sempre pela melhoramentos, até 1955:
na sequência, temos:
naturalmente, houve muitas encenações de peças de bernard shaw desde os anos 1930, iniciando-se com a companhia de teatro de dulcina de moraes. mas raríssimas vezes os livretos com a tradução para o palco chegaram a ser publicados; localizei apenas algumas edições pela funarte, acima arroladas. a título de curiosidade, vale citar a tradução de cecília meirelles para santa joana, que estreou com direção de flávio rangel em março de 1965, poucos meses após a morte da poeta-tradutora.
Fontes: Fundação Biblioteca Nacional; Hemeroteca Digital FBN; Irish Literature in Brazil since 1888, aqui; A Tradução Teatral: Widowers’ Houses de George Bernard Shaw, aqui; portais Estante Virtual e Livronauta; Google.
ver iconografia aqui
- “O problema de Dom João” Trad. Persiano da Fonseca. In: Os Mais Belos Contos de Amor. Rio de Janeiro: Vecchi, 1944.
- “O imperador e a menina”. Trad. Rubem Braga. In Os Ingleses: antigos e modernos. Rio de Janeiro: Leitura, 1944. Coleção Contos do Mundo, 2. Reed. como Contos ingleses: os clássicos, Ediouro, 2004
- Aventuras de uma negrinha que procurava Deus. Trad. Moacyr Werneck de Castro. Coleção Nobel. Porto Alegre: Globo. 1949. 160 p.
a partir de 1949, a editora melhoramentos, de são paulo, adquire os direitos de tradução e publicação da obra de shaw em português.
parágrafo inicial da notícia,
in Autores e Livros, X, n. 4, 15/2/1949, aqui
assim, a partir daquele ano, teremos as seguintes edições, sempre pela melhoramentos, até 1955:
- César e Cleópatra – uma história. Trad. Miroel Silveira. 1949. 114 p.
- O homem e as armas. Trad. Raymundo Magalhães Júnior. 1950. 90 p.
- Major Bárbara e outros textos. 1º Auxilio aos críticos - Evangelho de Santo André Undershat; O Exército da Salvação; A Volta de Bárbara ao Exército - Debilidades do Exército da Salvação - Cristianismo e Anarquismo; Conclusões sadias. Trad. Moacyr Werneck de Castro. 1950. 130 p.
- Casa de Orates - fantasia à moda russa em torno de temas ingleses . Trad. Vivaldo Coaracy. 1951. 137 p.
- O discípulo do diabo - melodrama. Trad. Vivaldo Coaracy. 1951. 92 p.
- Pigmalião – comédia em cinco atos. Trad. Miroel Silveira. 1951. 98 p. Reed. em volume duplo com Santa Joana em Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura. Opera Mundi, 1973.
- Homem e super-homem – Manual e companheiro de bolso do revolucionário, máximas para revolucionários. Trad. Moacyr Werneck de Castro. 1951. 229 p.
- Santa Joana – peça histórica em seis cenas e um epílogo. Trad. Dinah Silveira de Queiroz. 1951. 55 p. Reed. em volume duplo com Pigmalião em Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, Delta, 1964; Opera Mundi, 1973.
- A conversão do pirata – uma aventura. Trad. Vivaldo Coaracy. 1952. 93 p.
- Cândida. Trad. João Távora. 1952. 68 p.
- O dilema do médico. Trad. Raimundo Magalhães Júnior. 1953. 174 p.
- Volta a Matusalém: um pentateuco metabiológico. No Principio; O Evangelho dos Irmãos Barnabé; A Coisa Acontece; Tragédia de Um Senhor Idoso; Até Onde o Pensamento Alcança. Trad. João Távora. 1953. 327 p.
- A milionária. Trad. Raymundo Magalhães Júnior. 1954. 106 p.
- O homem do destino / A primeira peça de Fanny. Trad. Raimundo Magalhães Júnior. 1954. 152 p.
- Quem sou eu e o que penso. Trad. Oscar Mendes. 1955. 125 p.
a melhoramentos reeditou esses títulos com frequência, às vezes em volume duplo (p.ex., em 1954, O homem e as armas / Cândida). sem dúvida, foi, e continua a ser até hoje, a principal iniciativa editorial dedicada ao autor no brasil.
na sequência, temos:
- “A confissão de Dom João”. Trad. não consta. In: Maravilhas do conto inglês. SP: Cultrix, 1957.
- Como ele mentiu ao marido dela. Trad. não consta [Lúcio Cardoso]. Funarte, s/d
- Santa Joana. Trad. Flávio Rangel. Funarte, s/d
- A profissão da senhora Warren. Trad. Cláudio Mello e Souza. Funarte, 1960. Reed. Abril Cultural, Coleção Teatro Vivo, 1976; Peixoto Neto, 2004. Os grandes dramaturgos, 2.
- Socialismo para milionários. Trad. Paulo Rónai. Tecnoprint, c.1970
- Um socialista anti-social. Trad. Cláudia Sant’Ana Martins. Brasiliense, 1988
- O teatro das idéias. Trad. José Viegas Filho. (Traz resenhas, críticas, cartas e prefácios) SP: Cia. das Letras, 1996. 328 p.
- Pigmaleão – Um romance em cinco atos. Trad. Millôr Fernandes. Porto Alegre, L&PM, 2005
- Quatro peças curtas. Como ele mentiu para o marido dela; A dama negra dos sonetos; O recruta Dennis; Um quê de realidade. Trad. Domingos Nunez. Coleção Musa Teatro, 2. Musa: Ludens, 2009. 167 p.
naturalmente, houve muitas encenações de peças de bernard shaw desde os anos 1930, iniciando-se com a companhia de teatro de dulcina de moraes. mas raríssimas vezes os livretos com a tradução para o palco chegaram a ser publicados; localizei apenas algumas edições pela funarte, acima arroladas. a título de curiosidade, vale citar a tradução de cecília meirelles para santa joana, que estreou com direção de flávio rangel em março de 1965, poucos meses após a morte da poeta-tradutora.
programa da peça disponível aqui
Fontes: Fundação Biblioteca Nacional; Hemeroteca Digital FBN; Irish Literature in Brazil since 1888, aqui; A Tradução Teatral: Widowers’ Houses de George Bernard Shaw, aqui; portais Estante Virtual e Livronauta; Google.
ver iconografia aqui
18 de abr. de 2015
mário de andrade e a "coleção cultura musical"
já comentei isso em outros posts, mas repito porque acho importante: a "cultura brasileira" foi uma pequena e efêmera editora (1934-1938) que, entre outras coisas, mantinha uma coleção de obras sobre músicos, a "coleção cultura musical", dirigida e organizada por mário de andrade.
em se conhecendo o nariz empinado de mário de andrade em relação à literatura de tradução, acho interessante que, claro, nem ele próprio foi capaz de abdicar dessa atividade que interconecta povos e culturas por meio de suas obras. e até imagino que tenha sido ele mesmo a indicar e escolher os tradutores dos livros que integravam sua coleção.
fica aqui mais uma singela sugestão para um TCC, uma monografia de final de curso, em nível de graduação: a trajetória da coleção cultura musical, da editora cultura brasileira.
em se conhecendo o nariz empinado de mário de andrade em relação à literatura de tradução, acho interessante que, claro, nem ele próprio foi capaz de abdicar dessa atividade que interconecta povos e culturas por meio de suas obras. e até imagino que tenha sido ele mesmo a indicar e escolher os tradutores dos livros que integravam sua coleção.
fica aqui mais uma singela sugestão para um TCC, uma monografia de final de curso, em nível de graduação: a trajetória da coleção cultura musical, da editora cultura brasileira.
12 de abr. de 2015
4 de abr. de 2015
o velho e o mar II
prosseguindo a questão levantada no post anterior, o velho e o mar, aqui, marlova assef, a quem agradeço também pelas imagens, confirma que a edição da civilização brasileira de 1956 traz o início "melvilliano": "O velho chamava-se Santiago".

mas, neste caso, aquela minha hipótese de um dedinho do ênio silveira nesse inusitado começo, que levantei em o velho e o mar, parece não se sustentar. em licenciamento, não se costuma (nem se pode muito) mexer no texto, salvo para fins de estrita adaptação linguística. isso leva a indicar que a fonte daquela inspiração melvilliana foi no ultramar mesmo, e quiçá por gosto mesmo do próprio tradutor (por maior que seja minha dificuldade em ver alguma coerência e compatibilizar os dois partidos anteriormente apontados).
concluindo, um dado interessante: castro ferro veio a se radicar no brasil, imagino que por volta daquela mesma época. aqui fundou uma editora, a expressão e cultura, e continuou na atividade tradutória por muitos anos. encontra-se um artigo interessante seu, "o mundo selvagem dos livros", no jornal opinião, sobre sua experiência de editor no brasil, aqui.

capa, 1956 sobrecapa, 1956
interessante notar que se trata de um licenciamento da livros do brasil para a civilização. a edição portuguesa lançada pela livros do brasil não traz data de edição, mas no google books consta o ano de 1954, aqui.
vale notar que a livros do brasil publicou apenas uma edição da tradução de fernando de castro ferro, e já a partir de 1956 substituiu-a por outra tradução, da lavra de jorge de sena, em circulação até a data de hoje. a tradução licenciada para a civilização passou por revisão para adequá-la ao português brasileiro.
mas, neste caso, aquela minha hipótese de um dedinho do ênio silveira nesse inusitado começo, que levantei em o velho e o mar, parece não se sustentar. em licenciamento, não se costuma (nem se pode muito) mexer no texto, salvo para fins de estrita adaptação linguística. isso leva a indicar que a fonte daquela inspiração melvilliana foi no ultramar mesmo, e quiçá por gosto mesmo do próprio tradutor (por maior que seja minha dificuldade em ver alguma coerência e compatibilizar os dois partidos anteriormente apontados).
concluindo, um dado interessante: castro ferro veio a se radicar no brasil, imagino que por volta daquela mesma época. aqui fundou uma editora, a expressão e cultura, e continuou na atividade tradutória por muitos anos. encontra-se um artigo interessante seu, "o mundo selvagem dos livros", no jornal opinião, sobre sua experiência de editor no brasil, aqui.
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