27 de set. de 2013

literatura tcheca traduzida no brasil

indicação de rodrigo conçole (bastante incompleta a lista; acho que vale a pena colaborar):




Títulos da literatura tcheca traduzidos para português e publicados no Brasil


autores e títuloseditoras
Božena Němcová
  • A Avó - Lembranças de uma Vida de Menina (Babička, 1855) 
  • [NEMCOVA, Bozena , 1820-1862 — A avó [Babick ] romance ; trad . de Ruth Salles; pref. de Antonio Houaiss. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1958. 325 p . ilus. (Coleção Romances eternos, 2) - DB]

Edições de Ouro, ???
Bohumil Hrabal
  • Eu Servi o Rei da Inglaterra (Obsluhoval jsem anglického krále, 1971)

Nova Cultural, 1971, 1989; Caminho, 1990; BEST SELLER, 1988, 2000; Companhia das Letras, 2002
  • Comboios Rigorosamente Vigiados (Ostře sledované vlaky, 1964)
Caminho, 1990
  • Um Artista da Fome e A Construção  (Ein Hungerkünstler, 1922, em tcheco Umělec v hladovění)

Companhia das Letras, 1998
  • Castelo (Das Schloß, 1922, em tcheco Zámek)
Companhia das Letras, 2000; Companhia das Letras (edição de Bolso), 2008; Nova Cultural, 2003; Martin Claret, 2006
  • Carta ao Pai (Brief an den Vater, 1918, em tcheco Dopis otci)
Companhia das Letras, 1997
  • Contemplação(Betrachtung, 1913, em tcheco Rozjímání)
Brasiliense, 1991, 1994; Companhia das Letras, 1999, 2008
  • Diário Íntimo(Jeho soukromý deník, 1902 – 1924)
Nova Crítica, 1964; Nova Época Editorial
  • Foguista (Der Heizer, 1913 em tcheco Topič)
Companhia das Letras, 1999
  • Um Médico Rural(Ein Landarzt, 1918, em tcheco Venkovský lékař)
Companhia das Letras, 1999
  • A Metamorfose (Die Verwandlung, 1915, em tcheco Proměna)
Companhia das Letras, 1997
  • Narrativas do Espólio(???, 1914-1924)
Companhia das Letras, 2002
  • Processo (Der Prozeß, 1914 – 1915, em tcheco Proces)
Companhia das Letras,1997;Companhia das Letras (edição de Bolso), 2005
  • Sonhos (???)
  • Veredicto / Na Colônia Penal (Das Urteil, 1913, em tcheco Ortel)
Companhia das Letras, 1998
Gustav Janouch
  • Conversas com Kafka (???)

Novo Século, ???; Nova Fronteira, 1983
textotexto
Ivan Klíma
  • Nem Santos Nem Anjos (Ani svatí, ani andělé, 1999)

Record, 2006
  • Amor e Lixo(Láska a smetí, 1987) – também como Amor e Desencanto
Bertrand Brasil, 1991; Record, 1993; Bestbolso, 2007
Jan Amos Komenský
  • Didática Magna (Didactica magna em latim, em tcheco Velká didaktika)

Martins Fontes, 1997, 2006;
Jaroslav Hašek
  • Aventuras do Bravo Soldado Schveik (Osudy dobrého vojáka Švejka za světové války 1921–1923)

Civilização Brasileira, 1967
  • O Valente Soldado Schveik ou também como O Bravo Soldado Schweik
Teatro Carioca de Arte, 1967
Jiří Hájek
  • Antologia de Contos Tchecoslovacos
Jiří Pražák, Dušan Hamsík
  • Atentado Contra Heydrich (Bomba pro Heydricha, ???)

Civilização Brasileira, 1967
Josef Bor
  • Requiem em Terezin (Terezínské rekviem, 1963)

Publicações Europa-america, 1963; Brasil América, 1987
Josef Hromádka
  • Para Que Eu Vivo? (???)
Paz e Terra, 1971
Josef Nesvadba
  • O Cérebro de Einstein (Einsteinův mozek, 1960)

Biblioteca Universal Popular, 1967
Josef Škvorecký
  • Dois Assassinatos em Minha Vida Dupla (Dvě vraždy v mém dvojím životě,1996)]

Record, 2002
  • A República das Putas (???)
Record, 1999
  • O Saxofone Baixo(Bassaxofon, 1967)
Record, 1980, 1999
  • O Engenheiro das Almas (Příběh inženýra lidských duší 1977)
Record, 2002, 2003
  • A História do Saxofonista (Povídky tenorsaxofonisty, 1954 – 1955)
Imago, 1998
  • Histórias Apócrifas (Kniha apokryfů, 1932)

Editora 34, 1994, 2009
  • A Guerra das Salamandras (Válka s mloky, 1936)
Brasiliense, 1988
resenha
  • Dachenca: A História de Uma Cachoeirinha (Dášenka čili život štěněte, 1933)
Veradas, 2003, 2007
  • A Doença Branca (Bílá nemoc, 1937)
Z. Valverde, 1942
Karel Havlíček Borovský
  • La Bapto de Caro Vladimir - em esperanto (O Batismo de São Vladimir) (Křest Svatého Vladimíra, 1855)

J. Rugulo-eldonisto-la Laguna, 1953
Karel Kosík
  • Dialética do Concreto (Dialektika konkrétního, 1963)
Ludvík Vaculík
  • As Cobaias (Morčata, 1970), editora: Imago, 1977

Imago, 1977
Max Brod
  • Kafka (Franz Kafka, eine Biographie, 1937, em tcheco Franz Kafka: Životopis)
  • A Arte do Romance (Umění románu,1986)
  • A Brincadeira (Žert, 1965)
Companhia das Letras (1999)Editora Nova Fronteira, 1986
  • A Cortina (Opona,2005)
Companhia das Letras (2006)
  • A Insustentável Leveza do Ser (Nesnesitelná lehkost bytí, 1984)
Record / Altaya, 1983; Editora Nova Fronteira, 1985; Círculo do Livro, 1988
  • A Lentidão(La Lenteur, Pomalost, 1993)
Editora Nova Fronteira, 1995
  • A Valsa dos Adeuses(Valčík na rozloučenou, 1972)
Nova Fronteira, 1989
  • A Vida Está em Outro Lugar (Život je jinde, 1973)
Círculo do Livro, 1973, 1995
  • Ignorância (Nevědomost,2000)
Companhia das Letras, 2002
  • O Livro do Riso e do Esquecido (Kniha smíchu a zapomnění, 1978)
Círculo do Livro, 1978
  • Risíveis Amores (Směšné lásky, 1970)
Editora Nova Fronteira, 1985, 1986
  • A Identidade (Totožnost,1998)
Companhia das Letras, 1998
  • A Imortalidade (Nesmrtelnost, 1987-1988)
Circulo do Livro, ???
  • Jacques e Seu Amo(Jakub a jeho pán: Pocta Denisu Diderotovi, 1971)
Nova Fronteira, 1988
  • Os Testamentos Traidos (Zrazené testamenty, 1992)
Nova Fronteira, 1994
Pavel Tigrid
  • A Primavera de Praga (???)

Laudes, 1968; Bibliex, 1968; Biblioteca do Exército, 1970
Rudolf Ströbinger
  • A - 54 - o Espião das 3 Faces (???)

Civilização Brasileira, 1967
Václav Havel
  • Cartas a Olga(Dopisy Olze, 1983)

Estação Liberdade, 1992
  • Audiência, Vernissage e Petição (Audience, 1975, Vernisáž, 1975, Protest, 1978)
Relógio D´água, 2000
  • A Entrevista a Distância (Dálkový výslech – Rozhovor s Karlem Hvížďalou, 1986)
Siciliano, 1991
  • Ensaios Políticos
Bertrand Brasil, ???
Vladimír Škutina
  • No Castelo Cheio de Malucos (Prezidentův vězeň na hradě plném bláznů, ???)

Litteris, 1995

fonte: aqui

23 de set. de 2013

flap 2013

a mesa redonda "o silêncio do tradutor", com mario rocha, rodrigo garcia lopes e eu, tendo vera helena rossi como moderadora, no dia 21 de setembro, em são paulo, foi muito legal. adiante darei detalhes.


7 de set. de 2013

kafka, nova época editorial

na esteira da livraria exposição do livro (posteriormente rebatizada como hemus) e suas traduções de kafka feitas por torrieri guimarães por interposição do espanhol, nos anos 60, temos na década seguinte a nova época editorial, de são paulo, com traduções feitas a partir das edições da schocken em inglês. não excluo que houvesse participação de mário graciotti (responsável pelo clube do livro) na editora.

a nova época, infelizmente, não trazia data de publicação. só posso afirmar que os lançamentos de kafka são posteriores a 1971, visto constar código de endereçamento postal no endereço da editora em seus volumes (e o cep foi criado pelos correios apenas em maio de 1971). posso afirmar também que foi na mesma época em que a telefônica fez a transição dos números de telefone de seis para sete dígitos em são paulo, visto constarem dois números de telefone da editora, um ainda com seis, outro já com sete dígitos (a saber, 826-8751 e 66-7423) - mas não sei quando se deu essa transição, que nos permitiria afunilar melhor o período de publicação.

por ora, fiquem registradas as obras de kafka lançadas pela nova época com seus respectivos tradutores:
a metamorfose, syomara cajado
o processo, syomara cajado
a colônia penal, syomara cajado
o castelo, d. p. skroski, com prefácio de thomas mann
américa, d. p. skroski
carta a meu pai, osvaldo da purificação
cartas aos meus amigos, osvaldo da purificação
o diário íntimo de kafka, osvaldo da purificação
a muralha da china: contos e máximas, sem créditos de tradução
as edições eram bastante rústicas e pobrezinhas, com paratextos desencontrados e contraditórios. de todo modo, vinham como uma alternativa à livraria exposição do livro (hemus), que na época praticamente monopolizava as publicações de kafka no brasil, sem qualquer contrato autoral com os detentores dos direitos sobre a obra de kafka (a schocken) e valendo-se de traduções existentes em espanhol, muito provavelmente também sem qualquer licença de uso. assim se explicaria a ênfase da nova época em estampar na quarta capa um comunicado anunciando ter adquirido "os direitos autorais de tradução, para o brasil, portugal e todos os países de língua portuguesa, das obras de franz kafka".

eis algumas capas e o recorte de uma contracapa, ilustrando a afirmação acima:




ainda rastreando os primeiros kafka entre nós III

já indiquei os números da revista curitibana joaquim onde, a partir de 1947, foram publicados diversos excertos de kafka, aqui. reproduzo um trecho do post:
graças à tese de miguel sanches neto, aqui, descubro que em março de 1947, no nono número da célebre e efêmera revista curitibana joaquim, fundada por dalton trevisan e erasmo piloto, saíram as que agora creio serem as primeiríssimas traduções de kafka no brasil: um episódio de américa vertido por waltensir dutra,* e "um cruzamento", "o vizinho" e "parábolas", que não entendi bem se foram vertidos por waltensir ou por temístocles linhares.
no número 10 da joaquim, em maio de 1947, temos "o advogado novato" e "a aldeia mais próxima", em tradução de temístocles linhares.
no número 14, em outubro de 1947, temos "o só em kafka", trechos de seu diário traduzidos por georges wilhelm.
no número 18, em maio de 1948, temos uma tradução de wilson martins do episódio inicial d'"o processo", a partir da adaptação teatral feita por andré gide e jean-louis barrault.

bem, no mesmo letras e artes, o suplemento literário dominical do jornal carioca a manhã, encontrei na edição de 26 de agosto de 1947 algumas parábolas e aforismos selecionados e traduzidos por otto maria carpeaux. em nossa cronologia, viriam após o n. 10 da joaquim:







no caso de carpeaux, sem dúvida a tradução deve ter sido feita diretamente do original, imagina-se.

acompanhe a pesquisa sobre kafka no brasil aqui.

ainda rastreando os primeiros kafka entre nós II

no mesmo letras e artes, o suplemento literário dominical do jornal carioca a manhã, encontrei na edição de 5 de janeiro de 1947 uma referência à revista agora, de goiânia, em seu ano I, número 1, agosto de 1946, que teria publicado a historieta "cruza", extraída do volume as metamorfoses (sic). estou tentando localizar a referida revista: por ora, sei apenas que foi criada por oscar sabino jr. e afonso félix de sousa. em a localizando, provavelmente poderia ser apontada como a primeira tradução de algo de kafka no brasil, até eventuais novas descobertas ulteriores.



pelo termo "cruza" (usado numa tradução em espanhol) e pela referência a "metamorfoses" no plural, talvez a tradução tenha sido feita a partir do espanhol. teria de vê-la, porém, antes de afirmar qualquer coisa com maior segurança.

acompanhe a pesquisa sobre kafka no brasil aqui.

ainda rastreando os primeiros kafka entre nós I

em pesquisa em nossa hemeroteca nacional, localizei duas parábolas de kafka traduzidas por cláudio tavares barbosa e publicadas em letras e artes, o suplemento literário dominical do jornal carioca a manhã, em 25 de agosto de 1946.




cotejei com algumas traduções; p.ex. em inglês, aqui e aqui.

acompanhe a pesquisa sobre kafka no brasil aqui.

kafka, a muralha da china, l.e.l.

outro volume importante, a muralha da china, em tradução de torrieri guimarães, publicado pela livraria exposição do livro, sem data, provavelmente 1964, de todo modo certamente anterior à publicação d'a colônia penal pela mesma editora (ver aqui), baseou-se também numa edição da argentina emecé, publicada em 1953, em tradução de alfredo pippig e alejandro ruiz guiñazú, na coleção "grandes novelistas", com o título de la muralla china: cuentos, relatos y otros escritos. seu conteúdo corresponde ao quinto volume de gesammelte schriften, em organização de max brod, publicado em 1936 pela h. mercy sohn, que leva o título de beschreibung eines kampfes: novellen, skizzen, aphorismen aus dem nachlass.




 

neste caso, infelizmente, temos algum indício de certa impropriedade por parte de torrieri guimarães, o qual afirma em breve prefácio à edição: "Aqui está, nesta compilação que fizemos, senão o melhor, pelo menos alguns dos trabalhos mais representativos do fenômeno kafqueano" e, adiante, "Assim é que, nas histórias que selecionamos aqui", dando a entender em "nesta compilação que fizemos" e em "nas histórias que selecionamos aqui" que a seleção e a organização dos textos teriam sido de sua iniciativa e lavra. na verdade, a única diferença em relação ao conteúdo da edição argentina é a omissão das três historietas que se seguem a "de las alegorías", a saber: "la verdad sobre sancho panza", "el silencio de las sirenas" e "prometeo".






acompanhe a pesquisa sobre kafka no brasil aqui.

kafka, a colônia penal, l.e.l.

no luminoso artigo de sousa, brito e santos, "a recepção da obra de franz kafka no brasil", publicado no periódico pandaemonium germanicum, n. 9 (2005), disponível aqui, encontramos a seguinte passagem:
A antologia A colônia penal, de Torrieri Guimarães (1965) é a grande responsável pela publicação dos textos mais curtos de Kafka. Nela vários títulos famosos e imprescindíveis do autor marcam presença: Das Urteil (A sentença), Ein Landarzt (Um médico rural), Vor dem Gesetz (Diante da Lei), In der Strafkolonie (Na colônia penal), Einhungerkünstler (Um artista da fome), Erstes Leid (Um artista do trapézio), Die Verwandlung (A metamorfose) e Josefine, die Sängerin oder das Volk der Mäuse (Josefina, a cantora ou a cidade dos ratos) são bons exemplos da excelente seleção que reúne 39 títulos. [...] Um problema a ser levantado é o fato de Torrieri Guimarães referir-se à antologia como se fosse do próprio Kafka. Em nenhum momento, é esclarecido ao leitor que os textos não foram reunidos e dispostos daquela forma pelo autor (fato relevante, uma vez que se conhece a preocupação de Kafka com essa questão). Também não são indicados os critérios para a seleção dos textos.



bem, não há muito mistério: trata-se da organização feita por max brod para os escritos reunidos de kafka, gesammelte schriften, correspondendo a seu primeiro volume, erzählungen und kleine prosa, publicado em berlim pela schocken em 1935.



faço aqui um breve reparo a um equívoco que se repete com frequência no artigo de sousa, brito e santos: segundo os pesquisadores, torrieri guimarães teria feito sua tradução a partir do francês. não, a língua de interposição foi o espanhol e a tradução de base utilizada por ele para a colônia penal foi a de juan rodolfo wilcock, publicada pela emecé em 1952, com o título de la condena.






há, porém, algumas diferenças de conteúdo: primeiro, a omissão de "descrição de uma luta", que foi publicada no volume d'a muralha da china, também em tradução de torrieri guimarães; segundo, e muito interessante, a inclusão de "a metamorfose", "um artista da fome" e "um artista do trapézio", contos para os quais torrieri recorreu às pretensas traduções de jorge luis borges, estrambótica novela que já comentei extensamente em posts anteriores.




veja também:
  • kafka no brasil: inglês, francês, espanhol..., aqui
  • kafka borgiano, aqui
  • kafka em espanhol, aqui
  • kafka anônimo-borgiano, aqui
  • kafka anônimo-borgiano-torrieriano, aqui
  • kafka anônimo-borgiano-torrieriano II, aqui

5 de set. de 2013

Blog do Denser: Um breve agradecimento aos BONS Tradutores*

Blog do Denser: Um breve agradecimento aos BONS Tradutores*: Foi a Denise Bottmann quem abriu meus olhos. Antes dela, antes desse contato diário com a internet, e consequentemente, com sua luta (gue...

4 de set. de 2013

a revista joaquim, 1946-48

vale a pena acompanhar os índices dos 21 números da revista joaquim, de curitiba, publicada entre abril de 1946 e dezembro de 1948, capitaneada por dalton trevisan e, em menor medida, erasmo piloto: encontram-se na tese de miguel sanches neto, a reinvenção da província, disponível aqui.

imagem no museu guido viaro, aqui


31 de ago. de 2013

contra o fim da história no país

sobre o malfadado projeto que pretende assassinar a historiografia no país, obrigando docentes e pesquisadores a portar carteirinha de historiador, eis minha posição na revista de história, aqui.

19 de ago. de 2013

questões tradutórias

ivone benedetti escreve um belo artigo sobre sua "tradução de decameron: tônus e público", disponível aqui.


para um levantamento das traduções do decameron no brasil, ver aqui.

18 de ago. de 2013

um belo artigo

bela homenagem de caetano veloso a paulo rónai, aqui.


mais uma sugestão de pesquisa

na seção de leitores do jornal opção, alguns meses atrás, eu tinha deixado um comentário sobre a matéria do jornal sobre o lançamento de rudin, aqui.

na edição desta semana, o jornal transcreveu o comentário em sua seção de cartas. de fato, creio que um levantamento e estudo sistemático da contribuição de imigrantes, refugiados e exilados ao desenvolvimento da tradução no brasil nos anos 1930 resultaria num rico painel.


Denise Bottmann
Muito bom o artigo “Editora lança notável romance de Tur­guêniev” (Jornal Opção 1960) e essa forma de resgatar a memória das traduções anteriores.

Elias Davidovich traduzia basicamente do espanhol e do francês. Sua tradução de Rudin saiu inicialmente em 1932, pela coleção Benjamin Costallata, pela carioca Flores & Mano. Trazia o título, aliás, bem à francesa: “Roudine”.

A tradução de Ivan Emiliano­vitch (de origens russas) é uma das primeiras no Brasil a ter sido feita diretamente do original. “Pais e Filhos” saiu inicialmente pela Edi­tora Cultura Brasileira, em 1935 (co­mo “Paes e Filhos”, pré-reforma ortográfica). A partir de 1941, pas­sou a ser publicada pela Livraria Martins.

Aliás, é muito interessante — e pouco conhecida ou estudada, creio eu — a contribuição de vá­rios imigrantes, exilados e refugiados como tradutores para aquele período de grande alavancagem do setor editorial, a partir dos anos 30: temos Elias Da­vi­do­­vich, Ivan Emiliano­vitch, Zo­ran Ninitch, Charlotte von Or­loff, Georges Selzoff, sem contar os posteriores, como Boris Sch­naiderman desde o comecinho dos anos 40 (assinando como Boris Solomonov) e Paulo Rónai.

Mas, de fato, o que me chama mais a atenção são esses tradutores dos anos 30 — creio que, dentre eles, apenas Elias Davidovich veio a se tornar mais conhecido no setor, com um grande trabalho à frente das coleções Delta (obras completas de Freud, projeto que se iniciara nos anos 30, mas apenas nos anos 50 veio a cabo, com Davidovich, justamente), bem como na organização das obras completas (e tradução de algumas delas, mas indireta) de Stefan Zweig.
disponível aqui.



8 de ago. de 2013

revisão da lda 9610/98, andamento

eis o mais recente andamento no projeto de revisão da lei 9610/98, que regulamenta os direitos autorais no brasil, disponível aqui:


agradeço o convite. meu compromisso perante todos os que nos têm acompanhado na defesa do ofício de tradução e de nosso patrimônio tradutório é procurar contribuir para a flexibilização do acesso às obras órfãs e abandonadas, bem como para a preservação dos direitos dos tradutores em contratação para obras de encomenda.

contra o sequestro da reflexão histórica

sou historiadora formada pela universidade federal do paraná e com pós-graduação no departamento de história da unicamp.

a despeito disso - ou, mais provavelmente, por causa disso - sou visceralmente contrária ao projeto de lei 4699/2012, em fase final de aprovação na câmara, dispondo sobre a profissão de historiador.

eis a íntegra do projeto:

PROJETO DE LEI 4699/2012
Regulamenta a profissão de historiador e dá outras providências.


CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de historiador, desde que atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.
Art. 3º O exercício da profissão de historiador, em todo o território nacional, é privativa dos portadores de:
I – diploma de curso superior em História, expedido por instituição regular de ensino;
II – diploma de curso superior em História, expedido por instituição estrangeira e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;
III – diploma de mestrado, ou doutorado, em História, expedido por instituição regular de ensino superior, ou por instituição estrangeira e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.
Art. 4º São atribuições dos historiadores:
I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior;
II – organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História;
III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.
Art. 6º As entidades que prestam serviços em História manterão, em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, historiadores legalmente habilitados.
Art. 7º O exercício da profissão de historiador requer prévio registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Senado Federal, em 9 de novembro de 2012.
Senador José Sarney
Presidente do Senado Federal

fica evidente pelos artigos 3 e 4 que este decreto, em sendo aprovado e entrando em vigor, significará um golpe mortal na produção e disseminação do conhecimento histórico, ao reservar privativamente para os portadores de diploma superior em história até mesmo a elaboração de projetos e trabalhos sobre temas históricos!

como "história" é sempre "história de" ou "história sobre" alguém ou alguma coisa, inúmeros historiadores da arte, da física, da literatura, da economia e dos mais variados campos de conhecimento têm se insurgido contra essa tentativa de asfixiamento de suas áreas de trabalho. em plano mais geral, é a própria capacidade de reflexão histórica sobre o mundo que se vê tolhida, por interesses que só se podem qualificar de corporativistas.

os historiadores da arte colocaram no ar um abaixo-assinado solicitando a imediata revisão do projeto 4699/2012, disponível aqui. leia, assine, divulgue.

acompanhe o debate e conheça outras manifestações no blog Profissionalização do Historiador, mantido pelo historiador das ciências roberto martins.


6 de ago. de 2013

lima barreto para a flip 2014, suplemento pernambuco

ilustração de karina freitas

um belo artigo de josé luiz passos, "o que vale mais que um busto", disponível aqui.

2 de ago. de 2013

lima barreto para a flip 2014, jornal rascunho

yasmin taketani deu duas simpáticas notas sobre nossa proposta de que lima barreto seja escolhido como o autor homenageado na flip 2014. saíram na seção "vidraça", do jornal rascunho, disponível aqui. transcrevo: 

Lima para todos 1
Poucos dias depois da Flip 2013, surgiu nas redes sociais uma campanha para que a Festa Literária de Paraty homenageie Lima Barreto em sua próxima edição. Ela foi levantada com um comentário na internet pela jornalista Josélia Aguiar, ao qual se seguiu uma ampla mobilização por simpatizantes da causa. O blog Não gosto de plágio, da tradutora Denise Bottmann, reuniu exatas mil e uma assinaturas em prol do autor de Clara dos Anjos, já entregues à organização da Flip. Nomes como Bráulio Tavares, Cristovão Tezza, Luiz Costa Lima e Paulo Henriques Britto constam da lista de apoiadores que desejam que o autor seja mais lido e discutido.
Lima para todos 2
Entre os diversos motivos para que Lima Barreto, entre tantos outros grandes escritores brasileiros, seja o homenageado do evento em 2014, Josélia Aguiar levanta uma questão interessante: “Como ele está em domínio público, é ao mesmo tempo de todas e de nenhuma editora com exclusividade, encontrando-se assim numa condição comercial bem curiosa. Pode ser baixado e lido gratuitamente”.

o tardio ingresso de jekyll e hyde

pelo precioso levantamento de ana júlia perrotti-garcia sobre as traduções de dr. jekyll and mr. hyde no brasil, disponível aqui, temos que as primeiras saem nos anos 50 e 60 (p. 55).

em 1951 temos uma edição pelo clube do livro, em "tradução especial de josé maria machado". é sabido que tais "traduções especiais" do clube do livro não passavam de contrafação de traduções portuguesas, que a editora atribuía ao fiel colaborador da casa. não me sinto muito propensa a considerá-la como uma tradução de direito próprio, e talvez valesse a pena cotejá-la com traduções portuguesas anteriores.

perrotti-garcia nos refere a seguir a tradução de humberto pires, publicada na "série terror" da gertum/tecnoprint, sem data. não seria difícil confirmar a data de publicação, mesmo porque humberto pires, ao que me parece, ainda é vivo. de todo modo, o formato é mais de revistinha de banca de jornal do que propriamente de livro.

isso nos leva ao próximo item de seu levantamento, a tradução de nair lacerda, pela saraiva, em 1960. estou francamente propensa a considerá-la como a primeira tradução brasileira do clássico de stevenson. note-se como elemento interessante a data tão tardia, ainda mais se se considerar que stevenson já era bastante conhecido no brasil desde os anos 1920, e com uma explosão de lançamentos de outras obras suas entre os anos 30 e 40.



atualização: a pesquisadora avisa que dispõe de outras duas edições ainda não inteiramente identificadas. por ora, são estes os dados disponíveis.

1 de ago. de 2013

jekyll and hyde no brasil

o último número da revista tradterm, da usp, traz um levantamento muito meticuloso e interessante das traduções e adaptações de dr. jekyll and mr. hyde, publicadas no brasil até 2010, realizado por ana júlia perrotti-garcia. disponível aqui.

a propósito, vale ler o luminoso artigo de ivo barroso sobre o autor, "o estranho caso do dr. stevenson", aqui.

ilustração de hulme beaman para a edição da dodd mead, 1930

como minúscula contribuição à bela pesquisa de perrotti-garcia, vale lembrar que o filme de john s. robertson, dr. jekyll and mr. hyde, de 1920, já em novembro do mesmo ano estreava em nossos cinemas com o título o médico e o monstro. o filme de rouben mamoulian, de 1931, lançado no brasil em 1932 com o mesmo título, certamente também contribuiu para consagrar seu uso entre nós.