30 de abr. de 2013

fala um tradutor de joyce

donaldo schüler sobre a tradução de finnegans wake:




29 de abr. de 2013

fala um tradutor de schwob

uma simpática entrevista de kit schluter, tradutor de marcel schwob, aqui.



indicação da entrevista: bernardo freire; indicação da imagem: federico carotti

23 de abr. de 2013

jorge

só para não passar em branco, hoje é o dia do padroeiro do não gosto de plágio:


um bom protetor também pelo dia internacional do livro

10 de abr. de 2013

khadji-murat, o diabo branco

O diabo branco, usado ora como título, ora como subtítulo, é um detalhe  que, por si só, já renderia uma crônica inteira sobre a fortuna de Khadji-Murat no Brasil. A obra de Tolstói fora adaptada para o cinema por Alexandre Volkoff numa produção alemã em 1930, que se celebrizou em sua versão francesa como Le Diable blanc. Ao que parece, o romance causou um pequeno furor editorial no Brasil naquela época: nada menos que cinco edições diferentes em dezoito anos!

Khadji-Murat sai inicialmente no Brasil em 1931, na "Bibliotheca de Auctores Russos" da editora Georges Selzoff & Cia., em tradução direta do russo. Embora não constem os créditos de tradução, foi um trabalho em parceria de Georges Selzoff e Allyrio Meira Wanderley.



Em 1934, temos O diabo branco [Khadji-Murat] pela Civilização Brasileira, em tradução do lusitano António Sérgio. O interessante é que António Sérgio fora o sócio de Álvaro Pinto na editora Annuario do Brasil, na época em que se refugiaram no Brasil - mais tarde, exilara-se em Paris, onde era encarregado da seção luso-brasileira da editora Quillet.* Essa sua tradução foi feita por encomenda direta do editor brasileiro, e apenas mais tarde, já nos anos 1950, é que sairá em Portugal, com o nome de O demónio branco. Suponho que tenha sido por interposição do francês.

* Para uma breve trajetória editorial de António Sérgio, veja aqui.



Numa edição sem data, que calculo por volta de 1945, a Edições e Publicações Brasil lança O diabo branco, numa cópia fiel e integral da tradução de Selzoff e Wanderley, da Bibliotheca de Auctores Russos (1931), sem menção à fonte. Na página de rosto, consta apenas "Obra Póstuma - Edição integral - Revista".

 

Em sua coleção "Grandes Romances Universais", a W. M. Jackson publica em 1947 seu sétimo volume, de nome Três novelas russas. Na página de rosto consta Khadji-Murat e na página de início da novela acrescenta-se entre parênteses (O diabo branco). A tradução é igualmente anônima e tomada à Bibliotheca, sem menção à editora original. No verso da página de rosto, temos: "Tradução revista e adaptada para esta Coleção pelo Departamento Editorial da W. M. Jackson, Inc.".



Em 1949, pela Vecchi, em sua coleção "Os maiores êxitos da tela", temos O diabo branco em tradução de Boris Schnaiderman, assinando como Boris Solomonov.



Vale notar que, quase quarenta anos depois, em 1986, pela Cultrix, sai uma tradução reformulada de Boris Schnaiderman, agora com o título de Khadji-Murát, e em 2010, novamente revista, pela Cosac Naify.




p.s.: na verdade, já em 1963 a cultrix publica essa tradução refundida de schnaiderman no volume novelas russas.










o clube do livro, em suas habituais garfadas, não deixou passar - mais uma das "traduções especiais" de josé maria machado:



8 de abr. de 2013

georges selzoff, VI

admira-me a pertinácia do editor e tradutor georges selzoff em sua coleção "bibliotheca de auctores russos".

dois meses antes de encerrar suas atividades, ele ainda faz estampar na quarta capa de ninho de fidalgos, penúltimo livro publicado pela editora, a relação dos livros que já estariam no prelo - nada menos que catorze, entre eles um cartapácio como oblomov:



a editora publica seu último título em abril de 1932: é o anunciado águas da primavera, em tradução de selzoff e brito broca.

acompanhe o levantamento sobre as publicações da georges selzoff & cia. aqui.

4 de abr. de 2013

o que chamo de "encontrar o tom"



um artigo realmente muito bom de tim parks, aqui. não posso concordar mais:

And I realize that, beyond the duty of semantic accuracy, all I have to do (all!) is to sit down, for a few hundred hours, and perform this Leopardi—in whatever way seems most right, most authentically close to the tone and the feel of it, at the moment of writing (since every complex translation would be somewhat different if we had done it a month before, or a month later, or even an hour); yes, just hear the text and experience it absolutely as intensely as I can, allowing myself to fall into its way of thinking about things, then say it in English [...]  Of course there will be interminable revisions, much polishing up, and an editor will have his or her say. But essentially this is the way it is with translation, whether it be me and Leopardi, or some other translator and the latest Chinese Nobel Laureate, or some Russian translator and De Lillo or Franzen: the book is fed through a hopefully receptive mind, which inevitably leaves its indelible stamp on the translation. Let the academics argue the issues back and forth; what I have to do now is read honestly, and pray for inspiration.

2 de abr. de 2013

j'accuse

no dia de nascimento de émile zola, vale lembrar as traduções brasileiras de sua célebre peça de acusação ao sistema judiciário francês no caso do capitão dreyfus.


accuso!. tradução de elias davidovitch. 
calvino filho, 1933 (aqui na página de rosto da 2a. edição, de 1934)



acuso! - o julgamento do cap. dreyfus. tradução de orlando f. da silva. 
edições e publicações brasil editora, s/d, c. 1935


acuso (o caso dreyfus). atlanta, c. 1948


eu acuso! - o processo do capitão dreyfus.
hedra, 2007. tradução de ricardo lísias. 


j'accuse! (eu acuso!) - verdade em marcha.
l&pm, 2009. tradução de paulo neves.

atualização em 17/07/2016:


empresa editora brasileira, sem créditos, sem data (prov. anos 1930)


31 de mar. de 2013

thomas mann no brasil

até onde consegui apurar, o ingresso de thomas mann no brasil se dá em 1934, com três livros em rápida sequência.
  • tonio kröger, pela editora guanabara, em tradução de charlotte von orloff; 
  • a morte em veneza, também pela guanabara, em tradução de moysés gikovate;
  • mario e o mágico, em tradução de zoran ninitch, pela machado & ninitch



















é difícil saber a ordem exata de lançamentos. no jornal correio paulistano, há uma nota bibliográfica sobre tonio em 13/10/34; em 18/10, saem notas bibliográficas sobre os outros dois. ocorre, porém, que na notícia de 13/10 já havia menção à existência dessas três traduções. sobre morte em veneza, meira olydio, o articulista, comenta: “a traducção, si não é primorosa, também não chega a fazer vergonha a quem a assigna”. infelizmente não consegui imagem de capa. [atualizado em 07/04/13] - aliás, localizei uma resenha de mario e omágico datada de 26 de agosto de 1934, no carioca diário de notícias, na coluna de renato de alencar. [06/06/13]


em 1940, a livraria martins publica o pensamento vivo de schopenhauer, apresentado por thomas mann, em tradução de pedro ferraz do amaral:


em 1942, temos os buddenbrook - decadência duma família, em tradução de herbert caro, na coleção nobel da globo. terá várias reedições em outras editoras, como a bruguera, o círculo do livro e a nova fronteira.



em 1943, sai uma estranha montanha mágica em tradução em nome de um irrastreável otto silveira, pela panamericana (epasa), faltando trechos. veja aqui.



em 1944, sai outra tradução de a morte em veneza, agora de lívio xavier, pela editora flama, como segundo volume de sua coleção "romance do século".



em 1944, o cruzeiro publica uma coletânea de artigos contra o nazismo, os 10 mandamentos e um certo sr. hitler. entre eles está o texto de mann, "não terás outros deuses em minha presença", em tradução de millôr fernandes:



em 1945, temos as cabeças trocadas - uma lenda hindu, na coleção tucano da livraria do globo, em tradução de liane de oliveira e e. carrera guerra:



a partir de 1947, a globo lança a tetralogia de josé e seus irmãos em sua coleção nobel, com tradução de agenor soares de moura: vol. 1, josé e seus irmãos (1947); 2. o jovem josé (1948); 3. josé no egito (1949); 4. josé, o provedor (1951). [nos anos 80, já então na nova fronteira, o título do primeiro volume será retificado para as histórias de jacó.] aqui falta a capinha do primeiro volume.



atualização em 27/5/13: agora não falta mais, graças a saulo von randow jr., que, numa iniciativa incrível, conseguiu a imagem de capa nada menos do que na biblioteca do congresso dos eua:



em 1952, temos a montanha mágica, em tradução de herbert caro, pela globo, coleção nobel. foi reeditada pelo círculo do livro; atualmente está no catálogo da nova fronteira.



em 1953, a pongetti publica sua alteza real em tradução de marina guaspari:



em 1957, sai "tobias mindernickel" nas obras-primas do conto moderno (org. almiro rolmes barbosa), pela martins, porém sem indicação do tradutor.*



ainda em 1957, "o pequeno senhor friedemann", em maravilhas do conto alemão, pela cultrix. como era a praxe nessa coleção de maravilhas, a cultrix não apresenta os créditos.* 


em 1959, temos "o armário", em maravilhas do conto amoroso, pela cultrix. idem.



em 1959, "o palhaço", em maravilhas do conto universal, pela cultrix, com tradução em nome de fernando correia da silva. 


* tanto "tobias mindernickel" quanto "o pequeno senhor friedemann" foram publicados na antologia as melhores novelas de thomas mann em 1948, pela editora hélio, de lisboa, em seleção e tradução de maria da paz marques ferreira e elysio correia ribeiro. valeria a pena consultá-los para ver se correspondem às traduções anônimas lançadas pela martins e pela cultrix.

em 1958, saem as traduções de maria deling para tônio kroeger e a morte em veneza, num só volume, pela boa leitura, em sua coleção "grandes autores". terão várias reedições pela abril a partir de 1971 e pela hemus em 1975. aqui em capa de 1960:



em 1962, temos alguma coisa em contos alemães, sem créditos de tradução, na coleção de jacob penteado, "primores do conto universal", pela edigraf.


também pela boa leitura, temos em 1963 as confissões de félix krull em tradução lusitana de domingos monteiro (reeditado pela hemus em 1975):



ainda em 1963, sai "gladius dei" no mar de histórias, volume 4, em tradução de paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, pela josé olympio. o conto será incluído na edição da delta de 1965, citada mais abaixo. não localizei imagem de capa. aqui, na edição ampliada de 1999 (vol. VIII).




em 1964, sai "tobias mindernickel" numa antologia da literatura mundial publicada pela editora logos. não sei se é a mesma tradução publicada em 1957 pela martins.


em 1965, temos a publicação de morte em veneza, tristão gladius dei pela delta. os dois primeiros são em tradução de herbert caro, e a tradução de gladius dei é a de rónai/hollanda, de 1963, acima citada. o dado não é apresentado na página de rosto, mas consta no interior do livro. o volume foi reeditado em 1970 pela opera mundi.




a título de curiosidade, cito uma revista: em 1967, "gladius dei" sai no livro de cabeceira do ano, ano 1, vol. 4 , da civilização brasileira - não sei se é a mesma tradução de rónai/hollanda.








em 1975, mário e o mágico, pela artenova, em tradução de cláudio leme. contém: "mário e o mágico", "experiências ocultas", "doce sono", "a queda", "a vontade de felicidade", "a morte", "a vingança", "anedota", "dezesseis anos". teve várias reedições pelo círculo do livro.



em 1975, sai a correspondência entre amigos (thomas mann e herman hesse), em tradução de lya luft, pela record:






entre 1981 e 1987, a nova fronteira lança várias obras de mann, a começar por confissões do impostor félix krull, em tradução de lya luft.


em 1982, os famintos e outras histórias, também em tradução de lya luft. o conto "tobias mindernickel" é reeditado em 2007 na antologia os melhores contos de cães e gatos, pela ediouro.





em 1984, carlota em weimar, em tradução de vera mourão.




em 1984, doutor fausto em tradução de herbert caro, para mim a obra mais abismalmente assombrosa de mann. saiu também pelo círculo do livro e pela record/altaya.






ainda em 1984, surgem novas traduções de morte em veneza e tonio kröger, agora de eloísa ferreira araújo silva (e também pelo círculo do livro a partir de 1987).




em 1985, sua alteza real, em nova tradução de lya luft.




em 1987, as cabeças trocadas - uma lenda indiana, em nova tradução de herbert caro.







em 1988, temos o volume ensaios (são oito), em seleção de anatol rosenfeld, pela perspectiva, com tradução de natan robert zins:



em 1989, vale uma menção ao posfácio de mann a a história maravilhosa de peter schlemihl, de adelbert chamisso, pela estação liberdade.





entre 2000 e 2001, a mandarim, selo da arx, lança quatro títulos, a começar por o eleito, em tradução de lya luft.



em 2001, duas novelas - a lei e a enganada, também em tradução de lya luft.






em 2001, seis primeiras histórias, em tradução de ricardo f. henrique. são elas: “visão”, “decaída”, “desejo de felicidade”, “a morte”, “vingada” e “anedota”.


ainda em 2001, a gênese do doutor fausto, também em tradução de ricardo f. henrique.








em 2004, mais um "tobias mindernickel", agora em tradução de marcelo backes, em escombros e caprichos - o melhor do conto alemão no século 20, pela l&pm.







em 2009, ouvintes alemães! discursos contra hitler (1940-1945), em tradução de antonio carlos dos santos e renato zwick, pela zahar:



em 2011, o escritor e sua missão: goethe, dostoievski, ibsen e outros, em tradução de kristina michahelles, também pela zahar:


sem dúvida, deve haver vários contos em diversas antologias. à medida que localizá-los, acrescentarei aqui.

atualização em 02/04/2013: fiz algumas retificações e vários acréscimos ao post, graças à gentil contribuição de mário luiz frungillo, que pode ser vista nos comentários.

atualização em 02/02/2016: a companhia das letras, em sua coleção de obras de thomas mann, publica em 2015 uma nova tradução de tonio kröger, a cargo de mario luiz frungillo. a novela vem no volume que traz a morte em veneza (esta em reedição da tradução de herbert caro).