10 de nov. de 2012

púchkin no brasil, II

prosseguindo com as traduções de púchkin publicadas no brasil (ver primeira parte aqui), seguem abaixo publicações a partir dos anos 1960. deve ter muita coisa esparsa, que ainda não localizei.

I.
em 1961, sai o primeiro volume da vasta antologia do conto russo em oito volumes, pela editora lux, trazendo os seguintes contos de púchkin: "a filha do capitão", "nevasca" e "moça camponesa". agradeço a quem souber me informar o tradutor:


gentilissimamente, o livreiro carlos baboni informa: "a filha do capitão", tradução de leontina vassilieva e renard perez; "nevasca", tradução de natália filipov e renard perez; "moça camponesa", tradução de natalia filipov e renard perez. e uma correção: informa baboni que a antologia é composta de nove volumes, publicados entre 1961 e 1962.


II.
em 1962, a difel publica o negro de pedro, o grande em tradução de boris schnaiderman (que será reeditada em 1999, pela 34):




III.
ainda em 1962, sai "o tiro" na antologia contos russos organizada por jacob penteado, na coleção "primores do conto universal", pela edigraf, sem créditos de tradução (não sei se é a de aurélio/rónai, de 1951): 



IV.
boris schnaiderman, em "caleidoscópio de tradutor", menciona uma antologia que teria montado e publicado em 1962, trazendo sua tradução d' "o empresário fúnebre", depois reeditado em 1981 como "o fabricante de ataúdes" e em 1999 como "o fazedor de caixões". não consegui localizar a antologia de 1962 com o referido conto.


V.
em 1963, a bup lança a filha do capitão em tradução de leontina vassilieva e renard perez:





VI.
em 1964, saem contos de belkin, pela brasiliense, em tradução de eduardo sucupira filho:





VII.
ainda em 1964, sai "o fabricante de ataúdes" na antologia obras-primas do conto russo, pela livraria martins, com introdução, seleção e notas de homero silveira. não consta o nome do tradutor, mas, pelo texto aqui disponível, parece de lavra lusitana.





VIII.
em 1968, "mozart e salieri" é publicado em tradução de tatiana belinky em teatro da juventude, vol. 4, n. 18, pela comissão estadual de teatro de são paulo. não localizei imagem de capa.


IX.
em 1972, sai a filha do capitão em adaptação de marques rebelo, pela abril cultural, na coleção "clássicos da literatura juvenil", e em 1979 na coleção "grandes aventuras". essa adaptação sai também pela "coleção elefante" da ediouro a partir de 1987.



X.
em 1980, a otto pierre lança contos breves, sem crédito de tradução. como a otto pierre publicava muitas coisas de portugal, não duvido que se trate de tradução lusitana. a coletânea traz: "a casinha solitária da ilha basílio", "a fidalga camponesa", "azar no jogo", "o desafio", "o bandido dubrovsky", "o czar saltan, o valoroso herói gvidon saltanovich e a formosa princesa cisne", "conto da czarevna morta e dos sete guerreiros" e "o prisioneiro do cáucaso".




XI.
ainda em 1980, sai pela perspectiva a tradução de helena s. nazário de a filha do capitão:





XII.
em 1981, sai a dama de espadas em tradução de boris schnaiderman, pela max limonad:





XIII.
em 1988, a paulinas publica o pope avarento em tradução de tatiana belinky:





XIV.
também em 1988, sai "nevasca" em salada russa, pela paulinas, em tradução de tatiana belinky:





XV.
ainda em 1988, a editora formar publica uma coleção de três volumes, chamada "mundo infantil". no vol. 3 está incluído o conto "o tzar saltão". ignoro o nome do tradutor/adaptador:




XVI.

em 1992, sai um volume de poesias escolhidas, com seleção e tradução de josé casado, pela nova fronteira:





XVII. 
em 1993, a scipione lança a história da ursa-parda em tradução e adaptação de tatiana belinky:





XVIII.
em 1999, pela 34, sai a coletânea a dama de espadas - prosa e poemas, em tradução de boris schnaiderman (prosa e poesia) e nelson ascher (poesia), com o título geral de a dama de espadas - prosa e poemas. traz: "o negro de pedro, o grande"; "dubróvski", "a dama de espadas"; "o chefe da estação"; "o tiro"; "o fazedor de caixões"; "kirdjali", na parte em prosa. os poemas são "o demônio"; "o semeador"; "a uva"; "o prosador e o poeta"; "para ***"; "alexandre I"; "nicolau I"; "para viázemski"; "o profeta"; "árion"; "mensagem à sibéria"; "'dom inútil...'"; "corvos"; "o antchar"; "o cavaleiro pobre", "'amei-te...'".





XIX. em 2003, sai uma nova tradução dos contos de belkin, agora de klara gouriánova, pela nova alexandria:





XX.
em 2004, sai uma antologia de contos russos eternos, pela bom texto, organizada por maria do carmo s. campos e com tradução de josé augusto carvalho. não sei qual é o conto de púchkin incluído na coletânea.





XXI.
ainda em 2004, sai o caderno de literatura e cultura russa dedicado a púchkin, pela ateliê/ usp, com um dossiê que inclui a tradução de excertos de evguiéni oniéguin; "romance em cartas"; "sobre poesia clássica e romântica"; e "esboços de um prefácio a boris godunov":





XXII.
em 2006, a globo lança pequenas tragédias em tradução de irineu franco perpétuo. são elas: "o cavaleiro avarento", "mozart e salieri", "o convidado de pedra" e "o festim nos tempos da peste"..





XXIII. ainda em 2006, a rideel lança uma adaptação d' a dama de espadas feita por rodrigo espinosa cabral, em sua sua coleção "aventuras grandiosas":





XXIV.
ainda em 2006, saem a filha do capitão / a dama de espadas pela martin claret. já comentei o caso da tradução de álvaro moreyra para a dama de espadas aqui. sobre a tradução portuguesa d'a filha do capitão nessa edição da claret, ver aqui.


XXV.
em 2007, sai boris godunov em tradução, notas e posfácio de irineu franco perpétuo, pela globo:





XXVI.
em 2010, pela hedra, temos noites egípcias e outros contos traduzidos por cecília rosas. além de três dos contos de belkin, "do editor", "a nevasca" e "a senhorita camponesa", a seleta traz também "a casinha solitária na ilha de vassili", "história do povoado de goriúkhino" e as "noites egípcias" do título:





XXVII.
em 2010, sai eugênio onêguin em tradução de dário moreira de castro alves, pela record. essa tradução foi inicialmente publicada em 2008 em moscou, pelo grupo editorial asbooka-atticus, em edição bilíngue:


Autor:Puchkin, Aleksandr Sergueievitch,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1799-1837.
Título / Barra de autoria:Eugênio Oneguin : romance em versos / Alexandr Pushkin ; tradução do russo para o português, Dário Moreira de Castro Alves. -
Imprenta:Moscou [Rússia] : Grupo Editorial Azbooka-Atticus, 2008. 
Descrição física:493p. ; 23cm.
Notas:Título e texto em russo com tradução paralela em português.
Registro Patrimonial:1.293.837 D 31/05/2010 




XXVIII.
em 2011, sai "viagem a arzrum" na nova antologia do conto russo - 1792-1998, pela 34, organizada por bruno gomide, em tradução de cecília rosas:





XXIX.
em 2012, sai a coletânea de pequenas tragédias pela martin claret, em tradução de oleg almeida:


XXX.
em 2013, temos o conto maravilhoso do tsar saltan, em tradução de cecilia rosas, pela cosac naify:



9 de nov. de 2012

púchkin no brasil, I

inspirada pela medalha púchkin com que paulo bezerra foi recentemente agraciado, fiquei curiosa em ver o que há de púchkin entre nós.

a grafia varia um pouco: pushkin, puskine, puchkin, puchkine, puschkin. atualmente, com a normatização da transposição fonética, consagrou-se o uso de púchkin. segue a primeira parte do levantamento, até a década de 1950.

I.
parece que o primeiro púchkin entre nós saiu pela livraria do globo em 1933: a filha do capitão, em tradução de paulo corrêa lopes.



II.
depois, em 1935, a civilização brasileira (que então era um selo da companhia editora nacional) publicou águia negra, em sua coleção econômica sip, vol. 32:


ainda não descobri o autor da tradução. como há um exemplar desta obra em nosso acervo na biblioteca nacional, solicitei a gentileza de verificarem se há e qual é o nome do tradutor:*

Autor:Pushkin, Aleksandr Sergcevich, 1799-1837.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Águia negra.
Imprenta:Rio de Janeiro, Civilização brasileira, 1935. 
Descrição física:288 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
891.73
Indicação do Catálogo:II-368,1,21 


III.
em 1937, sai pela pongetti uma coletânea com águia negra, a dama de espadas e um tiro. a tradução é de cira neri. abaixo capa e página de rosto da edição de 1943.






"a dama de espadas" é relançada pela pongetti em 1961 numa coletânea chamada 3 novelas russas.







IV.
em 1944, sai pela companhia editora leitura a coletânea os russos: antigos e modernos, com organização de rubem braga e supervisão de graciliano ramos. o volume traz dois contos de púchkin, "a dama de espadas", em tradução de dias da costa, e "o chefe de posta", em tradução de aníbal machado.


essa coletânea é reeditada nos meados dos anos 70 pela ediouro (então edições de ouro), com o título de o livro de ouro dos contos russos, e agora em 2004 com o título de contos russos: os clássicos: 



V.
também em 1944, a vecchi lança os mais belos contos russos dos mais famosos autores. na imprenta constam vários tradutores e ainda não descobri qual o conto de púchkin incluído na coletânea. há também uma segunda série da coletânea:


Va.
ainda em 1944, há notícias de uma antologia chamada os colossos do conto da velha e da nova rússia, pela editora mundo latino, com tradução de frederico reys coutinho. na edição da vecchi, acima, um dos tradutores mencionados na imprenta é justamente reys coutinho. seria o caso de compulsar os dois volumes, para verificar o conteúdo. não localizei imagem de capa dos colossos, apenas sua ficha catalográfica em nosso acervo nacional:

Título / Barra de autoria:Os colossos do conto da velha e da nova Russia.
Imprenta:Rio de Janeiro, Ed. Mundo latino [1944] 
Descrição física:468 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Pushkin, Aleksandr Sergievich, 1799-1837.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Coutinho, Frederico dos Reys. trad.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
891.73082
Indicação do Catálogo:II-323,3,16 


VI.
em 1945, álvaro moreyra lança sua tradução d'a dama de espadas pela brasilia aeterna, aliás com tiragem especial em 1944 para a confraria de bibliófilos brasileiros cattleya alba, numa edição numerada de luxo, com capa de seda, impressão em papel de seda e ilustrações de martha schidrowitz feitas a mão:





note-se de passagem o triste destino terá essa tradução sessenta anos depois: foi apropriada pela martin claret, que a partir de 2006 passou a se apresentar como a detentora dos direitos sobre ela, coisa da qual duvido muito e faço pouco. veja aqui.







VII.
em 1949, a mesma vecchi publica águia negra em tradução de boris solomonov, que era o pseudônimo semipatronímico que boris schnaiderman adotava em suas traduções daquela época.



VIII.
ainda em 1949, a vecchi publica a filha do capitão, também em tradução de boris solomonov: 


essa tradução será reeditada inúmeras vezes ao longo das décadas - com o encerramento da vecchi, seu catálogo passou para a tecnoprint (futura ediouro). acrescida de prefácio de otto maria carpeaux, sai na década de 1970 pela edições de ouro, em sua coleção "universidade", e em 1996 pela coleção "clássicos de bolso" da ediouro. 


VII/ VIII
tanto águia negra quanto a filha do capitão pela vecchi saíram em sua coleção "os maiores êxitos da tela". vale lembrar o enorme sucesso dos filmes aquila nera (1946), de riccardo freda, e la figlia del capitano (1947), de mario camerini:


IX.
em 1951, temos "o tiro" no segundo volume de mar de histórias, em organização e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai:



X.
em 1957, sai "o turbilhão de neve" na antologia maravilhas do conto russo, pela cultrix. a seleção ficou a cargo de um implausível "serge ivanovitch" e "traduções revistas por t. booker washington". já comentei várias vezes aqui no blog a doideira que era essa coleção das maravilhas da cultrix, com suas constantes "traduções revistas" pelo quase ubíquo "t. booker washington": a prática da editora, na verdade, consistia essencialmente em respigar aqui e ali contos já publicados em outras editoras, brasileiras e portuguesas, e republicá-los sem dar fontes nem créditos. 




XI. 
em quadrinhos:
em 1956, a ebal lança a filha do capitão em sua coleção "romances ilustrados", vol. 18:



e também em 1956 a abril, então em seus primórdios, publica 10 histórias de púshkin em sua coleção "romances célebres". pena que não consegui imagem de capa.

* atualização em 22/11/2012: hoje recebi a resposta da dinf/bn à minha consulta: não, não consta nenhuma menção ao tradutor nesta edição de águia negra pela civilização.

6 de nov. de 2012

muito legal

"metalurgia da tradução", artigo de josélia aguiar sobre paulo bezerra, na gazeta russa, aqui.


paulo bezerra, aliás, foi agraciado este ano com a medalha púchkin.