11 de abr. de 2010

o caminho do inferno

estou absolutamente perplexa - mais do que isso, estarrecida - com o silêncio de internautas e da sociedade em geral sobre a absurda proposta de remoção arbitrária de conteúdos digitais, apresentada no art. 20 ss. do anteprojeto do marco civil da internet.

10 de abr. de 2010

lembrete

retábulo de jerônimo bosch, contra o plágio

leitura: sob o equador

Um certo Padre Gomes

Dez horas da manhã.
Na sala de aula, duas altas janelas cortam
o claro dos céus em pedaços.
O professor profere a chamada.
O verbo é ‘proferir’; ele nunca chama: ordena.
Ele é padre, mas nada tem a ver com seus pares.
Basta ver o corte da batina, a faixa à cintura
que mais parece um obi de samurai.
Postura de quem está sempre à espreita,
aguarda o ataque.
Pronuncia os nomes, não os repete; olha a cara de cada um,
baixa a vista para o livro de anotações, escreve.
O que contam esses registros?
Depois, se não aprova o nominado,
ele o dispensa antes do início da classe.

Comenta-se que presa à faixa não há uma katana,
o sabre japonês, mas um Smith&Wesson .38 duplo.
Única concessão que faz ao império do Tio Sam.)

Assim fala a fotografia:
cinzento é o ginásio na sua arquitetura cansativamente simétrica,
corredores de piso de mosaico, campainha para retinir recreios,
sanitários malcheirosos a lançarem seus eflúvios
sobre o amplo pátio.
O pátio:
um quadrado de terra vermelha,
onde nenhuma grama cresce, como no chão de Átila.
Às 5h30 da manhã, e durante uma hora a fio,
os alunos, na aula de educação física, aqui são tratados
como cabos de guerra pelo sargento do Tiro.
A cor da argila designa o bairro do Barro Vermelho,
lugar onde foi fuzilado Pinto Madeira, pertinho daqui.
Ainda se busca a mancha de sangue, o buraco da bala,
o sopro da última palavra.
Inútil:
tudo aqui foi destruído:
a rua de azulejos portugueses,
a calçada dos morféticos,
o piano que ressoava na rua
as lembranças de Branca Bilhar.

(A cidade conspurca com crueldade seus espectros.)

Ao lado do retângulo vermelho, a dita sala, igual a vinte outras,
com seus trinta alunos sentados em carteiras de madeira de lei.
Numa delas, as duas iniciais de um nome;
em outra, um signo-salomão, uma meia-lua ou um ferro de gado.
Nada de sugestões pornográficas ou insinuações subversivas.
Ninguém se iluda:
neste reduto da diocese não apenas se aprendem
as matérias do currículo:
aqui também se é iniciado no exercício da delação.

A aula começa.
O professor comenta a diferença entre os homens do interior
e os que ficaram pelos litorais,
a arranhar a terra como caranguejos,
dixit Frei Vicente do Salvador, ou Vicente Rodrigues Palha,
nome laico do jesuíta baiano que descreveu a vida na Colônia.
A linha de pensamento do mestre se insinua
pelos meandros do rio São Francisco.
É regida pelas observações do mais brilhante historiador
de seu tempo, Capistrano de Abreu, ateu e, para seu desgosto,
pai de uma freira que se refugiou no claustro
e fez voto de silêncio.

O curso do pensamento do professor acompanha
o do Grande Rio, desemboca no Riacho da Brígida.
Busca um Ulisses,
entre preadores de índios da Missão do Miranda, ex-Itaytera.
Um Ulisses capaz de conservar engastado o rochedo
sob os pés da Virgem da Penha,
para impedir que a Serpente não o rompa
e sejamos arrastados pela Grande Água.
Na brecha dos mitos, ele, o padre, professor, pesquisador,
vasculha nomes carreados de Sergipe, Pernambuco, Bahia,
catapultados pela Casa da Torre,
perdidos nos brejos, ribanceiras, serranias.
Onde estará nossa Ítaca?

(Como discernir na partitura do tempo o que se tornou usura da história?
Todo texto é ficção, dizem.
Nenhuma sessão da memória se repete com a fidelidade do cinema.
Apenas o cenário pode permanecer imutável.
Remontagens arqueológicas sedimentam nossos delírios e
as ruínas refeitas guardam detritos que suscitam apontamentos bizarros,
registros em cadernos esquecidos.
Pois a história, escreve José Honório Rodrigues, “não é só fato:
é também emoção, o sentimento, o pensamento dos que viveram
– a parte mais difícil dos negócios humanos”.)

Voltemos ao Padre, seu outro lado,
seu silêncio martirizado no quarto de estudos,
onde dormir é privilégio.
Aí doma seus fantasmas, suas letras.
Não tem com quem conversar, aprofundar argumentos,
buscar o verme que contamina o miolo de seu fruto,
o fruto vermelho da História.
Busca nos alfarrábios, cruza garatujas de batistérios.
E sempre Nascimento e Morte de permeio,
desmontados em árvores desenhadas em páginas coladas,
para chegar ao mais idiota descendente
de um coronel qualquer da Guarda Nacional.

O Álbvm do Seminário do Crato, de 1925
– álbvm com ‘v’, para imitar o latim da Santa Igreja –,
registra o aluno na página 202; o clérigo, na 207.
A fotografia da página 189, carcomida pela traça, revela:
batina, barrete, mas sem a capa romana
que o acompanharia durante tantos anos,
tremulante e negra sob o sol dos Cariris.
Pois assim reza o artigo 12
do capítulo III do Regulamento do Seminário Maior:
“Uma modéstia sem afetação e um porte digno
resaltem do seu todo, mormente nos actos religiosos
e quando estiverem recebendo instrucção” (sic).

É necessário lupa para recompor feições e formas.
Segundo da segunda fila, da direita para a esquerda.
A cabeça encoberta inclinada à direita;
deixa-se ver o relógio de algibeira,
quem sabe um Patek Philippe.
O rosto é magro; o nariz, aquilino, mouro;
as orelhas não se deixam passar despercebidas.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue da bonomia do grupo.
Tem um ar triste, inquieto.
Escreverá mais tarde:

“A zona é percorrida por rios secos e serranias de altura medíocre,
de platôs e faldas férteis, abrindo-se em depressões
vulgarmente conhecidas por boqueirões.
Florestas e serras de altura de mil metros, mais ou menos,
e as margens de rios, águas em lagoas, olhos d’água e cacimbas,
barreiros salgados, forragens substanciosas,
campos mimosos e agrestes ao lado de catingas,
carrascais e ilhas de cacto,
eis outra face da fisionomia natural da terra,
tudo conforme acentuou Capistrano de Abreu”.

Sempre Capistrano, o grande Mestre.
E, já assimilada, a leitura de Euclides.

Um homem sozinho atravessa a cidade:
batina negra, capa romana, faixa à cintura.
Segue o trajeto que vai da igreja da Sé ao Ginásio.
Quantas vezes terá feito esse percurso?
Saúda Tandô, sentado no meio-fio da praça.
“Em que pensa esse padre, com jeito de homem”,
se pergunta o anão?
Aqui tudo é vigiado.
A cada janela há um olho à espreita.
O padre caminha sem prestar atenção a quem passa,
nem atentar para quem se furta por detrás das gelosias.
Anda rápido para dar tempo à chamada do refeitório e,
logo depois, recomeçar reflexões e leituras.
Abrirá a porta de vidro da estante de cedro
com a chave escondida dentro do sapato, enrolada na meia.
Lembrança do regulamento, de quando era regente:
Só poderão fazer leituras extra-programma mediante prévia
autorização do Padre Prefeito” (sic).
(As duas maiúsculas encerram o assunto.)

Equivoca-se quem pensa que sua busca tem como finalidade
cruzar ramos de famílias, desvendar mancebias,
revestir de letras de nobreza alguns filhos da terra.
Sua história tem dupla leitura:
de um lado, parece agradar a quem procura na veia
mínima gota de sangue caramuru.
Mas a outra vertente é a que mais lhe importa:
seguir os rastros do autor
de Caminhos do povoamento,
contrapor aos heróis oficiais de guerras subalternas
a saga dos anônimos.
Ou seja: catar os detritos da história,
cônscio de que o passado nunca fica para trás:
continua a vicejar entre os vivos,
como as bactérias nos corpos em putrefação.

Em 9 de janeiro de 1941, Padre Gomes,
nos Cariris, longe de tudo, ensina, pesquisa, escreve,
elabora e medita, sozinho.
Nesse mesmo dia,
sob a França ocupada e 5 dias
após a morte de Henri Bergson,
Paul Valéry pronuncia na Academia Francesa
o belíssimo elogio fúnebre ao filósofo,
de uma simplicidade que surpreende quem está familiarizado
com a escrita carregada de erudição e de refinamento do poeta.
Diz da alta figura de homem pensante que foi Bergson,
talvez um dos últimos, segundo Valéry, que teriam exclusivamente
e profundamente pensado, num mundo
em que se pensa cada vez menos:
“enquanto a miséria, as angústias, as limitações de toda espécie
deprimem ou desencorajam os empreendimentos do espírito”.
Observações sobre um homem pensante:
aplicam-se perfeitamente ao padre de Brejo Santo.

Passa o Padre Gomes e Tandô, o anão, se pergunta:
“Em que diabo está pensando esse homem?”
Somente hoje é possível compreender
o porquê daqueles passos apressados,
daquela inquietação permanente,
de sua genialidade e equívocos.

A fotografia:
não é mais necessário lupa para recompor as feições.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue do resto.
Tem um ar triste, inquieto.
Pensa num mundo mais largo, sem cadeias,
distante do jugo das genealogias,
longe de um sol que é o mesmo sol de todos os dias,
segundo Machado de Assis,
onde nada existe que seja novo,
onde tudo cansa, tudo exaure...
EVERARDO NORÕES

9 de abr. de 2010

que loucura!

Projeto define direitos e responsabilidade na web

a gente se linka


7 razões ; 25 linhas em branco ; a grenha ; a lenda ; a patota do pitaco ; a tarefa ; a utopia do direito ; acídia ; agora ; al-azurd ; além do fantástico ; alessandrolândia ; analorgia ; animot ; autores e livros ; bibliophile ; blog conceição ; blog da laudi ; blog da l&pm ; blog do galeno ; boicote!!! ; born to lose ; brasil, meu amor ; cabeças trocadas ; cadê o revisor ; cadernos da bélgica ; cantilena do corvo ; caótico ; caquis caídos ; cartografia n'alma ; catando poesias ; coleção de plágios / sabrina lopes ; crisálida editora ; daniel rodrigues aurélio ; dias de voragem ; digressões de um zé ; dois caminhos ; dr. plausível ; escritos online ; flanela paulistana ; fliperama: diversões eletrônicas ; fogo maduro ; foi feito pra isso ; funcionaface ; grandes filmes ; implicante por natureza ; jane austen em português ; joão evilázio - redator ; last in translation ; leituras do giba ; lenita esteves ; libru lumen ; literatsi ; litteraria ; livraria outubro ; livraria 30 por cento ; livros e afins ; l&pm ; l&pmblog ; mais cinco minutos ; mary jo living alone ; meu cantinho literário ; mundo forasteiro ; na ponta da língua ; nódoa do universo ; o coringa ; o livro impossível ; o mundo do meu quintal ; o pensador da aldeia ; pais e grilos ; palavras oportunas ; papel de rascunho ; para sempre poe ; pedra de roseta ; pensamento extemporâneo ; pequenas grandes coisas ; ponto de tradução ; por enquanto, nada ; portal edgar allan poe ; portal literal ; porteira da fantasia ; projeto valise ; psicologia e literatura ; química de produtos naturais ; reflexões ; renata esser ; restos e fragmentos de mim ; retábulo de jerônimo bosch ; rumo ao objetivo... sempre mais além ; serendipity ; sérgio freire weblog ; solilóquios de uma tradutora ; spectro editora ; sutileza ; tal a fuga ; tardes demais ; taverna fim do mundo ; ti-rinhas ; tradutor profissional ; traduz-se ; tudo ao mesmo tempo agora ; urupês ; usina do verbo ; viva vox.

visite-os em "trocando links", na coluna da direita

8 de abr. de 2010

interessante


uma bela matéria noticiando a decisão da junta recursal no caso
claret x bottmann e reafirmando seu apoio ao nãogostodeplágio,

landmark, dando seguimento

agradeço a todos os que manifestaram e continuam a manifestar seu apoio e solidariedade no caso da ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino contra raquel sallaberry (do jane austen em português) e mim.

informo que nossas defesas foram devidamente protocoladas na terça-feira, dia 06 de abril, e o processo segue seu curso.

germinal, dando seguimento

quanto à editora germinal, com vários casos de cópia literal e integral de traduções alheias - oblomov, o escravo, mulheres apaixonadas, o homem que foi quinta-feira etc. -, o ministério público de são paulo considerou por bem instaurar inquérito policial para apurar as responsabilidades.


posts relacionados:
ou consulte diretamente pela linha de assunto:

7 de abr. de 2010

mais repercussões


o manifesto em apoio à luta contra o plágio
está aberto a adesões até 10 de abril.
dê você também sua contribuição.

imagem: community

a irmã ilegítima

exemplos da presença institucional de minha irmã e eu, na pretensa tradução em nome de rubens eduardo frias, pela moraes (1992) e pela centauro (2006):

http://200.131.208.57:8000/cgi-bin/gw_45_1c/chameleon?host=200.131.208.57%2B1111%2BDEFAULT&search=KEYWORD&function=CARDSCR&SourceScreen=COPVOLSCR&sessionid=2008022609132804225&skin=sisbin&conf=.%2Fchameleon.conf&lng=hy&itemu1=4&scant1=Musica,%20sempre%20musica%20%2F%20por%20Luis%20Cosme.%20-&scanu1=4&u1=4&t1=%01365046&pos=1&prevpos=1&rootsearch=3
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0311041_07_postextual.pdf
http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/result.jsp?campo=tit&tipoPesq=indice&termo=A+minha+Irm%C3%A3+e+eu&tipoBibli=-1&BibliReg=&subTit=
http://biblioteca.claretiano.edu.br/phl8/pdf/20001504.pdf
http://pauloqueiroz.net/conceito-de-direito-uma-introducao-critica/
www.alumac.com.br/.../CONHEÇA%20PARTE%20DA%20MINHA%20BIBLIOTECA.xls
http://www.lambda.maxwell.ele.puc-rio.br/9799/9799_10.PDFXXvmi=u58VKEQWTkNBO34lctdSMlhQS9ZhlVuR1DOMiFJc1xOPBTbOopIcL03F93WvZsn17cNpSxDT6sKImVxMlgZ8g3Nq6LW6el7lzVLruomCS7kf4T2qa2zr5nSc9QiocqKLmweRWCtPJP5OJ8fUaPmfegrn7LMkcx6A5lr2XWRINXwx6NshDQwR70gfM4AZCHzH32K20CKOAhmH5PZJHwCOxS5kWFkAmUhqW2sXFeMgv9XC0WmHtZw3RCnPiJpGEI7C
www.investidura.com.br/.../617-conceito-de-direito-uma-introducao-critica.html
www.uesb.br/utilitarios/licitacoes/.../PCT%20TP%20002-2006.xls
http://pergamum.saofrancisco.edu.br/biblioteca/php/pbasbi1.php?codBib=,&codMat=,&flag=s&desc=Fil%F3sofos%20--&titulo=Pesquisa%20B%E1sica&parcial=sim
http://libdigi.unicamp.br/document/?code=000469798

imagem: idec 

6 de abr. de 2010

Tradução, DLM/USP

 A Área Didática de Tradução do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em reunião realizada aos 29 de março de 2010,

Considerando ser a liberdade de expressão, além de um direito, um dos bens mais preciosos da democracia,

Considerando ser a atuação da colega Denise Bottmann em defesa dos tradutores e das traduções legítima e necessária, e

Considerando o atual processo movido pela Editora Landmark por danos morais e materiais causados pelas ações da tradutora e historiadora, e que pede, inter alia, a imediata remoção de seu blog da Internet “Não Gosto de Plágio” (http://naogostodeplagio.blogspot.com/),

Manifesta seu apoio unânime a Denise Bottmann em sua luta contra o plágio de traduções e a consequente desvalorização, não apenas da figura do tradutor, mas de todo o princípio do direito autoral e da propriedade intelectual.

5 de abr. de 2010

irmãs gêmeas


em post anterior, apresentei capas, página de rosto e ficha catalográfica das edições de a minha irmã e eu, texto apócrifo atribuído a nietzsche, publicadas pela hiena em tradução de pedro josé leal (portugal, 1990) e pela moraes/ centauro em pretensa tradução de rubens eduardo frias (brasil, 1992/ 2006).*

*em breve exporei um rápido resumo das relações entre a extinta moraes e a atual centauro.

abaixo reproduzo alguns trechos para comparação entre a tradução portuguesa e a pretensa tradução brasileira.

pedro josé leal




 rubens eduardo frias:




pedro josé leal:



rubens eduardo frias:



cabe notar que esta tradução atribuída a rubens eduardo frias não consta em seu currículo lattes.

torço vivamente para que dr. rubens, membro do corpo docente da unesp de são josé do rio preto, tome ou já tenha tomado enérgicas providências em relação a este e demais casos de pseudotraduções que há tantos anos envolvem seu nome.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





dê seu apoio à luta contra o plágio.
visite apoiodenise e assine o manifesto.

(a) minha irmã e eu no brasil


my sister and i supostamente seria o último diário de nietzsche, escrito quando estava internado no manicômio em iena, do qual, após uma história repleta de percalços, teria restado apenas uma cópia em papel carbono da tradução feita do alemão para o inglês. em suma, é tida pelos especialistas como obra apócrifa.. 

como diz o prefácio da editora hiena, de portugal: "joguemos pela negativa admitindo que a minha irmã e eu é ficção e só pecaria ao fazer-se passar, mistificadoramente, por obra autobiográfica. pois dela sobra assim mesmo o bastante para nos rendermos a um grande fulgor literário. e chegaria lembrarmo-nos, por exemplo, do diário inventado de byron, que frederic prokosch escreveu (the missolonghi manuscript), ou das memórias de ovídio imaginadas por vintilia horia (dieu est né en exil) para nos parecer ... que não será injusto vergarmo-nos ao resultado deste cometimento, à efêmera e discreta aparição de um grande e anônimo talento".

a obra foi publicada em 1990, em tradução de pedro josé leal, pela editora hiena de portugal.

   


no brasil, a obra foi publicada inicialmente pela extinta editora moraes, em 1992, e depois por sua sucessora, a editora centauro (2006), com tradução atribuída, em ambos os casos, a rubens eduardo frias. 




sobre alguns títulos da editora centauro, ver aqui.

3 de abr. de 2010

leituras

visite apoiodenise.

2 de abr. de 2010



notinha superlegal na gabi e groc, blog do estadão 
imagem, idem

as fotos da apresentação centauro-laemmertiana à questão judaica de marx estão fazendo o maior sucesso: 230 downloads entre ontem e hoje! veja você também.

a ver

silvio donizete chagas, o pretenso autor da tradução d' a questão judaica, de karl marx, publicada pela editora centauro, assina a tradução de outras obras.

pela editora centauro: 
  • marx, salário, preço e lucro
  • marx e engels, a ideologia alemã; teses sobre feuerbach
  • marx, o dezoito do brumário de louis bonaparte
  • lênin, o imperialismo, fase superior do capitalismo
  • politzer, princípios elementares de filosofia
  • nietzsche, a genealogia da moral [em 2007 subst. joaquim josé de faria]
pela extinta editora acadêmica:
  • pachukanis, teoria geral do direito e marxismo
  • ihering, a luta pelo direito
  • stucka, direito e luta de classes
no cadastro da agência brasileira do isbn, silvio donizete chagas também consta como tradutor de dartigues, o que é a fenomenologia, para a editora centauro.

tenho imenso apreço pelo papel de um amplo espectro da esquerda brasileira na ampliação de nosso universo cultural, com tantos intelectuais ativistas que ao longo do século XX se dedicaram à tradução de obras indispensáveis em qualquer biblioteca.

a contribuição de silvio donizete chagas nesta área, porém, parece demandar maiores pesquisas antes de poder ser devidamente avaliada.


1 de abr. de 2010

atualizando o arquivo


notas e artigos publicados nestes últimos dias sobre a luta contra o plágio:

dê você também seu apoio:

imagem: montessori

o primeiro de abril centauriano

a história d'a questão judaica, de marx, na solene garfada da editora centauro, que republicou a tradução de wladimir gomide pela laemmert (1969) atribuindo-a a "silvio donizete chagas" - veja aqui - , tem elementos um tanto picarescos.

assim é que, por exemplo, na hora de copiar a apresentação da edição da laemmert:

ed. laemmert


a centauro até se deu ao trabalho de eliminar o nome de wladimir gomide, mas se esqueceu de ler o texto, e lá ficou:

ed. centauro


consulte também o arquivo "centauro"

sobre outros cometimentos quetais, veja esses dois casos da editora rideel:

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



31 de mar. de 2010

centauro a galope

a questão judaica, na edição da centauro, que reproduz fielmente a tradução de wladimir gomide (laemmert, 1969 - veja aqui), porém atribuindo-a a silvio donizete chagas, a rédeas soltas percorre escolas, bibliotecas, ementas de curso, teses, artigos, concursos etc.


eis uma pequena amostra da situação:

http://www.nodo50.org/cubasigloXXI/congreso08/conf4_goncalvesr.pdf

http://www.usp.br/siicusp/Resumos/17Siicusp/resumos/3386.pdf
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_dh_etica_republicana.pdf
http://www.slideshare.net/654789/grupo-de-estudos-marx-e-o-direito
http://www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/ST62/Camila_Oliveira_do_Valle_62.pdf
http://www.pucrs.br/edipucrs/online/IIImostra/CienciasSociais/61351%20-%20HENRY%20GUENIS%20SANTOS%20CHEMERIS.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_87/artigos/RommelMadeiro_rev87.htm
www.ess.ufrj.br/.../201-construcoes-teorico-metodologicas-em-servico-social-fatima-grave-marlise-vinagre
http://www.grupodemocracia.com/artigos/livro%202/pdfs/OLIVEIRA,CiceroJS.pdf
http://www.ufpb.br/cdh/curso2/2curso_ementa02.html
http://abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/526.%20%20a%20utopia%20na%20perspectiva%20de%20ernst%20bloch.pdf
www.conpedi.org/anais/36/02_1673.pdf
www.revistas.ufg.br/index.php/philosophos/article/.../6010
http://www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/dcefs/Prof._Adalberto_Santos/2-o_trabalho_em_marx_e_engels_implicacoes_para_os_estudos_do_lazer_12.pdf
http://www.ceamecim.furg.br/viii_pesquisa/trabalhos/78.doc
http://xivciso.kinghost.net/artigos/Artigo_979.pdf
http://www.ufpel.tche.br/cic/2009/cd/pdf/CH/CH_01656.pdf
http://www.lemarx.faced.ufba.br/marxeengels.html
http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/26013/25576
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652008000200004
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582003000100004
http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Concursos/pdfs/edital2010-062.pdf
http://www.conpedi.org/manaus/arquivos/anais/bh/danielle_soncini_bonella.pdf
http://www.trt13.jus.br/ejud/images/arquivos/referencias_bibliograficas.pdf
http://www.pucrs.br/edipucrs/online/IIImostra/CienciasSociais/61351%20-%20HENRY%20GUENIS%20SANTOS%20CHEMERIS.pdf
www.ess.ufrj.br/index.php/.../207-seminario-de-tese-i-maria-das-dores
http://www.revistas.ufg.br/index.php/philosophos/article/viewDownloadInterstitial/4869/6010
http://www.faculdadeages.com.br/revista/index.php?journal=ages&page=article&op=viewFile&path[]=58&path[]=48
http://www.scielo.org.ar/scieloOrg/php/reference.php?pid=S1515-59942009000100001&caller=www.scielo.org.ar&lang=es
http://www4.uninove.br/ojs/index.php/dialogia/article/viewFile/842/722
http://www.unec.edu.br/ics/artigos/eca2.pdf
http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt2/sessao1/Camilo_onoda.pdf
http://periodicos.unitau.br/ojs-2.2/index.php/humanas/article/view/456/413
http://www.usp.br/siicusp/Resumos/17Siicusp/resumos/780.pdf
http://www.trf4.jus.br/trf4/upload/arquivos/curriculo_juizes/ha_um_fundamento_para_direitos_humanos.pdf
http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/stories/pdfs_educacao/v13n1/art05_magalhaes_e_junior.pdf
http://www.ichs.ufop.br/memorial/trab2/edu24.pdf
http://revistas.pucsp.br/index.php/red/article/view/1682/1113
http://www.unipam.edu.br/temp/file/1%C2%AA%20SEMANA%20DE%20ESTUDOS%20JUR%C3%8DDICOS%20E%20SOCIAIS.pdf
http://www.uff.br/iacr/ArtigosPDF/94T.pdf
http://www.abed-defesa.org/page4/page8/page9/page16/files/CamilaValle.pdf
http://www.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/segundosimposio/marisagbarbosa.pdf
http://www.cepehu.com.br/galeria/textos/_mini_bbe475c1ef416c09eac33f77ce191300.pdf
http://www.ts.ucr.ac.cr/binarios/congresos/reg/slets/slets-017-046.pdf
http://www.trt13.jus.br/ejud/images/arquivos/liberdade_igualdade_fraternidade.pdf
http://www.nrodrigues.adv.br/publicacoes/producao-te%C3%B3rica/contribui%C3%A7%C3%A3o-a-cr%C3%ADtica-da-historia-do-direito-de-greve.pdf
http://www.andhep.org.br/downloads/trabalhosIVencontro/CamiladoValleGT1.pdf
http://books.google.com.br/books?id=pfs4SPdlhFAC&pg=PA124&lpg=PA124&dq=%22quest%C3%A3o+judaica%22+marx+centauro&source=bl&ots=-TeAShOVtB&sig=B2ggbMoqfHabQ43YrNVUS-cZpoo&hl=pt-BR&ei=ydSuS-XJKdCluAeT_OjwDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CBsQ6AEwAzha#
http://seer.bce.unb.br/index.php/SER_Social/article/view/162/120
http://publique.rdc.puc-rio.br/revistaalceu/media/alceu_n9_oliveira.pdf
http://www2.jatai.ufg.br/ojs/index.php/acp/article/viewDownloadInterstitial/916/455
http://www.ufpa.br/bc/documentos/Alerta_Bibliografico/2009/alertabibliografico03mar2009.pdf
http://www.ppgf.ufba.br/dissertacoes/Jose_Fredson_Souza_Silva.pdf
www.fae.ufmg.br/.../politica_contemporanea_form_prof.doc
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/97/95
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_cosmopolitismo.htm
http://www.ifch.unicamp.br/graduacao/disciplinas/semestre208/disciplinas/HZ353A.pdf
http://www4.uninove.br/ojs/index.php/prisma/article/view/507/486
www.cchla.ufpb.br/.../479-17092008221218-Cosmopolitismo%5B1%5D.60anos_DUDH.doc
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/html/934/93400107/93400107.html
http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1112992
http://ufpa.br/bc/documentos/Alerta_Bibliografico/2007/alertabibliograficooutubro2007.pdf
http://www.nrodrigues.adv.br/publicacoes/producao-te%C3%B3rica/o-verdadeiro-universal-juridico-e-os-limites-da-universalizacao-de-direitos-sob-o-capitalismo.pdf
http://starline.dnsalias.com:8080/andhep2009/arquivos/8_9_2009_19_44_15.pdf
http://www.sober.org.br/palestra/9/424.pdf
www.segurancacidada.org.br/index.php?option=com_docman...
www.cress16.org.br/flash/catalogo.swf
http://publique.rdc.puc-rio.br/revistaalceu/media/Alceu19_Oliveira.pdf
http://www.pucrs.br/ffch/neroi/mono_revista.pdf
http://www.ufpb.br/cdh/monografias/christiane_fernandes.pdf
http://www.bmfbovespa.com.br/Pdf/Bibliografia_Bobbio.pdf
www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/journals/1/.../669/.../669-683-1-PB.pdf
http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=726
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/32/art16_32.pdf
http://www.cfh.ufsc.br/~alessandro/filpoliticaI-pos.htm

[colaboração de joana canêdo]

veja também outros casos da editora centauro envolvendo plágios de tradução.

apoie a luta contra o plágio.
leia e assine este manifesto.


30 de mar. de 2010

caso martin claret x denise bottmann

atualizando:
em relação ao caso do sr. martin claret contra minha pessoa, por alegada difamação e crime contra sua honra, o juiz em primeira instância não havia acolhido a queixa-crime, rejeitando-a liminarmente por insuficiência de provas. os advogados do sr. martin claret entraram com recurso, o qual foi analisado hoje pela junta recursal. em decisão por unanimidade, a junta confirmou a sentença e considerou não haver razões para dar acolhimento ao referido recurso.


acompanhe o histórico:

a questão judaica

Um leitor do blog havia comentado algum tempo atrás que achava suspeita a edição d'A Questão Judaica, de K. Marx, pela editora Centauro: muito parecida com a edição da Laemmert. Joana Canêdo então fez um levantamento que apresento abaixo, acrescido de algumas informações adicionais.

A edição da Laemmert é de 1969, com tradução assinada por Wladimir Gomide, que também escreve a apresentação. Na orelha do livro consta a informação: “Esta é a primeira vez que o ensaio de Marx sobre A Questão Judaica aparece em língua portuguesa”. Muito provavelmente a tradução de Gomide se baseou na tradução de Wenceslao Roces para o espanhol, publicada pela Grijalbo em 1959 na coletânea La sagrada familia y otros escritos filosóficos de la primeira época (disponível para download aqui)


A Questão Judaica (1843) corresponde a duas resenhas escritas por Marx para os Anais Franco-Alemães: a primeira se chama “Bruno Bauer, A questão judaica” e a outra “Capacidade dos atuais judeus e cristãos de ser livres”. Além delas, a edição da Laemmert traz em apêndice mais quatro textos: “Colocação de problemas”, “Descobertas críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política”, “Os anais franco-alemães e a questão judaica” e “Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel”. Wladimir Gomide explica em sua apresentação que optou por traduzir “todos os tópicos em que Marx aborda a questão judaica noutro texto da juventude” (i. é, A Sagrada Família).

Após esse lançamento da Laemmert em 1969, A Questão Judaica foi publicada por outras editoras no Brasil, a saber:
  •  Moraes, sem indicação do tradutor, c. 1981 e reedições.
  • Achiamé, trad. Wladimir Gomide, s/d.
  • Centauro, trad. Silvio Donizete Chagas, 2000 e diversas reedições.
  • Expressão Popular, trad. José Barata-Moura (sob licença da Avante de Portugal), 2009.
No caso da edição da Centauro, alguns detalhes editoriais chamam a atenção:
- A indicação do título original: Zur Judenfrage.
- Uma apresentação anônima.
- A divisão do volume em duas partes: A Questão Judaica propriamente dita, com suas duas resenhas; e os mesmos quatro textos em apêndice que constam na edição da Laemmert.


Salta à vista que a escolha dos textos da Laemmert e da Centauro é a mesma. Os textos das traduções são idênticos. A cópia é literal, do início ao fim, incluindo apresentação e notas de rodapé. As únicas diferenças entre as duas edições são o texto da orelha e a referência ao original. Se Gomide não indica a fonte de sua tradução para a Laemmert, a edição da Centauro indica o original Zur Judenfrage.

  

Seguem-se alguns trechos ilustrativos.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 13)

I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? À emancipação civil, à emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 13)

I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? A emancipação civil, a emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 24)

A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.

(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 22)

A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.

(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 62)

A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito às cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 50)

A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito as cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 65)

Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 53)

Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 71)

b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 58)

b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, pp. 101-102)

Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (1). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.

(1) Oração pelo lar e pelo ócio.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, pp. 83-85)

Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (30). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.

(30) Oração pelo lar e pelo ócio.

veja mais sobre a editora centauro:

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





29 de mar. de 2010

fala erwin theodor

Cara Denise: escreve-lhe o Erwin Theodor Rosenthal, aquele mesmo que há sessenta-e-quatro anos (aos 20 de idade!) levou 12 meses para completar seu primeiro projeto de tradução, a Origem da Tragédia! Por V. fiquei sabendo de sua disponibilização eletrônica e agradeço seus comentários lúcidos e justos. De minha parte acrescento uma passagem de autor que já foi conhecido, e que talvez divirta os inimigos do PLÁGIO. Escreve Egon Friedell numa "CARTA ABERTA" a um autorzinho de nome Anton Kuh, em 1931, de Viena:

"Prezado Senhor, foi surpresa verificar que V. resolveu publicar a minha humilde estória, O Imperador José e a Prostituta, tal como a escrevi, com o acréscimo das três palavras: 'Por Anton Kuh', na publicação Querschnitt. Honra-me sem dúvida o fato de sua escolha ter recaído na minha estorinha, quando toda a literatura mundial desde Homero se encontrava à sua disposição. Teria gostado de retribuir na mesma moeda, mas, depois de examinar toda a sua obra, não encontrei nada que tivesse vontade de subscrever. (ass) Egon Friedell."

Pergunto eu: que tal a obra do sr. Pugliese?

Cumprimentos cordiais, Erwin Theodor.

ver o caso a que se refere nosso mestre germanista em:

27 de mar. de 2010


o nãogostodeplágio está em fase de manutenção.
retorna às atividades normais na próxima semana.


26 de mar. de 2010

o caso do proz.com

acompanhe o caso do proz.com e leia a petição:

On 3 March 2010, the following petition was delivered to the ProZ.com team. An internal review began immediately and discussions among staff members and petitioners are currently underway. The results of the review process and the outcome of the discussions will be published by 31 March 2010.

A Translators' Petition Concerning ProZ.com's Job Policies
To ProZ.com

We, the undersigned, are a group of translators based around the world.

The purpose of this petition is two-fold. Firstly, it aims to protest against the way ProZ.com manages and supervises its job postings made available to both paying and non-paying ProZ.com members on its "Translation Industry Jobs" board. Secondly, it requests that ProZ.com revise its current policies and procedures on job postings, which we believe are harmful to individual translators and to the industry as a whole.

Over recent months, we have witnessed a steady and alarming increase in the number of ProZ.com job offers that contain rates and working conditions we consider totally unacceptable. One recent example of such a post provoked the enraged reaction of thousands of translators and interpreters and was reported in the Italian national press, in addition to being widely discussed by thousands of other translators on translator mailing lists, blogs, Facebook, and elsewhere. The Italian Minister of Tourism ultimately released a statement disavowing the working conditions contained in the job posting that appeared on ProZ.com.

The post in question is only one example of many such job postings that appear daily on ProZ.com. For our part, we are convinced that such posts have always offended and continue to offend the dignity of professional freelance translators.

ProZ.com's company policy states that it aims to serve "the world's largest community of translators" and deliver "a comprehensive network of essential services, resources and experiences that enhance the lives of its members."

Job postings that do not offer translators a living wage or which contain detrimental working conditions clearly fail to "enhance the lives" of translators. On the contrary, they actively harm our livelihoods and our profession.

To cite one specific example: the fact that ProZ.com allows job posters to set prices and conditions is, in itself, a form of "market distortion" and reveals one of the main reasons why we believe the ProZ.com job posting system is fundamentally flawed. When offering translation services, the freelance translator acts as a service provider, not as a client. To this respect, as in any freelance profession, we believe the freelancer and not the client should establish working conditions, prices, etc.

We hope that ProZ.com will take swift action to revise its job posting system to bring it in line with its stated mission to "serve translators" and deliver "essential services, resources and experiences that enhance" translators' lives. Such action is in all of our interests and would only enhance ProZ.com's reputation as a reliable, responsible service for translators and translation clients.

Until such time as ProZ.com takes clear, decisive steps to achieve that purpose, however, we shall be committed to taking the following action:

1) we will refrain from quoting on all jobs received through the ProZ.com posting system;
2) we will inform job posters of this protest and of the reasons for refusing to quote on their jobs;
3) we will refuse to join the ProZ.com site as subscription-paying members;
4) if we are currently paying members, we will not renew our memberships when they expire;
5) we will urge our colleagues, through every means at our disposal, to do the same.

Sincerely,
{List of 844 names}

23 de mar. de 2010

moção de apoio da UBE - União Brasileira de Escritores



Denise Bottmann:

Sua iniciativa de divulgar manifesto contra o mau - e às vezes criminoso - uso de traduções por determinadas editoras, disfarçando autoria, embaralhando direitos, revela generosidade. Ao mesmo tempo em que protege o seu próprio trabalho, estende aos demais tradutores a prevenção contra falcatruas que atentam contra a qualidade da criação e a decência dos relacionamentos profissionais.

Conte com o apoio declarado da União Brasileira de Escritores. Faremos divulgar intensivamente o endereço eletrônico para que nossos associados tomem conhecimento da questão cuja defesa você lidera, e assim participem, votem, compareçam.

Joaquim Maria Botelho
União Brasileira de Escritores
Presidente

22 de mar. de 2010

moção de apoio do IEL



MOÇÃO DE APOIO A DENISE BOTTMANN
E AO BLOG NÃO GOSTO DE PLÁGIO

Há algum tempo vem sendo veiculada pelos meios de comunicação a prática de algumas editoras de se apropriar de traduções anteriormente publicadas por outras, trocando o nome do tradutor verdadeiro por outro, quase sempre forjado, fazendo alterações cosméticas e as apresentando como novas. A fim de denunciar tal abuso que, além de ferir a lei de direitos autorais, desfigura o trabalho de muitos profissionais sérios e reconhecidos, constitui concorrência desleal com as editoras que arcam com os custos de tradução das obras e compromete a qualidade do texto desta forma oferecido ao público, a tradutora Denise Bottmann criou um blog com o nome de Não Gosto de Plágio. Sua atividade consiste principalmente em denunciar tal prática, através de transcrições de trechos da tradução original e da “nova”, demonstrando que as diferenças entre elas são insignificantes e, em alguns casos, inexistentes. Por conta disso, já sofreu vários processos. Atualmente está sendo processada pela Editora Landmark, que, numa clara tentativa de intimidação, exige vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais e a imediata extinção do blog Não Gosto de Plágio (invocando o “direito de esquecimento”).

Tal processo vem sendo noticiado na imprensa e também no site de algumas editoras que se sentem lesadas por tal prática. Também circula na internet um abaixo assinado em apoio de Denise Bottmann, redigido pelos tradutores Heloisa Jahn, Jorio Dauster, Ivo Barroso e Ivone Castilho Benedetti, que já conta com cerca de 2500 assinaturas. Diante dos fatos relatados, a Congregação do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em reunião realizada a 18 de março de 2010 decidiu se manifestar solidária à campanha empreendida por Denise Bottmann em defesa dos direitos dos tradutores de terem seu trabalho reconhecido e respeitado.