deu na publishnews de hoje:
Tradução de elite
Valor Econômico - 11/12/2009 - Por Cadão Volpato (link para assinantes)
"Traduzir é frequentar esferas desconhecidas, entregar o cérebro ao inesperado", diz Heloisa Jahn, tradutora dos poemas de Jorge Luis Borges e também editora da Companhia das Letras, o que lhe dá uma dupla compreensão desta profissão árdua, nem sempre bem remunerada e quase invisível que é a tradução literária. Ao menos a melhor tradução literária do país, composta por uma espécie de apaixonado pelotão de elite, que vai dos tradutores do russo aos que vertem o espanhol e o inglês, sempre com enorme sensibilidade. As dificuldades são enormes, a autocrítica é pesada: "Tradutores gostam de enxergar defeitos e apontar as imperfeições no próprio trabalho", afirma o também editor e tradutor da Cosac Naify Paulo Werneck. Como se não bastasse, as melhores traduções costumam ser aquelas em que não notamos a mão do tradutor. "Boa tradução é aquela que você não percebe que é tradução. Ou fica parecido a filme dublado. Não: o que busco é que o leitor sinta que o livro foi escrito no português do Brasil", defende o escritor Eric Nepomuceno, às voltas com uma verdadeira pedreira tradutória, o romance O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar.
11 de dez. de 2009
paulo rónai 2009
que maravilha, saíram os nomes dos ganhadores do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.
o primeiro lugar ficou com erick ramalho, com poemata, os poemas em latim e grego de john milton, pela tessitura.
paulo werneck ganhou o segundo lugar com zazie no metrô, de raymond queneau, pela cosac.
o terceiro prêmio foi para luiz antônio martinez corrêa, com o percevejo, de maiakóvski, pela 34.
veja aqui a relação completa dos prêmios da fbn.
o primeiro lugar ficou com erick ramalho, com poemata, os poemas em latim e grego de john milton, pela tessitura.
paulo werneck ganhou o segundo lugar com zazie no metrô, de raymond queneau, pela cosac.
veja aqui a relação completa dos prêmios da fbn.
10 de dez. de 2009
bastidores
a propósito de um comentário que um leitor deixou em (anti)referências bibliográficas:
"[...] será que não seria bom você ouvir tradutor e editora antes de publicar os posts? Há mais coisas entre tradutor e bastidores de editoras do que você imagina..."
gostaria de esclarecer uma vez mais a linha que norteia o nãogostodeplágio:
"[...] será que não seria bom você ouvir tradutor e editora antes de publicar os posts? Há mais coisas entre tradutor e bastidores de editoras do que você imagina..."gostaria de esclarecer uma vez mais a linha que norteia o nãogostodeplágio:
informe
reproduzo neste post o comentário feito à postagem não gosto de plágio:
"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:
A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."
"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:
A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."
a premiação da apca
a associação paulista de críticos de arte escolheu como melhor tradução de 2009 o trabalho de augusto de campos, traduzindo august stramm, poemas-estalactites, pela editora perspectiva.
a lista completa da premiação está aqui.
a lista completa da premiação está aqui.
9 de dez. de 2009
marco civil
atenção, termina esta semana a primeira fase de consulta pública sobre o marco civil da internet.
(anti)referências bibliográficas
ABRIL CULTURAL
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)
BOITEMPO EDITORIAL
fedor dostoiewski, a árvore de natal de cristo (isa tavares)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (isa tavares)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (isa tavares)
perry anderson, as antinomias de gramsci (paulo césar castanheira)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (isa tavares)
slavoj zizek, lacrimae rerum (isa tavares)
BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)
CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)
CENTAURO
hitler, minha luta (klaus von puschen)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)
CÍRCULO DO LIVRO
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoiévski, os irmãos karamázovi (enrico corvisieri)
CLUBE DO LIVRO
qualquer obra que traga nos créditos "tradução especial de xxx" ou "tradução feita por xxx especialmente para o clube do livro", em particular as que constam em nome de josé maria machado. vide aqui.
COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)
CULTRIX
edgar allan poe, "o escaravelho de ouro" in histórias extraordinárias (josé paulo paes)
DERIVA
albert camus, os justos (robson dos santos)
bertold [sic] brecht, o casamento do pequeno burguês (césar santos)
jean genet, as criadas (roberto medeiros porto)
jean-paul sartre, entre quatro paredes (roberto de almeida)
[ver a retratação da editora aqui]
EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)
EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)
ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)
GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)
GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)
outros títulos lançados pela germinal, que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança são:
arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)
ver aqui
H. GARNIER
charles dickens, as aventuras do sr. pickwick (k. d'avellar)
edgar allan poe, novellas extraordinarias ("traducção brasileira")
outros títulos que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança, são todos os que trazem créditos de tradução em nome de "k. d'avellar", "r. d'avellar" e suas variantes com um "l" só.
HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
descartes, princípios de filosofia (torrieri guimarães)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)
omar khayamm, rubaiyat (torrieri guimarães)
ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)
ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)
JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)
LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)
MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**
* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado
MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)
obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.
MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
d.h. lawrence, o amante de lady chatterley (jean melville, isbn/ jorge luís penha, edição impressa)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)
MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)
obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.
MORAES (extinta)
hitler, minha luta (não consta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
louisa may alcott, mulherzinhas (vera maria marques martins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)
NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)
PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)
RECORD *
charles webb, a primeira noite de um homem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico e amante (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, um médico diferente (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, dilema de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médicos em conflito (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, mulheres de médicos (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, o fim da viagem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, impasse de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, heroísmo de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, consciência de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico astronauta (nelson rodrigues)
frederic raphael, darling (nelson rodrigues)
harold robbins, o garanhão (nelson rodrigues)
harold robbins, os libertinos (nelson rodrigues)
harold robbins, escândalo na sociedade (nelson rodrigues)
harold robbins, os implacáveis (nelson rodrigues)
harold robbins, o indomável (nelson rodrigues)
harold robbins, os insaciáveis (2 vols.) (nelson rodrigues)
harold robbins, 79 park avenue (nelson rodrigues)
harold robbins, uma prece para danny fischer (nelson rodrigues)
harold robbins, stiletto (nelson rodrigues)
harold robbins, o machão (nelson rodrigues)
harold robbins, a mulher só (nelson rodrigues)
harold robbins, os sonhos morrem primeiro (nelson rodrigues)
harold robbins, os herdeiros (nelson rodrigues)
harold robbins, ninguém é de ninguém (nelson rodrigues)
henry sutton, a exibicionista (nelson rodrigues)
hugh atkinson, os jogos proibidos (nelson rodrigues)
morton cooper, o rei devasso (nelson rodrigues)
polly adler, uma certa casa suspeita (nelson rodrigues)
* vários destes títulos saíram também pela abril cultural, círculo do livro e nova cultural. alguns foram lançados inicialmente pelo selo livraria eldorado, da própria record.
RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)
RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)
RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)
RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)
* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.
RUSSELL
francesco carnelutti, arte do direito (ricardo rodrigues gama)
ferdinand lassalle, o que é uma constituição? (ricardo rodrigues gama)
von ihering, a luta pelo direito (ricardo rodrigues gama)
SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 13/05/2012; 27/05/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 19/04/2017
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8 de dez. de 2009
da matos peixoto à cedic
matos peixoto parece ser um desses casos. foi uma pequena editora dos anos 60, de propriedade do sr. paulo matos peixoto. tenho sua edição de a volta ao mundo em oitenta dias, integrante da "coleção júlio verne", e no ano passado descobri que a suposta tradução publicada pela editora martin claret em nome de "pietro nassetti" em verdade era simples cópia da tradução de vieira neto, publicada em 1965 precisamente pela matos peixoto, em edição ilustrada de capa dura. apresentei esse cotejo em rodando o mundo (e as editoras).
não há nenhuma publicação da matos peixoto no acervo da fundação biblioteca nacional. já nos sebos que integram a estante virtual, encontram-se várias dezenas de títulos que a editora publicou nos anos 60, sobretudo entre 1964 e 1966. diga-se de passagem que qualquer historiador da cultura e do desenvolvimento editorial no país terá sempre uma dívida incalculável para com os sebos, muitas vezes os últimos depositários de uma memória do passado. mas, voltando à matos peixoto, assim como surgiu, desapareceu.
no finalzinho dos anos 80 surge uma outra pequena editora, de nome paumape, sigla do nome de seu proprietário, o já referido sr. paulo matos peixoto. teve vida ainda mais breve, e sua atividade praticamente se concentrou em publicar obras jurídicas de ulderico pires dos santos e reeditar vários títulos do antigo catálogo da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo alguns exemplares da paumape (16), e nos sebos se encontram várias publicações suas.
em 2002/2003 surge mais uma outra pequena editora, de nome germape, sigla, até onde sei, de "gertrud matos peixoto", esposa do sr. paulo. aparentemente mantém-se em atividade - entrei em contato com seu escritório, mas não foi possível falar com a responsável editorial, de nome vera. a germape também tem relançado títulos da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo um maior número de publicações (66), e nos sebos há várias edições suas.
de modo geral, os títulos que compõem o "projeto ler literatura universal" da cedic já faziam parte do antigo catálogo da matos peixoto dos anos 60, e/ou constavam no catálogo da paumape e depois no catálogo da germape. isso pareceria sugerir uma parceria normal entre elas, porém com algumas diferenças editoriais: por exemplo, a edição da germape da divina comédia consta na fbn com a tradução devidamente creditada a hernâni donato, ao passo que a edição da cedic, ao omitir qualquer indicação de autoria ou de dado catalográfico, desliza para a ilegalidade.*
essa relação entre matos peixoto, paumape, germape e cedic ajudaria a explicar os bizarros critérios de seleção que esta última utilizou para compor sua coleção de literatura universal - mais do que aspectos propriamente literários, o que parece ter prevalecido é um simples aproveitamento de catálogo.
adiante retornarei ao tema, sob o ponto de vista mais específico das traduções.
* refiro-me tão-só à correta atribuição da autoria, como direito moral do tradutor e direito do leitor à informação correta, ambos protegidos por lei. já se a germape e a cedic têm ou não licença de uso da tradução de hernâni donato, são outros quinhentos.
imagem: françois bonvin, natureza morta com livro, papéis e tinteiro
7 de dez. de 2009
cedic
o centro difusor de cultura (cedic) é uma editora de minas gerais, com uma linha variada que abrange livros e dvds pedagógicos, bíblicos, artísticos e outros. no segmento de literatura, a editora mantém uma coleção chamada "projeto ler literatura universal".acho essas coisas sempre maravilhosas, pois a grande literatura é de uma riqueza inesgotável e o brasil ainda tem carências neandertalianas no acesso a essas grandes obras. assim, uma editora que anuncia tal projeto e avisa que "A coleção contém 40 obras-primas dos melhores escritores do mundo. O leitor terá a oportunidade de conhecer grandes nomes da literatura e suas obras imortalizadas" desperta esperanças na gente.
bom, não que eu seja muito conhecedora das coisas, mas a relação das 40 obras-primas da cedic me espantou bastante. são elas:
Odisséia - Homero
A Megera Domada & As Alegres Comadres de Windsor - William Shakespeare
Dom Quixote - Miguel de Cervantes
Hamlet - William Shakespeare
Macbeth - William Shakeaspeare
Moby Dick - Herman Melville
O Fantasma da Ópera - Geston [sic] Leroux
O Rei Lear - William Shakespeare
Otelo - William Shakespeare
Romeu e Julieta - William Shakespeare
Sonho de Uma Noite de Verão - William Shakespeare
Drácula - Bram Stoker
Dos Delitos e das Penas - César Beccaria
Ilíada - Homero
O Príncipe - Maquiavel
A Dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho
O Banquete - Platão
Édipo Rei - Sófocles
A Divina Comédia - Inferno - Dante Alighieri
A Divina Comédia - Purgatório - Dante Alighieri
A Divina Comédia - Paraíso - Dante Alighieri
Mensagem - Fernando Pessoa
Contos e Histórias - Allan Poe
Os Trabalhadores do Mar - Victor Hugo
O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde
De Calígula a Domiciano - Suetônio
De Julio Cesar a Tibério - Suetônio
Fábulas - La Fontaine
História Secreta - Procópio
A Tempestade - William Shakespeare
Contos - Guy de Maupassant
Teodora - Henry de Kock
A Comédia dos Erros - William Shakespeare
20.000 Léguas Submarinas - Julio Verne
Uma Aventura de Natal - Charles Dickens
Eneida - Virgílio
Cleópatra - Henry de Kock
As Minas do Rei Salomão - H. Rider Haggard
A Revolução dos Bichos - George Orwell
O Atentado contra Napoleão - Paulo Matos Peixoto
em 40 títulos, 10 shakespeares?
o banquete de platão agora virou literatura? o príncipe de maquiavel também? dos delitos e das penas de beccaria idem? as vidas de suetônio idem? procópio idem?
gaston leroux, um dos melhores escritores do mundo? as minas do rei salomão como uma das grandes obras-primas universais? a revolução dos bichos também?
henry de kock? e com duas obras? e a cerejinha do bolo, paulo matos peixoto?
e certamente há quem tenha comprado e continue a comprar na boa fé a tal coleção com seus quarenta volumes, achando que está se instruindo na alta literatura mundial ao ler bram stoker e gaston leroux... e paulo matos peixoto, se mal pergunte: quem é este "grande nome da literatura" que figura entre os 27 "melhores escritores do mundo" selecionados pela cedic, autor da "obra imortalizada" o atentado contra napoleão?
perplexíssima com a desfaçatez e atônita com a quantidade de "mais dos mesmos" que perambulam incessantemente pelas rideels, martins clarets e novas culturais da vida - odisseia, moby dick, drácula, os benditos dez shakespeares, os platões, beccarias, maquiavéis e suetônios repetindo-se à exaustão, venho a descobrir que a divina comédia, repicada em três voluminhos, é uma inacreditável cópia - mais uma vez! - da tradução de hernâni donato. anônima, sem qualquer crédito, como se dante tivesse gestado e parido sua magnum opus diretamente vasada na última flor do lácio. ademais a edição fere os preceitos mais básicos da lei do livro, sem ficha catalográfica, sem nenhuma indicação de coisa alguma, nem sequer do local, da editora, da data, nada, nada. só é possível saber que é uma edição da cedic porque consta na contracapa.
continuo achando que devia existir uma ANVISA do livro. afinal o intelecto não pode ficar sujeito a tanta contrafação e a tanta ishperteza - o alimento do espírito, por ainda melhor razão, deveria receber cuidados muito maiores.
imagens: cedic
6 de dez. de 2009
ivo barroso - itinerários VI
DE ESPADA EM PUNHO
Como em Dumas, meus três tradutores-mosqueteiros eram quatro: Mílton Amado, Agenor Soares de Moura, Onestaldo de Pennafort e Carlos Porto Carreiro. Os dois primeiros eu havia conseguido homenagear com livros; os dois últimos o seriam com longos artigos. Mas, para chegar a tanto, tive que enfrentar desagradáveis frustrações.
A admiração que sempre tive pelas traduções de Onestaldo de Pennafort, principalmente pelas suas “encarnadas” versões dos poemas de Verlaine, sempre me fizera prometer a mim mesmo escrever algo a seu respeito, já que seu nome parecia desconhecido entre as novas gerações. Ele foi o mais perfeito intérprete do poeta francês em língua portuguesa, a ponto de suas Festas galantes se tornarem um livro de poesias de nossa literatura. Stefan Zweig, que se refugiara no Brasil em 1940, assim se dirige ao tradutor: “Ainda não falo o português, mas leio-o, e ainda mais facilmente numa tradução de poesias que sei de cor. O senhor gostará de saber que possuo o manuscrito original das Fêtes galantes [...] Que alegria ao ler Verlaine na língua de seu tradutor e captar-lhe ainda assim a música!” Além de Verlaine, Onestaldo havia conseguido dar ao Romeu e Julieta, de Shakespeare, a jovialidade, a leveza, a graça da obra original. E, no extremo oposto, toda a coloração sombria da tragédia cruel vivida por um Otelo transtornado de ciúmes. Além disso, havia suas obras originais, de grande versatilidade e de sutil leveza.
Compus um longo ensaio que ficou guardado por uns tempos à espera do veículo adequado para divulgá-lo. Houve época em que fui um dos redatores da revista Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional, e julguei que estaria ali o espaço ideal para estampar o artigo. Mas por várias circunstâncias a matéria não saiu. Só em março de 2007, já de todo afastado da Poesia Sempre, encontrei guarida na Revista do Livro, órgão de divulgação cultural da mesma entidade, dirigida pelo prof. Elmer Barbosa. Estampada no nº 48, Ano 15, de março de 2007, esperei em vão por um exemplar da revista para ter a certeza de que a homenagem se efetivara. Depois de quase um ano, vim a saber que o tal número, dedicado quase inteiramente à literatura italiana, teve toda a sua tiragem distribuída num salão do livro que homenageava o Brasil na... Itália. Aqui, não restou disponível nenhum exemplar da revista. Foi graças à gentileza da Dra. Célia Portella que consegui ter em mãos a revista e constatar que de fato o artigo saíra (e estava sendo lido (?)... na Itália). Para compensar o extravio, estou cogitando de imprimir uma plaquete que, desde já, ofereço a todos os que se interessarem pelo assunto.
Embora, cronologicamente, Porto Carreiro tenha sido a minha predileção mais antiga, meu inesquecível D´Artagnan, até hoje não consegui lhe fazer a devida vênia, tirando-lhe o chapéu no gesto largo de arrastar pelo chão a pluma da Gasconha.
Sua tradução do Cyrano de Bergerac, que eu sabia quase toda de cor, de tanto lê-la, que abriu para mim as portas da conquista amorosa, sempre mereceu meu preito e minha gratidão. Que poderia fazer para divulgar seu nome, proclamar a excelência de sua façanha tradutória? Em 1997, centenário da primeira representação da peça, graças ao meu editor José Mário Pereira, íamos lançar uma cuidada edição bilíngue da peça, escoimada de alguns erros constantes das edições anteriores. Escrevi uma extensa apresentação em que falava não só do autor Edmond Rostand, mas igualmente de seu imortal intérprete Coquelin, de Sarah Bernard e do verdadeiro Cyrano, terminando por comentar os poucos dados biográficos que havia sobre o tradutor, mas ressaltando-lhe a genialidade da transposição. Professor de direito no Recife, Porto Carreiro apaixonou-se pela peça e traduziu-a tão logo foi representada. Dizem que ia de bonde para a Faculdade e não raro saltava a meio caminho para anotar algum verso que lhe ocorrera no trajeto. Desse extraordinário feito tradutório (considero-o a maior tradução de teatro em versos que conheço em língua portuguesa), disse, à época, o ferrenho crítico José Veríssimo, que considerava “em alguns pontos a tradução melhor que o original”. Esse tipo de frase tem sido modernamente criticado: Pode uma tradução ser melhor que o original? Claro que não, mas acredito que, num verso ou noutro, isto possa ocorrer em poesia: o tradutor encontrar uma expressão, um torneio de frase, uma palavra perfeita que faça o verso mais expressivo em sua língua do que o era no original. Para tanto é necessária uma integração, uma “encarnação” absoluta do tradutor na obra que traduz. França Pereira, contemporâneo de Porto Carreiro, assim o evoca: “Lembro-me bem do fulgor de seu olhar febricitante, do riso que lhe brincava nos lábios e do tremor que lhe agitava as mãos, ao falar-me do seu Cyrano, como se ele quisesse reviver ante meus olhos deslumbrados o velho galrão da Gasconha num outro poema dramatizado. O que o desanimava, dizia-me, era a suspeita de se frustrarem seus esforços neste 'meio' onde o galardoariam talvez com esta frase esmagadora: -- Ora! Uma tradução! – E mais nada.” E até hoje há quem, ligado às letras, tenha um conceito inferiorizante sobre tradução. Digo que uma tradução pode ser o “equivalente” da obra original em outra língua. Porto Carreiro criou um Cirano em português, assim como Onestaldo criaria suas Festas galantes. Duas obras geniais francesas vivendo seu momento literário no idioma português.
Mas, encurtando: como queríamos fazer uma edição de luxo, em papel de qualidade, possivelmente com ilustrações, o projeto gorou dentro do tempo previsto. Passou o centenário e a minha homenagem, por insignificante que fosse, não chegou a realizar-se. E – frustração das frustrações – em 2002 encontro na minha banca de jornais uma edição de bolso, capa preta com uma gravura dourada do narizão cirenaico, que ainda não constava de minha coleção e que podia ser adquirida a preço módico. Quem seria o destemido tradutor que, sabendo da existência da façanha de Carreiro, ousava enfrentar as dificuldades do Cirano? Abro a capa e leio o nome do “herói”: Fábio M. Alberti, mas – pasmo! – logo aos primeiros versos ao constatar que eram os mesmos de Porto Carreiro, amados versos que eu sabia de cor e nem precisava ir a casa cotejar. Um plágio desconcertante. O “herói”, no caso, não passava de um deslavado farsante. Precisava denunciá-lo. Escrevi imediatamente um artigo, Cyrano em “tradução clonada”, que saiu no Idéias do JB em 21.09.2002 e foi logo transcrito em outros jornais do Nordeste e no prestigioso blog de Soares Feitosa. A Editora Nova Cultural, para a qual mandei uma cópia do artigo, telefonou-me passado algum tempo dizendo que tinha havido um engano e que o nome de Porto Carreiro seria restaurado nas próximas edições (o que não ocorreu até hoje). Pouco tempo depois, dou com outro roubo descarado, das Flores do Mal, de Charles Baudelaire, cuja antiga tradução de Jamil Almansur Haddad aparecia na edição da Martin Claret com o nome de Pietro Nassetti (?). Meu artigo Flores roubadas do jardim alheio saiu no Rascunho de maio de 2003. Revoltado com tais descaramentos, eu mal sabia que estava simplesmente tocando a crista do iceberg.
Em 2007, voltei à carga junto ao meu editor: vamos lançar o livro no 110º aniversário da estréia da peça! é sempre uma efeméride, e os editores e leitores gostam dessas datas redondas. Acrescentei novos dados ao prefácio, citei as atuais edições francesas, a recente encenação da Comédie Française, os vídeos que surgiram, as traduções italianas e alemãs. Mas, de novo, o dinheiro foi curto e a obra não saiu. Mas como Cirano, no último ato da peça, junto à arvore frondosa, embora ferido por causa das minhas frustrações, empunho a espada das determinações e digo para mim: Eu me bato! Eu me bato! Eu me bato! #
IVO BARROSO
imagem: coquelin como cyrano, google images
5 de dez. de 2009
leitura
meses atrás, raquel sallaberry, considerando a dificuldade de se encontrarem várias obras da dama de steventon no brasil, resolveu escrever um post aberto em seu blog, sugerindo a publicação da obra completa de jane austen. o post era dirigido à l&pm, em vista da qualidade e preços acessíveis de suas edições. e o apelo teve êxito.
a editora escolheu orgulho e preconceito para inaugurar sua coleção jane austen. a tradução ficou a cargo de celina portocarrero, e a obra também ganhou uma introdução do poeta, crítico literário e tradutor ivo barroso.
o livro será lançado em janeiro, mas já podemos ler os capítulos iniciais disponibilizados pela lpm e reproduzidos em jane austen em português.
parabéns a raquel por esse fantástico trabalho de sensibilizar as editoras para a necessidade de boas e novas traduções de austen no país; parabéns à l&pm pela receptividade à demanda dos leitores e pelo capricho dedicado a essa publicação.
a iniciativa é tanto mais bem-vinda porque a tradução de lúcio cardoso, pela civilização brasileira, é boa e bonita, mas um tanto datada (de 1940), a best-seller tem uma pretensa tradução em nome de "enrico corvisieri", protagonista de tantos plágios pela ed. nova cultural, a martin claret apresenta em nome de "jean melville" um descarado plágio da edição portuguesa da europa-américa, e a da francisco alves, em tradução de laura alves e aurélio barroso, é inencontrabilésima.
imagem: pride and prejudice
4 de dez. de 2009
gracias, gracias
flanela paulistana, os ofendidos somos nós
jane austen em português, uma ótima notícia!
livros e afins, juiz rejeita queixa-crime
tradutor profissional, edição extra extra
jane austen em português, uma ótima notícia!
livros e afins, juiz rejeita queixa-crime
tradutor profissional, edição extra extra
imagem: coletivo wu ming
Formando professores com plágios e falsificações
Fico arrasada de ver como tantas editoras têm uma atitude de descaso quanto ao que publicam, deixando, por exemplo, de indicar as fontes dos textos traduzidos. Ou pior, indicando a fonte errada (vocês se lembram da história da tradução de Edgar Allan Poe no Brasil, em que se passou a afirmar que as Histórias Extraordinárias eram uma tradução de Tales of the Grotesque and Arabesque?)
Isso pode parecer excesso de erudição, desnecessário ao leitor comum, mas a verdade é que pode induzir ao erro leitores, estudantes e até mesmo professores interessados em entender a obra de maneira um pouco mais completa. Refiro-me aqui, mais especificadamente, a edições do Satíricon, de Petrônio, em que algumas editoras incorporam, ao texto latino estabelecido como original, falsificações reconhecidas, como se se tratasse de um único texto de Petrônio (veja mais sobre essa fraude renascentista aqui).
Isso pode parecer excesso de erudição, desnecessário ao leitor comum, mas a verdade é que pode induzir ao erro leitores, estudantes e até mesmo professores interessados em entender a obra de maneira um pouco mais completa. Refiro-me aqui, mais especificadamente, a edições do Satíricon, de Petrônio, em que algumas editoras incorporam, ao texto latino estabelecido como original, falsificações reconhecidas, como se se tratasse de um único texto de Petrônio (veja mais sobre essa fraude renascentista aqui).
3 de dez. de 2009
Uma fraude renascentista - Satíricon IV
Como eu havia mencionado no primeiro post da série, o Satíricon, de Petrônio, infelizmente chegou aos tempos modernos em fragmentos. Acredita-se que tenhamos apenas três dos não se sabe quantos livros originais que compuseram a obra, os livros XIV, XV e XVI, e mesmo assim não completos, talvez 15% do total. No entanto, muitos latinistas e acadêmicos, desde a Idade Média, trabalharam para estabelecer o texto latino mais completo possível. A história é interessantíssima.
De acordo com um dos tradutores franceses do Satíricon, Louis de Langle, em 1923, e um tradutor inglês, W. C. Firebaugh, em 1922, ela se resume mais ou menos assim:
1 – Um primeiro fragmento, descoberto em 1476, foi impresso em Milão em 1482, sendo o único texto de Petrônio conhecido até 1565.
2 – Uma versão publicada em Viena em 1564 e Anvers em 1565 (o Codex Sambucus), juntamente com um fragmento encontrado num convento de Buda, em 1587 (Codex Pithoeius), formam um texto um pouco mais completo, preenchendo algumas lacunas do texto anterior.
3 – Uma lacuna importante do texto, parte do Banquete de Trimalquião, foi descoberta por Pierre Petit na biblioteca do convento de Trau e publicada pela primeira vez em Pádova, em 1664. Esse manuscrito ainda continha todas as partes já estabelecidas anteriormente, e criava continuidade entre os fragmentos já conhecidos. Contudo, sua autenticidade foi contestada. Dois exames realizados por literatos de Roma e da França concluíram que o manuscrito deveria ter pelo menos 200 anos – mas nunca houve prova decisiva de que a parte do Banquete fosse do mesmo autor que o restante dos livros.
4 – Finalmente, em 1688, Du Pin, um oficial francês teria encontrado durante uma batalha em Belgrado um enorme manuscrito ainda mais completo. Esse foi traduzido por François Nodot, um mercenário francês seu amigo, e editado por Leers de Rotterdan em 1692. Logo, no entanto, sua autenticidade também foi discutida. Mas desta vez a fraude foi definitivamente estabelecida, principalmente em razão da qualidade do latim: o texto era bem ruim. Contudo, era também bastante engenhoso, servia-se de alusões contidas nos fragmentos já conhecidos e ajudava a encadear bem as partes do Satíricon, criando um texto coerente.
Por isso, a grande maioria dos tradutores de Petrônio, até hoje, optam por incorporar em suas versões do Satíricon, os acréscimos fraudados de Nodot. A grande maioria admite a fraude em prefácio, e costuma marcar de alguma maneira, por exemplo entre colchetes, essas partes que não deixam de ser interessantes para o tom do texto como um todo.
5 - Mais tarde diversos fragmentos foram ainda encontrados e logo reconhecidos como inautênticos (uma lista completa pode ser vista aqui), algumas vezes acrescentados a edições da obra, e em geral identificados como tais. W. C. Firebaugh incorpora por exemplo a falsificação de José Marchena, um espanhol que a escreve em francês por volta de 1800, e a de Don Joe Antonio Gonzalez de Salas, publicada em 1629.
Quanto às nossas edições brasileiras (as quatro lidas por mim), a única que não incorpora os acréscimos de Nodot é a da Cosac Naify, pois seu tradutor optou por se basear numa edição latina estabelecida em 1923, que contemplava apenas os manuscritos considerados originais.
As outras duas versões, da Escala e da Civilização Brasileira (não incluo aqui a da Martin Claret, já que não é nada menos do que cópia deslavada da Civilização Brasileira, como mostramos aqui e aqui) incluem os tais acréscimos. Daí a grande diferença observada (ao fim do post) entre o tamanho do capítulo XI nas diversas edições - a da Cosac Naify contava com apenas algumas linhas e as outras tinham quase oito páginas. Essas oito páginas foram compostas por François Nodot – e são bastante divertidas, aliás, dá para entender o interesse em publicá-las.
Fico apenas triste, do ponto de vista editorial e não de tradução, que as edições que incorporam o Nodot deixem de indicá-lo. Sem uma pesquisa como esta, o leitor nunca saberia que está lendo um texto de, pelo menos, dois autores diferentes, Petrônio e Nodot, perpetuando a fraude, no entanto perfeitamente estabelecida há séculos. Por que os editores não indicam suas fontes, principalmente quando se trata de textos clássicos, cuja história é conturbada?
Imagem: gutemberg.org
De acordo com um dos tradutores franceses do Satíricon, Louis de Langle, em 1923, e um tradutor inglês, W. C. Firebaugh, em 1922, ela se resume mais ou menos assim:

2 – Uma versão publicada em Viena em 1564 e Anvers em 1565 (o Codex Sambucus), juntamente com um fragmento encontrado num convento de Buda, em 1587 (Codex Pithoeius), formam um texto um pouco mais completo, preenchendo algumas lacunas do texto anterior.
3 – Uma lacuna importante do texto, parte do Banquete de Trimalquião, foi descoberta por Pierre Petit na biblioteca do convento de Trau e publicada pela primeira vez em Pádova, em 1664. Esse manuscrito ainda continha todas as partes já estabelecidas anteriormente, e criava continuidade entre os fragmentos já conhecidos. Contudo, sua autenticidade foi contestada. Dois exames realizados por literatos de Roma e da França concluíram que o manuscrito deveria ter pelo menos 200 anos – mas nunca houve prova decisiva de que a parte do Banquete fosse do mesmo autor que o restante dos livros.
4 – Finalmente, em 1688, Du Pin, um oficial francês teria encontrado durante uma batalha em Belgrado um enorme manuscrito ainda mais completo. Esse foi traduzido por François Nodot, um mercenário francês seu amigo, e editado por Leers de Rotterdan em 1692. Logo, no entanto, sua autenticidade também foi discutida. Mas desta vez a fraude foi definitivamente estabelecida, principalmente em razão da qualidade do latim: o texto era bem ruim. Contudo, era também bastante engenhoso, servia-se de alusões contidas nos fragmentos já conhecidos e ajudava a encadear bem as partes do Satíricon, criando um texto coerente.
Por isso, a grande maioria dos tradutores de Petrônio, até hoje, optam por incorporar em suas versões do Satíricon, os acréscimos fraudados de Nodot. A grande maioria admite a fraude em prefácio, e costuma marcar de alguma maneira, por exemplo entre colchetes, essas partes que não deixam de ser interessantes para o tom do texto como um todo.
5 - Mais tarde diversos fragmentos foram ainda encontrados e logo reconhecidos como inautênticos (uma lista completa pode ser vista aqui), algumas vezes acrescentados a edições da obra, e em geral identificados como tais. W. C. Firebaugh incorpora por exemplo a falsificação de José Marchena, um espanhol que a escreve em francês por volta de 1800, e a de Don Joe Antonio Gonzalez de Salas, publicada em 1629.
Quanto às nossas edições brasileiras (as quatro lidas por mim), a única que não incorpora os acréscimos de Nodot é a da Cosac Naify, pois seu tradutor optou por se basear numa edição latina estabelecida em 1923, que contemplava apenas os manuscritos considerados originais.
As outras duas versões, da Escala e da Civilização Brasileira (não incluo aqui a da Martin Claret, já que não é nada menos do que cópia deslavada da Civilização Brasileira, como mostramos aqui e aqui) incluem os tais acréscimos. Daí a grande diferença observada (ao fim do post) entre o tamanho do capítulo XI nas diversas edições - a da Cosac Naify contava com apenas algumas linhas e as outras tinham quase oito páginas. Essas oito páginas foram compostas por François Nodot – e são bastante divertidas, aliás, dá para entender o interesse em publicá-las.
Fico apenas triste, do ponto de vista editorial e não de tradução, que as edições que incorporam o Nodot deixem de indicá-lo. Sem uma pesquisa como esta, o leitor nunca saberia que está lendo um texto de, pelo menos, dois autores diferentes, Petrônio e Nodot, perpetuando a fraude, no entanto perfeitamente estabelecida há séculos. Por que os editores não indicam suas fontes, principalmente quando se trata de textos clássicos, cuja história é conturbada?
Imagem: gutemberg.org
Joana Canêdo
2 de dez. de 2009
atualizando
sobre a ação criminal de martin claret contra minha pessoa:
No dia 03/11 o Juiz de Direito da comarca de Registro rejeitou a queixa-crime proposta por Martin Claret, em sentença publicada no Diário Oficial do Estado, por considerá-la sem justa causa. Decorrido o prazo para recurso sem manifestação do proponente.
No dia 03/11 o Juiz de Direito da comarca de Registro rejeitou a queixa-crime proposta por Martin Claret, em sentença publicada no Diário Oficial do Estado, por considerá-la sem justa causa. Decorrido o prazo para recurso sem manifestação do proponente.
seleção de obras
A Biblioteca Nacional informa às editoras que foi formada uma Comissão de Especialistas para a seleção de livros que poderão ser adquiridos pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, dentro das ações do Programas Livro Aberto, da competência da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), com recursos provindos do Programa Mais Cultura, ambos os Programas do Ministério da Cultura. Editoras, Distribuidoras e Livrarias que estiverem interessadas em fornecer catálogos e/ou mesmo publicações para análise, podem entrar em contato diretamente com o SNBP (snbp@bn.br ) e/ou com os especialistas, escolhidos por edital de credenciamento, que estarão responsáveis pela seleção do acervo, cuja listagem subsidiará a licitação para aquisições em 2010.
vi esta notícia no publishnews de hoje. ótimo que haja uma comissão, ótimo que venham recursos do minc para o programa mais cultura, ótimo tudo. mas tomara que os membros da comissão lembrem que há várias coisas podres no reino editorial de pindorama.
a bn é nossa, os programas são nossos, os beneficiados pelos programas somos nós: da sociedade vai e para a sociedade volta - como cidadã, quero coisa boa. por isso, e para colaborar com os programas, enviei uma cartinha ao SNBP e aos integrantes da comissão pedindo atenção redobrada a títulos publicados por editoras que praticam plágios de tradução.
atualização em 04/12/2009: fico feliz que alguns integrantes da comissão da seleção já me responderam, dizendo que estão atentos ao problema.
flávio josefo, flavius josephus V
como disse anteriormente, o conteúdo das seleções da madras não é idêntico ao das seleções da edameris. numa mixórdia descabelada, a madras acrescenta vários excertos, entre eles trechos dos livros VII e VIII que a suposta tradutora ou o organizador anônimo da coletânea da madras tinha garantido que não incluiria na coletânea (ver aqui).trad. pe. vicente pedroso, ecad:
322. 1 Reis 4. Devo falar agora dos que tinham o governo das províncias.
Uri governava a região de Efraim.
Aminadabe, genro de Salomão, governava toda a região marítima, na qual também Dor estava compreendida.
Benaia, filho de Achil, governava todo o Grande Campo e o país que se estende até o Jordão.
Gabar governava todo o país de Gileade e de Gaulam, até o monte Líbano, onde havia sessenta cidades grandes e fortes.
Abinadabe, que desposara outra filha do rei Salomão, chamada Bazima, governava toda a Galiléia até Sidom.
Banachal governava a região marítima que está em torno do Arce.
Safate governava os dois montes de Itabarim e do Carmelo e toda a Baixa Galiléia que se estende até o Jordão.
Suba governava todo o país da tribo de Benjamim.
Tabar governava todo o país que está além do Jordão. Salomão tinha além disso um lugar-tenente-general, que governava todos esses governadores.
323. Não se pode descrever a felicidade que os israelitas, particularmente os da tribo de judá, desfrutaram no reinado de Salomão, porque em tão profunda paz, não perturbada por guerras estrangeiras nem internas, todos pensavam somente em cultivar os seus campos e em aumentar as suas riquezas.
O rei tinha oficiais para receber os tributos que os sírios e os outros bárbaros de entre o Eufrates e o Egito eram obrigados a lhe pagar. Esses oficiais forneciam cada dia, para a sua mesa, entre outras coisas, trinta
medidas de farinha, sessenta de outra farinha, inferior, dez bois gordos, vinte bois de pasto, cem cordeiros gordos e grande quantidade de caça e de peixes.
Possuía um número tão grande de carros que eram necessários quarenta mil cochos para os cavalos que os puxavam, atrelados dois a dois. Mantinha, além disso, doze mil homens de cavalaria, sendo que metade montava guarda em Jerusalém, junto de sua esposa, e metade estava distribuída pelas cidades. O encarregado da despensa ordinária tinha também o cuidado de prover a alimentação dos cavalos, em qualquer lugar onde eles estivessem.
324. Deus encheu esse príncipe de sabedoria e de inteligência tão extraordinárias que nenhum outro em toda a Antigüidade pode a ele ser comparado. Ele sobrepujava até mesmo, em muito, os mais ilustres dos
egípcios, que são tidos como os mais notáveis, como também os mais célebres dentre os hebreus daquela época, cujos nomes creio dever citar aqui: Etã, Hemã, Calcol e Darda, todos os quatro filhos de Maol. Esse grande soberano compôs cinco mil livros de cânticos e de versos, três mil livros de parábolas, a começar do hissopo até o cedro, passando por todos os animais, pássaros, peixes e todos os que caminham sobre a terra.
trad. madras (scan, p. 82):*
* atualizado em 10/12/2009: ver informe. atualizado em 14/12/2009: ver solicitação. atualizado em 15/12/2009: ver comunicado.
3. Now the captains of his armies, and officers appointed over the whole country, were these: over the lot of Ephraim was Ures; over the toparchy of Bethlehem was Dioclerus; Abinadab, who married Solomon's daughter, had the region of Dora and the sea-coast under him; the Great Plain was under Benaiah, the son of Achilus; he also governed all the country as far as Jordan; Gabaris ruled over Gilead and Gaulanitis, and had under him the sixty great and fenced cities [of Og]; Achinadab managed the affairs of all Galilee as far as Sidon, and had himself also married a daughter of Solomon's, whose name was Basima; Banacates had the seacoast about Arce; as had Shaphat Mount Tabor, and Carmel, and [the Lower] Galilee, as far as the river Jordan; one man was appointed over all this country; Shimei was intrusted with the lot of Benjamin; and Gabares had the country beyond Jordan, over whom there was again one governor appointed. Now the people of the Hebrews, and particularly the tribe of Judah, received a wonderful increase when they betook themselves to husbandry, and the cultivation of their grounds; for as they enjoyed peace, and were not distracted with wars and troubles, and having, besides, an abundant fruition of the most desirable liberty, every one was busy in augmenting the product of their own lands, and making them worth more than they had formerly been.
4. The king had also other rulers, who were over the land of Syria and of the Philistines, which reached from the river Euphrates to Egypt, and these collected his tributes of the nations. Now these contributed to the king's table, and to his supper every day (3) thirty cori of fine flour, and sixty of meal; as also ten fat oxen, and twenty oxen out of the pastures, and a hundred fat lambs; all these were besides what were taken by hunting harts and buffaloes, and birds and fishes, which were brought to the king by foreigners day by day. Solomon had also so great a number of chariots, that the stalls of his horses for those chariots were forty thousand; and besides these he had twelve thousand horsemen, the one half of which waited upon the king in Jerusalem, and the rest were dispersed abroad, and dwelt in the royal villages; but the same officer who provided for the king's expenses supplied also the fodder for the horses, and still carried it to the place where the king abode at that time.
5. Now the sagacity and wisdom which God had bestowed on Solomon was so great, that he exceeded the ancients; insomuch that he was no way inferior to the Egyptians, who are said to have been beyond all men in understanding; nay, indeed, it is evident that their sagacity was very much inferior to that of the king's. He also excelled and distinguished himself in wisdom above those who were most eminent among the Hebrews at that time for shrewdness; those I mean were Ethan, and Heman, and Chalcol, and Darda, the sons of Mahol. He also composed books of odes and songs a thousand and five, of parables and similitudes three thousand; for he spake a parable upon every sort of tree, from the hyssop to the cedar; and in like manner also about beasts, about all sorts of living creatures, whether upon the earth, or in the seas, or in the air [...]
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagens: chega; desconhecimento
1 de dez. de 2009
sobre a revisão da lei de direito autoral
vale a pena ver entrevista de josé luiz herencia, secretário de políticas culturais do minc, ao g-popai. clique aqui.
flávio josefo, flavius josephus IV
consulte aqui a sequência dos posts sobre essa triste ocorrência.
prosseguindo o cotejo da seleta de josefo, veja-se a autobiografia:
I. autobiografia, vicente pedroso, edameris, 1974
II. autobiografia, madras, 2005*
III. the life of flavius josephus, william whiston [suposta fonte que teria sido usada para a pretensa tradução indireta publicada pela madras]
* atualizado em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução, ver informe.
atualizado em 14/12/2009: ver solicitação.
o padrão é o mesmo: a tradução de vicente pedroso sofreu adulterações para disfarçar a cópia, as quais consistem basicamente em trocas de palavras por sinônimos [assinaladas em negrito] e algumas inversões de frase [assinaladas em itálico].
I.
Meu pai não foi somente conhecido em toda a cidade de Jerusalém pela nobreza de sua origem; ele o foi ainda mais pela sua virtude e por seu amor à justiça, que tornaram seu nome célebre. Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e de mãe, que tinha como ele o nome de Matias; Deus deu-me bastante memória e inteligência e eu fiz tão grande progresso que, tendo então só catorze anos, os sacrificadores e os mais importantes de Jerusalém se dignaram perguntar minha opinião sobre o que se referia à interpretação das leis. Quando fiz treze anos desejei aprender as diversas opiniões dos fariseus, e dos saduceus e dos essênios, três seitas que existem entre nós, a fim de, conhecendo-as, eu pudesse adotar a que melhor me parecesse.
II.
Meu pai não foi somente conhecido em toda a cidade de Jerusalém pela nobreza de sua origem, e sim pela sua virtude e por seu amor à justiça, que tornaram seu nome célebre. Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e de mãe, que tinha também o nome de Matias; Deus deu-me muita memória e inteligência e [] fiz tão grande progresso que, aos 14 anos de idade, os sacrificadores e os mais importantes membros de Jerusalém se dignaram a indagar minha opinião acerca do que se referia à interpretação das leis. Quando fiz 13 anos, desejei aprender as diversas opiniões de fariseus, [] saduceus e [] essênios, [] seitas que existem entre nós, a fim de, entendendo-as, eu pudesse adotar aquela que mais me agradasse.
III.
Now, my father Matthias was not only eminent on account of his nobility, but had a higher commendation on account of his righteousness, and was in great reputation in Jerusalem, the greatest city we have. I was myself brought up with my brother, whose name was Matthias, for he was my own brother, by both father and mother; and I made mighty proficiency in the improvements of my learning, and appeared to have both a great memory and understanding. Moreover, when I was a child, and about fourteen years of age, I was commended by all for the love I had to learning; on which account the high priests and principal men of the city came then frequently to me together, in order to know my opinion about the accurate understanding of points of the law. And when I was about sixteen years old, I had a mind to make trim of the several sects that were among us. These sects are three: - The first is that of the Pharisees, the second that Sadducees, and the third that of the Essens, as we have frequently told you; for I thought that by this means I might choose the best, if I were once acquainted with them all [...]
I.
Assim, estudei-as todas e experimentei-as com muitas dificuldades e muita austeridade. Mas essa experiência ainda não me satisfez; eu vim a saber que um certo Bane vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produz; para se conservar casto, banhava-se várias vezes por dia e de noite na água fria; resolvi imitá-lo. Depois de ter passado três anos com ele, voltei, aos dezenove anos, a Jerusalém. Iniciei-me então nos trabalhos da vida civil e abracei a seita dos fariseus, que se aproxima mais que qualquer outra da dos estoicos, entre os gregos.
II.
Assim, estudei-as [] e as experimentei com muitas dificuldades e [] austeridade. No entanto, essa experiência ainda não me satisfez. Soube que um certo Bane vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a [] terra produzia; para conservar-se casto, bastava banhar-se várias vezes por dia e à noite na água fria. Resolvi imitá-lo. Após ter passado três anos em sua companhia, voltei a Jerusalém aos dezenove anos. Iniciei-me, então, nos trabalhos da vida civil e entrei na seita dos fariseus, a qual se aproxima mais entre os gregos do que qualquer outra [] dos estoicos.*
* é uma tristeza! quando o pessoal faz esses copidesques disfarçatórios sem entender o texto, resulta nessas coisas ininteligíveis...
III.
[...] so I contented myself with hard fare, and underwent great difficulties, and went through them all. Nor did I content myself with these trials only; but when I was informed that one, whose name was Banus, lived in the desert, and used no other clothing than grew upon trees, and had no other food than what grew of its own accord, and bathed himself in cold water frequently, both by night and by day, in order to preserve his chastity, I imitated him in those things, and continued with him three years. So when I had accomplished my desires, I returned back to the city, being now nineteen years old, and began to conduct myself according to the rules of the sect of the Pharisees, which is of kin to the sect of the Stoics, as the Greeks call them.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagem: plagiarius
prosseguindo o cotejo da seleta de josefo, veja-se a autobiografia:
I. autobiografia, vicente pedroso, edameris, 1974
II. autobiografia, madras, 2005*
III. the life of flavius josephus, william whiston [suposta fonte que teria sido usada para a pretensa tradução indireta publicada pela madras]
* atualizado em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução, ver informe.
atualizado em 14/12/2009: ver solicitação.
o padrão é o mesmo: a tradução de vicente pedroso sofreu adulterações para disfarçar a cópia, as quais consistem basicamente em trocas de palavras por sinônimos [assinaladas em negrito] e algumas inversões de frase [assinaladas em itálico].
I.
Meu pai não foi somente conhecido em toda a cidade de Jerusalém pela nobreza de sua origem; ele o foi ainda mais pela sua virtude e por seu amor à justiça, que tornaram seu nome célebre. Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e de mãe, que tinha como ele o nome de Matias; Deus deu-me bastante memória e inteligência e eu fiz tão grande progresso que, tendo então só catorze anos, os sacrificadores e os mais importantes de Jerusalém se dignaram perguntar minha opinião sobre o que se referia à interpretação das leis. Quando fiz treze anos desejei aprender as diversas opiniões dos fariseus, e dos saduceus e dos essênios, três seitas que existem entre nós, a fim de, conhecendo-as, eu pudesse adotar a que melhor me parecesse.
II.
Meu pai não foi somente conhecido em toda a cidade de Jerusalém pela nobreza de sua origem, e sim pela sua virtude e por seu amor à justiça, que tornaram seu nome célebre. Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e de mãe, que tinha também o nome de Matias; Deus deu-me muita memória e inteligência e [] fiz tão grande progresso que, aos 14 anos de idade, os sacrificadores e os mais importantes membros de Jerusalém se dignaram a indagar minha opinião acerca do que se referia à interpretação das leis. Quando fiz 13 anos, desejei aprender as diversas opiniões de fariseus, [] saduceus e [] essênios, [] seitas que existem entre nós, a fim de, entendendo-as, eu pudesse adotar aquela que mais me agradasse.
III.
Now, my father Matthias was not only eminent on account of his nobility, but had a higher commendation on account of his righteousness, and was in great reputation in Jerusalem, the greatest city we have. I was myself brought up with my brother, whose name was Matthias, for he was my own brother, by both father and mother; and I made mighty proficiency in the improvements of my learning, and appeared to have both a great memory and understanding. Moreover, when I was a child, and about fourteen years of age, I was commended by all for the love I had to learning; on which account the high priests and principal men of the city came then frequently to me together, in order to know my opinion about the accurate understanding of points of the law. And when I was about sixteen years old, I had a mind to make trim of the several sects that were among us. These sects are three: - The first is that of the Pharisees, the second that Sadducees, and the third that of the Essens, as we have frequently told you; for I thought that by this means I might choose the best, if I were once acquainted with them all [...]
I.
Assim, estudei-as todas e experimentei-as com muitas dificuldades e muita austeridade. Mas essa experiência ainda não me satisfez; eu vim a saber que um certo Bane vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produz; para se conservar casto, banhava-se várias vezes por dia e de noite na água fria; resolvi imitá-lo. Depois de ter passado três anos com ele, voltei, aos dezenove anos, a Jerusalém. Iniciei-me então nos trabalhos da vida civil e abracei a seita dos fariseus, que se aproxima mais que qualquer outra da dos estoicos, entre os gregos.
II.
Assim, estudei-as [] e as experimentei com muitas dificuldades e [] austeridade. No entanto, essa experiência ainda não me satisfez. Soube que um certo Bane vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a [] terra produzia; para conservar-se casto, bastava banhar-se várias vezes por dia e à noite na água fria. Resolvi imitá-lo. Após ter passado três anos em sua companhia, voltei a Jerusalém aos dezenove anos. Iniciei-me, então, nos trabalhos da vida civil e entrei na seita dos fariseus, a qual se aproxima mais entre os gregos do que qualquer outra [] dos estoicos.*
* é uma tristeza! quando o pessoal faz esses copidesques disfarçatórios sem entender o texto, resulta nessas coisas ininteligíveis...
III.
[...] so I contented myself with hard fare, and underwent great difficulties, and went through them all. Nor did I content myself with these trials only; but when I was informed that one, whose name was Banus, lived in the desert, and used no other clothing than grew upon trees, and had no other food than what grew of its own accord, and bathed himself in cold water frequently, both by night and by day, in order to preserve his chastity, I imitated him in those things, and continued with him three years. So when I had accomplished my desires, I returned back to the city, being now nineteen years old, and began to conduct myself according to the rules of the sect of the Pharisees, which is of kin to the sect of the Stoics, as the Greeks call them.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagem: plagiarius
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