20 de set. de 2009

a vitalidade das coisas


Maria Stuart
Nesta montagem baseada na
tradução de Manuel Bandeira da peça de Friedrich Schiller, as atrizes Julia Lemmertz (Maria Stuart) e Lígia Cortez (Elizabeth 1ª) encenam um encontro imaginário entre as duas rainhas rivais. Direção de Antonio Gilberto.
gentileza de lasarina

19 de set. de 2009

200 anos de poe


amanhã, dia 20 de setembro, inicia-se o congresso internacional para sempre poe, na ufmg, que se estenderá até o dia 23.


a impressionante programação está disponível no site para sempre poe.

leitura



um quebra-cabeças bonitinho. e também: será que há tradutores?, além de questões muito boas a respeito de fernando pessoa tradutor de hawthorne.


imagem: kiri8

17 de set. de 2009

follow-up

sobre o alvoroço no mundo do livro por causa do 1% de contribuição para o fundo pró-leitura, finalmente foi assinado o acordo entre o governo e o setor.

ano brasil-frança



há um bom relato sobre o II encontro de tradutores na casa das rosas em a grenha, blog de ivone benedetti.


o nãogosto fica feliz com a menção ao trabalho contra os plágios e agradece a referência.


a revolução do conhecimento

segue mais uma piadinha dos incansáveis humoristas da editora rideel:

"A ilha da Utopia tem duzentos mil passos em sua maior largura, situada na parte média. Esta largura diminui gradual e sistematicamente do centro para as duas extremidades, de maneira que a ilha inteira se arredonda em um círculo de oitocentos quilômetros de circunferência, apresentando a forma de um crescente, cujas pontas estão afastadas onze mil passos aproximadamente."

perguntar não ofende:
- quais são as duas extremidades de um círculo?
- além do crescente, quais são as outras formas de um círculo?
- como se mede a circunferência de um crescente?

a essa sobranceira indiferença pelas mais rudimentares noções de geometria deve ter se somado a afoiteza da editora em disfarçar a cópia, pois a tradução usada para o decalque dizia:

"A ilha da Utopia tem duzentos mil passos em sua maior largura, situada na parte média. Esta largura diminui gradual e sistematicamente do centro para as duas extremidades, de maneira que a ilha inteira se arredonda em um semicírculo de quinhentas milhas de arco, apresentando a forma de um crescente, cujos cornos estão afastados onze mil passos aproximadamente."

thomas more, utopia, em "tradução" também atribuída pela rideel ao nome de "heloísa da graça burati" e em tradução de luís de andrade (atena; ediouro; abril cultural). veja aqui o cotejo.

quanto às outras tiradas da rideel, ver ahn?, cachimbos lusitanos, "comigo ninguém pode".

imagem: www.sl.infomyth.com

16 de set. de 2009

brasil, meu brasil brasileiro

trata-se da obra de thomas more, utopia, na edição da rideel (2005), com os aportes atribuídos a "heloísa da graça burati" que a editora trouxe à tradução de luís de andrade (atena, 1937; e inúmeras reedições, também em outras editoras).




1. luís de andrade
Rafael Hitlodeu (o primeiro destes nomes é o de sua família) conhece bastante bem o latim e domina o grego com perfeição. O estudo da filosofia ao qual se devotou exclusivamente, fe-lo cultivar a língua de Atenas de preferência à de Roma. E, por isso, sobre assuntos de alguma importância, só vos citará passagens de Sêneca e de Cícero. Portugal é o seu país. Jovem ainda, abandonou seu cabedal aos irmãos; e, devorado pela paixão de correr mundo, amarrou-se à pessoa e à fortuna de Américo Vespúcio. Não deixou por um só instante este grande navegador, durante as três das quatro últimas viagens, cuja narrativa se lê hoje em todo o mundo. Porém, não voltou para a Europa com ele. Américo, cedendo aos seus insistentes pedidos, lhe concedeu fazer parte dos VINTE E QUATRO ficaram nos confins da NOVA-CASTELA. Foi, então, conforme seu desejo, largado nessa margem; pois, o nosso homem não teme a morte em terra estrangeira; pouco se lhe dá a honra de apodrecer numa sepultura; e gosta de repetir este apotegma: O CADÁVER SEM SEPULTURA TEM O CÉU POR MORTALHA; HÁ POR TODA A PARTE CAMINHO PARA CHEGAR A DEUS. Este caráter aventureiro podia ter-lhe sido fatal, se a Providência divina não o tivesse protegido. Como quer que fosse, depois da partida de Vespúcio ele percorreu, com cinco castelhanos, uma multidão de países, desembarcou em Taprobana, como por milagre, e daí chegou em Calicut, onde encontrou navios portugueses que o reconduziram ao seu país, contra todas as expectativas.
2. "heloísa da graça burati"
Rafael Hitlodeu (o primeiro destes nomes é o de sua família) conhece bastante [] o latim e domina o grego com perfeição. O estudo da filosofia, ao qual se dedicou exclusivamente, fez com que ele cultivasse a língua de Atenas de preferência à de Roma. E, por isso, sobre assuntos de alguma importância, só vos citará passagens de Sêneca e de Cícero. Portugal é o seu país de origem. Jovem ainda, deixou suas propriedades aos cuidados dos irmãos e, devorado pela paixão de correr mundo, amarrou-se à pessoa e à fortuna de Américo Vespúcio. Não deixou por um só instante este grande navegador, durante [] três das quatro últimas viagens, cuja narrativa é conhecida hoje em todo o mundo. Porém, não voltou para a Europa com ele. Américo, cedendo aos seus insistentes pedidos, concedeu-lhe fazer parte dos 24 homens que ficaram nos confins da Nova-Castela. Foi, então, conforme seu desejo, largado nessa margem, pois o nosso homem não teme a morte em terra estrangeira; pouco lhe importa [] apodrecer numa sepultura; e gosta de repetir estes provérbios: 'O cadáver sem sepultura tem o céu por mortalha', e 'há por toda a parte caminho para chegar a Deus'. Este caráter aventureiro podia ter-lhe sido fatal, se a providência divina não o tivesse protegido. Seja como for, depois da partida de Vespúcio ele percorreu, com cinco castelhanos, uma multidão de países, desembarcou em Taprobana, como por milagre, e daí chegou em Calicute, onde encontrou navios portugueses que o reconduziram ao seu país, contra todas as expectativas.
1. luís de andrade
Assim que Rafael terminou sua narrativa, veio-me à mente quantidade de coisas que me pareceram absurdas nas leis e costumes utopianos, tais como seu sistema de fazer a guerra, o culto, a religião e várias outras instituições. O que sobretudo transtornava todas as minhas idéias era o alicerce sobre que foi erguida esta estranha república, quero dizer, a comunidade de vida e de bens, sem tráfico de dinheiro. Ora, esta comunidade destrói radicalmente toda nobreza e magnificência, todo esplendor e majestade - coisas que, aos olhos da opinião pública, fazem a honra e o verdadeiro ornamento de um Estado. Não apresentei, entretanto, a Rafael, nenhuma objeção, porque o sabia fatigado da longa narrativa. Por outro lado, não estava certo de que suportasse pacientemente a contradição. Lembrava-me te-lo visto censurar com vivacidade a certos contraditores, repreendendo-lhes temerem passar por imbecis, se nada encontravam a objetar às invenções dos outros.
Pus-me, então, a louvar as instituições utopianas e a narrativa feita. Depois tomei pela mão o narrador, a fim de levá-lo a cear, e prometi que, de outra feita, teríamos ocasião de meditar mais profundamente sobre essas matérias, e de juntos conversar mais demoradamente.
Praza a Deus que isto aconteça algum dia!
Porque, se de um lado não posso concordar com tudo o que disse este homem, aliás incontestavelmente muito sábio e muito hábil nos negócios humanos, de outro lado confesso sem dificuldade que há entre os utopianos uma quantidade de coisas que eu aspiro ver estabelecidas em nossas cidades.
Aspiro, mais do que espero.
2. "heloísa da graça burati"
Assim que Rafael terminou sua narrativa, veio-me à mente uma quantidade de coisas que me pareceram absurdas nas leis e costumes utopianos, tais como seu sistema de fazer a guerra, o culto, a religião e várias outras instituições. O que sobretudo transtornava todas as minhas idéias era o alicerce sobre o qual foi erguida esta estranha república, quero dizer, a comunidade de vida e de bens, sem tráfico de dinheiro. Ora, esta comunidade destrói radicalmente toda nobreza e magnificência, todo o esplendor e majestade - coisas que, aos olhos da opinião pública, fazem a honra e o verdadeiro ornamento de um Estado. Não apresentei, entretanto, a Rafael nenhuma objeção, porque o sabia fatigado da longa narrativa. Por outro lado, não estava certo de que suportasse pacientemente a contradição. Lembrava-me tê-lo visto censurar com vivacidade certos contraditores, repreendendo-lhes por temerem passar por imbecis se não encontravam críticas às invenções dos outros.
Pus-me, então, a louvar as instituições utopianas e a narrativa feita. Depois tomei pela mão o narrador, a fim de levá-lo para cear, e prometi que, de outra feita, teríamos ocasião de meditar mais profundamente sobre essas matérias, e de juntos conversar mais demoradamente.
Queira Deus que isso aconteça algum dia!
Porque, se de um lado não posso concordar com tudo o que disse este homem, aliás incontestavelmente muito sábio e muito hábil nos negócios humanos, de outro lado confesso sem dificuldade que há entre os utopianos uma quantidade de coisas que eu aspiro ver estabelecidas em nossas cidades.
Aspiro, mais do que espero.

a originalidade dessa edição da rideel são as notas de pé de página com que ela presenteia o leitor. por exemplo: "alhures - noutro lugar, distante dali"; "paramentos - vestes litúrgicas"; "libré - uniforme utilizado pelos criados dos nobres"; "opróbrio - desonra, afronta, injúria".

a conhecida tradução de luís de andrade se encontra disponível para download no portal de domínio público do mec. [atualização: inativo, porém. ver disponível em ebooks brasil, aqui]

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

15 de set. de 2009

translation journal

o translation journal deste mês traz um artigo de danilo nogueira e kelli semolini, I Want the Credits for my Translation!

trata-se de um ótimo apanhado sobre o problema do plágio de traduções que tanto anda corroendo a credibilidade do livro e de algumas editoras no país. e bem lembram os articulistas: o que a omissão ou substituição dos legítimos créditos gera é uma incalculável perda para o ensino e a cultura do país.

agradeço as referências um tanto excessivas a meu trabalho. nunca é demais lembrar que, como afirmam os autores do artigo, a lista de pessoas que detetaram e continuam a detetar e denunciar tais fraudes é bem longa. and help us g_d!

imagem: logotipo tj

ê tristeza!


émile zola, germinal, hemus, ediouro (tecnoprint) e nova cultural (círculo do livro), em "tradução" assinada por eduardo nunes fonseca:

http://www1.capes.gov.br/estudos/dados/2002/33002045/029/2002_029_33002045014P7_Disc_Ofe.pdf http://www.biblioteca.uesc.br/arquivos/0/3500/134_3595.htm
http://www.ifch.unicamp.br/graduacao/disciplinas/semestre100/disciplinas/HH728A.pdf
http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/titulo.jsp?ck=83298&tipoPesq=indice&TipoDoc=Livro&BibliReg=&tipoBibli=-1&campo=tit&tipoMat=null
http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v8_n2/rev_fae_v8_n2_02_jose_edmilson.pdf http://cpsf.phlnet.com.br/cgi-bin/wxis.exe?IsisScript=phl8/003.xis&cipar=phl8.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=ROMANCE&code=&lang= http://direito.up.edu.br/arquivos/direito/File/Grupos%20de%20estudos/2_Contribuio%20do%20Direito%20Romano%20e%20contemporneo%20ao%20co%20operativismo%20popular.pdf
http://www.uninorte.com.br/modulos/servicos/downloads/arquivos/ProjetoPedagogicoHistoria.pdf http://consorcio.bn.br/scripts/odwp032k.dll?t=nav&pr=livros_pr&db=livros&use=pn&rn=6&disp=card&sort=off&ss=52318574&arg=fonseca,%20eduardo%20nunes
http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000410277
http://www.biblioteca.pucpr.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=328
http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/marcosdantas/metodologia/Regras-de-citacao.pdf
http://www1.capes.gov.br/DistribuicaoArquivos/CursoNovo/Arquivos/2002/divulga/33002045/029/2002_029_330020452004_ementas.pdf http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&cr=countryBR&rlz=1W1GGLD_pt-BR&q=germinal+zola+tecnoprint&start=20&sa=N
http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=929&Itemid=114
http://www.cchla.ufpb.br/posletr/Teses2008/Mario.pdf

aponta a profa. cláudia poncioni que esta suposta tradução é praticamente uma cópia da edição portuguesa da crisos, na adaptação de j. martins. ver aqui.

imagem: http://meualtofalante.blogspot.com

14 de set. de 2009

livros & afins


livros & afins, do alessandro martins, é uma fonte inesgotável de notícias, sugestões, toques, links sensacionais.

o nãogosto agradece a referência.

imagem: mit

zola, germinal

cláudia poncioni é autora de um estudo comparado de traduções de germinal, que foi publicado em 1999 pela editora annablume. o título da obra é émile zola em português: um estudo das traduções de germinal no brasil e em portugal.


sua análise aborda o trabalho de cinco tradutores, sendo três portugueses, a saber, "beldemónio" (1885), bel-adam (1900) e j. martins (1930), e dois brasileiros, francisco bittencourt (1969) e eduardo nunes fonseca (1982).

a edição da crisos especifica que j. martins fez apenas a adaptação - termo muitas vezes usado para designar uma revisão e/ou atualização de tradução anterior. ao incluí-lo em seu estudo comparado, não admira que cláudia poncioni tenha encontrado grande similaridade entre a tradução de bel-adam e a adaptação de j. martins.

feita essa ressalva, a conclusão da autora é que, depois da secular tradução de beldemónio, francisco bittencourt foi o único a empreender uma nova tradução.* bel-adam se baseia em várias soluções de seu compatriota e j. martins apenas a adaptou. curiosamente foi essa adaptação de j. martins que foi copiada por eduardo nunes fonseca, pela editora hemus:
O exame deste fenômeno permite a constatação de que a tradução n. 5, de Eduardo Nunes da Fonseca, é praticamente uma cópia da tradução de J. Martins (n. 3), que se limitou a adaptar a tradução de Bel-Adam (n. 2), que por sua vez baseara-se na tradução de Beldemónio. O único tradutor a ter feito sua própria tradução foi Francisco Bittencourt (n. 4)" (op. cit., p. 127, negrito meu, db).
* há uma tradução de bandeira duarte, que saiu em 1935 pela flores & mano que, embora mencionada pela autora, não chega a ser objeto de análise em seu estudo.

apenas a título informativo: francisco bittencourt (1933-1997), nascido em itaqui, no rio grande do sul, foi poeta, tradutor, jornalista, editor e crítico de arte. teve vários livros de poemas publicados, foi colaborador da tribuna da imprensa no rio e do correio do povo de porto alegre. morou no egito nos anos 1960, como tradutor, jornalista e locutor, e nos anos 1970 e 1980 trabalhou como tradutor e jornalista na embaixada britânica no rio. foi um dos fundadores do jornal alternativo lampião de esquina (1978-1981) e da editora esquina, ao lado de aguinaldo silva, jean-claude bernardet, darcy penteado, joão silvério trevisan e outros. sua tradução de germinal saiu pela editorial bruguera, em 1969, e teve sucessivas reedições pela abril cultural e círculo do livro. francisco bittencourt traduziu também limões amargos, de durrell, e taras bulba, de gógol, por interposição.
eduardo nunes fonseca, por seu lado, já apareceu algumas vezes aqui no nãogostodeplágio, assinando outras edições espúrias, como a origem das espécies de darwin, pela hemus e pela ediouro, e a cidade antiga, de fustel de coulanges, também pela hemus e pela ediouro.
germinal, na pseudotradução de eduardo nunes fonseca, foi publicado pela hemus em 1982, com várias reedições. em 1986, passou a ser publicado também pela ediouro. em 1996, saiu na coleção "imortais da literatura universal", pela nova cultural e círculo do livro.

13 de set. de 2009

domingueira

traduzir, no blog de josé saramago.

e hoje leonardo fróes conta no sesc pompeia como foi traduzir os contos completos de virginia woolf.

imagem: conceição

leitura


vale a pena o artigo tradutores literários: precisam-se, de francisco vale, da relógio d'água de portugal.

é raro um editor ter essa clareza:
"... quem escreveu o D. Quixote que publicámos foi José Bento – e, no entanto, ao lê-lo, temos a sensação de estar debruçados sobre um texto escrito por Cervantes."
"Ainda é frequente, nas críticas e recensões, não ser sequer mencionado o nome do tradutor. E, no entanto, sem eles não poderíamos ter lido Shakespeare, Cervantes, Tolstói, Rilke, Musil ou Faulkner na nossa língua."

o ótimo toque foi de conceição gomes , via facebook.


12 de set. de 2009

Esta semana vai ser uma farra líterotradutória na Casa das Rosas.
(de 14 a 18 de setembro - destaco a programação do II Encontro de Tradutores)

A tradução de obras francesas no Brasil


15/09, das 10,00 às 20,00 h (com intervalos):
- Conferência de abertura, “Henri Meschonnic et la poétique du traduire”, Gérard Dessons (Univ. Paris VIII)
- Mesa-redonda 1: “Tradução, história e sociedade”, Edgard de Assis Carvalho (PUC/SP); Marie-Hélène Catherine Torres (UFSC); Marta Pragana Dantas (UFPB); Márcia Arbex (UFMG) - Mesa-redonda 2: “Tradução e desconstrução”, Paula Glenadel (UFF), Élida Ferreira (UESC); Olivia Niemeyer Santos (doutoranda: Unicamp); Álvaro Faleiros (USP)
- Conferência 1: “A gramática contrastiva do francês e do português”, Mário Laranjeira (USP/Mackenzie)
- Mesa-redonda 3: “Traduzir prosas do mundo”, Ana Maria de Alencar (UFRJ), Cláudia Faveri (UFSC), Germana H. Pereira de Sousa (UnB), Ana Cláudia Romano Ribeiro (doutoranda: Unicamp)
- Mesa-redonda 4: “Traduzir poemas”, Marcos Siscar (Unesp); Júlio Castañon Guimarães (Fundação Casa de Rui Barbosa); Ivone Benedetti (tradutora literária); Ricardo Meirelles (doutorando: USP)
- Conferência 2: “Traduzir Roubaud: da memória à amnésia”, Inês Oseki-Depré (Univ. Aix-en-Provence)

16/09, das 10,00 às 16,30 h (com intervalos):
- Conferência 3: “Perspectives du Centre International de Traduction Littéraire”, Claude Bleton, ex-diretor do CITL
- Mesa-redonda 5: “A edição do livro francês no Brasil”, A. Bojadsen (Estação Liberdade); P. Wermeck (Cosac Naify); A. Martins Fontes (Martins Fontes)
- Mesa-redonda 6: “Traduzir psicanálise”, Viviane Veras (Unicamp); Patricia Reuillard (UFRGS); Márcia Valéria Martinez de Aguiar (doutoranda: USP); Alain Mouzat (USP)
- Mesa-redonda 7: “Tradução, discurso e subjetividade”, Marcelo Jacques Moraes (UFRJ), Roberto Leiser Baronas (UFSCar); Márcio Venício Barbosa (UFRN)
- Mesa-redonda 8: “Traduzir documentos”, Adriana Tommasini (ATPIESP); Rosiléa Pizarro Carnelós (trad. pública e dra. em Linguística/USP); Adriana Zavaglia (USP)
- Conferência 4: “Traduzir Aimé Césaire: diálogo de culturas na torre de Babel”, Lilian Pestre de Almeida (UFF)

A conferência de encerramento deste ciclo será no dia 18 às 17,30, “A presença francesa na cultura filosófica uspiana”, Paulo Arantes (USP).

torço para que dr. paulo arantes lembre os descalabros de plágios editoriais que têm saqueado uma parte dessa presença francesa na cultura filosófica uspiana. e.g.: descartes, o discurso do método, meditações, paixões da alma, objeções e respostas, na tradução do saudoso bento prado jr. e jacob guinsburg, com as notas de gérard lebrun.

e em 19 de setembro marcelo tápia fala sobre Guilherme de Almeida, tradutor de poesia francesa.

agradeço o toque de virna teixeira.

imagem: logotipo

the book is on the table

alguém me explica?

Agência FAPESP – Dois protótipos de ferramentas computacionais foram criados pela equipe do projeto PorSimples. O primeiro, chamado Facilita, visa a simplificar a linguagem de textos em português disponíveis na internet e, com isso, facilitar a compreensão das informações para crianças e adultos em processo de alfabetização ou pessoas com algum tipo de deficiência de leitura.
O segundo, o editor Simplifica, é destinado a produtores de conteúdo (escritores, professores, webmasters, jornalistas, por exemplo) que desejam criar textos simplificados adequados ao mesmo público. [...]
O objetivo da simplificação linguística é melhorar a capacidade de um texto ser lido para poder ser compreendido. [...] sentenças longas, com vários níveis de subordinação, cláusulas embutidas (relativas), sentenças na voz passiva, uso da ordem não canônica para os componentes de uma sentença, além do uso de palavras de baixa frequência, aumentam a complexidade de um texto.

aliás, a frase "melhorar a capacidade de um texto ser lido para poder ser compreendido" é de doer... é essa a ideia?

notícia via contraditorium, flanela paulistana e jane austen em português

imagem: lasarina

11 de set. de 2009

leitor sofre


o pobre d'o escravo de isaac b. singer, na edição da editora germinal (pretensa tradução de juliana borges; em verdade, cópia da tradução de cabral do nascimento), está à venda em:

saraiva
siciliano
submarino
americanas
cultura

comparece listado num edital de licitação:
www.cultura.mg.gov.br/.../tomada-de-precos-01.2007-livros(2).doc
foi incorporado ao acervo de:
www.am.unisal.br/biblioteca/novas-db-0905.asp

imagem: www.community.kompas.com

10 de set. de 2009

o massacre do germe elétrico


isaac bashevis singer, o escravo.
tradução legítima: cabral do nascimento, pela minerva.
tradução espúria: juliana borges, pela germinal.

primeiros e últimos parágrafos.

1. cabral do nascimento:
O dia começou ao cantar de um pássaro. Cada dia o mesmo pássaro, o mesmo canto. Era como se a ave assinalasse a aproximação da aurora à sua ninhada. Jacob abriu os olhos. As quatro vacas estavam deitadas nas camas de feno e estrume. No meio do curral havia algumas pedras enegrecidas e ramos carbonizados: o fogão em que Jacob cozinhava arroz e fazia pão de trigo mourisco, que comia com leite. A cama do homem era de palha e, à noite, ele cobria-se com um lençol de estopa, usado durante o dia da recolha de ervas para o gado. Estava-se no Verão, mas as noites tornavam-se frias na montanha. Jacob levantava-se mais de uma vez para aquecer as mãos e os pés no corpo dos animais.
Ali reinava ainda o escuro, mas o clarão da alvorada brilhava através de uma fenda da porta. Jacob levantou-se e expulsou o derradeiro sono. Sonhara que se achava na sinagoga, em Josefov, ensinando o Talmud às crianças.

2. juliana borges:
O dia começou ao cantar de um pássaro. Cada dia o mesmo pássaro, o mesmo canto. Era como se a ave assinalasse a aproximação da aurora à sua ninhada. Jacob abriu os olhos. As quatro vacas estavam deitadas nas camas de feno e estrume. No meio do curral havia algumas pedras enegrecidas a ramos carbonizados: o fogão em que Jacob cozinhava arroz e fazia pão de trigo mourisco, que comia com leite. A cama do homem era de palha e, à noite, ele cobria-se com um lençol de estopa, usado durante o dia da recolha de ervas para o gado. Estava-se no Verão, mas as noites tornavam-se frias na montanha. Jacob levantava-se mais de uma vez para aquecer as mãos a os pés no corpo dos animais.
Ali reinava ainda o escuro, mas o clarão da alvorada brilhava através de uma fenda da porta. Jacob levantou-se a expulsou o derradeiro sono. Sonhara que se achava na sinagoga, em Josefov, ensinando o Talmud às crianças.

1. cabral do nascimento:
Assim se fez. Jacob, envolto no manto das preces, com uma haste de murta entre os dedos, foi enterrado junto de Sara. E a comunidade judaica achou por bem erigir uma pedra votiva como desforra das injúrias feitas a Sara por Gershon e outros homens. Passados os trinta dias de luto, o cinzelador iniciou o seu trabalho. No topo havia duas pombas cujos bicos se uniam num beijo; os contornos, porém, respeitavam a interdição mosaica quanto à representação da imagem. Inscreveram em baixo os nomes dos mortos: Jacob filho de Eliezer e Sara filha do patriarca Abraão. Àquele deram a honra de acrescentar as palavras: "Nosso santo professor". E, a seguir àquela, um versículo dos Provérbios: "Quem achará uma mulher forte?"
O epitáfio foi completado com um passo da Bíblia,1 a cercar os nomes: "Amáveis e belos na vida, também na morte se não separaram."
1. Livro II dos Reis, chamado em hebraico Segundo Livro de Samuel. Cap, I, vers. 23.
2. juliana borges:
Assim se fez. Jacob, envolto no manto das preces, com uma haste de murta entre os dedos, foi enterrado junto de Sara. E a comunidade judaica achou por bem erigir uma pedra votiva como desforra das injúrias feitas a Sara por Gershon e outros homens. Passados os trinta dias de luto, o cinzelador iniciou o seu trabalho. No topo havia duas pombas cujos bicos se uniam num beijo; os contornos, porém, respeitavam a interdição mosaica quanto à representação da imagem. Inscreveram em baixo os nomes dos mortos: Jacob filho de Eliezer e Sara filha do patriarca Abraão. Àquele deram a honra de acrescentar as palavras: "Nosso santo professor". E, a seguir àquela, um versículo dos Provérbios: "Quem achará uma mulher forte?"
O epitáfio foi completado com um passo da Bíblia (Livro II dos Reis, chamado em hebraico Segundo Livro de Samuel. Cap. I, vers. 23.) a cercar os nomes: "Amáveis e belos na vida, também na morte não se separaram."

como se vê na última frase que encerra o livro, cabral do nascimento colocou algumas notas de rodapé em sua tradução, e a edição da germinal reproduziu todas elas, interpolando-as diretamente no próprio texto. outros exemplos desse ridículo massacre da prosa de singer:

1. cabral do nascimento:
Habituara-se a falar às vacas, e até consigo mesmo para não esquecer o yiddish.1 Abriu a porta e contemplou as serras que se perdiam na distância.
1. Língua dos judeus de origem nórdica, os asquenazins.
2. juliana borges:
Habituara-se a falar às vacas, a até consigo mesmo para não esquecer o yiddish (língua dos judeus de origem nórdica, os arquenazins). Abriu a porta e contemplou as serras que se perdiam na distância.

ou

1. cabral do nascimento:
Mas Belial1 era persistente como um rato. Quem seria o rato?
1 Diabo, em hebraico. Um dos anjos caídos, no poema de Milton.
2. juliana borges:
Mas Belial (Diabo em hebraico - um dos anjos caídos, no poema de Milton) era persistente como um rato. Quem seria o rato?

sobre outras fraudes denunciadas na imprensa e declarações da germinal, ver aqui.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



9 de set. de 2009

a net e suas netices


achei imperdível: uma curiosa bizarrice em nota da martin claret?

e pus o google translator ali ao lado, para os gentis visitantes não-lusófonos. agradeço o toque de raquel do jane austen em português; fica bem legalzinho ou, pelo menos, bem divertidinho.

caro leitor

gosto muitíssimo do senhor supracitado e supramostrado.

então, retomando essa história da germinal, que pareceu não se abalar com as denúncias de suas fraudes, vi lá em seu site que o escravo constava em seu catálogo.

por acaso tenho o livro em casa na tradução de cabral do nascimento, pela editorial minerva. em vista dos precedentes germinísticos, não tive dúvida: encomendei o escravo da germinal, no que se diz ser tradução, mais uma vez, de juliana borges.

bom, se toda pesquisa fosse fácil assim, eu perderia bem menos horas do meu tempo.

dona germinal, se não for lhe pedir demais, faça uma gentileza: retire isso de seu catálogo, proceda a uma retificação pública com o nome do verdadeiro tradutor, corrija o que está em seu estoque e ofereça reposição para os leitores ludibriados.

caro leitor, não financie a fraude, recuse o roubo intelectual.

8 de set. de 2009

germinoldo lawrence nas livrarias

para adquirir mulheres apaixonadas na edição da germinal, o leitor poderá recorrer aos bons préstimos das americanas, da livraria cultura, da siciliano, da saraiva, do submarino.

agora, se o leitor não gostar de fazer papel de bobo nem de financiar os ishpertos, mais vale optar pela nova tradução de renato aguiar (record), que tem sido muito elogiada, ou recorrer aos sebos para encontrar a antiga tradução de cabral do nascimento.

imagem: www.sandrapontes.com

a germinação das paixões

o português joão cabral do nascimento (1897-1978) traduziu vários autores, entre eles lawrence, henry james, edgar a. poe, stevenson, h.g. wells, truman capote, isaac b. singer.

sua tradução do clássico de david herbert lawrence, mulheres apaixonadas, foi inicialmente publicada pela portugália em 1940, e atualmente está na editora relógio d'água. essa tradução teve inúmeras edições entre nós, com adaptação para o português do brasil feita por ruth de biasi, pela record, abril cultural e nova cultural.

em 2002 a germinal, mais uma editora que gosta de cultivar ervas impróprias para consumo, resolveu rechear seu catálogo com essa bela tradução. no entanto os créditos de tradução constam atribuídos a felipe padula borges, sobrinho do falecido dono da editora, wilson hilário borges.

o caso já foi denunciado na imprensa algumas vezes. no entanto, como a editora e as livrarias continuam a lesar seus clientes leitores com essa falcatrua, retomo aqui o histórico da coisa.

quem levantou a lebre foi o professor e crítico literário alfredo monte, de a tribuna de santos, em meados de 2004. vera lúcia rodrigues, sócia e companheira de hilário borges e que responde pela editora germinal, ao ser contatada por alfredo monte deu uma curiosa explicação: além de defender a "idoneidade" do tradutor, argumentou que a semelhança com a tradução de cabral do nascimento seria mais uma prova da qualidade do trabalho de felipe.

meses depois, procurada por luiz fernando vianna, da folha de s.paulo, a responsável pela germinal desconversou: "Segundo Felipe, o livro foi traduzido pelo Wilson, que lhe pediu para acertar algumas palavras e dar a forma final no texto. É o que eu sei". e insistiu: "Para mim, é muito difícil pensar que ele [Borges] possa ter feito isso".

pois é, difícil ou não, aparentemente foi o que ele fez ou pediu que o sobrinho fizesse. passaram-se sete anos desde o lançamento do livro e cinco anos desde o desmascaramento da fraude. a editora não recolheu a edição, e mantém em seu site a divulgação da obra espúria.

veja a matéria sobre este plágio na folha de s.paulo ou no jornal opção.

7 de set. de 2009

divulgando


Plagiarius Competition 2010 – Registration deadline: December 4, 2009!

NEW: Early Bird Tariff for registrations until October 30, 2009

Dear Mrs. Bottmann,

the Plagiarius-competition is announced for the 34th time. Action Plagiarius grants this negative award at the annual “Ambiente”, the world’s largest consumer goods trade fair, during an international press conference. The award is given to those manufacturers and distributors whom the jury has found guilty of making or selling "the most flagrant" (design) imitations. As his key figure, initiator Prof. Rido Busse chose a gnome which he painted black with a gold nose to signify the illicit earnings from product imitation. The aim of Action Plagiarius is to inform the public practically about the extent, damages and dangers incurred by fakes and plagiarisms. This registered society likes to raise the awareness of the unscrupulous business practices of the imitators who do great harm to industry and potentially deceive and endanger the consumers.

It is most important that affected companies protect their innovations and at the same time draw the attention to the increasing problem of brand and product piracy. Particularly consumers should be sensitised for the problem, as more and more imitations emerge as - in the truest sense of the word – combustible.On February 12, 2010 – the first day of the “Ambiente” Fair - the award ceremony / press conference of Plagiarius 2010 will take place. All entries will be shown from February 12-16, 2010 in Foyer 4.1 during the “Ambiente”. Afterwards the prize winners will be shown at changing world-wide exhibitions and in the Museum Plagiarius in Solingen (Germany).

Designers and companies affected by plagiarisms, should apply for the Plagiarius Competition 2010.

For the evaluation the jury needs:
- The original product
- The alleged plagiarism
- The filled in registration form
- Any correspondence with the imitator
- Copies of IP (Intellectual Property) registrations (certificates of design patents, utility patents etc.) if any registered
- If needed, any further information that may be helpful for the jury (short and precise !)

The early bird registration fee until Oct. 30, 2009: 1. registration: EUR 250,00 - further registrations (each): EUR 150,00The registration fee until Dec. 04, 2009: 1. registration: EUR 300,00 - further registrations (each): EUR 150,00

Applications are welcome any time from now on - the application form can be downloaded at http://www.plagiarius.de/e_awards_comp.html. For further information please ask Christine Lacroix, info@plagiarius.com or phone. +49(0)7308 / 922 422.

We look forward to interesting registrations and would highly appreciate an announcement of the competition in the media.

Thanks for your support!

Yours sincerely,
Action Plagiarius e.V.

Nersinger Strasse 18
D-89275 Elchingen, Germany

leituras

outra leitura interessante sobre teoria e prática de tradução: os cadernos de tradução, da ufsc. o n. 22 traz, entre outros artigos:

Sandra Bagno, “Maquiavélico” versus “maquiaveliano” na língua e nos dicionários
Theo Harden,
Tradução, competência metafórica e fluência conceitual

traz também resenhas de obras de e sobre tradução e duas simpáticas entrevistas com gente da área.

6 de set. de 2009

aviso aos navegantes

no mês passado eu tinha dado um link para a seção sob demanda da ediouro, divulgando a origem das espécies, numa infeliz cópia da vetusta tradução de joaquim dá mesquita paul.

agora o link não leva para lugar nenhum e, indo à seção sob demanda, parece que o tal livro foi retirado. não que isso queira dizer grande coisa, pois afinal o livro continua ativo no catálogo da ediouro e também no google books para visualização parcial.

se alguém quiser ver pelo menos a fotinho e o texto da página removida, estão no post encomende seu plágio e na respectiva "fonte: ediouro" que dei ali.

atualizado em 11/09: a página a que remetia o link em "fonte: ediouro" agora também foi removida.
fonte: lasarina

5 de set. de 2009

clássicos têm traduções dúbias, 2

segue-se a segunda parte do artigo de alfredo monte, a quem agradeço novamente a gentil autorização para reproduzi-lo.

CLÁSSICOS TÊM TRADUÇÕES DÚBIAS (cont.)
Alfredo Monte

Depois dessa surpresa desagradável, nova tentativa, dessa vez com a obra-prima de outro autor inglês: Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe. E aí, outro cúmulo de cinismo: na contracapa e na página que abre o volume encontra-se a expressão texto integral. É claro que se pode ter alguma desconfiança inicial diante das magras duzentas páginas (tá certo que a letra é espremidinha) do volume, uma vez que a edição da Companhia Editora Nacional que me apresentou às aventuras do náufrago mais famoso tinha mais de quatrocentas páginas, o mesmo acontecendo com a edição clássica da Jackson com a tradução canônica de Flávio Poppe de Figueiredo & Costa Neves.

O leitor poderá julgar por si mesmo. Na edição Jackson, a auto-apresentação de Robinson (“Nasci no ano de 1832 na cidade de York etc. etc.”) até sua fuga de casa para Londres, numa desastrosa primeira viagem de navio: cinco páginas e dez parágrafos. No texto integral da Martin Claret está tudo na primeira página e em três parágrafos!

Não há nada de errado em se condensar um texto, aliás é uma prática há muito executada para atrair o leitor juvenil, para livros justamente como os de Shelley & Defoe. Agora, apresentar uma condensação como texto integral é algo indefensável pois desfigura a idéia que se terá do texto já de saída.

Quanto a utilizar camufladamente, quase na íntegra, uma tradução anterior, há um nome no Direito para tal ação.

Esperemos que os outros títulos publicados pela Martin Claret tenham procedimentos menos dúbios e mais corretos.

Adendo de 2009 - Na maciota, a Martin Claret trocou sua nefanda condensação pela republicação da tradução de Flávio Poppe de Figueiredo & Costa Neves, o que foi ótimo porque trouxe de volta a mais impecável das versões brasileiras do livro. Agora a letra continua espremidinha, porém são 384 páginas de texto. Um detalhe hilário: na 4ª. capa temos a seguinte afirmação: “esta nova edição sai, agora, completada com as partes que não foram incluídas nas edições anteriores”. Mas a capa da edição picareta era de melhor gosto. A nova é horrenda.

de fato, a tradução completa tinha saído pela jackson com 460 páginas, inaugurando sua coleção "grandes romances universais", em 1947. agora eu pergunto: e os leitores que adquiriram a edição magrinha da claret, na crença de ser o texto integral, como é que ficam?

outro caso de edição condensada que a editora martin claret apresenta como se fosse "texto integral" é a arte da guerra, de maquiavel - vide o quilo de 150 gramas.

imagem: livraria traça

4 de set. de 2009

ó vasto mundo


o artigo "a poesia é traduzível?", do poeta, tradutor e imortal ivan junqueira, é destaque no boletim do digestivo cultural desta semana (embora publicado em julho):

"Há uma outra questão sobre a qual eu gostaria de me deter aqui. Trata-se do papel histórico exercido pela tradução em certas literaturas, em especial a nossa."

negrito meu, db - imagem: www.miktamchinese.com