18 de ago. de 2009

do que se trata, afinal

carlos andré moreira, em seu ótimo mundo livro, e numa demonstração de quase infinita paciência discutindo com um impertinente anônimo na parte dos comentários, fez uma formulação lapidar: "o grande debate sobre tradução na atualidade envolve questões não apenas de propriedade intelectual, mas de identidade".

agradeço a menção ao trabalho do nãogostodeplágio.
imagem: http://www.h-net.org/

perninha curta


a editora rideel é engraçada. já tinha a piada do cachimbo lusitano e do silver blaze que virou silver star, na coleção sherlock holmes.

sua coleção "biblioteca clássica" também não se pejava muito em pegar as traduções dos outros, tascando costumeiramente o nome de "heloísa da graça burati".

só que, numa dessas vezes, o pessoal devia estar meio distraído e deixou passar, no final do texto, a origem da tradução usada no plágio.




quem se der ao trabalho de clicar no link, vai encontrar lá no finalzinho:
(Tradução do Seminário de Tradução Filosófica, coordenado pela Dr. Helga Hoock Quadrado, Instituto Alemão de Lisboa)
e vai ver que se trata de um arquivo que o prof. joão peneda, da faculdade de belas artes da universidade de lisboa, colocou na internet, trazendo no começo a devida referência:
NIETZSCHE, Friedrich, (1873) O nascimento da tragédia e Acerca da verdade e da mentira, Lisboa, Relógio D'Água, 1997, pp. 213-222.
aparentemente a rideel já tirou essa obra de catálogo e de circulação. mas ia ser engraçado se então ela dissesse: "ah, viu, não é plágio, pois até demos os créditos verdadeiros" - ah, sei, e os créditos espúrios na folha de rosto, na página do expediente, na ficha cip/cbl, na ficha cadastral da fbn/isbn e na ficha catalográfica da biblioteca nacional, só teriam aparecido por algum erro de revisão... e aí só faltaria explicar por que é que a editora relógio d'água de portugal afirma que jamais licenciou a tradução de helga hoock quadrado para a rideel!
.

zumbi trapalhares VI, rabeiras

veja aqui todo o histórico da coisa e em que pé ficou.

já o cadastro do livro de gladstone chaves de melo continua lá:

ISBN: 85-7232-696-0
TÍTULO: A LÍNGUA E O ESTILO DE RUI BARBOSA
AUTOR: GLADSTONE CLARES [sic]
TRADUTOR: JEAN MELVILLE
Nº DE EDIÇÃO: 1
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 228
EDITORA: MARTIN CLARET

bom, então parece que, com a intervenção do ministério público federal, foram corrigidas onze barbaridades.

não sei como foram os procedimentos, mas de cambulhada foram feitas outras alterações que não pertenciam ao escopo da representação junto ao ministério público. e aí a coisa fica grave, pois não se pode mexer em arquivo sem alguma forte razão, e o processo teria que ser transparente. voltarei ao tema.

17 de ago. de 2009

fala o tradutor

"o livro de dave e seu tradutor": a ótima entrevista que cássio arantes leite deu a rafael rodrigues, no digestivo cultural, sobre vários aspectos fundamentais da tradução literária.

e "metamorfoses da tradução", em o livreiro, muito legal também.

aliás, fiquei feliz e agradeço as menções ao nãogostodeplágio.

zumbi trapalhares V, até que enfim!



em maio de 2008, começou um berreiro porque a agência brasileira do isbn (fundação biblioteca nacional) tinha lá em seu cadastro vários disparates de tradução pela editora martin claret: pietro nassetti, marcellin talbot, jean melville, juan gonçalves teriam traduzido para o português coisas como o primo basílio, quincas borba, marília de dirceu, ressurreição, papéis avulsos e outras obras portuguesas e brasileiras. veja aqui as fichas na fbn/isbn.

em 16 de maio de 2008 o prosa online do jornal o globo fez uma ótima nota a respeito. foram várias cartas e ligações para o minc, para a fbn, para a sua presidência, para a advogada da martin claret - nada...

a única coisa que resultou do escarcéu foi que a fbn/isbn passou a incluir nas páginas de pesquisa do site http://www.bn.br/ uma mensagem tipo "não tenho nada a ver com isso". então dei entrada numa representação junto ao ministério público federal - pedindo providências não em relação à martin claret, que essa é outra história, mas em relação à própria agência brasileira do isbn (fbn).

acompanhe aqui o andamento da coisa:

http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/primeira-traducao-de-machado-de-assis.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/machado-nassetti-claret-fbn.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/triste-historia-do-livro-no-brasil.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/nem-o-minc-aguenta-non-chalance.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/novo-tag-nao-tenho-nada-ver-com-isso.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/zumbi-trapalhares.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/03/zumbi-trapalhares-cont.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/04/zumbi-trapalhares-iii.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/06/zumbi-trapalhares-iv.html

no final de julho, mais ligações para o ministério público no rio de janeiro, disseram que o prazo da martin claret para prestar seus esclarecimentos já tinha terminado, mas que ela ainda não havia se manifestado e que em breve a procuradoria voltaria à carga com a editora.

dei uma checada na fbn/isbn, os registros estupefacientes continuavam lá, impertérritos. fiquei achando meio o cúmulo que continuassem ali, mesmo depois que a presidência da fbn tivesse recebido um pedido de esclarecimentos da procuradoria da república. bem ou mal, não deixava de ser um puxão de orelhas...

mas, em suma, sábado vi que - ufa, viva, finalmente - não precisamos mais morrer de vergonha pelos despautérios da nossa querida fundação biblioteca nacional, em suas atribuições como única representante oficial do isbn no país.



agora está assim, substituindo as fichas anteriores:

CATÁLOGO DO ISBN

ISBN: 85-7232-501-8
TÍTULO: FARSA DE INÊS PEREIRA / AUTO DA BARCA DO INFERNO / AUTO DA ALMA
AUTOR: VICENTE, GIL
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2001
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 144
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-457-7
TÍTULO: A VIUVINHA / ENCARNAÇÃO
AUTOR: ALENCAR, JOSE DE
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2001
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 168
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-447-X
TÍTULO: QUINCAS BORBA
AUTOR: MACHADO DE ASSIS
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2001
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 232

ISBN: 85-7232-715-0
TÍTULO: PAPÉIS AVULSOS
AUTOR: MACHADO DE ASSIS
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2006
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 198
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-671-5
TÍTULO: RESSURREIÇÃO
AUTOR: MACHADO DE ASSIS
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2005
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 168
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-564-6 [este caso é um espanto: antes aparecia como o velho da horta, de gil vicente, em tradução de "juan gonçalves"]TÍTULO: O ALIENISTA
AUTOR: MACHADO DE ASSIS
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2002
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 120
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-511-5
TÍTULO: MARILIA DE DIRCEU
AUTOR: TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2001
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 272
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-528-X
TÍTULO: O PRIMO BASÍLIO
AUTOR: EÇA DE QUEIROZ
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2004
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 416
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-500-X
TÍTULO: A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA
AUTOR: PERO VAZ DE CAMINHA
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2002
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 136
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-607-3
TÍTULO: SONETOS
AUTOR: MANUEL du BOCAGE
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2003
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 164
EDITORA: MARTIN CLARET

ISBN: 85-7232-714-2
TÍTULO: POESIA DE RICARDO REIS
AUTOR: FERNANDO PESSOA
Nº DE EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2006
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 268
EDITORA: MARTIN CLARET

desde maio de 2008 até agosto de 2009 são 15 meses! por outro lado fazia um bom tempo que andava essa bandalheira na fbn/isbn, e a martin claret era muito descarada, e a agência do isbn também parecia meio displicente demais, e afinal a obra literária é um elemento cultural pelo qual todos têm que zelar. talvez resulte algum bem disso. quem sabe a fbn comece a levar mais a sério suas atribuições - já seria um bom começo. mas sei lá..., que história mais maluca!

imagem: ufa; dããã

15 de ago. de 2009

o poço e o pêndulo


para documentar:
edgar allan poe, histórias extraordinárias, pela martin claret, com "tradução" do tradicional pietro nassetti, em verdade cópia ligeiramente adulteradada da tradução de brenno silveira.

I was sick — sick unto death with that long agony; and when they at length unbound me, and I was permitted to sit, I felt that my senses were leaving me. The sentence — the dread sentence of death — was the last of distinct accentuation which reached my ears. After that, the sound of the inquisitorial voices seemed merged in one dreamy indeterminate hum. It conveyed to my soul the idea of revolution — perhaps from its association in fancy with the burr of a mill-wheel. This only for a brief period; for presently I heard no more. Yet, for a while, I saw; but with how terrible an exaggeration! I saw the lips of the black-robed judges. They appeared to me white — whiter than the sheet upon which I trace these words — and thin even to grotesqueness; thin with the intensity of their expression of firmness — of immoveable resolution — of stern contempt of human torture.

Estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia - e, quando por fim me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença - a terrível sentença de morte - foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho. O ruído despertava em minha alma a idéia de rotação, talvez devido à sua associação, em minha mente, com o ruído característico de uma roda de moinho. Mas isso durou pouco, pois, logo depois, nada mais ouvi. Não obstante, durante alguns momentos, pude ver, mas com que terrível exagero! Via os lábios dos juízes vestidos de preto. Pareciam-me brancos, mais brancos do que a folha de papel em que traço estas palavras, e grotescamente finos - finos pela intensidade de sua expressão de firmeza, pela sua inflexível resolução, pelo severo desprezo ao sofrimento humano. (brenno silveira)


Eu estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia; e, quando finalmente me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença - a terrível sentença de morte - foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho. O ruído despertava em minha alma a idéia de rotação, talvez em razão de associá-la, em minha mente, com o ruído característico de uma roda de moinho. Porém, isso durou pouco, pois, logo depois não mais ouvi nada. No entanto, por alguns instantes, pude ver - mas com que terrível exagero! Via os lábios dos juízes trajados de preto. Pareciam-me brancos, mais brancos [] que a folha de papel em que escrevo estas palavras, e grotescamente finos - finos pela intensidade de sua expressão de firmeza, pela sua inflexível decisão, pelo severo desprezo ao sofrimento humano. (pietro nassetti)

às vezes, quem é meio leigo no ofício de tradução pode achar natural que existam dois textos iguais ou muito parecidos. não canso de repetir: é impossível. é impossível até para a mesma pessoa: uma frase que numa hora você traduziria assim, em outra hora você próprio traduziria assado. abaixo um contraexemplo:

Eu
estava extenuado, extenuado até a morte, por aquela longa agonia. E quando eles, afinal, me desacorrentaram e me foi permitido sentar, senti que ia perdendo os sentidos. A sentença, a terrível sentença de morte, foi a última frase distintamente acentuada que me chegou aos ouvidos. Depois disto, o som das vozes dos inquisidores pareceu mergulhar num zumbido fantástico e vago. Trazia-me à alma a idéia de rotação, talvez por se associar, na imaginação, com a mó de uma roda de moinho. Mas isto durou apenas pouco tempo, pois logo nada mais ouvi. Contudo, durante algum tempo, eu via... porém com que terrível exagero! Eu via os lábios dos juízes vestidos de preto. Pareciam-me brancos, mais brancos do que as folhas de papel sobre as quais estou traçando estas palavras, e grotescamente delgados; mais adelgaçados ainda pela intensidade de sua expressão de firmeza, de imutável resolução, de rigoroso desprezo pela dor humana. (oscar mendes e milton amado)



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




imagem: www.blig.ig.com.br

14 de ago. de 2009

guilherme de almeida e o vampiro

deu alguns dias atrás no estadão:

Casa Guilherme de Almeida será reaberta como museu e Centro de Estudos de Tradução Literária. "Aqui discutiremos teoria da tradução, tanto de prosa quanto de poesia", adianta o poeta Marcelo Tápia, diretor da instituição. "Também servirá para estimular o interesse pela obra de Guilherme de Almeida."

isso é ótimo, é maravilhoso.

tenho esperanças de que a casa guilherme de almeida venha a proteger vigorosamente as traduções dele contra a sanha indébito-apropriativa da martin claret. a sra. maria isabel, neta do poeta e responsável pela guarda dos direitos de sua obra, afirma em correspondência pessoal dirigida a mim que não autorizou a publicação e muito menos transferiu para a martin claret o copyright do gitanjali traduzido por seu avô.


isso não obsta, porém, que a claret o publique declarando com todas as letras que o copyright da tradução é seu.


o detalhe do dedão sinistro da abdr é de um acinte único, diga-se de passagem. "cópia não autorizada é crime", "respeite o direito autoral": que moral tem a editora martin claret para dizer isso?

13 de ago. de 2009

artistas das palavras



numa bela matéria de capa publicada pela revista da cultura, ruy barata neto mostra como o processo de tradução, "não raro, revitaliza as obras literárias originais". reproduzo abaixo alguns trechos avulsos:

A proximidade entre o trabalho do tradutor e o do escritor é tão grande que não raro pode se notar a evolução estilística de alguns autores à medida que realizam traduções. Carone cita Guimarães Rosa, para quem “a tradução é como uma enchente do Nilo, que fecunda suas duas margens.”

... Jorge Luis Borges, ao se referir às traduções em inglês de Homero – que aliás são muitas –, acreditava ser uma vantagem a ignorância do grego pois, como leitor, tinha acesso a uma verdadeira biblioteca e não somente a um livro original. Isso porque as várias versões traduzidas revelavam novos aspectos contidos na mesma obra.

... assim como um autor às vezes perde o controle sobre a sua criação e deixa fluir sua narração ao gosto de seus personagens, o tradutor também pode inconscientemente ser levado por um processo pessoal de tradução.

... Walter Benjamin chega a afirmar no texto "A tarefa do tradutor" que um texto literário original é apenas a primeira manifestação. A obra ... só é plenamente desenvolvida após várias traduções.

Outro benefício interessante da tradução é o enriquecimento das línguas. ... foram as traduções da Bíblia para o alemão, por Lutero, e para o inglês, pelo Rei James, as responsáveis por desenvolver a literatura dos dois idiomas. E mais: a própria literatura grega, ao ser traduzida para o latim, acabou se tornando patrimônio da língua latina...

"As grandes traduções geralmente são feitas por escritores com pleno conhecimento de sua língua, pois o resultado da tradução só pode ser conferido no idioma de chegada. É aí que está a prova dos nove."

a matéria de ruy barata neto ganhou destaque na publishnews, em palmas ao tradutor.

leia também o post de ruy neto no blog da cultura sobre a difícil arte da tradução de obras literárias, e ouça bosi, schnaiderman, carone e bezerra falando o tema.

o homem burati-rideeliano por aí

este outro fruto dos descalabros editoriais, a saber, nietzsche, ecce homo, com pretensa tradução publicada pela editora rideel atribuindo-a à autoria de "heloísa da graça burati", aparece em programas de curso, bibliotecas, licitações públicas:



seus editores não esqueceram de estampar
o selinho amigo na página de créditos:


imagens: fakebook; logotipo da abdr

12 de ago. de 2009

fórum nacional do direito autoral, V

finalmente, neste bloco sobre o fnda, uma informação da mais alta importância para os cidadãos leitores:

"Para fazer frente às demandas sociais, atualizar-se permanentemente nesse setor de extrema complexidade e atuar com maior rapidez e eficácia, o MinC transformou em Diretoria de Direitos Intelectuais (DDI), a antiga Coordenação Geral de Direito Autoral (CGDA), de modo a superar, com a leveza da nova estrutura e com a ampliação e especialização de recursos humanos - os desafios impostos pelo setor. A nova Diretoria conta com áreas específicas para lidar com os temas da Gestão Coletiva, da Regulação, do Acesso à Cultura e da Difusão dos Direitos Autorais."

isso significa a recriação de uma efetiva instância pública na área dos bens imateriais da sociedade. entre as diversas competências da diretoria dos direitos intelectuais (ddi), estão:

"III - propor medidas normativas que medeiem os conflitos e interesses entre o criador, o investidor e o usuário final de obra protegida por direito autoral; [...]
IV - subsidiar atos relativos ao cumprimento e ao aperfeiçoamento da legislação sobre direitos autorais"

para quem se interessar, a íntegra do decreto está aqui.

o que realmente me deixou muito contente foi a inclusão do cidadão, "o usuário final".

imagem: viva legal

fórum nacional do direito autoral, IV


este congresso pretende dar encaminhamento concreto às sugestões e debates cuja síntese está exposta no livreto do fórum nacional do direito autoral (fnda).

inicialmente programado para o mês de maio, foi transferido para o mês de setembro (para não encavalar com o debate da reforma da lei rouanet, que foi tremendamente agitado e prolífico).

publico novamente a programação:

Painel I: Princípios para revisão da LDA
Expositor: Prof. Dr. José de Oliveira Ascensão – Univ. de Lisboa

Painel II: Disposições Preliminares e Definições
Relator: Dr. Marcos Wachowicz – UFSC
Revisor: Dr. Antonio Morato – USP

Painel III: Obras Intelectuais e Autoria
Relator: Prof. Manoel J. Pereira dos Santos– FGV/GVlaw
Revisor: Dr. José Isaac Pilati – UFSC

Painel IV: Direitos do Autor: Direitos Patrimoniais
Relator: Dr. Newton Silveira – FADUSP
Revisor: Dra. Silmara Chinelatto – Profa. Titular da FADUSP

Painel V: Limitações aos Direitos Autorais I
Relator: Dr. Luiz Gonzaga Silva Adolfo – UNILASALLE E ULBRA - RS
Revisor: Dr. João Carlos Muller Chaves

Painel VI: Limitações aos Direitos Autorais II
Relator: Dr. Guilherme Carboni – FAAP
Revisor: Dr. Allan Rocha – UFRJ - UERJ

Painel VII: Obra Sob Encomenda – Licenças Não-Voluntárias
Relator: Dr. Denis Borges Barbosa – UFRJ
Revisor: Dra. Lilian de Melo Silveira

Painel VIII: Transferência dos Direitos do Autor
Relator: Dra. Eliane Abrão
Revisor: Dr. Eduardo Lycurgo Leite

Painel IX: Utilização de Obras Intelectuais e Fonogramas I
Relator: Dra. Vanisa Santiago
Revisor: Dr. Hildebrando Pontes Neto

Painel X: Utilização de Obras Intelectuais e Fonogramas II
Relator: Dr. Antonio de Figueiredo Murta – PUC/RJ
Revisor: Dra. Sonia Maria D’Elboux

Painel XI: Associações de Titulares e Entidade Reguladora
Relator: Dr. José Carlos Costa Netto
Revisor: Ministro Carlos Fernando Mathias de Souza – STJ

Painel XII: Sanções, Prescrição e Disposições Finais
Relator: Dra. Helenara Braga Avancini – PUC/RS
Revisor: Dr. Eduardo Pimenta – FADISP

fórum nacional do direito autoral, III


já divulguei anteriormente o livreto do minc com seu diagnóstico e propostas para a reformulação da lei do direito autoral 9610/98.

estou reapresentando e atualizando o assunto num bloco de posts seguidos, porque em breve o debate será retomado em fórum nacional, pretendo acompanhá-lo de perto e comentá-lo aqui no nãogostodeplágio.

eis o link para consulta e download:

abaixo segue uma súmula, em que destaco os pontos que me parecem mais relevantes, como cidadã e consumidora, e que interessam aqui no nãogostodeplágio, que defende os direitos de cidadania cultural.
a primeira parte do livreto do minc expõe um diagnóstico dos vários problemas e desequilíbrios na atual legislação do direito autoral. entre eles, é especificamente abordado "o desequilíbrio na Lei Autoral entre titulares de obras protegidas e cidadãos".
na segunda parte, o minc apresenta suas propostas.
"Propostas do Ministério da Cultura para o debate [...]
A seguir, apresentamos as propostas do Ministério da Cultura para este debate divididas nos principais temas:
A) Deve haver supervisão, regulação e promoção da Gestão Coletiva por parte do Estado?
[...]
B) É necessária a criação de uma Comissão de Arbitragem e Mediação Autoral?
Propomos a criação de uma Comissão, no âmbito do órgão responsável pela Política de Direito Autoral, com as seguintes competências:
- Resolução, por arbitragem, dos conflitos resultantes de disputas entre:
[...]
- titulares e consumidores.

C) Como o Estado pode ampliar a defesa do Domínio Público?
Sugerimos alguns pontos que podem ampliar a garantia de acesso e defesa da proteção do patrimônio cultural nacional, como:
- Tornar infração de abuso de direito e infração de ordem econômica o impedimento de acesso, a utilização indevida ou a apropriação privada de obra caída em domínio público; [...]
- Garantir que o Estado defenda a integridade e autoria da obra caída em domínio público e de autores que não tenham deixado sucessores;[...]
- Criar base de dados de obras caídas em domínio público.

D) Como o Estado pode melhorar a organização dos serviços de registro?
Aventamos algumas disposições que poderiam ser incorporadas na regulamentação do órgão responsável pela política de Direito Autoral:
- Organizar os serviços de registro, [...] criando um centro de referência que facilite a construção de uma base de dados consistente sobre obras registradas e que contribua com o controle do domínio público; [...]

E) Qual a estrutura adequada ao setor de Direito Autoral do Estado?
Propomos a criação de uma instituição responsável pela:
-[...]
- Arbitragem e mediação de conflitos;
- Registro de obras;
- Regulação e proteção do domínio público.

F) Como adequar a Lei Autoral às novas tecnologias?
[...] Digitalização de acervos
- Permitir a reprodução digital realizada por biblioteca, arquivo ou museus públicos, ou instituição de ensino ou de pesquisa, desde que se destine às atividades dessas instituições e não visem a lucro direto ou indireto.

G) Como promover o equilíbrio entre interesses público e privado?
Sugerimos a inclusão de alguns limites aos direitos autorais [entendam-se patrimoniais], como por exemplo:
- A utilização de obras intelectuais protegidas em determinados casos especiais, tais como:
[...]
- para fins de ensino, [...];
- para digitalização de acervos;[...]

Além disso, propomos a inclusão de outras medidas na Lei e no Código Penal que, por exemplo, reprimam e penalizem quem:
[...]
- Apropriar-se privadamente de obra caída em domínio público;
[...]

H) Como regular o uso de obras sob encomenda, na prestação de serviço, sob contrato laboral ou financiadas com dinheiro público? [...]

I) Como prover o equilíbrio entre investidores e criadores?[...]

J) Como rever o regime de proteção das obras audiovisuais?[...]

Diante do quadro apresentado, o Ministério da Cultura convida a todos para participarem das discussões do Fórum Nacional de Direito Autoral, que tem como objetivos subsidiar a formulação da política autoral do Ministério da Cultura; discutir a conveniência da revisão da legislação existente sobre a matéria; e redefinir o papel do Estado nesta área.
É uma oportunidade de os interessados no tema contribuírem para a construção de uma política pública que preserve os direitos dos criadores sobre suas obras e promova um amplo acesso à cultura e à educação."

fórum nacional do direito autoral, II


em outubro de 2008, durante o seminário de artistas e autores do fórum do minc, a abrates apresentou uma proposta elaborada por alguns participantes do antigo assinado-tradutores.

o texto completo apresentado pela abrates se encontra aqui, da página 28 à página 31. destaco abaixo os pontos que me parecem mais relevantes, por contemplarem explicitamente a defesa das obras contra plágios, contrafações e abusos de terceiros e em prol dos interesses mais gerais da sociedade.

"Os problemas mais graves são:
• Em primeiro lugar, não existe uma instância de mediação a cargo do Estado capaz de atuar em casos de flagrante violação de direitos autorais, tanto patrimoniais quanto autorais [leia-se "morais"], em detrimento [...] de toda a sociedade a que se destinam as obras;
• Em segundo lugar, a relação contratual vigente nas editoras, de modo geral [...] não oferece a contrapartida de qualquer garantia de que procederão à defesa da obra contra terceiros, assim ficando qualquer iniciativa de proteção das obras na dependência exclusiva do tirocínio e dos interesses do cessionário, independentemente dos danos causados ao autor original da obra, ao tradutor, à sociedade e ao patrimônio cultural do país;
• Em terceiro lugar, o freqüente desrespeito de muitas editoras até mesmo ao direito moral do tradutor de ter seu nome estampado junto com o nome do autor da obra original gera ignorância e indiferença social por parte dos leitores e consumidores das obras, que assim involuntariamente contribuem para a dilapidação do patrimônio cultural brasileiro."

propostas:

"A – Alterações, revisões, complementações de artigos existentes na LDA
1) Complementação do artigo 5, inciso X:
'X –[...] , durante todo o período de vigência do contrato acordado entre as partes. editor – a pessoa física ou jurídica à qual se atribui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la e de protegê-la contra terceiros, nos limites previstos no contrato de edição'.

[justificativa] É necessária a garantia contratual de que os cessionários dos direitos autorais protegerão a obra traduzida contra terceiros, tanto no aspecto patrimonial que lhes cabe quanto no aspecto moral que se refere ao autor da tradução. [...]

5) Complementação do artigo 40:
'Art. 40. Tratando-se de obra anônima ou pseudônima, caberá a quem publicá-la o exercício e a defesa dos direitos patrimoniais do autor.' [...]

8) Alteração do artigo 63, parágrafo primeiro:
'§ 1º Na vigência do contrato de edição, compete ao editor a obrigação de exigir que se retire de circulação edição da mesma obra feita por outrem [subentende-se quando se trata de contrafação ou reprodução não-autorizada] sob pena de reversão da titularidade dos direitos patrimoniais da obra a seu detentor original.' Esta alteração tem por fundamento o fato de a tradução ser parte integrante do patrimônio cultural do país [...]

B – Inclusão de novos artigos na LDA
9) Inclusão na LDA do artigo 11 da Lei do Livro (lei nº 10.753), estipulando a obrigatoriedade de
registro dos contratos de cessão dos direitos autorais no Escritório de Direitos Autorais, na Fundação Biblioteca Nacional, a cargo do cessionário, com o fito de proteger o patrimônio cultural em que se inserem tais obras literárias, científicas e artísticas.

10) Especificação, de acordo com o direito do consumidor garantido pelo artigo 6o, III do CDC, da obrigatoriedade de impressão, na capa, do nome do autor da tradução em conjunto com o nome do autor da obra original, segundo normas a serem definidas em lei específica [...] Sem isso, fere-se o direito inalienável do consumidor de ter acesso claro e imediato à informação [...]

14) Inclusão obrigatória em todas as instâncias de registro das obras derivadas, em qualquer formato e suporte, dos dispositivos legais contra o crime de falsidade ideológica, como consta nas normas atualmente vigentes no EDA/FBN, com finalidade inibitória contra tentativas de registro fraudulento. [...]

17) Em defesa da função social da obra cultural, cabe à parte forte da relação contratual o fornecimento digitalizado ao patrimônio imaterial público de todas as obras de tradução de seu catálogo que tiverem caído em domínio público [...].

18) É de fundamental importância que o combate à pirataria e à violação dos direitos de autor contem com dispositivos inibitórios eficazes para coibir tais crimes [...]

20) Exclusão do § 1o do artigo 17 da LDA haja vista o direito do consumidor de conhecer a autoria do texto e o fato de o direito ao nome ser irrenunciável.

21) Premente necessidade de regularização da NBR 6023/2002 (referência bibliográfica) junto à ABNT. [...]"

fórum nacional do direito autoral, I

desde 2007 o minc, em seu fórum nacional do direito autoral, vem promovendo diversos seminários com vistas a angariar subsídios para a reformulação da lei do direito autoral 9.610/98.

em setembro será retomada a discussão, "agora orientada para a superação dos problemas apontados pelos diversos interlocutores do fórum. Ao mesmo tempo, está elaborando um projeto de lei sobre direito autoral".

participei ativamente entre agosto e outubro de 2008 na formulação de alguns pontos e sugestões para a referida alteração da lei 9610/98. eles foram apresentados no bojo de uma proposta que a abrates, na figura de sua presidenta sheyla barretto de carvalho, levou ao fórum do minc. essa contribuição estava disponível apenas em vídeo, mas agora o minc disponibiliza em seu site os textos completos das diversas apresentações.

http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2009/08/anais_sem_autores_artistas_direitos_rio.pdf

os crimes da rua morgue

só para documentar o já anunciado surripio nassetti-claretiano da tradução de brenno silveira em edgar allan poe, histórias extraordinárias. o original e a tradução de oscar mendes/ milton amado são para dar uma variadinha.

Whist has long been noted for its influence upon what is termed the calculating power; and men of the highest order of intellect have been known to take an apparently unaccountable delight in it, while eschewing chess as frivolous. Beyond doubt there is nothing of a similar nature so greatly tasking the faculty of analysis. The best chess-player in Christendom may be little more than the best player of chess; but proficiency in whist implies capacity for success in all those more important undertakings where mind struggles with mind. When I say proficiency, I mean that perfection in the game which includes a comprehension of all the sources whence legitimate advantage may be derived. These are not only manifold but multiform, and lie frequently among recesses of thought altogether inaccessible to the ordinary understanding.

O jogo de whist tem sido famoso desde muito por sua influência sobre o que se chama "faculdade de calcular" e conhecem-se homens do elevado valor intelectual que dele auferem um deleite aparentemente inacreditável, ao passo que menosprezam o jogo de xadrez como frívolo. É fora de dúvida que nenhum jogo análogo existe que tão grandemente exercite a faculdade de análise. O melhor jogador de xadrez da cristandade não passa de ser o melhor enxadrista; mas o jogador proficiente de whist tem capacidade de êxito em todas as especulações de bem maior importância, em que o espírito luta com o espírito. Quando digo jogador proficiente, quero significar essa perfeição no jogo, que inclui o conhecimento de todas as fontes donde pode derivar um proveito legítimo. E estas não são apenas numerosas, mas complexas, e jazem freqüentemente em recessos do pensamento, totalmente inacessíveis a uma inteligência comum. (oscar mendes e milton amado)

Desde há muito se reconhece a influência do whist sobre o que se chama o poder de cálculo, e sabe-se que homens dotados de grande capacidade intelectual têm experimentado, ao que parece, indizível satisfação nesse jogo, ao mesmo tempo que consideram o xadrez uma frivolidade. Não há a menor dúvida de que não existe nada como esse jogo para incentivar a faculdade analítica. O melhor enxadrista do mundo não passa de o melhor enxadrista: mas uma grande capacidade para o whist implica uma capacidade para o triunfo em todos os empreendimentos importantes em que a inteligência depara com a inteligência. Quando digo capacidade, refiro-me àquela perfeição no jogo que inclui uma compreensão de todas as fontes de onde se deriva uma legítima vantagem. Estas não são apenas diversas, mas multiformes, e se acham, não raro, nas profundidades do pensamento, inteiramente inacessíveis às inteligências comuns. (brenno silveira)

[]Há muito se reconhece a influência do whist sobre o que se chama o poder de cálculo, e sabe-se que homens que têm grande capacidade intelectual têm experimentado, ao que parece, inenarrável satisfação nesse jogo, ao mesmo tempo que consideram o xadrez uma frivolidade. Não há qualquer dúvida de que não existe nada como esse jogo para estimular a faculdade analítica. O melhor enxadrista do mundo não passa de o melhor enxadrista: mas uma grande capacidade para o whist implica uma capacidade para o triunfo em todos os empreendimentos importantes em que a inteligência depara com a inteligência. Quando digo capacidade, refiro-me àquela perfeição no jogo que inclui uma compreensão de todas as fontes de onde se deriva uma legítima vantagem. Estas não são somente diversas, mas multiformes, e se acham, muitas vezes, nas profundezas do pensamento, completamente inacessíveis às inteligências ordinárias. (pietro nassetti)


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




imagem: www.darkinthedark.com

11 de ago. de 2009

pragas



outro dia estava folheando escola de tradutores do rónai (1975), e lá ele já reclamava das fraudes e plágios de tradução, principalmente literária. não citava nomes, falava por cima, meio genericamente, e aventava algumas possíveis razões para o fenômeno. mas com certeza não achava aquilo muito bonito.

por exemplo, tenho um pouco de engulhos quando leio ruy castro, em sua biografia do nelson rodrigues, contando como se fosse algo muito divertido e sapeca o episódio arquiconhecido de que o alfredo machado da record dava um dinheirinho para o nelson, que não sabia nem como se dizia gato em inglês, para usar o nome dele como se tivesse traduzido o harold robbins, para vender mais, pois o povo associaria o nome do tradutor com sacanagem... !

e acho graça que nelson rodrigues tenha ficado assanhadíssimo numa certa época, quando lhe disseram que o vestido de noiva ia ser traduzido em vários países. as traduções esperadas naquela época não saíram - mas fico imaginando algum alfredo machado da tchecoslováquia pagando uns dinheirinhos por fora para seus anjos pornográficos de plantão darem seu nome à tradução do vestido de noiva e assim vender mais, enquanto algum pobre semitradutor que não gostava de dicionário e achava que michaelmas era nome de um lugar no interior da inglaterra inventava alguma coisa qualquer para o abacaxi em português que o chefe lhe passara... quem ia poder reclamar?

nem paulo rónai nem ninguém precisa ir muito longe para explicar nossa jequice monumental.

faço o nãogostodeplágio, vou continuar a fazer, porque acho que uma das maneiras de ajudar a controlar a praga é ir de um em um, dar os nomes aos bois, mostrar, documentar, e se for o caso recorrer à justiça contra essas baixarias. mas que às vezes dá um nojo, isso lá dá!

ecce homo, rideel

a editora rideel, comandada pelo sr. italo amadio, alguns anos atrás sucumbiu à tentação e se entregou entusiasticamente à prática de cópia de traduções alheias. ultimamente andou caindo em si e parece estar retirando de catálogo e de circulação essa tranqueiragem que envergonha qualquer um. menos mau.

se daqui para a frente a rideel se compromete a parar com essa brincadeira de mau gosto, mas daqui para trás continua tudo igual, é importante documentar as fraudes - até para que os principais interessados, nós leitores, possamos saber o que temos em nossas estantes.

abaixo segue mais uma contrafação. trata-se de nietzsche, ecce homo, com tradução atribuída ao nome de "heloísa da graça burati", publicado pela editora rideel em 2005.



nas cópias de tradução da rideel anteriormente apresentadas, tratava-se de simples transcrição literal (com abrasileiramento dos termos nos casos em que as traduções surripiadas eram portuguesas). aqui em ecce homo, além de extensos trechos copiados fielmente, a pretensa tradução sofisticou um pouco a brincadeira substituindo palavras por sinônimos, alterando tempos verbais e de vez em quando invertendo um pouco as frases.

1. artur morão

Prefácio
Na previsão de que em breve terei de surgir perante a humanidade com a mais difícil exigência que se lhe fez, parece-me indispensável dizer quem eu sou. No fundo, todos o deviam saber: não deixei, com efeito, de dar testemunho de mim. Mas a incongruência entre a grandeza da minha tarefa e a pequenez dos meus contemporâneos expressou-se no facto de que não me ouviram, nem também me viram. Vivo do meu próprio crédito, ou será talvez apenas um preconceito supor que vivo?... Basta-me dirigir a palavra a qualquer pessoa «culta» que venha no Verão à Alta Engadine para me convencer de que não vivo... Nestas circunstâncias, há um dever contra o qual, no fundo, se revoltam os meus hábitos, e mais ainda o orgulho dos meus instintos, isto é, o dever de clamar: Escutai-me! Pois, sou esteassim. Sobretudo, não me confundam com outro!

2. "heloísa da graça burati"

Prefácio
Na previsão de que em breve terei de surgir perante a humanidade com a mais difícil exigência que se lhe fez, parece-me indispensável dizer quem eu sou. No fundo, todos o deviam saber: com efeito, não deixei de dar testemunho de mim. Mas a incongruência entre a grandeza da minha tarefa e a pequenez dos meus contemporâneos expressou-se no fato de que não me ouviram, nem também me viram. Vivo do meu próprio crédito, ou será talvez apenas um preconceito supor que vivo?... Basta-me falar com qualquer pessoa «culta» que venha no Verão ao Alta Engadina para me convencer de que não vivo... Nestas circunstâncias, há um dever contra o qual, no fundo, se revoltam os meus hábitos, e mais ainda o orgulho dos meus instintos, isto é, o dever de clamar: Escutai-me! Pois, sou assim e assado. Sobretudo, não me confundam com outro!

1
. artur morão

[epígrafe]
Neste dia perfeito, em que tudo amadurece e não apenas as uvas se tornam douradas, um raio de sol cai justamente sobre a minha vida: olhei para trás, olhei para a frente, e nunca vi ao mesmo tempo tantas e tão boas coisas. Não foi em vão que, hoje, sepultei o meu quadragésimo quarto ano, era-me permitido sepultá-lo – o que nele era vida está salvo, é imortal. A Transmutação de todos os valores, os Ditirambos de Dioniso e, para recriação, o Crepúsculo dos Ídolos – tudo prendas deste ano, e até do seu último trimestre! Como não deveria estar reconhecido por toda a minha vida? Eis porque a mim próprio narro a minha vida.

2. "heloísa da graça burati"

[epígrafe]
Neste dia perfeito, em que tudo amadurece e não apenas as uvas se tornam douradas, um raio de sol cai justamente sobre a minha vida: olhei para trás, olhei para frente, e nunca vi ao mesmo tempo tantas e tão boas coisas. Não foi em vão que hoje sepultei o meu quadragésimo quarto ano, era-me permitido sepultá-lo – o que nele era vida está salvo, é imortal. A Transmutação de todos os valores, os Ditirambos de Dioniso e, para recriação, o Crepúsculo dos Ídolos – tudo prendas deste ano, e até do seu último trimestre! Como não deveria estar reconhecido por toda a minha vida? Eis porque a mim próprio narro a minha vida.

1. artur morão

PORQUE SOU TÃO SAGAZ
4. O mais alto conceito de lirismo foi-me dado por Heinrich Heine. Em vão procurei em todo o curso dos milénios uma música assim tão doce e apaixonada. Ele possuía aquela ironia divina, sem a qual não consigo imaginar a perfeição – aprecio o valor dos homens e das raças pelo modo como sabem compreender necessariamente Deus, sem o separar do sátiro. – E como maneja ele o alemão! Dir-se-á um dia que Heine e eu fomos, de longe, os primeiros artistas da língua alemã – a uma distância incalculável de tudo o que com ela fizeram os simples alemães. – Devo ter uma profunda afinidade com o Manfredo de Byron: encontro em mim todos esses abismos – com treze anos de idade, eu já estava maduro para esta obra. Não tenho palavras, tenho apenas um olhar para os que, na presença de Manfredo, se atrevem a proferir a palavra «Fausto».

2. "heloísa da graça burati"

PORQUE SOU TÃO SAGAZ
4. O mais alto conceito do lirismo foi-me dado por Heinrich Heine. Em vão procuro em todo o curso dos milênios uma música [] tão doce e apaixonada. Ele possuía aquela malícia divina, sem a qual não consigo imaginar a perfeição – aprecio o valor dos homens e das raças pelo modo como sabem compreender necessariamente o deus, sem o separar do sátiro. – E como ele maneja o alemão!
Ainda se dirá um dia que Heine e eu fomos de longe os primeiros artistas da língua alemã – a uma distância incalculável de tudo o que com ela fizeram os simples alemães. [] Devo ter uma profunda afinidade com o Manfredo de Byron: encontrei em mim todos esses a bismos [] aos treze anos de idade, eu já estava maduro para essa obra. Não tenho palavras, tenho apenas um olhar para os que, na presença de Manfredo, se atrevem a proferir a palavra «Fausto».

pena que, tentando disfarçar a cópia, resultem trechos quase incompreensíveis:

1
. artur morão
PORQUE SOU TÃO SÁBIO
1. A ventura da minha existência, porventura a sua singularidade, consiste na sua fatalidade: estou, para me exprimir em forma de enigma, já morto quanto a meu pai, mas, no tocante à minha mãe, vivo ainda e vou ficando velho. Esta dupla herança, por assim dizer a partir do mais alto e do mais baixo degrau na escada da vida, décadent e ao mesmo tempo começo – isto, sim, se é que alguma coisa, explica a neutralidade, a independência de partidismos em relação a todos os problemas da vida, que quiçá me caracteriza. Para os indícios de ascensão e decadência tenho um faro mais apurado do que alguma vez o teve outro homem, sou a este respeito o mestre par excellence – sei ambas as coisas, sou essas duas coisas.

2. "heloísa da graça burati"

PORQUE SOU TÃO SÁBIO
1. A fortuna da minha existência, a sua singularidade talvez, consiste na sua fatalidade: estou, para me exprimir em forma de enigma, já morto quanto a meu pai, mas, no tocante à minha mãe, ainda vivo e vou envelhecendo. Essa dupla herança, por assim dizer a partir do mais alto e do mais baixo degrau na escada da vida, décadent e ao mesmo tempo explica isto, se é que alguma coisa explica a neutralidade, a independência de partidismos em relação a todos os problemas da vida, que talvez me caracteriza. Para os indícios de ascensão e decadência tenho um faro mais apurado do que homem algum jamais teve, misto sou o mestre par excellenceconheço ambas as coisas, sou ambas as coisas.

ou:

1. artur morão

PORQUE SOU TÃO SAGAZ
8. Em tudo isto – na escolha do alimento, do lugar, do clima, da recreação – impera um instinto de autoconservação, que se expressa sem qualquer ambiguidade como instinto de autodefesa. Não ver e não ouvir muitas coisas, não deixar que de nós se aproximem – eis a primeira astúcia, a primeira prova de que não se é um acaso, mas uma necessidade. A palavra corrente para este instinto de autodefesa é gosto. O seu imperativo manda-nos não só dizer não, onde o sim seria um «desinteresse», mas também dizer não tão pouco quanto possível. Separar-se, afastar-se daquilo em que sempre e repetidamente o não se tornaria necessário.

2. "heloísa da graça burati"

PORQUE SOU TÃO SAGAZ
8. Em tudo isso, na escolha do alimento, do lugar, do clima, da recreação, impera um instinto de autoconservação, que se expressa sem qualquer ambiguidade como instinto de autodefesa. Não ver e não ouvir muitas coisas, não deixar que de nós se aproximem – eis a primeira astúcia, a primeira prova de que não [] é um acaso, mas uma necessidade. A palavra corrente para este instinto de autodefesa é gosto. O seu imperativo manda-nos não só dizer Não, onde o Sim seria um «altruíssimo», mas também dizer Não. [] Separar-se, afastar-se daquilo em que sempre e repetidamente o não se tornaria necessário.

será tão difícil assim publicar uma edição legítima? não tem como a rideel licenciar ou encomendar uma tradução de verdade? como vão ficar seus milhares de eccehomos falsificados vendidos por aí?


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



10 de ago. de 2009

cat in progress, poe XXII


carlos daghlian avisa de mais duas traduções de the black cat no brasil:

- josé rubens siqueira, que fez a seleção e tradução de sete contos de poe, reunidos sob o título o escaravelho de ouro e outras histórias, pela ática (1993). a coletânea traz: o escaravelho de ouro, o barril de amontillado, conversa com uma múmia, manuscrito encontrado numa garrafa, o gato negro, a máscara da morte escarlate, a queda da casa de usher;

- celso m. paciornik, o gato preto, em américa - clássicos do conto norte-americano, pela iluminuras (2001).

assim, temos até agora 20 traduções brasileiras de the black cat. há ainda uma tradução anônima pela tecnoprint (1954), além de um indefectível plágio da martin claret em nome de "pietro nassetti".

atualizando as andanças do gato, a tradução de josé rubens siqueira passa a engrossar a relação de "coletâneas de poe" e a de celso paciornik se inclui na lista de "miscelâneas de autores".

histórias clarordinárias


perguntam-me se todas as histórias extraordinárias de allan poe, pela martin plaget, na pretensa tradução do inefável pietro nassetti, foram garfadas das histórias traduzidas por brenno silveira.

sim, essa edição nassetti-claretiana inteira é uma cópia mal e porcamente adulterada, aqui e ali, da tradução de brenno de 1959. apresentei os cotejos apenas de o gato preto e de a queda da casa de usher, mas os mesmos procedimentos foram aplicados aos demais contos, a saber: manuscrito encontrado em uma garrafa, os crimes da rua morgue, a carta roubada, o poço e o pêndulo e o escaravelho de ouro.

alguma hora, só para documentar, publicarei os respectivos cotejos.

imagem: http://almajecta.blogspot.com

9 de ago. de 2009

digitalidades

o minc lança o fórum de cultura digital, muito simpático.


o logo é feiinho, mas a brasiliana vai a todo vapor, lindíssima.

tem ainda a biblioteca digital mundial, coisas muito interessantes.

8 de ago. de 2009

encomende seu plágio

e é esse povo que ficou isento de pagar imposto, não quer cumprir sua parte no compromisso assinado com o governo, e ainda por cima logra os leitores? e quando a gente pede para eles pararem com os plágios, só ficam enrolando?

Sob Demanda
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Sob Demanda

A ORIGEM DAS ESPÉCIES
de Charles Darwin
ISBN 8500015454
Número de Páginas : Altura : 17.00 cm Largura : 24.00 cm
R$58,90

fonte: ediouro

ver atualização do tema em aviso aos navegantes, de 06/09/09

7 de ago. de 2009

os galápagos caipiras

o ano de 2009 deveria ser uma comemoração: 200 anos de nascimento de darwin e 150 anos de publicação de um dos livros mais importantes de todos os tempos, a origem das espécies.

no país dos ishpertos, porém, a origem das espécies é conhecida sobretudo na provecta tradução lusitana de joaquim dá mesquita paul (1913!), sob o indisfarçado plágio em nome de "eduardo nunes", pela editora hemus (c. 1974 até hoje) e pela ediouro (1987 até hoje). segue uma pequeníssima amostra:

hemus:
http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v13n2/v13n2a05.pdf http://www.ibb.unesp.br/graduacao/cb_lic/plano_de_ensino/PE_CB_LIC_evolucao.pdf www.alb.com.br/anais16/sem12pdf/sm12ss04_01.pdf www.unicruzeiro.org.br/100101/571271.html www.univille.edu.br/biblioteca/Agosto_2/Jlle.htm www.ufpi.br/bomjesus/arquivos/file/EmentadasDisciplinas.doc www.uems.br/proec/arquivos/bilbioteca/2%20tabela.pdf http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2561 www.uems.br/proec/arquivos/bilbioteca/1%20tabela.pdf

ediouro:
www.iea.usp.br/iea/evolusociais/doriaoutrodarwin.pdf
www.prp.ueg.br/06v1/ctd/pesq/inic_cien/.../efeito_uso.pdf
http://www.uezo.rj.gov.br/cgi-bin/wxis.exe?IsisScript=phl8/003.xis&cipar=phl8.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=DARWINISMO%20&code=&lang=
http://www.webartigos.com/articles/161/1/heresia-darwinista-a-cruzada-criacionista-pela-supressao-do-ensino-do-evolucionismo/pagina1.html
http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2700,1.shl
www.ifch.unicamp.br/pos/so/2009/ementas_1s/SO120A.pdf
http://www.fflch.usp.br/dh/22009disciplinas/Francisco%20Queiroz.htm
http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-53162008000300001&lng=es&nrm=iso
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0695-1.pdf
http://www.redenacionaldetanatologia.psc.br/Artigos/artigo_24.htm
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/made/article/view/3046/2437
http://www.pernambuco.com/diario/2004/07/17/viver4_0.html
http://www.gematec.cefetmg.br/Artigos/Fatima%20-%20Analogias%20no%20ensino%20da%20biologia.PDF
http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:VHTbskrwXv4J:www.ufra.edu.br/cursosgraduacao/veterinaria/conteudo_prog/Fisiologia%2520Veterinaria%2520I%2520G0113.pdf+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&hl=pt-BR&gl=br
http://www.ibb.unesp.br/graduacao/c_biomed/plano_de_ensino/PE_CBM_Evolucao.doc
http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/rencp/article/viewPDFInterstitial/265/264
http://www.amda.org.br/assets/files/extincoesemmassa.pdf
http://www.fundamentalpsychopathology.org/app/index.php
http://www.colegioeducar.com.br/default.asp?link=darwin.htm
www.sbis.org.br/cbis/arquivos/810.pdf
www.educacao.go.gov.br/especiais/cantinho/99.pdf
http://www.ea.ufrgs.br/pos_graduacao/disciplinas/add006/ADD006_2008_2.pdf
http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:QWXkjx_-SzQJ:www.senept.cefetmg.br/galerias/Arquivos_senept/anais/terca_tema3/TerxaTema3Artigo12.pdf+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&hl=pt-BR&gl=br
http://200.189.113.123/portals/portal/diretrizes/pdf/t_biologia.pdf
http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1462
www.faculdadeideal.com.br/portal/central.../pdf/arq00069.pdf
http://www.sociesc.com.br:8080/waenetbb/servlet/hwbobrn?1,000,BIOLOGIA,S
http://www.ppgecologia.biologia.ufrj.br/oecologia/index.php/oecologiabrasiliensis/article/view/241/207 www.garibaldi.rs.gov.br/.../009_Pregao_Aquisicao_de_Cartilhas_e_.doc
E D I T A L D E P R E G Ã O Nº 036/2009
http://biblioteca.unisantos.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=138
www.igrejaadventista.org.br/.../Artigos/Origens-monografia.doc
http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:LdchYlannHsJ:www1.capes.gov.br/estudos/dados/2002/33002010/046/2002_046_33002010003P9_Disc_Ofe.pdf+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&hl=pt-BR&gl=br
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/Ingles/patriciarocha.pdf http://74.125.47.132/search?q=cache:9j_oumEzSNkJ:revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fadir/article/view/5161/3785+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&cd=158&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
http://74.125.47.132/search?q=cache:9j_oumEzSNkJ:revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fadir/article/view/5161/3785+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&cd=158&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
www.salesianolins.br/projpedagogico/curso76.pdf
http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:Su1J0rCLtNYJ:www1.capes.gov.br/estudos/dados/2004/22003010/036/2004_036_22003010006P3_Disc_Ofe.pdf+darwin+%22a+origem+das+esp%C3%A9cies%22+ediouro&hl=pt-BR&gl=br
http://www.pde.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/Resolucoes/PDE.pdf
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/3833/1/Tese.pdf
www.pr2.ufrj.br/suporte/jornada/jic08/Humanas.pdf
http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/CSPO-724K4B/1/victor_natanael.pdf

imagem: www.comunity.kompas.com

mais um pouco de justiça


informa galeno amorim:

De novo, os plágios

Os plágios estão levando o mundo dos livros de volta ao noticiário policial. Esta semana, o Ministério Público de São Paulo mandou abrir novos inquéritos para investigar o uso indevido de traduções por editoras paulistas. Entre as possíveis vítimas, estão nomes consagrados como Jane Austen (Persuasão) e Emily Brontë (O morro dos ventos uivantes).

imagem: paráfrase fácil

6 de ago. de 2009

bons ventos

ontem o sr. mário amadio, da editora rideel, entrou em contato com o nãogostodeplágio. afirmou a disposição da editora em suspender totalmente o recurso a plágios de tradução, avisou que também foi solicitada a devolução de todas as obras da coleção biblioteca clássica e da coleção sherlock holmes em consignação nas livrarias, prontificou-se a fazer a substituição de eventuais estoques remanescentes nas livrarias por obras legítimas e excluiu de catálogo as duas referidas coleções.

lembrei ao sr. mário que há no catálogo da rideel três obras de shakespeare com tradução atribuída à mesma "heloísa da graça burati" que consta nas edições espúrias, e assim despertam alguma suspeita. o sr. mário se dispôs a verificar as edições e, se for o caso, de retirá-las de catálogo e das livrarias.*

fui conferir no site da editora e nos sites de várias livrarias online: de fato, das duas coleções supracitadas restam apenas alguns exemplares aqui e ali que, imagino eu, a rideel logo tirará de circulação.

de qualquer forma, uma tecla em que o nãogosto sempre bate é que livro não é produto perecível. por isso também publico sempre listas de acervos de bibliotecas, pregões, licitações, teses, artigos, programas de curso, em que constam as obras aqui cotejadas [vide nas escolas].

a intenção é mostrar que o livro tem uma permanência que não se conta em meses nem em anos, e sim em décadas, além de possuir uma tremenda capacidade de infiltração e multiplicação capilar, sobretudo por meio das instituições de ensino e pesquisa.

assim, de um lado só posso parabenizar a editora rideel pela rara lucidez demonstrada, sem simular falsas desculpas ou pretender inverter as coisas e ameaçar "me processar", como fizeram tantas outras. tem encarado o problema de frente e está não só prometendo, mas também tomando providências concretas. que tenha muito sucesso e não receie que, com sua coragem de admitir e se prontificar a corrigir seus desvios, possa empanar sua imagem. pelo contrário, ao proceder assim, devolve-lhe o lustro.

por outro lado, se o "daqui para a frente" na rideel parece bem, resta ver como fica o "daqui para trás". certamente a editora também saberá atender a este outro aspecto, e nós leitores continuamos aqui torcendo pelo melhor.

* atualização em 11/08/09: essas três obras de shakespeare não constam mais no catálogo online da rideel.
* atualização em 30/08/09: ver, infelizmente, http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/08/ao-mestre-com-carinho-2.html

leontiev fraudado nas escolas

infelizmente as cabriolas do quíron desnaturado não ficam restritas ao mundo do faz-de-conta. eis o desenvolvimento do psiquismo, no plágio assinado por hellen roballo e/ou rubens eduardo frias, pela editora centauro, em teses, artigos, programas de curso, bibliotecas:

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/5140/3776
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