Mostrando postagens com marcador germape. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador germape. Mostrar todas as postagens

3 de mar de 2010

é brincadeira!

sobre os plágios da cedic, em contos e histórias de edgar allan poe, chegou minha encomenda da antiga edição portuguesa pela editorial verbo.

para a apresentação das cópias, abaixo estão os scans da edição da verbo e da cedic (que na germape consta como autoria de "henry dualib"):





já apresentei anteriormente a capa da cedic.
à esquerda, o texto pela cedic, à direita o texto pela verbo

19 de fev de 2010

haja leviandade

o sr. paulo matos peixoto, ex-paumape e ex-germape, afirma que vendeu a germape para a gráfica prol em 2005. nega categoricamente que tenha vendido, cedido ou transferido à prol os direitos sobre as traduções do catálogo da antiga germape.

a filha do proprietário da gráfica prol, a sra. bruna martins de carvalho, foi a editora-chefe da cedic responsável pela biblioteca de clássicos da literatura universal da referida editora. segundo a sra. gislene cavalheiro, sócia-proprietária da editora cedic, tratar-se-ia de uma parceria entre a prol e a cedic para publicar títulos da antiga germape (a qual, repito, não teria cedido os direitos sobre eles).

que imbróglio!

voltando ao caso dos moby dick da germape e da cedic - em nome de uma espectral "leonor de medeiros", na verdade cópia integral da edição da martin claret (!), que por sua vez já era um plágio atamancado da tradução de péricles eugênio da silva ramos, constato mais uma bizarrice, esta talvez tributável à tal gráfica prol, fazendo a triangulação:

contracapas de moby dick:


note-se que o número de isbn (fbn) e o código de barras são idênticos. acontece que o código identificador da germape na fbn (fundação biblioteca nacional) e, por extensão, em qualquer isbn seu, é 89155, ao passo que o da cedic é 7530. aqui, nestes dois casos, apresenta-se apenas o cadastramento da obra em nome da germape, mesmo na edição atribuída à cedic.

capas e nomes da editoras nas lombadas:













fichas catalográficas, à esquerda da germape, à direita da cedic:


desculpem a péssima fotógrafa que sou, mas o ponto é o seguinte: a edição da germape traz em sua imprenta a ficha catalográfica e até o próprio logozinho da cedic.

coisa de louco, como dizem: a cedic com isbn da germape, a germape com imprenta da cedic, a germape dizendo que não tem nada a ver com a cedic, e vice-versa. como fica, então? a germape que vendeu (o quê? o nome, a razão social, mas não o catálogo?) à gráfica prol, a gráfica prol editando os livros da cedic, a cedic dizendo que era a filha do dono da prol que cuidava de sua coleção de literatura, e daí por diante.

desculpem-me, dona germape, dona prol e dona cedic, mas o que nós leitores teríamos a ver com isso? pois o que temos em mãos é uma edição que deixa a desejar, plágio de outro plágio já muito atamancado, em nome de duas editoras diferentes; misturando números de identificação junto à fbn, que é a principal instância pública responsável pelo acervo bibliográfico do país; misturando fichas catalográficas, que são os principais mecanismos de registro mundial de qualquer obra - isso é brincadeira, escárnio, desprezo pelo leitor, pela sociedade, pelos órgãos públicos representantes de nossa cidadania, ou o quê?

9 de fev de 2010

moby dick

quanto às edições da germape e da cedic, um título me deixou curiosa.

a germape publicou em 2005 uma edição de moby dick, de herman melville, com tradução atribuída a alguém de nome "leonor de medeiros", que também consta no catálogo da cedic, inclusive com a mesma capa.

ora, sucede que este é, de fato, um dos grandes clássicos da literatura universal. existem vários resumos e adaptações no brasil, mas traduções de fato são pouquíssimas.

em verdade, até 2008, quando a editora cosac naify lançou a tradução de irene hirsch e colaboração de alexandre barbosa de souza, existiam apenas duas:
  1. a de berenice xavier (josé olympio, 1950; reeditada pela ediouro e pela biblioteca folha);
  2. a de péricles eugênio da silva ramos (abril cultural, 1972; reeditada pela nova cultural).*


assim, fiquei surpresa ao saber de uma tradução inédita, que passou desapercebida no cenário editorial brasileiro, de uma obra de tal complexidade. encomendei um volume da germape e outro da cedic, para lê-los com calma e prestar meus devidos respeitos à referida leonor de medeiros.

* diga-se de passagem que em 2004 surgiu uma edição de praxe da editora martin claret, com várias reedições até hoje, que consiste numa cópia grosseiramente atamancada da tradução de péricles eugênio. a editora martin claret atribui os créditos de tradução à inexistente figura de "alex marins". 

veja também:

germape/ cedic

já sabemos que a editora cedic, um tanto altaneira em relação aos dispositivos legais, às vezes dispensa-se de apresentar fichas catalográficas e de estampar o nome dos autores das traduções que publica. já vimos também que seu catálogo retoma o catálogo das extintas paumape e germape.

a paumape se desobrigou de cadastrar suas obras na fundação biblioteca nacional. já a germape cadastrou 99 títulos, distribuídos basicamente entre literatura nacional e literatura estrangeira. dos 36 títulos de literatura estrangeira, nove não apresentam o nome do autor da tradução. entre os 27 restantes, treze me chamaram a atenção.
  • em nome de "henry dualib": contos (maupassant); fábulas (la fontaine); contos e histórias (poe); édipo rei (sófocles); o banquete (platão); a dama das camélias (dumas).
  • em nome de "hillary dias": drácula (stoker); uma aventura de natal (dickens); vinte mil léguas submarinas (verne); a comédia dos erros (shakespeare); a tempestade (shakespeare); a história secreta (procópio); o fantasma de canterville (wilde)
esses títulos fazem parte da coleção de literatura da cedic, embora o sr. matos peixoto negue qualquer cessão ou transferência de catálogo das extintas paumape/ germape para a referida cedic. veja aqui. pelo menos no caso de contos e histórias de poe, já vimos que a página de rosto da cedic estampa o logotipo "mp", das antigas editoras do sr. matos peixoto. logo volto a essa curiosa história.
 
imagem: google images

8 de fev de 2010

mais um gato preto, poe XXX


a editora cedic é responsável pela edição de um pequeno volume chamado contos & histórias, de edgar allan poe, c. 2008. os contos presentes na coletânea são: a camuflagem da morte escarlate, o poço e o pêndulo, o gato preto, o retrato oval e o pipo de "amontillado". traz ainda o poema o corvo, em tradução de machado de assis.

a referida edição não traz imprenta, nem ficha catalográfica, nem créditos, nem nada. na página de rosto apresenta o logotipo "mp", correspondente a matos peixoto, das extintas paumape e germape.


sobre as complexas relações entre cedic, paumape e germape, veja:
por sua vez, a edição da germape, com o mesmo título contos e histórias, consta cadastrada com a data de 2005 na fundação biblioteca nacional, dando como tradutor um misterioso "henry dualib".

não consegui localizar nenhum exemplar impresso dos contos e histórias da germape. mas imagino e tomo como hipótese provável, pelas razões apresentadas nos posts anteriores, que se trata da mesma coletânea.

o que posso afirmar com plena certeza é que a tradução publicada pela cedic não é apócrifa nem do suposto "henry dualib". trata-se de transcrição literal - por plágio ou contrafação - da tradução portuguesa feita por tomé santos júnior, publicada desde 1950 pela editorial verbo de lisboa, na coletânea de nome histórias de mistério e imaginação.

como minha pesquisa versa sobre as edições d'o gato preto publicadas no brasil, incluo aqui, como 25a. tradução, o texto de tomé santos júnior publicado irregular e anonimamente pela editora cedic de belo horizonte, e com grande probabilidade falsamente atribuído a "henry dualib" pela editora germape de são paulo.

veja também:  o gato brasileiro, lista das várias traduções de the black cat publicadas no brasil

14 de dez de 2009

passa passa três vezes

conversei com o sr. paulo matos peixoto, da antiga matos peixoto, da extinta paumape e da germape. muito atencioso, informou-me gentilmente que vendeu a germape em 2005 para a empresa gráfica prol. afirmou conhecer a empresa cedic, a qual, esclareceu ele, opera pelo sistema creditista (isto é, venda domiciliar). declarou jamais ter cedido ou negociado com a cedic os direitos autorais para a publicação de sua obra atentado a napoleão e tampouco os direitos sobre suas notas e introduções a várias obras de tradução. ressaltou ainda que não transferiu para a prol e muito menos para a cedic nenhum dos direitos sobre as traduções adquiridas por suas antigas editoras, e declarou ignorar se há alguma relação entre a prol e a cedic.

quanto a vieira neto, responsável por várias traduções de jules verne publicadas pela matos peixoto, reeditadas pela hemus, pela germape e agora pela cedic e pela leopardo, tratar-se-ia de um antigo amigo seu, já falecido. quanto a gilson césar de souza, tratar-se-ia de um conhecido tradutor do grego e outras línguas, ainda em atividade. finalmente, quanto a dois outros tradutores que assinam traduções no catálogo da germape, a saber, henry dualib e hillary dias, não foi possível obter nenhuma informação.

imagem: passa-passa

8 de dez de 2009

da matos peixoto à cedic



muitas editoras acabam desaparecendo da memória cultural do país. é triste, mas é verdade. às vezes, são anos e anos de dedicação e trabalho constante, a editora não dá certo, ou por qualquer razão encerra as atividades, e não raro, passado algum tempo, mal restam rastros ou lembranças dela.

matos peixoto parece ser um desses casos. foi uma pequena editora dos anos 60, de propriedade do sr. paulo matos peixoto. tenho sua edição de a volta ao mundo em oitenta dias, integrante da "coleção júlio verne", e no ano passado descobri que a suposta tradução publicada pela editora martin claret em nome de "pietro nassetti" em verdade era simples cópia da tradução de vieira neto, publicada em 1965 precisamente pela matos peixoto, em edição ilustrada de capa dura. apresentei esse cotejo em rodando o mundo (e as editoras).

não há nenhuma publicação da matos peixoto no acervo da fundação biblioteca nacional. já nos sebos que integram a estante virtual, encontram-se várias dezenas de títulos que a editora publicou nos anos 60, sobretudo entre 1964 e 1966. diga-se de passagem que qualquer historiador da cultura e do desenvolvimento editorial no país terá sempre uma dívida incalculável para com os sebos, muitas vezes os últimos depositários de uma memória do passado. mas, voltando à matos peixoto, assim como surgiu, desapareceu.

no finalzinho dos anos 80 surge uma outra pequena editora, de nome paumape, sigla do nome de seu proprietário, o já referido sr. paulo matos peixoto. teve vida ainda mais breve, e sua atividade praticamente se concentrou em publicar obras jurídicas de ulderico pires dos santos e reeditar vários títulos do antigo catálogo da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo alguns exemplares da paumape (16), e nos sebos se encontram várias publicações suas.

em 2002/2003 surge mais uma outra pequena editora, de nome germape, sigla, até onde sei, de "gertrud matos peixoto", esposa do sr. paulo. aparentemente mantém-se em atividade - entrei em contato com seu escritório, mas não foi possível falar com a responsável editorial, de nome vera. a germape também tem relançado títulos da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo um maior número de publicações (66), e nos sebos há várias edições suas.

de modo geral, os títulos que compõem o "projeto ler literatura universal" da cedic já faziam parte do antigo catálogo da matos peixoto dos anos 60, e/ou constavam no catálogo da paumape e depois no catálogo da germape. isso pareceria sugerir uma parceria normal entre elas, porém com algumas diferenças editoriais: por exemplo, a edição da germape da divina comédia consta na fbn com a tradução devidamente creditada a hernâni donato, ao passo que a edição da cedic, ao omitir qualquer indicação de autoria ou de dado catalográfico, desliza para a ilegalidade.*

essa relação entre matos peixoto, paumape, germape e cedic ajudaria a explicar os bizarros critérios de seleção que esta última utilizou para compor sua coleção de literatura universal - mais do que aspectos propriamente literários, o que parece ter prevalecido é um simples aproveitamento de catálogo.

adiante retornarei ao tema, sob o ponto de vista mais específico das traduções.

* refiro-me tão-só à correta atribuição da autoria, como direito moral do tradutor e direito do leitor à informação correta, ambos protegidos por lei. já se a germape e a cedic têm ou não licença de uso da tradução de hernâni donato, são outros quinhentos.

imagem: françois bonvin, natureza morta com livro, papéis e tinteiro