25 de jul de 2018

erico veríssimo tradutor


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Curiosamente, embora Erico Veríssimo seja um dos maiores autores brasileiros e exista fartíssimo material sobre sua vida e obra, os dados circulantes sobre sua produção tradutória não raro são incompletos e por vezes até trazem alguns equívocos e imprecisões.

Abaixo apresento em ordem cronológica o que consegui reconstituir a partir de fontes variadas, tanto primárias quanto secundárias:

O sineiro, de Edgar Wallace, 1931 (Coleção Amarela, vol. 3)

O homem sinistro, de Edgar Wallace, 1931 (Coleção Amarela, vol. 6)

Alemanha: fascista ou soviética?, de H.R. Knickerbocker, 1932

O mistério da escada circular, de M. R. Rinehart, 1932 (Coleção Amarela, vol. 11)

Na pista do alfinete novo, de Edgar Wallace, 1933 (Coleção Amarela, vol. 24)

Classe 1902, de Ernst Glaeser, 1933

Contraponto, de Aldous Huxley, 1934 (em 2 vols.)

A morte mora em Chicago, de Edgar Wallace, 1934 (Coleção Amarela, vol. 34)1

A filha de Fu-Manchu, de Sax Rohmer, 1935 (Coleção Amarela, vol. 36)

A cobra amarela, de Edgar Wallace, 1936 (Coleção Amarela, vol. 41)2

A vida começa aos quarenta, de Walter Pitkin, 1936

Navios - e de como eles singraram os sete mares, de H. van Loon, 1936

A guerra secreta pelo algodão, de Anton Zischka, 1936 (com Othmar Krausneck)

“O sorriso da Gioconda”, de Aldous Huxley, in A Novela, n. 5, fev. 1937

E agora, seu moço?, de Hans Fallada, 1937

“História de Anandi, a vaishnavi”, de Rabindranath Tagore, in A Novela, n. 19, abr. 19383

Três titãs - Miguel Ângelo, Rembrandt, Beethoven, de Emil Ludwig, 1939

Felicidade, de Katherine Mansfield, 19404

Não estamos sós, de James Hilton, 1940

Adeus, Mr. Chips, de James Hilton, 1940

Ratos e homens, de John Steinbeck, 1940

O homem e a técnica, de Oswald Spengler, Meridiano, 19415

O retrato de Jennie, de Robert Nathan, Meridiano, 1942

Mas não se mata cavalo?, de Horace McCoy, 1947

Maquiavel e a dama, de Somerset Maugham, 1948


1 Relançado em 1969 pela Cultrix com o título de A lei do chefão.

Para a Coleção Amarela, como se vê, Erico Veríssimo fez sete traduções, de 1931 a 1936. Premido por outras  tarefas, como diretor da Revista do Globo, “conselheiro literário” de Bertaso na editora,  dedicando-se a traduções de mais  fôlego e, sobretudo, com o deslanche de sua obra própria, Veríssimo encerra suas contribuições como tradutor para a Coleção Amarela em 1936.

3 Outra curiosidade é a menção de Erico Veríssimo a Tagore, em suas memórias Solo de clarineta: “Eu lia e traduzia Rabindranath Tagore.  Vejo agora aqui a meu lado, tirada do fundo duma gaveta quase esquecida, uma tradução que fiz de passagens do livro Pássaros Extraviados”.

Felicidade foi o primeiro lançamento de Mansfield em livro no Brasil, enfeixando catorze contos. Seis desses contos traduzidos por Veríssimo já haviam sido publicados antes, em A Novela e na Revista do Globo. Vale notar que foi ele quem introduziu Mansfield entre nós, escolhendo-a para integrar o lançamento do primeiro número de A Novela, a revista literária da Livraria Globo, com o conto “A lição de música”. Antes da publicação da antologia completa Felicidade em 1940, saíram quatro contos da autora em A Novela, em sua breve existência de 1936 a 1938, e outros dois na Revista do Globo em 1939, a saber: “A lição de música”, “Seis pence”, “O dia de Mr. Reginald Peacock”, “A jovem governanta”, “Psicologia” e “Seu primeiro baile”.

5 A Edições Meridiano foi um braço editorial criado pela Globo em 1941, com efêmera existência até 1943. Sua Coleção Tucano, pela qual saiu em 1942 O retrato de Jennie, foi absorvida pela Globo após o encerramento da Meridiano. Assim, Mas não se mata cavalo?, de 1947, saiu como volume 25 da coleção, já pela própria Globo. Diga-se de passagem que José Otávio Bertaso apresenta uma explicação extremamente implausível para a criação da Edições Meridiano em seu A Globo da rua da Praia.

Alguns equívocos repetidos com certa frequência merecem ser retificados. O primeiro equívoco a ser desfeito é o seguinte: O círculo vermelho e A porta das sete chaves, ambos de Edgar Wallace, publicados respectivamente como  volume 1 e volume 2 da  Coleção Amarela (1931), teriam sido traduzidos por Erico Veríssimo. A informação não procede. O círculo vermelho foi traduzido pelo autor regionalista gaúcho Darcy Azambuja, e A porta das sete chaves por Pedro Bruno Dischinger. A fonte desse equívoco, até onde conseguimos apurar,encontra-se em“Memória seletiva: O tempo e os ventos”, uma cronologia biográfica publicada no número  16 dos Cadernos  de  Literatura  Brasileira, do  Instituto  Moreira Salles,  de novembro  de  2003,  em  número  dedicado  a  Erico  Veríssimo, atualmente reproduzida   na   biografia   constante   no   Memorial   do Centro Cultural Erico Veríssimo (CCCEV).:
1931 A  Seção  Editora  da  Livraria  do  Globo  lança  a  primeira  tradução  de  Erico, O sineiro,  de  Edgar  Wallace.  No  mesmo  ano,  traduz  desse  escritor O  círculo vermelho e A porta das sete chaves (CADERNOS 16:10).
Na  cronologia  não  consta  o  nome  do  autor  dos  verbetes  nem  do organizador dos dados, e tampouco qualquer referência às fontes utilizadas. Após  várias diligências  e  consultas  a  diversas  pessoas, obtivemos em correspondência  pessoal com  a pesquisadora  e  docente Maria  da  Gloria Bordini, responsável à época por encaminhar aos coordenadores da edição do IMS  os  materiais  provenientes  do  Rio  Grande  do  Sul, a  confirmação  de  que houve um engano e que as atribuições corretas são, de fato, as que constam na  página  de  rosto  das  obras  citadas: a  tradução d’O  círculo  vermelho é, como dissemos,  de Darcy Azambuja; a d’A porta de sete chaves é de Pedro Bruno Dischinger. O  equívoco  é  tanto  mais  grave,  não  só  porque  não  há registro  de qualquer  fonte  primária ou  mesmo  secundária que  abalizasse a inverossímil asserção publicada no Caderno do IMS, mas porque ao longo dos anos ela tem sido acriticamente reproduzida nos  mais  variados  estudos,  teses,  artigos  e pesquisas, sempre remetendo direta ou indiretamente, explícita ou implicitamente, ao citado Caderno.

Mais grave, porém, e de abrangência muito maior é o grosseiro equívoco de que “Gilberto Miranda” seria o pseudônimo usado por Erico Veríssimo em várias de suas traduções.Na verdade, como explica o próprio Verissimo em Um certo Henrique Bertaso:
Até hoje de vez em quando alguém nos pergunta quem é Gilberto Miranda, que há tanto tempo trabalha para a Globo. Ora, trata-se duma “personalidade de conveniência”que inventei, uma espécie de factótum literário. Se uma equipe anônima organiza um livro ou escreve um ensaio e precisamos dum nome para aparecer como autor dessas tarefas, convocamos Gilberto Miranda, que assim tem sido, além de tradutor, especialista em crítica literária, modas femininas e masculinas, trabalhos manuais, política internacional, história natural, psicologia etc., etc. (2011: 50)
É a partir de 1936, com a tradução de Piratas modernos, de Hans Dominik, como volume 20 da Coleção Universo, que surge a mítica figura de "Gilberto Miranda". aquela “espécie de factótum literário” que designava um improvisado grupo variável de pessoas fazendo talvez às pressas ou dividindo em várias partes qualquer tarefa urgente ou desatendida. Aliás, é interessante notar que, em várias das traduções assinadas por essa "personalidade de conveniência", consta também o nome de outro tradutor, este sim de carne e osso. A hipótese que me parece mais plausível, nesses casos, é a de algum atraso ou eventual desistência do real encarregado pela tarefa, a qual, então, teria sido finalizada por alguma "equipe anônima" da editora ou alguns colaboradores externos convocados às pressas.


Iconografia


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