9 de jul de 2016

ramon fernandez seria erico verissimo?

Encontro numa bela tese de doutorado sobre ilustradores e capistas editoriais, aqui, a qual, aliás, recentemente veio a ser publicada em livro, uma nota de pé de página a propósito da "Coleção Amarela" da Livraria do Globo:
É o que se percebe na leitura do artigo intitulado O Romance Policial, publicado na edição n, 275 da Revista do Globo, e assinado por Ramon Fernandez (provavelmente um dos vários pseudônimos adotados por Erico Verissimo). O texto trata de valorizar esse gênero literário, com a seguinte chamada: "O romance policial nos faz sair da câmara escura do intelectualismo, Ele poderia renovar a velha questão da moral e da arte". (REVISTA DO GLOBO. Porto Alegre: Edição da Livraria do Globo, 25 mai. 1940, edição 275, p. 41).

Destaco: "Ramon Fernandez (provavelmente um dos vários pseudônimos adotados por Erico Verissimo)".

A questão escapa grandemente ao escopo geral da tese e é totalmente dispensável no contexto. Todavia, ali consta e, já que tão alentado e minucioso estudo corre o risco de vir a ser acriticamente utilizado como fonte secundária por outros pesquisadores e estudiosos, gostaria de contribuir com uma pequena retificação.

Não, Ramon Fernandez não era provável ou sequer improvável pseudônimo de Erico Verissimo. 

Ramon Fernandez foi um crítico literário do entreguerras muito famoso na França, que escreveu um ensaio chamado "Le Roman policier", publicado no  n. 210 da Nouvelle Revue Française em 1931.

A chamada do texto para seu ensaio traduzido e publicado na Revista do Globo, que gerou a hipótese supracitada, apenas retoma duas frases do autor: "le roman policier nous fait sortir de la chambre noire de l'intellectualisme ... le roman policier pourrait renouveler la vieille question de la morale dans l'art".


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