3 de jan de 2016

zweig, ninitch e medeiros e albuquerque


gosto do formato de crônica ou de estudo de caso bem condensado ("micro-história", diriam alguns) porque certos episódios históricos parecem constituir nós ou entrelaçamentos resultantes de convergências muito singulares. e gosto desse trabalho de destrinçamento dos fios que, reunindo-se intempestivamente ou inesperadamente, formaram aquela ocorrência histórica (aquele "acontecimento", diriam alguns).

o nó que atualmente ando querendo destrinçar parece quase apenas um fait divers, um pequeno fato avulso, pertencente ao capítulo das curiosas insignificâncias. e é o seguinte: medeiros e albuquerque assinou com seu nome algumas traduções de stefan zweig feitas por zoran ninitch.

este é o "fato". mas, se pararmos para pensar e tentarmos entender essa bizarrice, veremos que o pano de fundo é complicado, são muitas as perguntas e muitos os fatores envolvidos nessa simples ocorrência.

quem são os agentes ativos e passivos envolvidos nisso? medeiros e albuquerque e zoran ninitch, evidentemente, mas também stefan zweig, abraão koogan e a editora guanabara, e, conforme avançamos, também elias davidovich, gastão pereira da silva, odilon gallotti, freud, aurélio pinheiro, flores & mano, atlântida, unitas, calvino, pongetti. por que medeiros? por que ninitch? desde quando? a partir de que condições? com que finalidade? quais as consequências?

resumindo: por que traduções de zweig feitas por ninitch são publicadas como da lavra de ninguém menos que o grande defensor dos direitos autorais no brasil, que deu seu nome à primeira lei referente ao tema, contemplando especificamente também as obras de tradução, qual seja, a "Lei Medeiros e Albuquerque"? o que leva um insigne membro da academia brasileira de letras, importante parlamentar, autor expressivo, a ceder seu nome para uma fraude? o que aconteceu, em suma?

e quanto mais tento entender, mais intrincado parece ser este nó, mais interesses parecem estar envolvidos, mais atritos e conflitos parecem se enfrentar, mais circunstâncias pessoais, econômicas e ideológicas parecem se entrecruzar.


Um comentário:

  1. Vou acompanhar o desenrolar dessa história com duas pulgas sentadinhas, uma atrás de cada orelha!

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