29 de jan de 2016

leituras V: a confusão dos sentimentos

zoran ninitch, excêntrica figura sobre a qual devo a mim mesma um artigo, fez em 1934 uma bela tradução (a primeira) de a confusão dos sentimentos, de stefan zweig, interessante novela psicológica sobre a homossexualidade.



elias davidovich, muito importante na área tradutória e com sólido trabalho de divulgação das obras de freud e zweig no brasil, fez outra tradução de a confusão dos sentimentos. sua primeira edição não traz data, mas calculo que seja não muito posterior (c.1937-38; será reeditada em 1942). devo dizer que fiquei bastante decepcionada.



surpreendeu-me o paradoxo: um pobre expatriado com visíveis problemas psicológicos como ninitch, por vezes cortejando ou mesmo adotando práticas próprias de um vigarista, que certamente deu e levou várias trombadas em e de davidovich, figura séria e de respeitável relevo em nossa história editorial, supera-o em muito em termos de capacidade e qualidade tradutória, pelo menos neste caso em pauta.

Um comentário:

  1. Denise, entendi que o seu objetivo exprime a opinião que a tradução de Ninitch é melhor do que a de Davidovich, mas ao jogar esse "supera-o muito" lá pro fim da frase deixa dúvida quanto a isso. Não sou tradutor, mas leitor. Fico imaginando que critérios linguísticos você usaria para comparar traduções de 1932, 1942 (10 anos depois) com o português que se escreve e fala hoje, 80 anos depois, sabendo-se que, como "la donna è mobile", la lingua, la lingua anche è mobile... E como!!! Quanto a Ninitch, deduzindo pelo que vc. descreveu, creio que a beleza da tradução dele se explica justamente por não ser um "acadêmico" e culto como Davidovich. Ninitch aprendeu a língua do povo, tal e qual se falava à época, fonte na qual todos os tradutores deveriam beber.

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